Cidades

CAMPO GRANDE

Com salário de R$ 10,9mil, novos conselheiros tutelares serão treinados pra evitar "novo Caso Sophia

Eleições ocorrem no próximo dia 1º outubro e votação também está servindo de laboratório para bases de candidatos a vereador em 2024

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A disputa eleitoral para o cargo de conselheiro tutelar segue acirrada em Campo Grande. Com um salário atrativo de R$ 5.946, podendo dobrar e chegar a R$10.900 com plantões, 112 candidatos disputam por 40 vagas como titular e mais 40 para suplentes.

A última eleição ocorreu em 2019 com 25 conselheiras eleitas para atuarem em cinco unidades. Mas, depois da tragédia do ‘caso Sophia’ algumas coisas mudaram na disputa. Dentre elas, a abertura de mais duas unidades do Conselho e o número de vagas que chegará a 80 eleitos.

O vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente), Márcio Benites Anastácio, justifica que as ampliações de vagas e unidades já eram uma demanda antiga devido a proporção da Capital, mas ações serão implantadas para evitar tragédias.

“Nós sempre trabalhamos para que não aconteçam casos como o da Sophia e da Estrelinha. O que vamos fazer agora é um curso de escuta para 100 profissionais, também terá melhora de infraestrutura para que os conselheiros possam atuar. A expectativa é de melhorar daqui pra frente”, afirmou em coletiva de imprensa, na tarde de hoje (15). 

Já uma das candidatas a conselheira tutelar pondera que apesar do salário ser condizente com a importância da função, acaba sendo um atrativo para pessoas despreparadas, o que prejudica toda a rede de proteção à criança e adolscente.

“É um bom salário, condiz com o serviço, mas infelizmente acaba sendo chamariz para pessoas sem comprometimento com a causa. Isso fragiliza os conselhos e também o entendimento da real função do Conselho Tutelar, tanto pela rede de proteção, quanto pela população”, opinou. 

Questionado sobre qual seria a responsabilidade de um conselheiro tutelar, o vice-presidente do CMDCA destacou o que preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“Não é só o conselho tutelar, é a SAS, a Saúde, a Educação, a DPCA etc. Se a rede não fechar, nada funciona. Porque o Conselheiro Tutelar pega uma denúncia e ele vai mandar para uma criança espancada para a saúde, para a polícia e para o Conselheiro tomar algumas medidas. Funciona através de toda a rede”, rebateu. 

Ao todo, são 112 candidatos no pleito eleitoral para conselheiro tutelar nas sete regiões de Campo Grande: Centro, Segredo (ao norte da região central), Bandeira (a sudeste e parte do sul), Lagoa (a sudoeste) e Anhanduizinho (a sul e sudoeste). As novas unidades serão na região do Prosa (a nordeste e leste) e Imbirussu (a oeste).

“Serão eleitos 40 conselheiros tutelares titulares e o resto será suplente. Ao todo, serão 80, dois para cada conselho. Para nós o que interessa são os titulares, o restante fica de reserva. Entrou de férias, licença médica um desses suplentes vai cobrir onde o conselho precisou de ausentar”, explica o vice do CMDCA.

Eleições 2023

As eleições para conselheiros tutelar ocorrem em todos os municípios brasileiros, no dia 1º de outubro. Essa é a primeira vez que Campo Grande contará com urnas eletrônicas disponibilizadas pelo (Tribunal Regional Eleitoral) TRE.

“Esse ano, graças a Deus, o TRE nos atendeu, conseguimos urna eletrônica e a apuração vai ser muito mais rápida. Da última vez, em 2019 foi com cédula, foi terrível de apurar. Agora é urna eletrônica, então vai rápido, igual numa eleição normal”, diz Márcio.

O vice-presidente do CMDCA reforçou para que a população compareça aos locais de votação e escolha com sabedoria. 

“Os conselheiros hoje são o maior número do que teve na eleição passada. Então a divulgação dos próprios candidatos a conselheiros vai ser muito maior. É importante que a população compareça. A população tem que entender que é ela que elege o Conselheiro”, reforçou.

O que dizem os candidatos

Para uma das candidatas na região do Prosa, a eleição tem sido complicada devido a falta de divulgação e de importância, tanto a população quanto o Estado. Segundo ela, houve demora também para a entrega dos locais de votação.

“Parece que é feito em cima da hora, de qualquer jeito. Infelizmente após o ocorrido com a Sofia, a população geral passou a conhecer mais o conselho tutelar e estou esperançosa que irão mais às urnas neste ano. Criança é um tema muito sensível dentro de qualquer lar, espero que as pessoas dêem mais atenção a este tema”, conta a candidata, advogada.

Na região do Anhanduizinho, uma das candidatas critica a lisura do processo seletivo que sucedeu a escolha dos 112 candidatos. Segundo ela, as candidatas à reeleição dos conselhos tiveram acesso privilegiado à informações. 

“A disputa é feita entre os próprios conselheiros. Os antigos obtêm algumas informações antes de nós, que não somos conselheiros. O processo seletivo não foi transparente. Na prova de informática cheguei bem antes das 8 horas e já haviam distribuído senhas aos antigos conselheiros e todos tiraram nota 100 de informática”, expõe.

Na região do Centro, a candidata afirma que acredita na lisura do processo feito pelo CMDCA e Fapec. No entanto, aponta que na prática alguns candidatos possuem apadrinhamento político e acesso informal a recursos financeiros.

“Alguns candidatos têm sim, apoio político. Nós sabemos disso. Mas esse candidato, esse político que apoia, geralmente não aparece. Mas nós, enquanto candidatos, sabemos que são apadrinhados em relação ao transporte de eleitores no dia da votação e também apoio financeiro”, afirma.

Já uma das candidatas à reeleição expôs que o processo eleitoral e de escolha começou muito tarde. Para ela, ser conselheiro (a) é uma função de extrema importância para a sociedade.

“Para ser conselheira tutelar precisa de amor pelo que faz. A formação superior creio que não seja o principal requisito, mas sim a dedicação pela causa. O maior desafio é a deficiência da rede de proteção. Faltam políticas públicas para criança e adolescente, falta de formação continuada, mais conselhos e infraestrutura”, comenta.

Onde votar

Ao todo serão 56 polos de votação espalhados por Campo Grande, conforme as sessões eleitorais já vigentes.

“Em reunião com o TRE conseguimos montar 56 polos, porque não seria possível economicamente fazer em todos os polos eleitorais, como se faz numa eleição para governador, presidente e prefeito”, esclarece o vice do CMDCA.

Diante disso, a população deve se dirigir ao local de votação mais próximo de sua residência conforme a lista abaixo: 

Caso Sophia 

A menina, que morreu no dia 26 de janeiro, já tinha 30 registros médicos em decorrência de possíveis agressões e lesões, mas os mesmos nunca foram encaminhados para a delegacia. 

Além disso, o pai da menina, já havia buscado pela guarda da filha por desconfiar dos maus-tratos, tendo feito Boletim de Ocorrência há um ano e apresentado ao Conselho Tutelar.

Segundo o Conselho Tutelar, na busca pela guarda da filha, o pai da criança tentou ficar responsável por ela. Ele foi encaminhado à Defensoria Pública e ao Conselho Tutelar, que realizou visita técnica, mas, na ocasião, a criança não tinha nenhum indício de maus-tratos. 

No dia da morte de Sophia, conforme apurado pela perícia, a menina havia falecido às 10h, mas foi levada ao atendimento apenas às 17h, ou seja, 7 horas após a morte.

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Ribas do Rio Pardo

Motociclista fica ferido após matar onça-parda atropelada na MS-040

Rapaz alega que onça o atacou e teve que atropelá-la

24/04/2026 08h15

Onça não resistiu ao impacto e faleceu no local do acidente

Onça não resistiu ao impacto e faleceu no local do acidente Foto: Instagram Ribas Ordinário

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Motociclista, João Marcos Lopes Barbosa, ficou ferido após atropelar e matar uma onça, na manhã desta quinta-feira (23), na MS-340, nas proximidades da Usina do Mimoso, zona rural de Ribas do Rio Pardo, município localizado a 96 quilômetros de Campo Grande.

Conforme apurado pela mídia local, o rapaz alega que trafegava em uma motocicleta XT600 pela estrada de chão, quando, surpreendentemente, surgiu uma onça em sua frente e saltou contra a motocicleta em uma tentativa de ataque. De imediato, atropelou o animal. Ela foi atingida pela própria motocicleta.

Ele teve escoriações leves, foi socorrido por populares e levado ao hospital da região. Sua moto foi retirada do local e transportada por conhecidos.

A onça não resistiu ao impacto e faleceu no local do acidente.

O caso alerta para a presença de animais silvestres na região e reforça a necessidade de atenção redobrada ao trafegar por áreas rurais.

OUTRO CASO

Uma onça-pintada matou uma cachorrinha, em 22 de abril de 2026, em uma residência localizada na rua Marechal Floriano, em Corumbá. 

A dona da casa, Claudia Helena Pereira Duarte, acordou com barulhos e presenciou o momento em que a cadela enfrentava a onça na varanda da casa. A onça matou a cadelinha com uma mordida no pescoço.

É a segunda vez que o animal silvestre aparece na residência. A primeira foi em junho de 2025.

Onça não resistiu ao impacto e faleceu no local do acidente

Atenção Básica

Com hospitais lotados, Dourados tenta evitar colapso da Saúde

Município enfrenta surto de chikungunya desde o começo do mês e mais de 2,2 mil pessoas estão infectadas com a doença, segundo boletim epidemiológico

24/04/2026 08h15

Prefeitura de Dourados faz ações para combater o mosquito

Prefeitura de Dourados faz ações para combater o mosquito Divulgação/Prefeitura Dourados

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O município de Dourados tenta evitar o cenário de colapso na Saúde diante do surto de chikungunya que acompanha a cidade desde o início do mês e resulta em leitos hospitalares lotados. Como resposta, decretos de emergência e de calamidade pública foram emitidos pela prefeitura nos últimos dias após a definição de epidemia.

Na terça-feira, o prefeito Marçal Gonçalves Leite Filho (PSDB) decretou calamidade pública em Dourados em razão da severa epidemia de chikungunya, com colapso da rede assistencial, depois da taxa de positividade para a doença no município chegar próximo dos 65%, considerada muito alta pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ao Correio do Estado, a prefeitura de Dourados afirmou que a principal finalidade do decreto é “fugir” das burocracias de licitações caso seja necessário realizar compras de urgência para o setor, como medicamentos, vacinas ou leitos da rede privada.

Vale destacar que o decreto de emergência já foi reconhecido pela União, enquanto o de calamidade pública foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) durante sessão na manhã de ontem. Portanto, deve entrar em vigor a partir de hoje.

O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pela prefeitura para coordenar o enfrentamento da epidemia de chikungunya na reserva indígena e no perímetro urbano do município, atualizou os dados da doença pela última vez na quarta-feira. 

Até então, eram 6.411 notificações, com 2.204 casos confirmados, 4.959 prováveis, 1.462 descartados e 2.755 em investigação.
Considerando os doentes confirmados e que Dourados tem população aproximada de 264 mil habitantes, de acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma a cada 119 pessoas na cidade está infectada com chikungunya, o que leva a uma situação de caos nas Unidades de Saúde do município.

Durante o feriado prolongado de Tiradentes, que começou no dia 18 e terminou no dia 21, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) atendeu 2.069 pacientes, sendo que 182 precisaram ser internados durante o mesmo período no Hospital da Vida, um dos principais complexos de saúde da cidade.

Mesmo assim, a assessoria da prefeitura afirmou que todas as pessoas que procuraram uma Unidade de Saúde foram atendidas. “Ainda temos leitos para internação no Hospital Regional, que é regulado pelo governo do Estado”, disse a assessoria.

Ainda de acordo com o Executivo municipal, 41 pacientes continuam internados em razão de complicações da doença, sendo dois no Hospital Indígena Porta da Esperança, dois no Hospital da Vida, três no Hospital Evangélico Mackenzie, cinco no Hospital Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems), sete no Hospital Regional e 22 no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD).

Para tentar desafogar a pressão sobre a UPA, a Secretaria Municipal de Saúde também manteve a Unidade Básica de Saúde (UBS) Seleta e a UBS Santo André atendendo em horário especial durante o feriadão, o que resultou em mais de 300 atendimentos durante as 72 horas de folga prolongada.

Além das ações diretas nas Unidades de Saúde, o município também realiza outros trabalhos para tentar combater o surto da doença o mais rápido possível, como a contratação de 50 agentes de endemias, reforço das equipes médicas, instalação de mil armadilhas com larvicidas para matar o mosquito (Aedes aegypti), mutirões de limpeza nos bairros e nas aldeias e borrifação com larvicidas.

Também são realizadas ações específicas em algumas regiões da cidade. Por exemplo, desde segunda-feira, 20 toneladas de resíduos já foram retiradas da reserva indígena, que abriga mais de 15 mil pessoas das etnias guarani-kaiowá, guarani-ñandeva e terena.

Mesmo diante deste cenário, a prefeitura afirma que não há colapso na cidade. “Existe situação de calamidade em virtude da soma de dois fatores: epidemia de chikungunya e aumento de casos de síndromes respiratórias agudas graves, o que é normal nesse período do ano, levando a procura acentuada pelos serviços de saúde”, analisa.

A lotação dos leitos, no entanto, ainda está concentrada em Dourados. Em Campo Grande, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) não descarta que a parceria entre as cidades aconteça em breve, mas garante que será um processo regulado e que deve priorizar os casos de alta complexidade, justamente para não impactar a organização assistencial campo-grandense.

“A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informa que realiza monitoramento contínuo da situação epidemiológica e reforça que a Rede Municipal de Saúde de Campo Grande segue organizada para atendimento da população residente que procura os serviços”, diz em nota.

VACINA

A prefeitura de Dourados confirmou que a campanha de vacinação contra chikungunya deve começar na segunda-feira, já que o primeiro caminhão com as doses do imunizante chegou na cidade no dia 17.

De acordo com as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde, a vacina da doença somente pode ser aplicada em pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos. Diante disso, a meta do município é vacinar 27% da população-alvo, o que corresponde a aproximadamente 43 mil pessoas.

A vacina é desenvolvida pela empresa farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan e foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025. 

Em um primeiro momento, o imunizante será repassado às regiões que apresentam alto risco de transmissão da doença nos próximos anos, como é o caso de Dourados.

DIFERENÇAS

Mesmo que transmitidos pelo mesmo agente, o mosquito Aedes aegypti, a dengue e a chikungunya são doenças diferentes, mas que apresentam sintomas muito semelhantes e por isso são confundidas pela maioria da população.

Segundo o médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Croda, a chikungunya tende a apresentar sintomas mais graves do que a dengue, levando a uma taxa de hospitalização e óbito maior que a “concorrente”.

“Os sintomas iniciais são bem similares, é muito difícil fazer a diferenciação clínica pelos sintomas iniciais. Geralmente, a chikungunya é mais grave, está mais associada à hospitalização e a óbito do que a dengue. Também, a chikungunya pode levar a uma condição crônica de dores articulares. Então, do ponto de vista clínico, essas são as diferenças”, explica.

Especificamente sobre a situação de Dourados, Croda disse que a epidemia já apresenta queda quando comparado com a situação no início do mês, especialmente na reserva indígena.

Inclusive, o especialista destaca que o fator da doença infectar a pessoa somente uma vez durante a vida ajuda a transmissão a cair depois de algumas semanas.

Contudo, o infectologista afirma que a situação no perímetro urbano da cidade preocupa, visto que muitos bairros continuam apresentando aumento no número de casos.

Diante disso, Croda acredita que a tendência é que uma queda significativa na infecção seja observada a partir de maio ou junho.

“Muito provavelmente essa epidemia vai continuar no ano que vem, porque ainda terão muitas pessoas que nunca adquiriram a doença e o vírus já está circulando também”, afirma.

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