Cidades

Justiça

Conselheiro se infiltrou na 3ª Vara
para acompanhar sumiço de dólares

Servidor apontado como responsável pelos desvios foi exonerado em julho

ALINY MARY DIAS E KLEBER CLAJUS

24/08/2016 - 12h01
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Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) passou dois dias “infiltrado” na 3ª Vara Federal de Campo Grande, comandada pelo juiz federal Odilon de Oliveira, para acompanhar as apurações sobre sumiço de dólares que podem somar montante milionário.

Presidente da OAB, Mansour Elias Karmouche disse hoje pela manhã que desde que ofício da Corregedoria foi recebido pela entidade, conselheiro foi nomeado para acompanhar a apuração “in loco.”

“Ele passou lá dois dias e veremos quais são as avaliações prévias. É lamentável a ocorrência desse fato gravíssimo que não podemos aceitar, tem que ser punido com rigor”, disse Karmouche.

DESVIOS

Processos tramitados nos últimos 15 anos na 3ª Vara Federal de Campo Grande passarão por uma varredura. O objetivo é verificar as irregularidades, entre as quais as relativas a desvios de valores – trata-se de dinheiro, em geral, dólares, e outros bens, apreendidos de réus e em operações.

As investigações, que são realizadas pela Justiça Federal e Polícia Federal, podem desvendar esquema criminoso de desvio de montante milionário.

Apontado como autor de uma série de desvios de dólares em espécie, servidor Jedeão Oliveira, foi exonerado do cargo em comissão - e de confiança - ocupado por mais de duas décadas e cuja remuneração mensal era de R$ 12.940,02.

Apuração da Corregedoria-Regional da Justiça Federal na 3ª Vara Federal de Campo Grande vai procurar identificar como aconteceu o sumiço de dólares que tinham sido apreendidos durante investigação da Polícia Federal

O dinheiro estava sob custódia da secretaria da 3ª Vara até que o processo transitasse em julgado.

JUSTIÇA FEDERAL

Essa estrutura do Judiciário Federal na Capital é especializada em crimes de lavagem de dinheiro e atua também em casos contra o sistema financeiro nacional. Um dos processos que tramitam nela é o da Lama Asfáltica, que justamente investiga desvio de recursos públicos e tem como acusados empresários e políticos de Mato Grosso do Sul.

O órgão fiscalizador, que fica em São Paulo, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), confirmou que a correição na Capital será feita entre os dias 22 deste mês e 2 de setembro. O juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho e seis servidores foram designados para realizar a correição.

Ofícios da 3ª Vara Federal foram encaminhados à corregedoria solicitando a correição em caráter extraordinário. Eles foram enviados em 18 de julho e 25 de julho deste ano. Os documentos davam conta que era preciso apurar desvio de valores apreendidos.

A reportagem apurou que o sumiço de dólares foi descoberto depois que dois réus foram absolvidos e solicitaram à 3ª Vara Federal a devolução do dinheiro.

Os bens apreendidos pela Polícia Federal foram entregues à direção da secretaria da vara para ficar sob custódia, enquanto a ação tramitava. Esse procedimento é o corriqueiro em qualquer investigação que resulta em apreensão de bens. Não foi possível identificar quando essa quantia foi apreendida e nem o valor que desapareceu.

Apesar da vinda da Corregedoria-Regional ter sido divulgada na sexta-feira (12), no Diário Oficial, detalhes desse caso são mantidos em sigilo. Ainda não há processo instaurado e a determinação do que será feito para encontrar possíveis culpados só será dada depois da correição. Não é descartada a possibilidade de a Polícia Federal também realizar investigação.

Fraude

Empresários são condenados por fraude milionária na venda de máscaras em MS

Sentença aponta superfaturamento, direcionamento de contrato e fornecimento de produtos irregulares ao Estado

18/06/2026 20h00

Foto: Divulgação

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou quatro empresários por envolvimento em um esquema de fraude na venda de máscaras hospitalares ao poder público durante o auge da pandemia da Covid-19.

A decisão, proferida pela 5ª Vara Criminal de Campo Grande, acolheu em grande parte a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (GECOC).

Foram condenados Emerson Ludwig, Matheus Souza Ludwig, Wagner Gonçalves Martins e Gabriel Melo de Matos Salvi, apontados como integrantes de um grupo ligado às empresas Mega Comércio de Produtos Hospitalares e Universal Produtos Hospitalares.

Segundo a sentença, os empresários atuaram para direcionar a contratação emergencial firmada em 2020, período em que compras públicas eram realizadas com dispensa de licitação devido à crise sanitária.

O contrato previa o fornecimento de 20 mil máscaras do tipo PFF2 (N95), com pagamento autorizado em 19 de maio de 2020, no valor total de R$ 299,9 mil. No entanto, as investigações apontaram que houve fraude no processo, com apresentação de propostas previamente ajustadas para beneficiar o grupo.

A decisão judicial destaca ainda o expressivo superfaturamento. O Estado pagou R$ 29,99 por unidade, enquanto levantamentos indicaram que o preço médio de mercado, à época, era de aproximadamente R$ 2,92.

Em contratações semelhantes realizadas durante a pandemia, os valores costumavam variar entre R$ 3 e R$ 15 por unidade o que evidencia que o preço pago chegou a ser até dez vezes superior ao padrão.

Além do sobrepreço, parte das máscaras fornecidas apresentava irregularidades graves. De acordo com relatórios técnicos e auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), os produtos não atendiam às especificações exigidas, sendo oriundos de fabricante considerado inexistente e sem registro regular.

A falha expôs profissionais de saúde ao risco de contaminação, em um dos momentos mais críticos da crise sanitária.

Indenização

Na sentença, o Judiciário também determinou o pagamento de indenização no valor de R$ 599,8 mil aos cofres públicos estaduais, correspondente ao prejuízo causado pela contratação fraudulenta. Os réus foram condenados por crimes relacionados à fraude em contrato público e peculato.

Operação Parasita

O caso integra um dos desdobramentos da Operação Parasita, deflagrada pelo GECOC em apoio à 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.

A investigação teve como foco fraudes em contratos firmados para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), incluindo simulação de fornecimento de produtos, emissão de documentos falsos, pagamento de propina e desvio de recursos da saúde.

Quando a operação foi deflagrada, em dezembro de 2022, o MPMS já apontava prejuízo superior a R$ 14 milhões aos cofres públicos. A frente investigativa que resultou na condenação dos empresários revelou um esquema estruturado para explorar a urgência da pandemia em benefício próprio.

O nome da operação faz referência à atuação de agentes que se apropriam indevidamente de recursos públicos, comprometendo o funcionamento do sistema de saúde e prejudicando diretamente pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

videoconferência

Delegado pede ao STF para ouvir Bolsonaro sobre arma apreendida

Equipe de segurança impediu polícia de intimar ex-presidente

18/06/2026 19h00

Ex-presidente Jair Bolsonaro

Ex-presidente Jair Bolsonaro Foto: Agencia Brasil

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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) solicitou nesta quinta-feira (17) autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para intimar e tomar o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da arma de fogo encontrada com um de seus seguranças. O caso é investigado pela 17ª Delegacia de Polícia. 

Em ofício enviado ao Supremo, o delegado Thiago Boing, responsável pela investigação, informou que tentou intimar Bolsonaro, mas foi impedido pela equipe de segurança do ex-presidente. 

"Esclarece-se que a tentativa de cumprimento da intimação pessoal restou infrutífera, uma vez que a equipe de escolta responsável não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimando", relatou o delegado.

O ex-presidente está em prisão domiciliar desde o dia 24 de março, quando deixou o Hospital DF Star, em Brasília, após ser internado para tratar um quadro de pneumonia bacteriana.

Se for autorizado pelo STF, o depoimento de Bolsonaro está marcado para a próxima quarta-feira (24), às 15h, por videoconferência.

A arma foi apreendida às 23h30 da segunda-feira (15), quando um Honda Civic foi parado em um ponto de bloqueio no Pistão Norte, em Taguatinga. Na abordagem, o motorista se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e disse que a arma pertencia ao ex-presidente.

Durante a blitz, também foi localizado um carregador sobressalente da pistola, modelo Glock 9 milímetros (mm). O motorista foi conduzido até uma delegacia, onde afirmou que a arma lhe foi entregue em razão de uma pane. 

Em depoimento, ele relatou ainda que retirou a pistola no próprio dia 15 com a finalidade de fazer o reparo e que o armamento seria devolvido no dia seguinte.

Na quarta-feira (17), a defesa de Bolsonaro reconheceu que o ex-presidente é proprietário da arma, que foi deixada com o segurança para ser levada para conserto. Segundo os advogados, o ex-presidente não está proibido de manter a arma em casa.

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