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Conflito na fronteira ocupa espaço entre as propostas dos candidatos a presidente

Enquanto Flávio Bolsonaro quer criar sistema nacional na região, Lula aposta em PEC para frear crimes transfronteiriços

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Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) dedicaram algumas páginas de suas propostas para a segurança pública, incluindo planos com o objetivo de conter a guerra na fronteira, que tem se tornado cada vez mais violenta em Mato Grosso do Sul, na divisa com a Bolívia e o Paraguai.

Não é segredo para ninguém os conflitos que acontecem na fronteira sul-mato-grossense entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que lutam pelo controle do tráfico de drogas. A movimentação é acompanhada de homicídios, tentativas de execução, ameaças, recrutamento de jovens e operações policiais contra suspeitos de integrar os dois grupos criminosos.

A localização geográfica ajuda a explicar o interesse das organizações criminosas pelo território sul-mato-grossense. O Estado faz fronteira com Paraguai e Bolívia, dois países ligados às cadeias de produção e fornecimento de drogas destinadas ao mercado internacional, especialmente maconha e cocaína.

Diante do aumento da criminalidade nessas regiões, que também afetam outros estados brasileiros, os candidatos à Presidência divulgaram seus planos para frear essa guerra nas propostas protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às quais o Correio do Estado teve acesso e analisou.

LULA

O petista e atual presidente afirma que deseja fortalecer o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano pelo governo federal, que prevê o fortalecimento das atuais Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), a compra de equipamentos e a promoção de 138 unidades prisionais para o padrão de segurança máxima dos presídios federais.

Ele também cita a cooperação com estados e municípios, visando ao enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos e à asfixia financeira do crime organizado e das milícias, além da qualificação da investigação de homicídios, da retomada de territórios e do fortalecimento da segurança no sistema prisional. 

Para isso, será necessário um investimento de R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (Fiis) nas administrações públicas.

“O enfrentamento da violência requer uma ação permanente e integrada do Estado, baseada em investigação, cooperação entre as instituições, controle das fronteiras e das redes de financiamento do crime, além de políticas de prevenção, redução das desigualdades e ampliação de oportunidades, especialmente para a juventude”, reforça a campanha de Lula em seu plano de governo.

Especificamente sobre a fronteira, o candidato do PT afirma que vai fortalecer a vigilância territorial, a proteção dos recursos naturais e o combate ao crime organizado transnacional, passando a tratar os limites territoriais como espaços estratégicos de integração e desenvolvimento, com maior presença do Estado, infraestrutura, serviços públicos e cooperação com países vizinhos.

Vale ressaltar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, chamada de PEC da Segurança Pública, que é uma iniciativa do governo federal, esteve a poucos passos de passar por votação no plenário do Senado na semana passada, depois de ter sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sem alterações.

Porém, na quinta-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retirou da pauta a votação da PEC. Segundo ele, a votação foi adiada para evitar uma “discussão açodada” da matéria e também para que os senadores possam chegar a um acordo sobre as emendas apresentadas à proposta. 

A PEC é um dos trunfos de Lula para conseguir avançar nos objetivos citados para o setor para o período de 2027 a 2030.

FLÁVIO

No seu plano de governo, Flávio Bolsonaro é mais enfático quanto à segurança pública, chegando a afirmar que o “blá-blá-blá ideológico da esquerda não traz resultados práticos”. Diante disso, ele declara que vai dobrar os investimentos federais no setor ao longo dos quatro anos de mandato, porém, sem detalhar as fontes desses recursos.

Com base, segundo o plano de governo, em dados do Ministério da Fazenda, afirma que o governo federal destina 0,4% dos seus gastos para a segurança pública.

Com este porcentual de investimento da União, Flávio afirma em seu plano de governo ser quase impossível combater o crime organizado. Para isso, o candidato do PL diz que vai interceptar, seja por terra, portos ou espaço aéreo, os fuzis e as drogas que abastecem as facções.

“Vamos desorganizar o crime organizado e asfixiar o crime física e financeiramente. Quem tem que viver em paz é o cidadão de bem, não as facções do mal. Não se combate o crime a quatro meses de uma eleição com discurso e PowerPoint, como faz Lula e o PT, depois de 18 anos no poder passando pano para bandido”, traz o plano de governo de Flávio.

Quanto à região fronteiriça, o candidato do PL afirma que vai criar o Sistema Nacional de Fronteira, que será uma “tropa de elite do Exército, da Marinha e da Força Aérea Brasileira equipada com armas de guerra, inteligência e tecnologia, responsável por criar um paredão na fronteira”. 

Ele afirma que há 16 mil quilômetros de fronteiras abertas e um efetivo de um policial para cada 100 km, sem citar de onde tirou os dados, o que seria pouco para combater o crime organizado na faixa fronteiriça.

* Saiba 

Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva vão duelar nas urnas no segundo turno, marcado para este domingo. No turno anterior, o candidato do PL ficou à frente com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma diferença de 2,2 milhões de votos.

LUTO

Morre Elias Gaza Dib, ex-vereador de Campo Grande, aos 72 anos

Advogado exerceu quatro mandatos na Câmara Municipal, entre 1989 e 2004

19/10/2026 08h43

Elias Gaza Dib exerceu quatro mandatos como vereador de Campo Grande, entre 1989 e 2004, pelo então PMDB

Elias Gaza Dib exerceu quatro mandatos como vereador de Campo Grande, entre 1989 e 2004, pelo então PMDB Divulgação

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O advogado e ex-vereador de Campo Grande Elias Gaza Dib morreu na madrugada desta segunda-feira (19), aos 72 anos. O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) de Mato Grosso do Sul, postou uma nota de pesar assinada pelo presidente estadual da legenda, Waldemir Moka.

Com uma trajetória de 16 anos na Câmara Municipal, Elias exerceu quatro mandatos consecutivos como vereador, entre 1989 e 2004, pelo então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), atual MDB.

Ao longo da carreira política, participou da vida pública da Capital e consolidou sua atuação dentro da legenda. Nas eleições municipais de 1996, foi eleito vereador com 4.334 votos. Quatro anos depois, conquistou a reeleição com 3.734 votos.

Elias também disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 1994, quando recebeu 3.985 votos e ficou na suplência.

Além da atuação política, seu nome consta nos registros históricos da Santa Casa de Campo Grande como presidente da instituição no período de 2006 a 2007. 

Nota de pesar

Em manifestação publicada nas redes sociais, o presidente estadual do MDB, Waldemir Moka, lamentou a morte do ex-parlamentar e destacou os serviços prestados à população campo-grandense.

Na nota, o dirigente ressaltou a contribuição de Elias para a história política do município e seu compromisso com a comunidade durante os quatro mandatos exercidos na Câmara Municipal.

O partido também manifestou solidariedade aos familiares e amigos do ex-vereador, desejando força e conforto neste momento de luto. 

Até a publicação desta matéria, não haviam sido divulgadas informações confirmadas sobre a causa da morte, o local do velório e o horário do sepultamento.

 

UNIFICAÇÃO

El Niño faz Governo Federal unificar pagamentos do Bolsa Família

Em Mato Grosso do Sul, mais de 190 mil famílias são beneficiadas com o auxílio

19/10/2026 08h15

Pagamentos do Bolsa Família começam nesta segunda-feira (19)

Pagamentos do Bolsa Família começam nesta segunda-feira (19) Divulgação

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Beneficiários do programa Bolsa Família começam a receber o auxílio nesta segunda-feira (19). Os pagamantos serão unificados a partir de quarta-feira (21), como medida preventiva para mitigar os efeitos do super El Niño sobre as famílias mais vulneráveis. A medida se estende para novembro e dezembro, considerados meses críticos do fenômeno.

Em Mato Grosso do Sul, 191.275 famílias são atendidas, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome(MDS). Os beneficiários com NIS terminado em 1 receberão os pagamentos nesta segunda-feira (19). Na terça-feira (20), será a vez de quem tem NIS terminado em 2. O calendário será unificado na quarta-feira (21), com o pagamento, na mesma data, aos beneficiários com NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0.

Em agosto e setembro, foram registrados 518 reconhecimentos federais de Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública, mais do que o dobro no mesmo período de 2025 (253). A alta veio principalmente das tempestades no Sul: os eventos de chuva, granizo, vendaval e inundação foram de 81 para 272 reconhecimentos. O aumento também foi percebido no semiárido: os reconhecimentos por estiagem e seca saltaram de 172 para 239 (+39%).

O fenômeno, contudo, pode causar efeitos em todas as regiões geográficas brasileiras. O Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026–2027 registra que a previsão para o último trimestre é de menos chuva que a média histórica em grande parte do Norte do país e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, o que pode agravar a seca nessas regiões. No Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste, deve chover mais que a média.

Diante desses elementos, o Comitê Permanente para Respostas de Proteção Social em Situações de Calamidades Públicas e Emergências (CCPE) considerou pertinente avançar na medida excepcional de unificação do calendário de pagamento do Bolsa Família em resposta ao El Niño 2026–2027, utilizando mecanismos já existentes na operacionalização do Bolsa Família para o enfrentamento de desastres. 

A unificação dos pagamentos, como forma de mitigar os efeitos de desastres climáticos, já ocorreu em outros momentos emergenciais, como nas enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024, quando o MDS unificou o pagamento para as famílias dos 497 municípios gaúchos, que puderam acessar o benefício no primeiro dia do calendário.

A unificação do calendário amplia a capacidade das famílias beneficiárias de se prepararem para os efeitos da seca, da escassez hídrica, das inundações e das interrupções no abastecimento. A medida serve para proteção social adaptativa, especialmente diante do risco de agravamento da insegurança alimentar e de comprometimento dos meios de subsistência das populações mais vulneráveis.

SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

Beneficiários que vivem em municípios que já estão em situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo Governo Federal vão receber o pagamento de forma unificada, todos no dia 19, primeiro dia do calendário.

Para receber o benefício, as famílias devem manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, atender aos critérios do programa e cumprir as condicionalidades de saúde e educação. Entre elas estão a frequência escolar de crianças e adolescentes, a vacinação em dia e o acompanhamento pré-natal das gestantes.

COMO CONSULTAR E TIRAR DÚVIDAS

Para consultar a situação do benefício, os extratos e os valores liberados, basta acessar os aplicativos oficiais do Bolsa Família e do Caixa Tem ou o Portal Cidadão da Caixa, disponíveis na internet.

O Disque Social do MDS, pelo telefone 121, esclarece dúvidas sobre regras e cadastros. A Central de Atendimento da Caixa, pelo telefone 111, fornece informações sobre pagamentos e saques.

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