Cidades

Mulheres que defendem mulheres

Congresso gratuito vai focar no efetivo atendimento a mulheres vítimas de violência

Segundo a organização, o evento tem objetivo de capacitar advogados no acolhimento das vítimas e fortalecer o sistema de proteção às mulheres

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O Instituto de Ensino CPAA promove, em março, o 1º Congresso "Mulheres que Defendem Mulheres", evento gratuito que chega em meio a um cenário de altos índices de feminicídio e violência doméstica em Mato Grosso do Sul. 

O congresso tem a missão de combater a desinformação e mostrar que os mecanismos de proteção são ferramentas primordiais na sobrevivência das mulheres. 

O evento vai reunir mulheres especialistas que integram os atendimentos na Casa da Mulher Brasileiras, na Delegacia Especializada (DEAM) e nos tribunais, visando orientar advogados e advogadas que atuam na área.

A iniciativa pretende mudar a narrativa de que "nada acontece para defender as mulheres" e capacitar os profissionais responsáveis para que conheçam a fundo o funcionamento da rede e se tornarem agentes de encorajamento para suas clientes. 

De acordo com a organização, mesmo que o sistema enfrente desafios, ele ainda é a ferramenta e proteção mais potente disponível, mas tem sido descreditado pelas instituições, o que fragiliza a mulher que precisa de socorro imediato. 

Para a diretora do CPAA Instituto de Ensino, Maria Carloto, o congresso chega para mostrar de forma clara e efetiva como o sistema funciona. 

"Estamos indo na contramão do senso comum de que a proteção não chega para quem precisa; em Mato Grosso do Sul, temos profissionais qualificadas e protocolos que são referência nacional, e este congresso é um chamado à responsabilidade coletiva", explica. 

Ela ressalta que o papel do advogado é primordial nesse processo, formando uma rede viva de mulheres protegendo outras mulheres. 

"Queremos que a sociedade e os profissionais do Direito entendam que a justiça não é apenas um conceito distante, mas uma rede viva. Quando o advogado conhece o sistema, ele não descredencia a ferramenta; ele fortalece a defesa. Quando a informação chega de forma clara, o medo diminui e a coragem de romper o ciclo aumenta. Usar esses mecanismos salva vidas, sim", afirma. 

Estarão participando da programação as seguintes palestrantes:

  • Dra. Carla Charbel Stephanini: Conhecer para defender os serviços da Casa da Mulher Brasileira.
  • Me. Márcia Paulino: Escuta qualificada e a não revitimização: pilares do atendimento inicial.
  • Dra. Fernanda Barros Piovano: Estratégias de proteção imediata e preservação de provas.
  • Dra. Taís Soares Vieira Ferretti: Atuação com perspectiva de gênero no acesso à justiça.
  • Dra. Clarissa Carlotto Torres: Medidas protetivas de urgência e o papel do Ministério Público.

O Congresso acontece no dia 7 de março de 2026, das 8h às 12h30, no auditório da Associação dos Advogados de Polícia de Mato Grosso do Sul (Adepol), localizado na Rua Dr. Robson Benedito Maia 312, bairro Carandá Bosque. 

Números

De acordo com as estatísticas da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), desde o início do ano já foram registradas 2.833 ocorrências por violência doméstica, sendo 2.656 com vítimas femininas e três casos de feminicídio. 

Em 2025, foram 21.814 ocorrências por violência doméstica e 39 casos de feminicídio no Estado. 

CAMPO GRANDE

Promotor é denunciado ao CNMP por agredir réu dentro do Fórum

Caso ocorreu em fevereiro no Fórum de Campo Grande e é investigado nas esferas administrativa e criminal

30/05/2026 12h30

Imagens registradas durante audiência de custódia mostram momento em que promotor deixa a sala e agride custodiado no Fórum de Campo Grande.

Imagens registradas durante audiência de custódia mostram momento em que promotor deixa a sala e agride custodiado no Fórum de Campo Grande. Reprodução

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Um promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) é alvo de procedimentos de apuração após agredir verbal e fisicamente um homem preso por violência doméstica durante uma audiência de custódia realizada no Fórum de Campo Grande.

O episódio ocorreu em 3 de fevereiro deste ano e veio a público após a divulgação de imagens que registram parte da confusão dentro da sala de audiência.

O custodiado, identificado como Paulo Ricardo Oliveira de Morais, havia sido preso em flagrante por agressão e ameaças contra a esposa. Na audiência estavam presentes a juíza Tatiana Decarli, o defensor público Nilson da Silva Geraldo e o promotor de Justiça Izonildo Gonçalves de Assunção Júnior.

Segundo as imagens divulgadas, durante a leitura das acusações o promotor se irrita após ser interrompido pelo preso e faz uma repreensão. Ao término da audiência, a magistrada converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.

Veja o vídeo abaixo do portal G1 MS: 

Minutos depois, já durante a saída do custodiado da sala, ocorreu o episódio que passou a ser investigado. As gravações mostram o promotor deixando seu lugar e partindo em direção ao preso, que estava acompanhado por um policial penal.

Em relato escrito à mão posteriormente, Paulo Ricardo afirmou ter sido agredido com socos e enforcamento. Ele também alegou ter sofrido ameaças para não realizar exame de corpo de delito após ser encaminhado para a viatura.

A defesa do custodiado, assumida pelas advogadas Gabrielly Dias Petersen e Bianca do Carmo Rezende exclusivamente em relação ao episódio ocorrido durante a audiência, apresentou representações ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen).

As advogadas informaram que aguardam a conclusão das apurações pelos órgãos competentes e que, até o momento, não receberam retorno do Ministério Público sobre o andamento das medidas adotadas.

Na decisão que manteve a prisão preventiva de Paulo Ricardo, a juíza registrou que, conforme relato do policial penal responsável pela escolta, o custodiado teria feito ameaças de morte ao promotor após o encerramento da audiência.

A magistrada destacou, contudo, que eventuais infrações ocorridas após o término da sessão deveriam ser apuradas em procedimento próprio, sem relação direta com o auto de prisão em flagrante analisado naquele momento. 

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Mandado de Prisão

Homem que dopava companheira é preso em Campo Grande

O criminoso que já havia antecedentes criminais, foi preso na noite da última sexta-feira (29)

30/05/2026 11h30

A captura do criminoso aconteceu após atuação do DEAM

A captura do criminoso aconteceu após atuação do DEAM FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Após mandado de prisão contra um homem acusado de dopar em altas doses sua companheira, a Equipe de Capturas da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (1ª DEAM) realizou a captura do criminoso na noite da última sexta-feira (29). 

O autor do crime, um rapaz de 26 anos, foi capturado em uma residência da capital, onde se encontrava escondido. A prisão preventiva aconteceu após análise do extenso histórico de crimes que o criminoso possui. 

Além dos crimes anteriores, o principal motivo da prisão aconteceu devido à ocorrência mais recente contra ele, que foi registrada em 2026, na 1ª DEAM. 

A vítima, uma mulher de 30 anos, mantinha um relacionamento de mais de oito anos com o rapaz e teve três filhos nesse período, eles romperam o vínculo conjugal a cerca de duas semanas e desde então a moça vinha recebendo ameaças, chegando a ser perseguida em pontos de ônibus e na saída de casa. 

De acordo com o relato da moça, entres os dias 9 e 21 de maio ela estava sendo dopada clandestinamente pelo investigado, que estava aplicando remédios via oral e injetável sem o consentimento da vítima. 

Ao acordar nos dias seguintes, ela relatou que sentia extrema fraqueza física e começou a reparar que suas vestes íntimas estava do avesso, que constatou na suspeita da prática de estupro de vuneravel em âmbito doméstico. 

Além da dopagem sem o consentimento da vítima, também houveram inúmeras agressões psicológicas, verbais e ameaças de mortes, afirmando que se separasse “não seria de mais ninguém”. 

O criminoso ainda teve episódios na qual estava completamente fora de controle,  no dia 22 de maio, ele invadiu a casa da mãe da vítima, localizada no bairro Portal Caiobá II. Ele arrombou o portão da residência e arremessou tijolos destruindo o veículo da residência. 

Insatisfeito com as ações anteriores, ele ainda arrancou uma placa de trânsito “Pare” e a usou para depredar a porta de vidro do imóvel, gerando registros criminais por dano e violação de domicílio. 

Dentro da residência estavam a mãe da vítima, uma mulher de 51 anos, e o padrasto, um senhor de 61 anos, que foram severamente ameaçados de morte pelo agressor. 

ANTECEDENTES 

O histórico do rapaz é antigo e extenso, tendo registros desde de 2018, na ocasião ele foi autuado pelo crime de lesão corporal dolosa, mostrando que o uso de violência é algo recorrente para o criminoso. 

Após esse episódio em novembro de 2022, ele foi investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), pelo hediondo crime de estupro de vulnerável, crime esse que contra uma menina de apenas 10 anos.

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