Cidades

MORTES

Cocaína "mais barata" motivou guerra entre facções na fronteira

Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital têm travado briga por rotas do tráfico, que se estendem por todas as divisas de MS, e deixam em alerta autoridades

Continue lendo...

O recente aumento de mortes na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia e também na divisa com Mato Grosso estaria relacionado à guerra para tomar o controle de rotas do tráfico de cocaína, após a droga ter se “popularizado” e ficado com valor reduzido no mercado interno.

De acordo com o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, desde a pandemia de Covid-19, em 2020, a cocaína tem sido produzida em uma escala maior nos países produtores, como Bolívia, Peru e Colômbia. Isso porque o isolamento social levou muitas pessoas a consumirem a droga.

Com a produção maior, o valor da droga comprada desses produtores, segundo o secretário, baixou e, com mais droga no mercado, ela se “popularizou”, o que fez dela mais rentável. E é por causa desse “mercado aquecido” que as duas maiores facções criminosas do País, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), têm travado uma guerra sangrenta em Mato Grosso do Sul.

“Não só nas fronteiras, mas nas divisas de Mato Grosso do Sul também. Há uma disputa entre as facções pelo controle do tráfico de drogas e pelas melhores rotas. No norte do Estado, o Comando Vermelho tenta entrar em MS, que tem mais integrantes do PCC. Mas temos acompanhado de perto essa questão”, garantiu Videira ao Correio do Estado.

Segundo o secretário, uma cena que pode exemplificar o maior consumo da droga dentro do Brasil é a quantidade de usuários de drogas que podem ser encontrados em Campo Grande, por exemplo.

“A droga se popularizou, principalmente o crack, que é um subproduto da cocaína, e hoje você pode ver o que isso causou nas ruas, aliada com uma falta de estrutura e com políticas públicas falhas. Por isso há um reforço nosso nas rodovias de Mato Grosso do Sul e nas cidades para evitar que essa droga chegue aos consumidores”, declarou o secretário.

Um exemplo disso é a quantidade de apreensões de cocaína realizadas nos últimos anos. De acordo com dados da Sejusp, que somam apreensões feitas pelas forças estaduais e federais de segurança, desde 2021, as polícias têm apreendido volume não inferior a 8 toneladas de cocaína por ano.

Na série histórica disponibilizada pela instituição, que começa em 2015, o ano com a maior apreensão foi 2023, quando mais de 18 toneladas da droga foram encontradas pelas forças de segurança. No ano passado, foram 17,6 toneladas, o segundo maior volume. Este ano, até o dia 4, haviam sido apreendidos 8,9 toneladas do entorpecente.

EXECUÇÕES

Desde o anúncio do fim do acordo de trégua entre PCC e Comando Vermelho, em maio deste ano, vários crimes de pistolagem e execuções no meio da rua foram registrados em Mato Grosso do Sul e do lado paraguaio, nas cidades que fazem fronteira com o Estado.

A situação mais delicada talvez seja na fronteira entre Coronel Sapucaia e Capitán Bado, onde quatro pessoas foram assassinadas em três dias na região no mês passado.

Francisco Willams da Silva, de 33 anos, e Camila Barros Barboza, de 35 anos, foram mortos em Coronel Sapucaia. O casal foi fuzilado em uma rua da cidade, e os pistoleiros fugiram do local.

Dias depois, Alexi Xavier Escurra Rodrigues, de 25 anos, que teria inúmeras passagens pela polícia e seria sobrinho do narcotraficante Felipe Escurra, conhecido como Barón, que é ligado ao CV, foi executado com vários tiros, ao lado de Sebastian Gonzalez Espínola, de 37 anos.

Além das fronteiras, também houve mortes nas regiões de divisa entre MS e MT. No mês passado, Edeilson Cardoso dos Santos, de 40 anos, foi executado em Coxim. Membro do PCC, o homem foi morto por integrantes do Comando Vermelho. Seis pessoas foram presas após o crime.

Nessa região, segundo Videira, um dos fatores que tem motivado a briga entre as facções é o uso da BR-163 para o escoamento da cocaína para grandes centros, como São Paulo e a Região Sul, além de chegar a portos do País, em Santos (SP) e Paranaguá (PR), estados que fazem fronteira com Mato Grosso do Sul, comandado pelo PCC, mas não com Mato Grosso, onde há maioria do CV.

“Eles usam a BR-163 para cruzar MS e chegar aos portos e grandes centros, onde eles não fazem fronteira. Há outras rotas por Goiás e por outras rodovias, mas, como há um grande volume de caminhões na BR-163, é uma das rotas que eles usam, e essa briga é para escoar a droga em segurança, porque existe o mercado nacional e internacional da cocaína”, explicou o secretário.

Já a última execução ocorreu na quarta-feira, em Pedro Juan Caballero, quando Rafael Gonzalez Bermejo, conhecido como Cara Branca e Alemão, foi fuzilado na fronteira.

O homem tinha histórico de passagens pela polícia por tráfico de drogas, armas e roubo de veículos e estava foragido do regime semiaberto do presídio da cidade de Pedro Juan Caballero.

“A disputa pelas rotas do tráfico é sangrenta, e temos atuado para coibir essa briga, porque o que se faz aqui traz resultado para muito além da fronteira. É como um tabuleiro de xadrez, e a gente vai movendo as peças [forças de segurança] de acordo com o movimento que esses grupos fazem e que nossa Inteligência identifica. É um trabalho ininterrupto”, afirmou o titular da Sejusp.

Ainda conforme Videira, recentemente, foram feitas ações envolvendo o uso do helicóptero da Sejusp em Campo Grande, na região de Corumbá e em Chapadão do Sul, localizado na divisa com Goiás, que também é usado como rota do tráfico.

“Temos centenas de policiais trabalhando no monitoramento de cargas que chegam a MS, muitas vezes, essas apreensões são feitas aqui, outras vezes, passamos para os estados de destino, para que eles consigam identificar as rotas, porque não nos interessa prender só os caminhoneiros, queremos os donos das cargas”, finalizou o secretário.

Assine o Correio do Estado

Programa

Governo amplia crédito para motociclistas de aplicativos

Programa Move Motos oferece juros abaixo do mercado

12/06/2026 19h00

Ricardo Stuckert/PR

Continue Lendo...

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o programa Move Motos, lançado nesta sexta-feira (12), fará com que os motociclistas de aplicativo deixem de ser “a última força de trabalho considerada invisível” neste país.

Ao lado de outras políticas voltadas à garantia de direitos para esses profissionais, disse Lula, eles passarão a ser tratados como cidadãos e cidadãs.

O Move Motos é uma linha de crédito para motociclistas de aplicativos que desejam financiar ciclomotores, motonetas, motocicletas e bicicletas elétricas produzidas no Brasil ou com projeto de investimento voltado à produção no país.

Ele segue os mesmos moldes do Move Aplicativos, que tem como público-alvo motoristas de aplicativos e taxistas interessados em financiar carros.

Essas linhas de crédito são uma expansão do Move Brasil, criado para viabilizar a renovação de frotas no país, por meio de facilidades de financiamento.

Outros benefícios

O financiamento inclui a possibilidade de aquisição de seguro para garantir o pagamento da dívida, para o caso de imprevistos que impeçam o contratante de continuar pagando o financiamento (seguro prestamista).

Também está previsto financiamento de capacetes, bem como para a aquisição de baterias pontos de carga elétrica. Tudo será disponibilizado a partir da plataforma oficial gov.br/movebrasil.

Durante o evento, no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a presença dos trabalhadores simboliza uma mudança de reconhecimento.

“Hoje, pela presença de vocês aqui no Palácio, nós estamos completando possivelmente a última força de trabalho considerada invisível neste país, que agora está deixando de ser invisível e passa a ser tratada como cidadã e cidadão de primeira classe”, disse o presidente.

Durante a cerimônia, Lula demandou ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal que, no prazo de 30 dias, se organizem de forma a preparar seus funcionários para atenderem, de forma proativa e sem burocracia, os interessados em obter financiamentos para adquirir seus veículos.

Lula incentivou os trabalhadores a acompanharem a implementação do programa.

“Vocês agora têm que andar de cabeça erguida e dizer que não são mais invisíveis. Estão aqui para serem enxergados. Se não estiver dando certo, procurem o governo, procurem os bancos”, afirmou.

O presidente defendeu também campanhas de educação no trânsito para melhorar o relacionamento entre motoristas e motociclistas.

Juros

Segundo o Planalto, a taxa a ser cobrada para financiamento dos veículos será de 12,5% ao ano, o que corresponde a 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres.

O financiamento será de 100% do valor do veículo, o que possibilita a aquisição sem necessidade de pagamento de entrada.

Para acessar o financiamento, estão previstos alguns requisitos mínimos, como seis meses de cadastro na plataforma oficial, e no mínimo, 100 corridas realizadas. Para os profissionais celetistas, são necessários seis meses de exercício na atividade.

Após o cadastro, o trabalhador será informado se atende às condições de participação. A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação poderão procurar a Caixa, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.

Está prevista também que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal criem um calendário de feirões a partir de 13 de julho, em polos específicos, com a participação de concessionárias e instituições financeiras interessadas em fazer negócios.

Boulos

Mais cedo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, havia antecipado alguns pontos do Move Motos. Ele lembrou que a linha oferece condições mais vantajosas que as praticadas no mercado.

“Hoje o juro médio para comprar moto está em 27% ao ano, mas conseguimos chegar a 12,5% ao ano, que é menos da metade do juro na concessionária”, disse o ministro.

Além disso, acrescentou, haverá período de carência de dois meses, que na prática pode chegar a três. “Quem comprar a moto em julho, por exemplo, começa a pagar apenas em outubro”, explicou.

Boulos ressaltou que motoristas com restrição de crédito não poderão aderir inicialmente, mas poderão recorrer ao programa Desenrola para regularizar a situação e, assim, se habilitar ao financiamento.

Ele lembrou que, durante a pandemia, esses trabalhadores que faziam entregas nas residências eram considerados heróis. No entanto, passaram a ser discriminados. “Inclusive deixaram de ter seus direitos garantidos”.

Move Brasil

No primeiro dia de operações, R$ 3,2 bilhões em crédito foram contratados pelo Move Brasil, dos R$ 21,2 bilhões colocados à disposição pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operar os recursos. No caso do Move Máquinas Agrícolas, R$ 10 bilhões estão à disposição para micro e pequenos empreendedores.

Move Aplicativos

No caso do Move Aplicativos, 740 mil profissionais já atenderam aos requisitos para acessar a linha de financiamento com as condições mais favoráveis. A análise do crédito e contratação com os bancos começa em 19 de junho.

O governo federal abriu crédito extraordinário de R$ 30 bilhões para a compra de veículos por motoristas de táxi e de aplicativo. Os recursos serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, que também vai operacionalizar a medida.

Para se habilitar, o motorista precisa preencher cadastro na plataforma gov.br/movebrasil. Em um prazo de até cinco dias após o cadastro, o trabalhador será informado se poderá participar do programa.

Indenizado

Justiça manda indenizar entregador agredido com barra de ferro

Juiz de Campo Grande determinou indenização de R$ 5 mil por danos morais após agressão durante a retirada de um pedido por aplicativo

12/06/2026 18h22

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou um comerciante de Campo Grande ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais a um entregador por aplicativo que foi agredido com uma barra de ferro durante a retirada de um pedido.

A decisão foi proferida pelo juiz Deni Luis Dalla Riva, da 10ª Vara Cível da Capital, que considerou desproporcional a reação do empresário durante o desentendimento.

Conforme os autos do processo, o caso ocorreu enquanto o entregador realizava uma entrega por meio de aplicativo. Ao chegar ao estabelecimento comercial para buscar um pedido, houve uma discussão entre as partes relacionada ao funcionamento do local e ao tempo de espera para a retirada da refeição.

Segundo relatou o trabalhador, após aguardar a finalização do pedido e retornar para buscá-lo, ele passou a ser perseguido pelo proprietário do comércio, que teria iniciado uma série de ofensas verbais. Na sequência, o comerciante utilizou uma barra de ferro para atingir o entregador na região da cabeça.

A vítima afirmou que sofreu apenas ferimentos leves porque utilizava capacete no momento da agressão. O equipamento absorveu o impacto do golpe e evitou consequências mais graves.

Após o episódio, a Polícia Militar foi acionada e encaminhou os envolvidos à delegacia para o registro da ocorrência.

Durante os procedimentos policiais, tanto o capacete danificado quanto a barra de ferro utilizada na agressão foram apreendidos e incorporados às investigações.

Na ação judicial, o entregador solicitou indenização por danos materiais e morais. A defesa do comerciante sustentou que a agressão teria ocorrido em contexto de legítima defesa e alegou ainda que as partes já haviam firmado acordo anterior relacionado ao episódio.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que o acordo mencionado dizia respeito exclusivamente aos danos materiais causados ao capacete, não abrangendo eventual reparação pelos danos morais sofridos pelo trabalhador.

Dessa forma, o pedido relacionado ao prejuízo material foi considerado encerrado, permanecendo apenas a análise da compensação moral.

Na decisão, o juiz ressaltou que as provas reunidas no processo, incluindo o boletim de ocorrência e declarações prestadas pelo próprio réu à autoridade policial, confirmaram que o entregador foi atingido por uma barra de ferro durante a discussão.

O magistrado também rejeitou a tese de legítima defesa apresentada pela defesa. Segundo ele, não ficou demonstrada a existência de agressão atual ou iminente que justificasse o uso de um objeto contundente contra a vítima.

Para Deni Luis Dalla Riva, ainda que tenha ocorrido uma troca de ofensas e um ambiente de exaltação entre as partes, a reação do comerciante extrapolou os limites da razoabilidade e não pode ser admitida como forma legítima de resolução de conflitos.

Com a decisão, o empresário foi condenado a pagar R$ 5 mil por danos morais ao entregador, valor fixado em razão da agressão e dos constrangimentos decorrentes do episódio ocorrido durante o exercício da atividade profissional da vítima.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).