Cidades

DECRETO

Com aumento da ação de facções em MS, Estado cria plano de segurança pública

A iniciativa entrou em vigor nesta terça-feira e visa a criação de ações estratégicas de prevenção e de combate à criminalidade e à violência em MS

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O governador em exercício, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, assinou o Decreto n° 16.359, que cria o Plano Estadual de Segurança Pública e Defesa Social, na segunda-feira (8). O texto, publicado ontem no Diário Oficial do Estado, prevê uma série de ações, como a sugestão de metas de redução da criminalidade. 

Entre as atribuições do plano, o texto aponta estratégias de prevenção à criminalidade e à violência, sugere metas de redução da violência, busca a promoção da melhoria da qualidade da gestão das políticas públicas das áreas de segurança pública e defesa social, assegura a produção de conhecimento sobre o diagnóstico e a definição de metas e avalia os resultados das políticas públicas nas áreas de segurança pública e defesa social. 

A respeito de investimentos na segurança pública, a assessoria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) relata que “o plano tem por objetivo também coordenar os esforços e dar direção à aplicação dos recursos humanos, logísticos, tecnológicos e investimentos públicos”. 

O vice-governador e governador em exercício vai na mesma linha de avaliação da Sejusp e aponta que o plano pretende aperfeiçoar modelos de governança, criando instrumentos e estratégias para monitorar os resultados da gestão. 

“Por meio dele será possível estabelecer metas de redução da criminalidade e promover a melhoria da qualidade da gestão das políticas nas áreas de segurança pública e defesa social, assegurando o diagnóstico”, comenta Barbosinha. 

A Sejusp declara ainda que o plano foi criado após estudos técnicos da Pasta e segue os preceitos da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, a qual criou o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que orienta ações para maior governança, controle e gestão da segurança pública. 

FACÇÕES 

A ação de facções criminosas tem sido cada vez mais frequente e cada vez mais combatida em Mato Grosso do Sul. No ano passado, o Estado seguiu com altos índices de apreensões de entorpecentes, sendo uma das maiores portas de entrada de drogas do Brasil. 

Dados da Sejusp apontam que o Estado apreendeu 18,456 toneladas de cocaína, volume que chega a ser até quatro vezes maior, ou 352,9% superior, ao apreendido por outros estados que também fazem fronteiras com outros países, como a Bolívia e o Paraguai, conhecidos como produtores de entorpecentes. 

Conforme dados da Sejusp, a apreensão de cocaína no ano passado teve um aumento de 10,5% em relação a 2022, quando foram notificadas 16,696 toneladas da droga interceptadas em MS. Toda essa operação de tráfico de entorpecentes faz com que o Estado e a Capital sejam pontos estratégicos para os criminosos. 

O delegado da Polícia Federal (PF) e coordenador da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em MS (Ficco-MS), Leonardo Machado, relata que Campo Grande sempre foi um corredor de passagem de droga para outros estados, só que normalmente a Capital também serve de ponto de apoio para as fações esconderem drogas, armas e encontrarem a melhor forma de mandar essa mercadoria ilícita para outros estados e, posteriormente, para outros países. 

Investigações apontam que os grupos criminosos usam diversos meios de escoamento desses entorpecentes, como aéreo, terrestre e até mesmo fluvial. 

INVESTIMENTOS 

O último grande anúncio de investimentos em segurança no Estado foi em agosto de 2023, quando o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, vieram a Campo Grande anunciar uma série de investimentos na segurança pública do Estado. O montante era de quase R$ 200 milhões. 

O lançamento do Programa de Ação da Segurança (PAS), do governo federal, em Mato Grosso do Sul englobou diversas ações de segurança pública, como integração das forças de segurança, combate ao tráfico e apreensão de drogas. 

Da verba para MS, R$ 121 milhões eram provenientes do PAS e da segunda edição do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), e cerca de R$ 70 milhões eram do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), ao qual o Estado tem direito e que estavam represados pelo antigo governo.

Entre os investimentos anunciados na época estavam a aquisição de equipamentos, como 163 mil munições, 103 pistolas, 230 adaptadores para coldre, 35 fardas de combate, raio X e detectores de metal.

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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