Cidades

Clima de deserto

Com umidade do ar a baixo dos 30% na Capital, médico faz recomendações à saúde

Primeira quinzena de julho acumula percentual negativo de 87% para chuvas

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Com chuvas abaixo da média histórica, a maior parte de Mato Grosso do Sul contabiliza cerca de 30 dias sem chuvas significativas em seu território, situação que contribui para o predomínio da umidade do ar mais baixa. Neste domingo (23), em Campo Grande, a umidade relativa do ar está abaixo da ideal de 60%, marcando apenas 24%.

Prejudicial à saúde, o médico pneumologista, doutor Ronaldo Queiroz, explica que a baixa umidade do ar pode contribuir para a proliferação de doenças respiratórias. “O clima seco provoca o ressecamento da mucosa das vias aéreas superiores, não só do nariz quanto boca e garganta e esse ressecamento acaba provocando a irritação dessas vias”.

O profissional da área da saúde pontua que feridas e sangramentos no nariz podem ocorrer devido extrema secura do clima, facilitando também a contaminação dos vírus que estão em circulação. Deixando um alerta, o pneumologista recomenda que o cuidado seja feito diariamente por meio de uma rotina saudável.

“Tome muito líquido, utilize soro fisiológico para a limpeza e lubrificação das vias aéreas, caminhar ao livre em horários com pouca concentração solar e ter uma alimentação balanceada”, lista Ronaldo Queiroz.

Para a semana que se inicia, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ainda é de predomínio do tempo seco, com pouca chance de chuva na maior parte do Estado. Segundo o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima do Estado (Cemtec), o cenário ocorre em função do sistema de alta pressão, favorecendo o tempo seco. A umidade relativa pode variar entre 15% e 35%, com a queda se agravando no período da tarde

Chuvas

De acordo com o balanço das chuvas para o mês de julho deste ano, publicado pela Defesa Civil de Mato Grosso do Sul, destaca-se que apenas os municípios de São Gabriel do Oeste, Rio Verde de Mato Grosso estão dentro ou acima da média histórica, com acumulados de chuvas entre 20 milímetros (mm) e 40 milímetros, sendo que os acumulados ocorreram entre os dias 13 e 14 de julho devido ao avanço de uma frente fria.

Nos primeiros 15 dias de julho foi identificado, através dos pluviômetros instalados nas estações meteorológicas da capital, um volume baixíssimo de precipitações de 5,4 mm. Uma vez que a média histórica é de 41,0 mm e o esperado para o período já acumula percentual negativo de – 87%, conforme a ponta o boletim da Defesa Civil que considera dados compilados pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Embrapa (Instituto de Pesquisa Científica).

Relatório também aponta que as chuvas ficaram abaixo da média histórica (0-50%) na região centro-sul e leste do estado, com chuvas acumuladas entre 0 mm e 10 mm, devido à atuação de bloqueios atmosféricos que inibiram a formação de nuvens e chuvas, favorecendo o tempo seco no Estado.
 

CAMINHOS

Veja como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

Assunto ganha importância durante o Setembro Verde, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante

20/09/2026 08h47

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim Divulgação

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Desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024, mais de 32 mil brasileiros já usaram os cartórios para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos. 

O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.

Oferta e demanda

Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. Essa queda por ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa. 

São Paulo concentra o maior número de manifestações desde a criação do serviço, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.

Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.

Autorização familiar

Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

É neste contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão. 

“A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

 

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SAÚDE

Morre Paulo Roberto Teixeira, referência no combate à aids no Brasil

Médico atuou na criação de políticas de prevenção e tratamento

19/09/2026 23h00

Paulo Roberto Teixeira

Paulo Roberto Teixeira EMI SHIMMA/DIVULGAÇÃO

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Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico Paulo Roberto Teixeira, uma das referências em saúde pública no Brasil. Ele foi protagonista na criação da primeira resposta de governo à aids no Brasil, em 1983, época em que a doença era ainda pouco conhecida e marcada pelo estigma.Paulo Roberto TeixeiraPaulo Roberto Teixeira

Quando os primeiros casos da doença foram confirmados em São Paulo, Teixeira estava à frente do programa de hanseníase do estado. A experiência com uma doença que também era marcada pela exclusão, ajudou a desenhar para a aids uma política pautada no direito à saúde e ao respeito, que passava pela prevenção e assistência, incluindo o acesso aos antirretrovirais, e o trabalho em parceria com sociedade civil.

Em 2000, já à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos eram inviáveis para a manutenção do acesso universal ao tratamento de aids pelo SUS e passou a defender a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos.

Defendeu que a Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, limitou o acesso à saúde e organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a produção de antirretrovirais genéricos.

Esse movimento foi fundamental para que em 2001, a Organização Mundial do Comércio reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual e fortaleceu a luta dos países pobres pelo direito de acesso ao tratamento.

A luta pelo acesso universal ao tratamento seguiu na OMS, quando Paulo Roberto Teixeira, assumiu em 2003 o Departamento de HIV/Aids da OMS e integrou a estratégia 3 by 5 que estabeleceu a meta de 3 milhões de pessoas vivendo com HIV em tratamento até o fim de 2005.

Em nota, o Ministério da Saúde manifestou pesar pela morte de Paulo Roberto Teixeira, reconhecendo que ele foi um dos "nomes fundamentais da resposta do país à epidemia" e que Paulo Teixeira "dedicou a vida à defesa da saúde como direito, dos direitos humanos e do acesso universal à prevenção e ao tratamento".

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