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Só gente de MS

COP15 frustra expectativa de restaurantes e hotéis da Capital

Organização considera o evento um sucesso, mas público "caseiro" não foi o esperado pelo comércio e o setor hoteleiro

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A 15ª Conferência das Partes (COP15) sobre a Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês) decepcionou empreendimentos e o setor de turismo de Campo Grande pelo baixo movimento registrado de pessoas de fora da Capital em quase cinco dias de evento.

Desde segunda-feira, a Capital é palco de uma das maiores conferências ambientais do mundo, sob organização da CMS e da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com informações oficiais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da convenção, cerca de 2 mil pessoas por dia passam pela catraca da Blue Zone (Zona Azul, em português), o que está dentro da expectativa dos dois órgãos. Esse número, porém, contabiliza pessoas da organização e pesquisadores de Mato Grosso do Sul, que estão presentes em grande quantidade na COP15. 

Com isso, os líderes das associações de hotéis e bares de Campo Grande revelam estar decepcionados com o pouco movimento que o evento gerou.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso do Sul (Abrasel-MS) disse ao Correio do Estado que chegou até a orientar os empresários a produzir cardápios em línguas alternativas, como inglês e espanhol, além de produzir conteúdos nas redes sociais voltados para a COP15, mas isso não surtiu efeito até o momento.

“Em enquete realizada no grupo de mensagens da entidade, as respostas foram unânimes em afirmar que mesmo quem se preparou não sentiu diferença no movimento”, pontuou.

A reportagem também conversou com a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul (Abih-MS) e gerente do Indaiá Park Hotel, Alexandra Martins, que confirmou a sensação de baixa adesão ao evento em Campo Grande.

“Não está sendo possível mensurar, pois muitos hóspedes não se identificaram como sendo participantes da COP15. Mas garanto que o movimento da COP15, para nós do Indaiá Park Hotel, foi menor do que o esperado”, disse.

Para se ter uma ideia, uma fonte do Correio do Estado relatou que o movimento é tão baixo na rede hoteleira que, dos 16 ônibus que passaram pelo hotéis para buscar integrantes da COP15 ontem, apenas nove pessoas embarcaram em um dos pontos durante toda a manhã.

No interior, especialmente em Corumbá, que tem diversos pontos turísticos divulgados pela própria organização antes do evento, não houve alteração do movimento, segundo fontes do Correio do Estado.

Ainda segundo informações do MMA e da CMS, das 133 partes signatárias do tratado, apenas 76 enviaram delegações pessoalmente, enquanto o restante optou pela participação remota. 

Uma fonte oficial do Ministério disse que, mesmo diante desses números, a COP15 em Campo Grande está acima da expectativa.

“Foi muito além da expectativa, na verdade. São 133 países signatários e as primeiras previsões eram de cerca de mil participantes por dia. Essa COP é científica, com foco técnico, então a previsão era de bem menos gente”, disse a fonte do MMA.

Na quarta-feira, por exemplo, cerca de 2,5 mil pessoas estiveram presentes no evento, considerando imprensa, delegações, participantes, seguranças contratados, voluntários e staff. Vale destacar que os agentes das forças públicas de segurança (federal, estadual e municipal) têm uma forma diferente de entrada, sem credencial.

Para efeito de comparação, conforme a fonte do Ministério, a COP14, que foi realizada em 2024, no Uzbequistão, manteve média diária de 1,5 mil participantes, número menor que o apresentado até o momento na edição campo-grandense.

Vale lembrar que, há duas semanas, o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), Bruno Wendling, afirmou à reportagem que eram esperadas entre 2,5 mil e 3 mil pessoas, contando pessoas de fora do Estado e estrangeiros, durante os seis dias de evento, expectativa que diminuiu conforme os dias foram passando.

Durante a programação da tarde de segunda-feira, o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, elogiou a estrutura do evento e a beleza de Campo Grande. 

Para ele, a integração da cidade com a natureza é um diferencial que chama a atenção dos visitantes e deixa uma excelente impressão, o que reforça o potencial da Capital para receber e sediar mais eventos de grande porte. 

“Campo Grande é uma cidade muito bacana, muito especial, tem um planejamento e incorporou de forma muito positiva a questão ambiental. Os visitantes ficam impactados com os macacos, capivaras e tantas espécies, ficam impactados com a proximidade com a natureza. Essa é uma COP que está sendo feita em uma cidade onde a natureza está entranhada. Isso estimula, cria mais compromisso e um ambiente mais favorável”, destacou Capobianco. 

O evento termina no domingo, com a divulgação dos resultados e das decisões adotadas após seis dias de conferência.

COP15

A COP15 promove a conservação de espécies, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações).

A conferência faz parte de um tratado das Nações Unidas assinado em 1979, no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sua primeira edição em 1985, em Bonn, na Alemanha.

Saiba

A COP15 custou R$ 46,9 milhões aos cofres públicos, que serão custeados pelo governo federal (R$ 26,7 milhões), em conjunto com o governo de Mato Grosso do Sul (R$ 10,7 milhões) e projetos de cooperação internacional (R$ 2,5 milhões

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FAZENDA 5 ESTRELAS

Milho substitui girassol em fazenda que virou 'ponto turístico' em MS

Fazenda Cinco Estrelas, famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, plantou milho no lugar de girassol para 'despistar' a erva daninha

21/06/2026 19h00

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026 Gerson Oliveira

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Milho tomou o lugar do girassol, neste ano, na Fazenda Cinco Estrelas, localizada no Indubrasil, próximo a BR-060/BR-262, perto de Campo Grande/Terenos.

Famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, a fazenda suspendeu a plantação de girassóis em 2026, para plantar milho.

De acordo com o gerente da fazenda, Carlos de Lima Rosa, a substituição se deu por conta do aparecimento de erva daninhas, planta invasora que nasce em locais indesejados.

“Esse ano aqui tem girassol e não milho por conta da erva daninha. Nós não estávamos conseguindo controlar o caruru, então, com os herbicidas que nós passamos no milho, nós não podemos passar no girassol, então por isso o milho. Girassol esse ano só na Fazenda Guariroba, que é outra fazenda do seu Stefanello”, disse o capataz ao Correio do Estado.

O local se tornou um ‘ponto turístico temporário’ nos meses de agosto e setembro, por vários anos, onde centenas de pessoas visitavam a plantação diariamente para fazer ensaios fotográficos de casamento, gestação, noivado, 15 anos ou simplesmente atualizar o perfil das redes sociais.

Confira a paisagem da fazenda (antes e depois) em 2025 e 2026:

2025

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de girassol na Fazenda Cinco Estrelas, em 2025. Foto: Marcelo Victor/arquivo

2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026. Foto: Gerson Oliveira

O campo de girassóis estará de volta, na Fazenda Cinco Estrelas, em 2027.

MILHO

O milho (Zea mays) é um cereal (grão) que produz espigas cheias de grãos amarelos. É uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul.

Os principais municípios produtores são Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Sidrolândia e Itaporã, que concentram grande parte da produção de grãos do Estado.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento apontam que 12,49 milhões de toneladas de milho foram produzidas, na safra 2024/25, no Estado. Em grãos, a produção chegou a 27,79 milhões de toneladas.

O preço da saca de milho (60 kg) gira em torno de R$ 48 a R$ 52 em Mato Grosso do Sul. A área total do Estado é de 6,6 milhões de hectares.

GIRASSOL

O girassol é uma planta da família Asteraceae e do gênero Heliantheae. É nativo da América do Norte. É uma planta anual, que nasce, cresce, floresce uma vez por ano e morre logo em seguida.

De acordo com o biólogo Pedro Isaac, a planta tem cerca de dois metros de altura e o recorde, já registrado no mundo, é de nove metros. Mas, em épocas de seca, pode não alcançar nem um metro.

É rico em reserva energética e estrutural, como açúcares, proteínas e ácidos graxos, sendo estes a matéria prima do óleo.

É cultivado com matéria orgânica. "Não é das plantas mais exigentes quanto à adubação, podendo usar estrume, fertilizantes químicos e chorume de composteira, mas é bom sempre lembrar de diluir estes dois últimos e nunca usar fertilizantes demais, pois podem causar queimaduras químicas ou até intoxicar a planta", detalhou Pedro Isaac.

De acordo com o biólogo, o óleo é retirado da semente do girassol para consumo humano. “No entanto, como o maior produto consumido é o óleo, naturalmente pode causar alguns problemas, contribuindo para a obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras”.

As sementes também são utilizadas como alimento para animais, especialmente aves de estimação como periquitos e canários.

O preço da saca de girassol (60 kg) gira em torno de R$ 65 a R$ 80 em Mato Grosso do Sul.

AÇÃO

Empreiteiro compra prostíbulo em leilão e aciona Justiça para tomar posse de imóvel

Proprietário de construtora com contratos estaduais arrematou bem por R$ 750 mil após inadimplência de cooperativa; ocupante alega contrato verbal e resiste à desocupação

21/06/2026 18h00

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda.

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda. Foto: Arquivo

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Bruno Cesar de Souza Trindade, sócio-administrador da Avance Construtora Ltda., ajuizou ação de imissão na posse contra o ocupante de um imóvel em Inocência (MS) onde funciona um estabelecimento denominado "Casa da Barbie". O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a desocupação do local em 30 dias, decisão confirmada por unanimidade pela 3ª Câmara Cível em 31 de março de 2026.

O imóvel pertencia à Cooperativa Agroindustrial e Pecuária de Inocência (Coapi). Em 2019, a cooperativa deu o bem em alienação fiduciária ao Sicredi Celeiro Centro Oeste como garantia de financiamento de R$ 200 mil. Com a inadimplência, o banco consolidou a propriedade em seu nome e conduziu leilão extrajudicial.

Em 28 de outubro de 2025, Trindade arrematou o imóvel em 2ª praça por R$ 750.488,56, pagos à vista, conforme carta de arrematação. O empreiteiro tem diversos contratos com o governo do Estado na região, inclusive sendo proprietário de uma usina nas proximidades do terreno onde está a "Casa da Barbie". Entre 2025 e 2026, a Avance teve R$ 141.662.386,41, entre pagamentos e empenhos da Agesul.

Casa das meninas

O imóvel é ocupado por Maicon Martins Brandão, comerciante residente em Inocência, que instalou no local o estabelecimento "Casa da Barbie", descrito pela defesa de Trindade nos autos como "prostíbulo sem qualquer regularização junto ao poder público". Fotos juntadas ao processo mostram construção pintada de rosa com a identificação do nome.

Brandão alega ter locado o bem verbalmente da antiga proprietária, a Coapi. Segundo o processo, o próprio Maicon assinou, em 2 de dezembro de 2025, a notificação extrajudicial enviada pelo advogado de Trindade. Não houve desocupação voluntária.

Com a recusa extrajudicial, Bruno Trindade ajuizou ação de imissão na posse na Vara Única da Comarca de Inocência. O juiz Edimilson Barbosa Ávila indeferiu o pedido de liminar, entendendo que a desocupação imediata poderia causar "prejuízos irreparáveis à atividade econômica exercida pelo demandado", considerando o risco de dano ao réu como contrapeso ao direito do autor.

Inocência passa por um boom imobiliário e comercial por conta da instalação da Arauco no município, com muito fluxo de pessoas, principalmente homens solteiros.

Recurso

Em 27 de janeiro de 2026, o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa deferiu tutela antecipada recursal ao empreiteiro e fixou prazo de 30 dias para desocupação, sob pena de despejo.

Brandão apresentou contrarrazões em março de 2026, informando ter realizado R$ 200 mil em benfeitorias no imóvel,construção de cômodos, reforma de dormitórios e banheiros e instalação de piscina, em propriedade que, segundo a defesa, era "um prédio abandonado de uma cooperativa de produtores de leite". Requereu prazo de 60 dias para concluir obras em outro local para onde transferiria o negócio.

O tribunal negou a ampliação do prazo. No acórdão de 31 de março de 2026, a 3ª Câmara Cível, por unanimidade, deu provimento ao recurso de Trindade.

O relator, Des. Odemilson Roberto Castro Fassa, decidiu que "a alegação de benfeitorias não tem o condão de afastar o direito possessório do proprietário".

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