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Com obras em ritmo lento e sem previsão de conclusão, Capital vive desafios na gestão

Requalificação do antigo terminal rodoviário e revitalização da Avenida Ernesto Geisel seguem sem data definida para solução

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O atraso das obras de infraestrutura conduzidas pela Prefeitura de Campo Grande demonstra um verdadeiro desafio para a gestão municipal. 

Diversas linhas de trabalho na cidade, com objetivo de revitalizar locais abandonados ou sem a devida manutenção, seguem em ritmo lento e sem previsão de conclusão.

A reportagem do Correio do Estado esteve presente em três pontos que estão nesta situação na Capital: a antiga rodoviária, o Lago do Amor e as obras paralisadas na Avenida Ernesto Geisel.

A revitalização do Complexo Empresarial Terminal do Oeste Heitor Eduardo Laburu, antiga rodoviária de Campo Grande, começou no mês de julho do ano passado, após 14 anos da desativação do local.

Estão sendo investidos R$ 16,5 milhões na reforma da antiga rodoviária. Do montante total, o Ministério do Desenvolvimento Regional repassou R$ 15,3 milhões, por meio de emenda da bancada federal, e a prefeitura é responsável pelo aporte de R$ 1,2 milhão na obra.

Com os problemas recorrentes de tráfico de drogas em torno das dependências da rodoviária, tapumes foram colocados em volta de toda a estrutura do terminal, uma tentativa de impedir o acesso dos usuários de drogas às dependências do prédio.

Porém, de acordo com comerciantes que trabalham próximo da antiga rodoviária, os andarilhos permanecem nas proximidades e até invadem a área que foi delimitada para obras com o objetivo de roubar materiais de construção.

“Aqui a violência é constante, os usuários de droga já entraram no meu comércio ensanguentados por conta de brigas entre eles. Até passam por baixo dos tapumes e roubam os materiais de construção da obra da rodoviária”, disse a comerciante Maria Custódia dos Santos. 

Questionada sobre o andamento das obras na rodoviária, a comerciante disse que, na prática, existe pouco movimento de trabalho durante a semana.

“A obra está bem parada aqui na antiga rodoviária. A última vez que vi gente trabalhando foi na terça-feira [7 de fevereiro]. Se der um clima mais chuvoso, eles logo param os trabalhos”, declarou Maria Custódia.

LAGO DO AMOR

O desabamento de uma parte da via no Lago do Amor, após chuvas de 159 mm em apenas 24 horas na Capital no dia 4 de janeiro, segue sem solução.

A reportagem conversou com um funcionário público do município que trabalha no gabinete da prefeitura. Ele estava no Lago do Amor para avisar os comerciantes sobre os reparos que serão necessários no local. 

Segundo o funcionário, a prefeitura fez um estudo técnico dos danos que a erosão causou na rua e foi constatado que há diversas rachaduras em volta do desabamento e, por este motivo, haverá uma reparação para refazer todo o trecho entre as rotatórias das avenidas Georges Chaia e Gabriel Spipe Calarge. 

O motivo de a prefeitura não ter refeito o trecho interditado, de acordo com o assessor do gabinete, é o longo período de chuvas neste início de ano, que pode desmanchar qualquer reparo previamente feito no local.

O assessor do gabinete também informou que o Lago do Amor deve receber nova iluminação e estrutura para acomodar os visitantes e comerciantes. Por ora, a Prefeitura de Campo Grande concluiu apenas o projeto de recuperação do local, que tem previsão de custar R$ 3,8 milhões. 

Outra obra que segue sem previsão para ser concluída é o reparo da ponte entre a Rua José Antônio com a Avenida Fernando Corrêa da Costa, que foi interditada por tempo indeterminado no dia 30 de janeiro, após um grande volume de água ocasionar uma erosão no local.

ERNESTO GEISEL

Os moradores que precisam transitar pela Avenida Ernesto Geisel convivem há anos com alagamentos, por conta do Córrego Prosa, e as previsões para solução dos problemas no local não são promissoras. As obras para conter enchentes e drenar o acumulado de chuva também estão sem andamento.

Atualmente, a avenida conta com um pequeno trecho concluído, em frente ao Shopping Norte Sul Plaza, onde foram gastos R$ 12.868.867. As obras na Avenida Ernesto Geisel, iniciadas em 2018, foram divididas em três frentes de trabalho.

Segundo conta no portal +Obras, da Prefeitura de Campo Grande, apenas metade do trabalho nos lotes 2 e 3 foram feitos, e o prazo do término das obras, a partir do dia 21 de março de 2018, era de 4 anos e 10 meses, ou seja, os dois lotes deveriam ter sido concluídos em janeiro deste ano.

O valor total de investimento nas obras dos dois lotes com entrega atrasada chega a R$ 67.292.551.

A prefeitura da Capital contratou, por R$ 448 mil, a empresa Schettini Engenharia Ltda. para elaborar um estudo sobre implantação asfáltica, drenagem, sinalização da via e acessibilidade do local. O contrato foi publicado na edição de sexta-feira (17) do Diário Oficial de Campo Grande.

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DENÚNCIA

MP investiga suposta farra das diárias na Câmara de Dourados

Vereadores participam de uma única sessão semanal e custam R$ 29,1 mil por mês aos cofres públicos municipais somente com salários e indenizações

24/10/2026 12h40

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

Desde agosto de 2023 a Câmara de Dourados funciona em uma sala alugada no Shopping Avenida Center

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Após receber denúncias do farmacêutico bioquímico Racib Panage Harb, que já foi candidato a vereador três vezes e candidato a prefeito de Dourados nas duas últimas eleições, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis fraudes no pagamento de diárias e indenizações pagas a parte dos 21 vereadores do município, o segundo mais populoso de Mato Grosso do Sul.

Conforme publicação do diário oficial de segunda-feira (26), o promotor Luiz Eduardo Pinheiro quer "apurar a legalidade, a transparência, a rastreabilidade e a regularidade material dos gastos públicos havidos com a cota para o exercício da atividade parlamentar (CEAP), diárias de viagem e suprimentos de fundos referentes ao exercício de 2025, eventual ocorrência de dano ao erário, decorrente de fatos relacionados, e medidas de compliance interno”. As denúncias foram apresentadas por Racib ao MPMS no dia 2 de março. 

Dados já anexados à investigação revelam que o vereador Sérgio Nogueira, por exemplo, recebeu R$ 58.991,00 no ano passado somente em diárias. Em viagens dentro do Estado, o valor definido pela Câmara é de R$ 950,00. Se a viagem for para outro estado, sobe para R$ 1,3 mil. Então supondo que o valor tenha sido repassado para viagens internas, ele ficou 62 dias fora de Dourados no ano passado.

Enquanto isso, o vereador Janio Colman Miguel recebeu apenas R$ 337,00.  Por outro lado, ele aparece em quarto lugar entre aqueles que mais receberam verbas indenizatórias, que também estão na mira da investigação da promotoria. A Câmara pagou R$ 104.908,33 para Janio Miguel em um ano.

O primeiro colocado neste quesito foi o vereador  Rubens Gomes Prates, que faturou R$ 115.330,75 ao longo de 2025. Em último lugar ficou o vereador petista Elias Ishy de Mattos, R$ 47.722,80.

Eleita deputada federal no dia 4 de outubro com a promessa de “acabar com essa zona na política”, a vereadora Isa Marcondes recebeu R$ 88.631,91 em verbas indenizatórias e R$ 46.849,00 a título de diárias, ficando entre os dez que mais custaram aos cofres públicos no ano passado. 

Além das diárias e das verbas indenizatórias, os vereadores ainda recebem o salário fixo de R$ 17.837,32, o que garante renda bruta superior a R$ 226 mil por ano.

Somando salários, diárias, verbas indenizatórias e de suprimentos, os 21 vereadores consumiram quase R$ 7,33 milhões no ano passado, o que equivale a uma média de R$ 350 mil por parlamentar, o equivalenta a quase 18 salários mínimos por mês, ou R$ 29,1 mil. 

Embora seja um valor invejável para a grande maioria dos trabalhadores, os vereadores não chegam a ser marajás. Porém, se for levado em consideração que participam de uma única sessão semanal, já podem ser classificados como tal. 

MAIS PRAZO

A promotoria solicitou que a presidência da câmara repassasse, além dos valores, “comprovantes individualizados de despesas que originaram os pedidos de ressarcimento, incluindo notas fiscais, recibos, extratos bancários e demais documentos que demonstrem a efetiva realização dos gastos”. Mas, a Casa pediu mais prazo sob a alegação de que estes documentos estavam sendo digitalizados ainda.


Um dos principais alvos das denúncias de Racib, que na eleição passada recebeu 2.455 votos na disputa pela prefeitura, é presidente da Câmara, Liandra Ana Brambilla. Conforme os documentos anexados à investigação do MP, no ano passado ela recebeu quase R$ 112 mil em diárias e reembolsos.

No mês passado, Racib apresentou denúncias pedindo seu afastamento do cargo sob o argumento de que sua prestação de contas relativa a abril de 2025 ela emitiu nota, às 13h26 do dia 3 de abril, em uma churrascaria de Dourados, no valor de R$ 60,13. A despesa, segundo Racib, seria normal, se ela não tivesse solicitado, no mesmo período, diária de R$ 674, em Campo Grande, para o período de 2 a 3 de abril, com finalidade de agenda no gabinete do deputado Neno Razuk.

“Fica evidente a utilização das diárias e da verba de indenização no mesmo período, o que caracteriza irregularidades”, alertou.

]Depois, citou ainda a prestação de contas emitida no dia 5 de junho, às 13:27h, de outro estabelecimento de Dourados, no valor de R$ 109,76, para almoço. Mas, no mesmo período teria recebeu da Câmara o valor de R$ 1.011,00 para agenda na Assomassul, em Campo Grande, nos dias 5 e 6 de junho. 

“Aqui ficou claro que houve o mesmo fato gerador (Irregular). Ou seja, o agente público viajou a trabalho e recebeu diárias do órgão público para cobrir seus gastos com pousada e alimentação, ela não poderia utilizar a verba indenizatória para ressarcir as mesmíssimas notas fiscais do restaurante que se refere a alimentação, ficando claro que foi indenizada duas vezes pelo mesmo gasto, gerando dano ao erário. Aqui não podemos ser levianos de dizer que existe um enriquecimento ilícito mas no mínimo um dano ao erário. Se é de um real, 100 ou mil ou milhões, o dano existe. Fica evidente a prática irregular que a verba indenizatória permite em casos como esses”, denunciou.

Na época, Liandra da Saúde, como é conhecida, afirmou que as denúncias tinham viés político, já que foram feitas às vésperas da eleição da mesa diretora da Casa, que ocorreu no dia 2 de outubro e a reconduziu para o biênio 2027-2028. 

Ao apresentar suas denúncias ao MP, o farmacêutico se baseou em uma decisão liminar proferida no dia 5 de fevereiro pelo ministro Flávio Dino, do STF, que determinou, entre outras providências, “a reavaliação das verbas indenizatórias pagas a agentes públicos, a edição e publicação de ato motivado com discriminação rubrica a rubrica e respectivo fundamento legal, bem como a suspensão de verbas não expressamente previstas em lei”.

A presidente da Câmara, porém, garantiu ao MP que todos os pagamentos feitos a vereadores de Dourados obedecem as normas legais e por isso os pagamentos seguem sendo feitos no mesmo ritmo adotado no ano passado. 

saúde

Mais Médicos Especialistas oferece 132 vagas para MS em nova chamada

São 4 vagas imeditas e 128 para cadastro reserva; Inscrições estão abertas até dia 29 de outubro e profissionais especializados irão atuar no SUS

24/10/2026 11h23

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS

Profissionais do Mais Médicos Especialistas ampliam acesso à atenção especializada no SUS Foto: Divulgação / Ministério da Saúde

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O Ministério da Saúde abriu inscrições para a segunda chamada do 3º ciclo do Projeto Mais Médicos Especialistas (PMM-E). Em Mato Grosso do Sul, são 132 vagas, sendo quatro imediatas e 128 para cadastro reserva.

Conforme o edital, as quatro vagas imeditas são para Três Lagoas, sendo três para aprimoramento em Oncologia Clínica, com foco nos cânceres prevalentes no Sistema Único de Saúde (SUS), e uma para aprimoramento em Rotinas Assistenciais em Medicina Intensiva no SUS.

Já as vagas para formação de cadastro estão distribuídas em 22 munícipios, sendo:

  • Dourados - 43
  • Três Lagoas - 34
  • Costa Rica - 6
  • Coxim - 6
  • Fátima do Sul - 6
  • Ponta Porã - 6
  • Brasilândia - 3
  • Caarapó - 3
  • Rio Brilhante - 3
  • Amambai - 2
  • Cassilândia - 2
  • Naviraí - 2
  • Nova Andradina - 2
  • Sidrolândia - 2
  • Aparecida do Taboado - 1
  • Aquidauana - 1
  • Bonito - 1
  • Corumbá - 1
  • Itaporã - 1
  • Itaquiraí - 1
  • Nova Alvorada do Sul - 1
  • Ribas do Rio Pardo - 1

   

As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de outubro, pelo Portal UNA-SUS.

A estratégia busca incentivar a presença de especialistas em regiões historicamente desassistidas, com o objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

De acordo com o Edital nº 25/2026, em todo o Brasil serão 224 vagas de preenchimento imediato e 4.350 para cadastro reserva, distribuídas em 24 cursos de aperfeiçoamento, em áreas como anestesiologia, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, urologia, psiquiatria, entre outras especialidades.

Benefícios

Os médicos participantes recebem uma bolsa mensal, e o valor varia de acordo com a vulnerabilidade social do município de atuação, calculado pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS):

  • R$ 20 mil para municípios de alta ou muito alta vulnerabilidade;
  • R$ 15 mil para os de média vulnerabilidade;
  • R$ 10 mil para os de baixa ou muito baixa vulnerabilidade.

Quem pode participar

Podem participar médicos e médicas, com registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e Registro de Qualificação de Especialista (RQE) ativo.

O RQE deve ter sido obtido por meio de residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou de título de especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Mais Médicos Especialistas

O Projeto Mais Médicos Especialistas foi instituído pela Portaria GM/MS nº 7.177, de 10 de junho de 2025, com objetivo de ampliar o acesso à atenção especializada no SUS, reduzir desigualdades regionais na distribuição de médicos e diminuir o tempo de espera por consultas, exames e procedimentos.

O programa qualifica a formação dos profissionais por meio da prática na rede pública.

Desde a implementação, 2.279 médicos especialistas já ingressaram no PMM-E, e 1.898 continuam ativos, o equivalente a 83,3% do total de profissionais até outubro de 2026.

 

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