Cidades

IMPACTO NA MESA

Comida mais cara transforma hábito das pessoas em Mato Grosso do Sul

Com até pelanca sendo cobrada hoje em dia nos açougues, moradores do Estado relatam dificuldades de viver com salários na faixa dos R$ 2 mil

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“A gente antes podia comer lanche no fim de semana ou comprar um frango assado. Não dá mais. Depois de um bom tempo, acho que uns seis meses, me deu muita vontade e fui comprar R$ 20 de carne porque queria comer bife. Veio alguns pedaços que a gente precisou cortar para fazer porções menores e dar para todo mundo”, relatou Lucineia de Araújo, 46 anos, moradora do Conjunto Corumbella, onde vive com cinco pessoas, em Corumbá.

Ela não é a única a comentar sobre a dificuldade em comprar alimentos, entre eles, a carne, conforme noticiado pelo Correio do Estado.

“Osso era dado antes, hoje custa dinheiro. Dependendo do mercado, às vezes sai por R$ 10 [o quilo]. E vinha carne, agora é só osso mesmo”, ressaltou Gisele Regina da Silva, 36 anos, moradora do Bairro Cristo Redentor, onde vive com mais quatro pessoas.

Comprar comida nos tempos atuais, principalmente alguns itens da cesta, tornou-se caro e tem pesado muito para milhões de brasileiros, principalmente quem está inserido nas classes E, D e também na C.  

Uma das amostras sobre esta realidade foi a fila formada em dezembro do ano passado, quando um açougue em Corumbá decidiu fazer doação de ossos.  

Foram três dias de doação e, em todos as oportunidades, filas foram formadas com centenas de pessoas. No primeiro dia de distribuição, teve gente chegando três horas antes do anunciado para tentar garantir o melhor lugar.

Esse fato exemplifica um pouco do que Lucineia e Gisele comentaram e acaba sendo endossado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que identificou, a partir de estudo desenvolvido pelos pesquisadores Guilherme Cunha Malafaia, Sergio Raposo de Medeiros e Fernando Rodrigues Teixeira Dias, que o custo da carne fez o consumo cair drasticamente.

Diferentes fatores que surgiram com a pandemia da Covid-19, que começou em março de 2020 e ainda não acabou, geraram reverberações na pecuária, na agricultura, e, consequentemente, isso foi para a casa das pessoas.  

“A pandemia da Covid-19 provocou mudanças na mesa dos brasileiros, que reduziram o consumo de carne bovina para o menor nível em 25 anos. Entretanto, esse consumo se fortalecerá em um futuro próximo”, apontam os pesquisadores.  

ADAPTAÇÃO

No dia a dia, a expectativa de melhora ainda não chegou. O que surgiu, com isso, foi a adaptação da alimentação para garantir que haja comida todo dia.

Marly Aparecida, 35 anos, vive com o marido. Vendedora autônoma, tem rendimento mensal que varia de acordo com as vendas. Ela é colega de trabalho de Lucineia e Gisele.  

As três vendem bolo nas ruas de Corumbá e precisam enfrentar jornada de mais sete horas, algumas vezes, sob o sol de 40ºC em algumas partes do dia, para percorrer de porta em porta e garantir as vendas e um salário.

Em períodos melhores, as vendedoras, que realizam esse comércio em forma de cooperativa com outras pessoas a partir de projeto social que existe em Corumbá, podem receber em torno de R$ 1,8 mil por mês. Quando não existe tanta saída, o salário chega a ser de R$ 600.  

As vendedoras foram enfáticas ao comentar que até mesmo para adquirir pelanca é preciso ter dinheiro reservado, algo que não ocorria até dois anos atrás.  

“Tudo está muito caro. O jeito é fazer uma mistura. A pelanca, por exemplo, dá para fritar e fazer com o feijão. Dá um gostinho a mais. Hoje, para comprar pelanca você vai pagar R$ 2 ou R$ 3 o quilo”, detalhou Marly.

Camilo Santana, 19 anos, mora com a esposa e relatou que o pai tinha um carrinho de lanches até meados do ano passado. Como a carne moída passou a ficar cara, o sanduíche que ele vendia não dava mais para ser vendido a R$ 7.  

“Hoje, um lanche barato não sai por menos de R$ 10. Meu pai parou de vender lanche porque ele não conseguia mais comprar e, quando precisou aumentar o preço, as pessoas compravam menos”, explicou Santana.

NÃO É SÓ CARNE

Quem está com rendimento apertado dentro de casa sabe que, se fosse o custo alto só da carne, seria possível se adaptar. Mas itens da cesta básica aumentaram ao longo de 2020, 2021 e neste ano.  

Nessa lista, o grupo entrevistado pelo Correio do Estado mencionou o arroz e o feijão (juntos, tiveram aumento de 60% entre março de 2020 e março de 2021, conforme a FGV) e o óleo (90% de aumento, de acordo com o Dieese, entre 2020 e 2021).

Nessa esteira de reajuste sobre reajuste ao longo dos dois últimos anos, o rendimento das pessoas não conseguiu acompanhar na mesma proporção.  

O salário mínimo passou, neste ano, para R$1.212, reajuste de 10,02%, mas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2021 foi de 10,16%.  

Essa pequena diferença representa R$ 1 que o trabalhador perdeu na base do salário mínimo. Quando os alimentos aumentam dois dígitos, qualquer perda é sentida.

“A gente comprava mais de um saco de arroz por mês, mas, com os aumentos que aconteceram, o jeito foi diminuir, fechar a boca e comer menos. Não tem outra coisa a fazer. Eu e meu marido ficamos atrás das promoções também”, revelou Lucineia de Araújo.

Gerente de um açougue em Corumbá, Idalice Dias Pereira, 43 anos, identificou que as pessoas passaram a procurar partes mais baratas, como pelanca e osso.  

Ela também atuou com os demais funcionários e encontrou soluções para fazer a carne moída ficar mais barata e criar cortes, como o picadinho econômico.  

“A gente fez a geladeira econômica aqui. Colocamos esses produtos mais baratos nesse local, e a saída é muito grande”, revelou Idalice.

Conforme a gerente, o cenário de dificuldade financeira de muitas pessoas persiste e ainda será preciso aguardar uma mudança da economia.  

“Um dia, um senhor chegou aqui com R$ 0,50 para comprar salsicha. Isso dá meia salsicha. Essa é uma realidade que temos. Mas o que deixo claro é que, independentemente de a pessoa vir comprar com R$ 0,50 ou R$ 50, ela merece ser respeitada e tratada bem. Esperamos que esse momento mude”, concluiu.

SAIBA

Corumbá tem um dos índices per capita mais baixos de MS. A cidade está em 50º lugar no Estado, entre 79 municípios, apesar de ser a quinta maior economia. As classes E, D e C2 representam 61,71% da população de 110 mil habitantes. 

FIM DO ISOLAMENTO

Sinal de celular deve cobrir toda BR-163 antes do previsto em MS

Política nacional de conectividade anunciada nesta quinta-feira (15) prevê que a rodovia tenha o sinal em toda extensão até o fim do próximo ano

15/10/2026 12h20

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (15) a política nacional de conectividade para rodovias. O plano consiste em um conjunto de iniciativas para levar a cobertura de telefonia e internet móveis para uma extensão total de 72,3 mil quilômetros de estradas federais e estaduais até 2030. 

Nas estradas federais, a meta é levar o sinal para mais 29,9 mil quilômetros, ampliando a cobertura dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros - o correspondente a cerca de 77% de toda a malha federal no País. O cronograma prevê que já em 2027 sejam conectados 16 mil quilômetros de vias.

No final desse processo, haverá cobertura integral de seis rodovias federais consideradas prioritárias: BRs 101, 16, 135, 163, 242 e 364. A BR 101, por exemplo, é uma das rodovias mais importantes do País, ligando o Nordeste ao Sul, com 4,8 mil quilômetros de extensão.

No contrato de repactuação do Governo Federal com a Motiva, assinado em agosto do ano passado, está previsto que até o final do terceiro ano de concessão (agosto 2028) os usuários dos 845 quilômetros da rodovia em Mato Grosso do Sul tenha acesso ao serviço. 

Agora, se o programa do Governo Federal sair do papel, a disponibilização do serviço ficará disponível com pelo menos oito meses de antecdência. 

RODOVIAS ESTADUAIS

Já nas rodovias estaduais, o plano prevê a cobertura em mais 42,4 mil quilômetros.

Para atingir essas metas, a política nacional considera uma série de medidas, sendo que a principal delas é a obrigação imposta para as operadoras abrirem o sinal de internet entre si, via compartilhamento das redes. Dessa forma, o usuário de uma operadora poderá se conectar ao sinal de outra empresa.

Essa obrigação definida para as empresas será o grande motor da política nacional de conectividade, sendo responsável por levar internet para 13 mil quilômetros de rodovias federais e 42,4 mil quilômetros (100%) das estaduais.

Apesar da obrigação imposta, as operadoras não serão compensadas, pois a expectativa do governo é que os custos de cada uma com a cessão da rede sejam compensados pelo ganho com o uso da infraestrutura das demais.

Além disso, a política se apoia em outras medidas que já haviam sido pactuadas e estavam em andamento. Entre elas está o leilão da faixa de 700 Mhz realizado no primeiro semestre, que determinou às operadoras a contrapartida de levar o sinal para 6,4 mil quilômetros de rodovias e áreas rurais.

Outra parte da cobertura, de 4,3 mil quilômetros, será providenciada pela Claro. Essa cobertura foi colocada como contrapartida pelo contrato assinado com a União, meses atrás, para adaptar os contratos de concessão de telefonia da companhia

A política nacional prevê ainda que 1,3 mil quilômetros virão das próximas concessões de rodovias, que já terão a conectividade como obrigação.

"Estamos reorganizando todos os instrumentos disponíveis, regulatórios, tecnológicos e financeiros, para garantir internet ao longo de praticamente toda a malha nacional", afirmou o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filha, durante entrevista em São Paulo, para lançamento da nova política pública.

Ele destacou que a telefonia e a internet nas rodovias vão facilitar medidas diversas, como chamadas de emergência e uso de aplicativos, com benefícios para motoristas, passageiros e comunidades ao redor das estradas. São esperados também ganhos de produtividade para o agronegócio, a logística e os transportes, apontou.

A conectividade também deve apoiar serviços de cobrança automática de pedágios (o chamado free flow) e outros serviços, como pesagem de veículo de carga sem paradas.

 

MEIO AMBIENTE

MPMS abre investigação sobre infestação de moscas em usina

Produtores rurais relatam prejuízos à criação de gado e problemas de saúde

15/10/2026 12h00

Produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite

Produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar a proliferação da mosca-dos-estábulos e sua possível relação com as atividades da usina Adecoagro Vale do Ivinhema, localizada no município de Angélica, cerca de 260 quilômetros de Campo Grande. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (15), no Diário Oficial da instituição, após denúncias de produtores rurais sobre prejuízos à pecuária e impactos na saúde de moradores da regiao. 

A investigação foi determinada pelo promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki, que busca esclarecer possíveis irregularidades ambientais e riscos à saúde pública relacionados à infestação dos insetos nas proximidades da unidade industrial.

O caso teve início após proprietários rurais procurarem a Promotoria de Justiça de Angélica para denunciar o aumento da quantidade de moscas em suas propriedades.

Durante audiência realizada em 17 de junho, os produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite.

Segundo os relatos apresentados ao Ministério Público, a situação também estaria afetando a saúde dos moradores, que convivem com a presença constante dos insetos nas propriedades.

Diante das reclamações,  o MPMS solicitou fiscalizações da Vigilância Sanitária e da Polícia Militar Ambiental (PMA) para verificar as condições da usina e identificar possíveis focos de reprodução das moscas.

Fiscalização

Uma vistoria realizada pela Polícia Militar Ambiental em 21 de junho identificou grande quantidade de moscas no pátio de compostagem da Adecoagro, área utilizada para armazenar resíduos orgânicos provenientes da produção de açúcar e álcool. 

Entretanto, conforme o relatório encaminhado ao Ministério Público, os insetos encontrados apresentavam características de moscas domésticas, e não da chamada mosca-dos-estábulos, espécie conhecida por atacar animais e causar prejuízos à pecuária. 

Os proliciais também inspecionaram os reservatórios de vinhaça, resíduo líquido da produção sucroalcooleira utilizado na fertilização das lavouras de cana-de-açúcar. No local foi identificada uma quantidade menor de moscas.

Apesar da presença dos insetos, a equipe não encontrou focos de reprodução durante a fiscalização. 

O relatório também apontou que a usina mantém armadilhas para captura de moscas e desenvolve ações de monitoramento e controle. Ainda assim, os policiais recomendaram ampliar a quantidade e a área de distribuição das armadilhas para melhorar a eficiência do combate. 

A empresa, segundo o documento, demonstro disposição para realizar as adequações sugeridas.

A PMA informou que não identificou descumprimento das condições da licença ambiental da usina, nem indícios suficientes de crime ambiental que justificassem aplicação de multa ou outra medida administrativa.

A unidade apresentou licença de operação válida até outubro de 2031, além de documentos referentes ao monitoramento dos insetos e às medidas de prevenção adotadas.

Com base nos resultados das fiscalizações, a denúncia chegou a ser arquivada em julho, após o Ministério Público considerar que não havia elementos suficientes para relacionar a infestação às atividades da empresa.

Entretanto, o caso voltou a ser analisado depois que a Promotoria identificou registros de uma investigação anterior, iniciada em 2009, sobe a proliferação de moscas na região. 

O procedimento antigo incluía documentos técnicos e um acordo relacionado ao controle dos insetos. Além disso, informações encaminhadas pelo Ministério Público Federal reforçaram a necessidade de aprofundar a apuração.

Diante dos novos elementos, o promotor determinou, em 5 de outubro, a abertura de um inquérito civil para investigar a possível relação entre as atividades da Adecoagro e o aumento da população de moscas.

A empresa também foi notificada para apresentar informações, documentos e eventuais questionamentos à perícia no prazo de dez dias.

 

 

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