Economia

PECUÁRIA

Arroba do boi chega a preço histórico e consumidor final tem aumento de 18%

Demanda internacional em alta, baixa oferta de animais para abate e alto custo de produção também oneram o pecuarista

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O mercado da arroba do boi gordo atingiu uma marca histórica na segunda-feira (21), de R$ 343,67, ou US$ 67,65 no fechamento do dia. O preço, que apresentava alta nos últimos três anos, atingiu um patamar nunca antes visto.  

Na outra ponta da cadeia, o consumidor sul-mato-grossense arca com alta de 18% nos últimos 12 meses, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o boletim da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), o corte traseiro com osso foi a R$ 25,85 o quilo, valorização de 18,98% ante os R$ 21,73/kg de janeiro. Já o corte dianteiro com osso registrou alta de 7,50% e atingiu R$ 17,54/kg.  

Especialistas ouvidos pelo Correio do Estado elencam entre os principais motivos para o aumento da arroba e do preço final ao consumidor a demanda internacional em alta; a baixa oferta de animais para abate; e o custo de produção nas alturas, em decorrência da seca.  

O titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, explica que o primeiro ponto para entender essa marca é falar do contexto no começo de 2022.  

“Não tivemos recuperação da oferta por causa da seca e estamos com baixa disponibilidade de animais. Estamos com oferta menor do que deveríamos estar neste período”.  

Com as chuvas de dezembro e janeiro 50% abaixo do esperado para o período, a pastagem também passou a ser um problema na fase de engorda do gado. Com isso, mais produtores estão recorrendo ao confinamento.  

“[No confinamento] subiu o preço por causa do milho, do custo de produção total e a disponibilidade de animais é menor. O resultado é que o frigorífico que deveria abater 700 [cabeças] está abatendo 400”, explica Verruck.  

CONFINAMENTO

Presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Alessandro Coelho, segue a mesma linha e afirma que há um problema com o gado que deveria atingir a marca de 15 arrobas para chegar ao confinamento.  

Coelho revela que a seca no começo do ano criou um período de lacuna na produção de gado de corte. Conforme o dirigente, a seca dificultou o desenvolvimento da pastagem e, consequentemente, a engorda.  

A tendência, segundo ele, é de que os produtores enviem a boiada para o confinamento um ou dois meses antes do previsto. “Por causa desse período de lacuna em que estamos, os pastos não conseguiram contribuir para o processo de engorda”.  

“Então, a ideia é que eles comecem a desocupar o pasto já em março e abril, consigam pegar um fim da temporada de chuva em março para reformar a pastagem, ao contrário dos outros anos, quando o processo era feito em maio e junho, no começo do período de seca”, analisa Coelho.  

A economista Adriana Mascarenhas ainda diz que a seca, além de afetar o processo de engorda, contribui no processo inflacionário dos insumos ligados à pecuária.  

“Não está barato fazer a engorda, veja o [aumento] no preço da soja e do milho, principais insumos para a suplementação. Esses dois fatores são preponderantes na formação do preço da arroba ”.

Alessandro Coelho revela que isso tem pressionado o lucro do produtor. Nos últimos 12 meses, os custos de produção para o pecuarista dobraram, segundo levantamento da instituição.  

“Nos últimos 12 meses, os custos de insumos da pecuária subiram por volta de 100% na média, só o arame subiu mais de 300%. Isso que ainda tem o tema do milho e da soja, que pressionam o preço ainda mais para cima”, ele se refere às altas da saca do milho e da soja, insumos utilizados na suplementação utilizada no confinamento.  

Jaime Verruck afirma que, apesar das dificuldades e desafios que o mercado impõe ao pecuarista, o momento é positivo para aqueles que conseguiram se organizar.  

“O preço é bom para vender se ele tiver condições de reinvestir, mas a disponibilidade é baixa, não são todos que vão se apropriar”, finaliza.  

EXPORTAÇÕES

A carne bovina atingiu a marca de exportação de US$ 614,111 milhões nos primeiros 14 dias úteis de fevereiro, com média diária de US$ 43 milhões.  

Isso é 39,1% a mais do que o volume de exportações do mesmo mês do ano passado, segundo relatório da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em âmbito nacional, os aumentos são principalmente para China, EUA e Egito.  

Segundo Gabriel Mambula, consultor técnico do Sistema Famasul, “esse aumento de demanda externa também se soma à composição do preço da arroba e contribui para o aumento observado”.  

Em MS, Jaime Verruck comenta que o crescimento foi de 25% no mês de janeiro, mas sem a participação chinesa. “Se tivéssemos o mercado Chinês habilitado, poderíamos aproveitar melhor o preço da arroba do boi”.  

De acordo com Mambula, as exportações para a China estavam represadas por dois motivos principais: embargo imposto à carne bovina no 4º trimestre de 2021 e festividades do ano novo chinês, ocasionando a diminuição dos embarques no fim de janeiro e nos primeiros dias de fevereiro.

Especialista em mercado exterior, Aldo Barrigosse afirma que há tendência de aumento dos embarques rumo ao exterior, mesmo com essa indisponibilidade. 

“Temos ações regulares de promoção das nossas exportações de carne, e isso gera abertura de novos mercados para nossa carne”, analisa.  

Para o resto do ano, as exportações devem ditar o ritmo da dinâmica de mercado, sendo a Ásia o maior destino dos produtos e a China o principal cliente. (Colaboraram Ana Clara Santos e Súzan Benites)

ECONOMIA

Bancos começam a escalar consignado privado, mas aguardam ajustes operacionais

Cenário desenha múltiplas oportunidades para instituições financeiras, mas também endurece a competição no setor

24/05/2026 12h44

Itaú segue em destaque, com uma carteira que subiu de cerca de R$ 12 bilhões antes do programa do governo para R$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre.

Itaú segue em destaque, com uma carteira que subiu de cerca de R$ 12 bilhões antes do programa do governo para R$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre. Reprodução

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Maiores bancos brasileiros acirraram a disputa pelo crédito consignado privado no começo do ano, depois de demonstrarem apetite mais comedido nos primeiros meses do programa de Crédito do Trabalhador.

O mercado ainda aguarda a resolução de pendências operacionais no sistema do DataPrev que processa os empréstimos, mas já acelerou a concessão na modalidade, em um esforço para blindar os balanços da pressão de endividamento e inadimplência no País.

Em março, a carteira total do consignado para funcionários do setor privado superou a marca de R$ 100 bilhões, um crescimento de 142% na comparação com igual mês do ano passado, de acordo com dados mais atualizados do Banco Central.

O volume ainda representa pouco mais de 1/4 do saldo de R$ 384 bilhões do consignado para servidores públicos, o que indica maior espaço para expansão à frente - O Brasil tem cerca de três vezes mais trabalhadores CLT que empregados do setor público.

O consignado é visto como um instrumento mais seguro para canalizar crédito pessoal, porque as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento.

O produto também prevê a possibilidade de uso de parte do saldo do FGTS para amortizar a dívida, em caso de demissão sem justa causa. Os mecanismos reduzem o risco de inadimplência e limitam os juros cobrados nas operações.

"A Selic alta mudou a postura dos bancos, que estão diminuindo a exposição ao crédito pessoal sem garantia, como cartão de crédito, e dando importância para linhas em que o consumidor pode dar um ativo como garantia ou então para o consignado", explica a head de crédito da Integral Group, Maria Estela Ferraz de Campos.

O cenário desenha múltiplas oportunidades para instituições financeiras, mas também endurece a competição no setor.

Entre os grandes bancos, a briga será principalmente pela conquista das empresas com quadro de empregados mais robusto, não necessariamente pela relação direta com o cliente pessoa física, avalia o vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa Econômica Federal, Marcos Brasiliano Rosa.

"É por isso que estamos observando bancos com uma carteira PJ maior estão alavancando mais o segmento", explicou, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A Caixa, que participou da elaboração do programa, ainda está nos estágios iniciais de implementação do produto. A carteira do consignado CLT atingiu cerca de R$ 9 bilhões, de acordo com Brasiliano. O número ainda representa uma fração do saldo de R$ 114,2 bilhões do consignado como um todo, mas o maior banco do País planeja escalar a concessão nos próximos meses.

Entre os privados, o Itaú segue em destaque, com uma carteira que subiu de cerca de R$ 12 bilhões antes do programa do governo para R$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre.

O banco é líder no segmento, com uma participação de mercado de pouco mais de 20%. "Estamos crescendo com muita qualidade, nos clientes certos, naturalmente com uma visão de rentabilidade adequada", disse o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, na teleconferência com analistas para discutir os resultados.

No Bradesco, o privado ainda representa 6% do portfólio consignado, mas a proporção vem aumentando gradualmente. O saldo na linha cresceu quase 43% no comparativo anual, para cerca de R$ 6,7 bilhões, que corresponde a uma fatia de 6,6% do mercado geral.

Dataprev

Para continuar acelerando a exposição à modalidade, o setor bancário ainda cobra a evolução do sistema do DataPrev, em especial para garantir a portabilidade entre bancos e a migração automática do contrato quando o trabalhador muda de emprego.

Atualmente, quando há uma troca de empresa, o modelo exige a formalização de um novo contrato. O governo trabalha para automatizar o processo, mas esse é um procedimento complexo, porque envolve ajustes nos sistemas das instituições.

Segundo Brasiliano, da Caixa, as melhorias começaram a ser implementadas em maio e devem estar totalmente operacionais em setembro. "Algumas coisas mais relevantes acontecem agora em maio, podendo já começar a produzir efeitos no mês seguinte", explicou o executivo.

Os bancos privados vinham divergindo dos públicos em relação ao modelo de acesso a garantias vinculadas ao FGTS, ponto central para consolidação do consignado privado. O governo defendia a centralização o mecanismo pela Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) digital, enquanto a indústria bancária queria disponibilizá-lo nos canais próprios.

Para acomodar um meio termo, o ministério do Trabalho deve liberar os bancos a ofertarem as garantias em seus aplicativos, mas em operações sujeitas a uma conjunto de restrições, de acordo com Brasiliano. Se o empréstimo for concedido via CTPS, as condições serão livres.

O Broadcast procurou o a pasta para esclarecer o desenho do processo, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Taxas 'abusivas'

No mês passado, o governo publicou uma portaria que busca coibir o que as autoridades consideram "taxas abusivas".

A resolução prevê punições para instituições financeiras que cobrem juros que excedem uma taxa de referência calculada pelo Ministério do Trabalho.

Também determina que o custo efetivo total (CET) das operações contratadas por plataformas digitais fica limitado a um ponto porcentual acima da taxa de juros mensal da operação. Em março, o juro médio do consignado CLT estava em 56,8% ao ano, ou cerca de 3,8% ao mês, conforme números do BC.

Para analistas da Fitch, as incertezas regulatórias e operacionais têm implicado em múltiplas dificuldades para escalar o consignado privado, apesar do potencial do produto para o modelo de negócios dos bancos.

"Caso persistam, estes desafios continuarão pressionando os custos dos juros, aumentando o conservadorismo dos originadores e reduzindo a eficiência do mercado", alerta a agência.

 

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LOTERIA

Resultado da Mega-Sena de hoje, concurso 3010, domingo (24/05)

A Mega-Sena realiza três sorteios semanais, terça, quinta e sábado, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

24/05/2026 10h04

Arquivo

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 3010 da Mega-Sena na manhã deste domingo, 24 de maio de 2026, a partir das 11h (de Brasília). A extração dos números ocorreu no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$320 milhões.

Os números da Mega-Sena 3010 são:

Confira o resultado da Mega-Sena de hoje!

  • 35 - 33 - 45 - 30 - 47 - 03 

O sorteio foi transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pôde ser assistido no canal oficial da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: Mega-Sena 3011

Como a Mega Sena tem três sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre na terça-feira, 26 de maio, a partir das 20 horas, pelo concurso 3011. O valor da premiação vai depender se no sorteio atual o prêmio será acumulado ou não.

Para participar dos sorteios da Mega-Sena é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 6,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher 6 dentre as 60 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar de 4 a 6 números.

Como jogar na Mega-Sena

A Mega-Sena paga milhões para o acertador dos 6 números sorteados. Ainda é possível ganhar prêmios ao acertar 4 ou 5 números dentre os 60 disponíveis no volante de apostas.

Para realizar o sonho de ser milionário, você deve marcar de 6 a 20 números do volante, podendo deixar que o sistema escolha os números para você (Surpresinha) e/ou concorrer com a mesma aposta por 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12 concursos consecutivos (Teimosinha).

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