A Polícia Federal (PF) desmantelou uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias eletrônicas e lavagem de dinheiro, após investigação revelar que o grupo movimentou mais de R$ 120 milhões em um esquema de ocultação patrimonial, o que deu a oportunidade para o líder da quadrilha adquirir veículos de luxo e uma mansão.
Ontem, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão, além de medidas de bloqueio patrimonial, nas cidades de Campo Grande e Campo Limpo Paulista (SP).
Uma das casas visitadas pelos policiais fica na Vila Planalto, mais especificamente no condomínio Sky Residence.
A Operação Cyber Trap é um desdobramento da investigação que começou em 2023, após a Caixa Econômica Federal comunicar a existência de um site especializado na comercialização de cartões bancários fraudados.
A partir das informações encaminhadas à PF, o principal suspeito foi identificado, inicialmente vinculado à capital sul-mato-grossense. Até o momento do fechamento desta edição, os nomes dos alvos não haviam sido divulgados.
Durante o cumprimento das medidas judiciais foram apreendidos quatro aparelhos celulares, computadores, veículos, joias, grande quantidade de dinheiro em espécie, criptoativos, imóveis e outros bens relacionados com os fatos investigados.
Policiais federais fizeram uma devassa na casa de líder do grupo - Foto: Divulgação/PFNos vídeos divulgados pela PF, é possível observar os agentes retendo diversos aparelhos celulares, tanto dentro de carros de luxo (incluindo um Mustang) quanto dentro do imóvel de um dos alvos.
Diversas munições e armas foram encontradas na parte interna da mansão e até um tênis da marca Louis Vuitton foi apreendido.
Também é possível verificar que os alvos tinham aparatos tecnológicos avançados, como monitores e PCs de última geração.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), 4.912 sul-mato-grossenses foram vítimas de estelionato este ano. No ano passado, foram mais de 13,4 mil vítimas, o menor índice quando comparado com os dois anos anteriores.
PARECIDO
Outro esquema similar foi desmantelado pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), em janeiro deste ano, por meio da Operação Chargeback.
Na ocasião, integrantes de uma quadrilha especializada de Mato Grosso do Sul criavam empresas fictícias para conseguir acesso a uma plataforma de vendas e até a máquinas de cartão, que seriam usadas posteriormente como os principais acessórios para ter sucesso nas fraudes.
Conforme as investigações, a associação criminosa atuava desde 2023 em fraudes eletrônicas contra instituições financeiras, com foco nos bancos digitais.
Para que o plano desse certo, os indivíduos envolvidos criavam empresas de fachada para que pudessem adquirir uma plataforma de venda ou maquininhas.
Com essa possibilidade, a quadrilha conseguia praticar vendas simuladas de diversos produtos, desde carne até veículos.
Porém, em vez de enganar os interessados em comprar tais mercadorias, os golpistas utilizavam cartões de crédito de terceiros para efetuar o pagamento e, posteriormente, solicitar uma ferramenta chamada “antecipação de venda”, que é típica de bancos digitais.
Diante da contestação da compra, a bandeira do cartão de crédito cobrava a instituição financeira, que por sua vez cobrava o vendedor. Contudo, o vendedor, que era integrante do grupo criminoso, não apresentava a comprovação da entrega do bem ou qualquer prestação de serviço, desaparecendo com o dinheiro.
Ao todo, a Operação Chargeback cumpriu 15 mandados de busca e apreensão e realizou cinco prisões nos bairros Aero Rancho, Nova Campo Grande, Jardim Paradiso e Jardim Aeroporto, todos em Campo Grande.
Os presos não tiveram seus nomes divulgados, mas há informação de que eram homens de 21 a 32 anos.
* Saiba
A operação faz parte do Projeto Tentáculos, plataforma e modelo estratégico da Polícia Federal para combater fraudes bancárias eletrônicas e golpes financeiros digitais.
É estruturado a partir de acordos de cooperação técnica firmados entre a Polícia Federal, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e diversas instituições financeiras
e de pagamento.

