Cidades

TRANSPORTE COLETIVO

Consórcio Guaicurus alega dívida de R$ 15,2 milhões e pede aumento no subsídio

Do montante, R$ 8,2 milhões são referentes aos salários dos funcionários, motivo da greve que deve começar na segunda-feira

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Documentos obtidos pelo Correio do Estado mostram que o Consórcio Guaicurus afirma ter dívida de R$ 15,2 milhões, conta que vai de débitos com fornecedores a funcionários.

O deficit maior é relacionado ao pagamento da folha salarial de novembro e do 13º salário dos funcionários, valores que as empresas do grupo alegam que não têm condições de pagar. Por causa disso, a concessionária pede que o valor do subsídio pago pelo poder público seja ampliado.

No dia 5, o Consórcio Guaicurus, responsável pela administração do transporte coletivo de Campo Grande, anunciou que a situação financeira estaria insustentável para continuar a operação, que seria motivada por supostos atrasos dos repasses por parte do poder público.

Além das dificuldades com questões operacionais, como combustíveis e manutenção da frota e encargos, o consórcio também está em discussão com a classe de funcionários, principalmente a dos motoristas. Até o momento, a folha salarial de novembro e o 13º salário não foram pagos e a categoria ameaça entrar em greve na segunda-feira.

Conforme último ofício enviado pela empresa à prefeitura, no dia 4, ou seja, um dia antes de anunciarem publicamente a crise financeira, as dívidas do grupo somavam R$ 15.260.509,06.

Detalhando as dívidas, a maior parte se refere às despesas com o pessoal (funcionários), somando R$ 8,2 milhões, resultado da folha salarial e do 13º inadimplente. Ainda segundo o documento, há R$ 6,5 milhões de tributos em atraso, além de débito com fornecedores, de R$ 454,1 mil.

Na quinta-feira, uma semana depois deste ofício ter sido enviado, a prefeitura disse ao Correio do Estado que 57% do repasse de novembro foi antecipado, além de afirmar que não vai aceitar “alegações de que eventual paralisação do serviço esteja relacionada a questões financeiras envolvendo a administração municipal”. 

Porém, até o fechamento desta edição, a greve deliberada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) estava mantida.

Apesar disso, a concessionária afirma que a dívida seria de R$ 13,2 milhões, dos quais R$ 7.215.313,96 correspondem “à quantia mais recente urgente da dívida pendente”, segundo descreve a própria companhia.

SUBSÍDIO

Outra reclamação por parte do Consórcio Guaicurus é a não compensação financeira da diferença entre a tarifa pública (R$ 4,95) e a tarifa técnica (R$ 6,57). No ofício, a empresa disse que esta compensação é juridicamente obrigatória, e não facultativa.

“O exame isolado da tarifa pública ou da tarifa de remuneração não é suficiente para aferir o equilíbrio econômico-financeiro previsto na lei, justamente porque a estrutura, enquanto categoria jurídica, inclui a relação entre essas variáveis e a compensação necessária para recompor seus efeitos”, reforça o consórcio.

Por isso, o consórcio pede que a prefeitura pague a diferença de R$ 1,62 por passagem, além de solicitar que haja uma revisão tributária que corresponda aos valores expostos.

“Quanto às portarias futuras, a adoção de redação que reflita integralmente a estrutura tarifária – tarifa pública, tarifa de remuneração e deficit/subsídio tarifário –, em conformidade com o regime contratual e com as melhores práticas de regulação tarifária”, pede.

Vale lembrar que a taxa de remuneração de R$ 6,57 foi elevada no fim de outubro deste ano. Antes, a tarifa técnica, como também é chamada, era de R$ 5,17, ou seja, houve um aumento de 6,49%.

Em suma, esta taxa se refere ao valor que as empresas operadoras de transporte público recebem para cobrir seus custos e obter um retorno sobre o investimento, o custo real do serviço por passageiro.

Segundo o documento, há R$ 6,5 milhões de tributos em atraso - Foto: Gerson Oliveira

PARALISAÇÃO

A greve dos motoristas é ocasionada pelo não pagamento do salário dos funcionários do Consórcio Guaicurus, que deveria ter sido depositado no quinto dia útil do mês. Outro motivador é o anúncio das empresas do consórico de que também não devem honrar o pagamento do 13º salário, que deve ser depositado até o dia 20 deste mês.

O Consórcio Guaicurus afirma que o não pagamento salarial se deve à dívida do poder público com a concessionária. Conforme o grupo de empresas, não teriam sido pagos valores referente ao subsídio das gratuidades e do vale-transporte dos servidores, que totalizaria R$ 13,2 milhões.

A informação, no entanto, é negada tanto pela Prefeitura de Campo Grande quanto pelo governo do Estado, que também contribui com o subsídio.

Nesta quinta-feira, por meio de assembleia geral, o sindicato dos motoristas decidiu pela greve por tempo indeterminado, com começo na segunda-feira, e com fim até que os três vencimentos (salário, 13º e “vale” – o adiantamento) sejam pagos.

Com isso, caso as garantias não caiam na conta dos funcionários, a circulação dos ônibus deve ser comprometida na semana que vem.

Em contato com a reportagem, o Ministério Público do Trabalho (MPT) disse que, até o momento, não recebeu nenhuma denúncia referente ao Consórcio Guaicurus ou à greve dos motoristas.

Porém, afirma que, “caso surjam elementos que indiquem irregularidades trabalhistas, o MPT poderá adotar as medidas cabíveis dentro de suas atribuições”.

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APREENSÃO

Adolescente é preso com carregamento de droga em ônibus que seguia para Dourados

As autoridades perceberam o nervosismo do jovem que transportava 8,3 kg de maconha no transporte coletivo, na rodovia MS-156

14/01/2026 16h08

O jovem transportava duas bolsas carregadas de tabletes de maconha

O jovem transportava duas bolsas carregadas de tabletes de maconha Divulgação: Departamento de Operações de Fronteira

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Um adolescente de 16 anos foi preso por policiais militares do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), nesta quarta-feira (14), em Amambai. O jovem transportava 8,3 kg de maconha em um ônibus, na rodovia MS-156.

Os militares realizavam bloqueio na região, entre os municípios de Amambai e Caarapó, quando abordaram o coletivo. Segundo as autoridades, durante o processo de entrevista dos passageiros, o adolescente apresentou excesso de nervosismo.

Ele transportava duas bolsas, onde foram localizados 16 embalagens da droga. Questionado, o menor confessou que pegou o entorpecente no município de Coronel Sapucaia e que o destino final seria a cidade de Dourados.

A droga e o adolescente foram encaminhados à Delegacia da Polícia Civil de Amambai.

A ação ocorreu no âmbito do Programa Protetor das Fronteiras e Divisas, uma parceria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

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Campo Grande

Suspeito de tráfico de drogas é morto pelo Batalhão de Choque dentro de condomínio

Roger da Costa Gonçalves usava tornozeleira eletrônica e foi atingido com ao menos seis tiros dentro de casa

14/01/2026 15h15

Policias dentro do condomínio, na tarde desta quarta-feira (14)

Policias dentro do condomínio, na tarde desta quarta-feira (14) Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Roger Costa Gonçalves, de 31 anos, morreu na tarde desta quarta-feira (14) após embate com policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, dentro do Residencial Reinaldo Busanelli, condomínio em que vivia junto da mãe, no Jardim Campo Nobre, em Campo Grande.

Morto no horário de almoço, o homem era monitorado por meio de tornozeleira eletrônica. Conforme apurou o Correio do Estado, os disparos ocorreram no 3°andar do condomínio, localizado na Rua Cláudio Coutinho. Em meio ao ocorrido, a versão dada pelos moradores é diferente da repassada pelos policiais. 

Na versão dos moradores, não houve confronto. Uma moradora que não quis se identificar disse à reportagem que os policiais chegaram por volta do horário de almoço e questionaram uma condômina para que abrisse o portão. Sem dar muitas explicações, ela teria dito que a autorização deveria ser concedida pela portaria do local, o que ocorreu. 

Após entrar, os policiais teriam permanecido cerca de 15 minutos no local, disparado ao menos seis vezes contra Roger e só após o ocorrido, decidiram ligar a sirene da viatura e se dirigiram à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Bairro Universitário, onde Roger morreu. 

"Subiram na maldade, foi papo de 6 tiros. Só estava a polícia lá em cima, nem a mãe deixaram subir. Não veem nada e já chegam atirando. Deram o primeiro tiro e um monte em seguida, um tiro atrás do outro, não dá para justificar", disse a mulher. 

Policias dentro do condomínio, na tarde desta quarta-feira (14)

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado 

Versão da polícia 

Roger respondia por associação criminosa e respondia por tráfico de drogas. Anos atrás, teria sido responsável por levar celulares à presos faccionados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção de São Paulo com ramificação em Mato Grosso do Sul.  Sem dar detalhes, a polícia disse que dentro da casa de Roger foram encontradas porções de maconha e cocaína. 

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