Cidades

INVESTIGAÇÃO

Controladoria Geral identifica possíveis pagamentos indevidos do Auxílio Brasil a 367 mil famílias

Auditoria encontrou duas falhas diferentes: uma aponta 468 mil famílias fora do perfil de renda do Auxílio Brasil, e a outra foi no controle de acompanhamento do programa

Continue lendo...

A CGU (Controladoria-Geral da União) identificou R$ 3,89 bilhões em pagamentos indevidos feitos pelo Programa Auxílio Brasil, criado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para substituir o Bolsa Família, entre janeiro e outubro do ano passado.

O montante apurado tem origem em duas falhas diferentes encontradas pela auditoria. A primeira buscou encontrar membros da família beneficiária do programa com rendimentos registrados em bases de dados governamentais, como a folha de pagamentos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e a Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP), entre outras.

Assim, encontraram aproximadamente 468 mil famílias fora do perfil de renda do Auxílio Brasil, que receberam R$ 218 milhões por mês no período analisado. Isso representa R$ 2,18 bilhões no total.

Do total de famílias, explicou a CGU, "cerca de 75% possuíam membros que receberam benefícios na folha de pagamentos do INSS, enquanto cerca de 17% das famílias possuíam rendimentos registrados em GFIP no mês anterior".

Outro problema encontrado envolve a falhas de controle no processo de acompanhamento mensal contínuo do programa, o que de acordo com a CGU "podem ter gerado o pagamento indevido a cerca de 367 mil famílias, em média, por mês, no período de janeiro a outubro de 2022".

Nesse caso, seriam R$ 171 milhões por mês, ou R$ 1,71 bilhão entre janeiro e outubro do ano passado. "A verificação da renda familiar per capita feita pelo MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) considera apenas os rendimentos informados, de forma autodeclaratória pelos próprios beneficiários, no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal", apontou a CGU.

Assim, continuou o órgão, "diante da fragilidade das informações relacionadas a este Cadastro, os auditores da Controladoria avançaram na análise e avaliaram a renda familiar per capita das famílias a partir de outras fontes de informação", encontrando os problemas.

A auditoria identificou também casos de "trabalho infantil na família e existência de registros de óbito dos integrantes das famílias até a apuração de eventuais denúncias recebidas pelos gestores". A análise evidenciou "falhas no processo de controle mensal da gestão dos benefícios, atividade realizada pelo MDS rotineiramente para avaliar a necessidade de interrupções temporárias ou permanentes no pagamento de acordo com a situação observada na família", avaliou a CGU.

Como causas para os problemas, a CGU destacou a interrupção das ações de qualificação cadastral do CadÚnico entre 2020 e 2021 devido à pandemia de Covid-19 e a não utilização das informações de renda registradas em outras bases de dados governamentais para avaliar a elegibilidade ao programa.

O período analisado pela CGU vai do início do ano passado até as eleições de 2022, mas a CGU não cita a questão eleitoral na sua análise. A explosão de beneficiários do Auxílio Brasil no período antes da eleição preocupou o governo de transição após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano passado.

A partir da posse do atual presidente, a CGU começou um trabalho de revisão de diversas decisões tomadas por Bolsonaro. Além dos problemas no programa assistencial, a CGU identificou o uso da máquina pública nas eleições a partir da revisão dos sigilos feitos durante a sua gestão.

Além de identificar problemas no Auxílio Brasil, a CGU tamém analisou a qualidade do CadÚnico e encontrou uma série de problemas. "Dos 91,8 milhões de pessoas cadastradas, 5,5 milhões não têm o CPF informado no cadastro, ou seja 6% do total", apontou.

"Também foram identificados 322 CPFs associados a dois ou mais nomes diferentes e 140 CPFs que não constam na base de dados da Receita Federal do Brasil. A auditoria também apontou situações em que um mesmo CPF consta em duas ou mais famílias ativas diferentes", continuou.

O problema passa, entre outros, pela não atualização das pessoas cadastradas. "Em outubro de 2022, havia famílias registradas de forma ativa no cadastro desde 2017 sem que tenham sido realizadas atualizações em seus respectivos cadastros no período. A norma prevê atualização cadastral a cada dois anos", disse o órgão de controle.

Assine o Correio do Estado.

POLÍCIA

Em 24h, PRF apreende 4,5 toneladas de drogas com 'fujões' em MS

Substâncias entorpecentes traficadas foram interceptadas no interior do Estado e na Capital com indivíduos que tentaram "despistar" os agentes durante abordagem

19/08/2026 10h01

Feitas entre o interior do Estado e a Capital, aprenssões ocorreram em trechos sul-mato-grossenses das BRs 376 e 060.

Feitas entre o interior do Estado e a Capital, aprenssões ocorreram em trechos sul-mato-grossenses das BRs 376 e 060. Reprodução/PRF-MS

Continue Lendo...

Na madrugada desta quarta-feira (19) a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu mais mil quilos de drogas traficadas por estradas federais que cortam Mato Grosso do Sul, somando aproximadamente 4,5 toneladas de substâncias entorpecentes encontradas com "fujões" em um intervalo de 24 horas no Estado. 

A mais recente dessas apreensões aconteceu em trecho da BR-060, em Campo Grande, quando os agentes tentaram realizar a abordagem a um veículo Fiat Toro e seu condutor havia realizado uma ultrapassagem em local proibido, sendo que em seguida ignorou as ordens de parada e deu início a uma tentativa de fuga. 

Feito o acompanhamento tático em um primeiro momento, a picape pôde ser alcançada e seu motorista detido. Na vistoria, os agentes constataram que o automóvel estava abarrotado de substâncias entorpecentes. Confira as imagens divulgadas pela PRF-MS: 

Em conversa com os agentes, o responsável por conduzir o veículo confessou que pegou essa Fiat Toro em Ponta Porã, município sul-mato-grossense que é cidade gêmea de Pedro Juan Caballero (PJC), no Paraguai, enquanto que seu destino seria a Capital do Estado. 

Além disso, foi verificado que essa Fiat Toro na verdade transitava com placas falsas, tendo, segundo a PRF-MS, registro de roubo/furto na cidade mineira de Igarapé (MG). O caso foi levado para a delegacia de Polícia Civil em Campo Grande.

4,5 toneladas em 24 horas

Parte do trabalho cotidiano das forças de segurança do Estado, que possui 12 municípios considerados fronteiriços e uma faixa de fronteira de cerca de 143 mil quilômetros quadrados, aproximadamente quatro toneladas e meia de substâncias entorpecentes foram apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal no Mato Grosso do Sul (PRF-MS) com "fujões", em um intervalo de menos de 24 horas.

Feitas entre o interior do Estado e a Capital, a primeira dessas apreensões aconteceu durante fiscalização da PRF em trecho da BR-376, em Ivinhema, município distante aproximadamente 289 quilômetros de Campo Grande que fica na microrregião de Iguatemi. 

Durante abordagem a um caminhão e seu condutor desacompanhado, que seguia viagem pelo trecho ainda na terça-feira (18), o motorista em questão aproveitou o momento em que os agentes verificaram as devidas documentações para tentar fugir a pé pela rodovia, sendo posteriormente frustrado e alcançado pelos policiais rodoviários federais que atenderam a ocorrência. 

Diante das suspeitas sobre o veículo, o compartimento de carga do caminhão foi aberto e os policiais encontraram um carregamento de substâncias entorpecentes. 

Traficada pela BR-376, rota de escoamento de Dourados com conexão em direção ao Paraná e Santa Catarina, a droga apreendida foi pesada e somou 3.220 quilos de substância entorpecente análoga a maconha, encaminhada em seguida junto do motorista e do caminhão até a unidade da Polícia Civil em Ivinhema. 

 

Assine o Correio do Estado

MATO GROSSO DO SUL

Pai do ET Bilu move enxurrada de ações contra jornalistas

Empresário Urandir Fernandes recorre à Justiça contra profissionais da imprensa após reportagens sobre processo movido por investidora e operação do Gaeco

19/08/2026 09h30

Sócio de fintech ligada a grupo que avista ETs é alvo do Gaeco

Sócio de fintech ligada a grupo que avista ETs é alvo do Gaeco Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Conhecido nacionalmente pela história do ET Bilu, o empresário Urandir Fernandes de Oliveira decidiu levar aos tribunais a insatisfação com reportagens publicadas envolvendo seu nome e empresas ligadas a ele em Mato Grosso do Sul. Somente em julho deste ano, foram protocoladas 14 ações por supostos crimes contra a honra.

Entre os profissionais acionados estão três jornalistas do Correio do Estado, além de profissionais de outros veículos de comunicação de Mato Grosso do Sul. As ações passaram a ser apresentadas depois de uma sequência de notícias publicadas ao longo do primeiro semestre de 2026.

As reportagens tratavam, entre outros assuntos, da relação de Urandir com um dos alvos das operações Collusion e Simulatum, deflagradas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), e de uma disputa judicial envolvendo uma investidora que afirma ter aplicado R$ 300 mil em uma empresa ligada ao empresário.

Urandir é proprietário da Associação Civil Dakila e ligado ao banco digital BDM. Ele ganhou notoriedade nacional há mais de duas décadas por afirmar ter mantido contato com um extraterrestre, episódio que ficou conhecido como o “ET Bilu”. O empresário também está à frente de projetos do chamado Ecossistema Dakila.

Operações

Em janeiro deste ano, o nome de Urandir apareceu em reportagens sobre as operações Collusion e Simulatum, realizadas pelo Gaeco para investigar suspeitas de fraudes em licitações e contratos públicos relacionados à Câmara Municipal de Terenos.

O empresário não foi alvo das operações. A ligação citada nas notícias ocorreu porque Francisco Elivaldo de Souza, conhecido como Eli, estava entre os alvos e mantinha relação empresarial com Urandir na BDM Dourado Digital.

Durante as operações, foram cumpridos seis mandados de prisão e 30 de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Rio Negro. Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, as investigações apuram suspeitas de irregularidades em contratos públicos firmados desde 2021.

Na ocasião, o grupo Dakila negou qualquer envolvimento com os fatos investigados e afirmou que nem Urandir nem empresas do grupo eram alvos das diligências.

Disputa por investimento

Outro episódio que colocou o empresário novamente no noticiário foi uma ação apresentada por uma investidora de Campo Grande.

Ana Carolina Vieira Franco de Godoy Reginato afirma ter feito, em abril de 2019, um aporte de R$ 300 mil como investidora-anjo em um negócio relacionado a Urandir Fernandes de Oliveira e Alan Fernandes de Oliveira.

Segundo a ação, o contrato previa a possibilidade de resgate do dinheiro a partir de abril de 2021 e estabelecia prazo para a devolução do valor. A investidora sustenta que não recebeu o montante e posteriormente recorreu à Justiça para cobrar a dívida.

Com correção, juros e multa previstos contratualmente, ela apontou que o débito chegava a R$ 805,6 mil em novembro de 2025.

A mulher também alegou ter encontrado problemas ao pesquisar os dados cadastrais da BKC Distribuição Ltda., empresa indicada no contrato. As afirmações fazem parte da versão apresentada pela autora à Justiça e ainda são objeto da disputa judicial.

Após a repercussão das notícias, Urandir publicou um vídeo em uma rede social no qual fez acusações contra a investidora. Ela então ingressou com outra ação e pediu à Justiça a retirada do conteúdo.

Em fevereiro, o juiz Juliano Rodrigues Valentim, da 3ª Vara Cível Residual de Campo Grande, concedeu tutela de urgência e determinou a remoção da publicação.

A decisão também determinou que o empresário se abstivesse de fazer novas publicações atribuindo à mulher a prática de crime ou condutas semelhantes às discutidas no processo, sob pena de multa diária de R$ 2 mil.

Na ação, a empresária sustenta que Urandir a acusou de “apropriação indébita” de 69 mil ativos digitais e insinuou que ela teria pago veículos de comunicação para divulgar notícias contra ele. Além da retirada das publicações, ela pede indenização de R$ 60 mil por danos morais.

Depois da sequência de reportagens, Urandir passou a recorrer à Justiça contra profissionais responsáveis pelas publicações.

As queixas sustentam, de maneira geral, que algumas matérias teriam ultrapassado o direito de informar ao apresentar acusações ainda discutidas judicialmente.

Assine o Correio do Estado

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).