Cidades

Nova Andradina

Corpo de boliviano é devolvido à família 75 dias após a morte em MS

Prefeitura de Nova Andradina e Consulado Boliviano em Corumbá estiveram envolvidos para cortar custos e viabilizar documentação

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Um mal súbito em 8 de fevereiro de 2026, no município de Nova Andradina, levou Roberto Castellon Choque, de 18 anos, à morte. Ele tinha saído de Cochabamba, na região dos altiplanos da Bolívia, e percorrido mais de 2,5 mil quilômetros para tentar trabalho em São Paulo, em 2025.

Acabou não se adequando à realidade das fábricas de roupa onde iria trabalhar e decidiu voltar para Bolívia. Depois que ele faleceu e exames de necrópsia identificaram o mal súbito, houve grandes desafios para encontrar familiares. Vindo de uma família humilde, o corpo de Roberto não tinha um destino certo para seguir. 

Porém, uma operação diplomática permitiu a repatriação do corpo dele, que chegou a Cochabamba nesta segunda-feira (27), mais de 75 dias após a morte.

O processo de repatriação, envolvendo custos de preparação do corpo, documentações, transporte de quase 800 km entre Nova Andradina e a fronteira do Brasil com a Bolívia, entre Corumbá e Puerto Quijarro, viagem até Santa Cruz de la Sierra por outros mais de 600 km, sendo ainda necessário mais quase 500 km até o destino final, chegaram a ser avaliados em mais de R$ 25 mil.

O que viabilizou todo o trâmite burocrático e de diplomacia para permitir a liberação do corpo de Roberto sem a presença de um familiar teve engajamento direto da Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social da Prefeitura de Nova Andradina e a Cancelaria do Ministério de Relações Exteriores da Bolívia, por meio do Consulado da Bolívia em Corumbá.

Ninguém da família de Roberto conseguiria fazer a viagem por conta dos custos e a repatriação ficaria ainda mais cara. Só essa viagem teria um custo estimado em, pelo menos, R$ 2 mil, além dos valores para transporte do corpo.

Para conseguir superar entraves financeiros, além das questões burocráticas, a Secretaria de Cidadania manteve debates diretos com a agente consular em Corumbá, Nelly Roso, e também com David Alex Arancibia Suarez, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Todos esses trâmites precisaram atender emissão de certidão de óbito, laudo médico, embalsamento por conta das viagens, autorização consular e a negociação para custeio da operação, tanto no lado brasileiro, como na Bolívia.

A Pax Regional de Nova Andradina fez a viagem e chegou à região fronteiriça no sábado (24). Por conta da mobilização no município sul-matogrossense e o fator de ineditismo sobre as tramitações, todo o traslado chegou a ser noticiado na cidade de 48,5 mil habitantes pelo site Jornal da Nova.

O agente funerário da Pax Regional, Cristiano Gomez da Silva, destacou o engajamento no município. “Foram 748 quilômetros até aqui (Corumbá). E todo mundo ajudando, desde a documentação até chegar aqui”, comentou em uma entrevista que foi acompanhada pelo canal boliviano Unitel.

Entre Puerto Quijarro até Santa Cruz de la Sierra, a Funerária Resurreción foi quem fez o translado. O proprietário da empresa, Jorge Oliva, foi quem veio buscar o corpo.

“Viemos após um chamado feito pela consulesa (agente consular) para ajudar a um compatriota boliviano. Cobramos apenas uma pequena quantia para ajudar no combustível e nada mais. Vamos levar o corpo até Santa Cruz. Depois, será entregue à empresa aérea BoA e outra funerária vai fazer os trabalhos em Cochabamba.”

Conforme apurado pelo Consulado da Bolívia em Corumbá, a pessoa mais próxima de Roberto Castellon é mãe. Ela vive em uma casa simples, feita de barro, e que fica em uma região de Cochambaba. 

Volta à Bolívia

Roberto Castellon Choque retornava de São Paulo para Corumbá em fevereiro deste ano em um ônibus fretado. Ele começou a passar mal já em Mato Grosso do Sul e o motorista tentou socorro na região de Nova Casa Verde, onde há um posto de combustível. Quando o socorro chegou, ele já tinha falecido.

A Polícia Científica fez perícia no ônibus e após passar por perícia, houve a constatação médica de morte natural, sem divulgação detalhada das causas.

Nas redes sociais, o caso de Roberto gerou grande comoção, principalmente na Bolívia. O engajamento de autoridades brasileiras, principalmente da Prefeitura de Nova Andradina, chegou a ser destacado.

Também foram feitos vários elogios para a funerária Pax Regional, que acordou fazer a viagem até a fronteira cobrindo os custos.

Programa

Governo amplia crédito para motociclistas de aplicativos

Programa Move Motos oferece juros abaixo do mercado

12/06/2026 19h00

Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o programa Move Motos, lançado nesta sexta-feira (12), fará com que os motociclistas de aplicativo deixem de ser “a última força de trabalho considerada invisível” neste país.

Ao lado de outras políticas voltadas à garantia de direitos para esses profissionais, disse Lula, eles passarão a ser tratados como cidadãos e cidadãs.

O Move Motos é uma linha de crédito para motociclistas de aplicativos que desejam financiar ciclomotores, motonetas, motocicletas e bicicletas elétricas produzidas no Brasil ou com projeto de investimento voltado à produção no país.

Ele segue os mesmos moldes do Move Aplicativos, que tem como público-alvo motoristas de aplicativos e taxistas interessados em financiar carros.

Essas linhas de crédito são uma expansão do Move Brasil, criado para viabilizar a renovação de frotas no país, por meio de facilidades de financiamento.

Outros benefícios

O financiamento inclui a possibilidade de aquisição de seguro para garantir o pagamento da dívida, para o caso de imprevistos que impeçam o contratante de continuar pagando o financiamento (seguro prestamista).

Também está previsto financiamento de capacetes, bem como para a aquisição de baterias pontos de carga elétrica. Tudo será disponibilizado a partir da plataforma oficial gov.br/movebrasil.

Durante o evento, no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a presença dos trabalhadores simboliza uma mudança de reconhecimento.

“Hoje, pela presença de vocês aqui no Palácio, nós estamos completando possivelmente a última força de trabalho considerada invisível neste país, que agora está deixando de ser invisível e passa a ser tratada como cidadã e cidadão de primeira classe”, disse o presidente.

Durante a cerimônia, Lula demandou ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal que, no prazo de 30 dias, se organizem de forma a preparar seus funcionários para atenderem, de forma proativa e sem burocracia, os interessados em obter financiamentos para adquirir seus veículos.

Lula incentivou os trabalhadores a acompanharem a implementação do programa.

“Vocês agora têm que andar de cabeça erguida e dizer que não são mais invisíveis. Estão aqui para serem enxergados. Se não estiver dando certo, procurem o governo, procurem os bancos”, afirmou.

O presidente defendeu também campanhas de educação no trânsito para melhorar o relacionamento entre motoristas e motociclistas.

Juros

Segundo o Planalto, a taxa a ser cobrada para financiamento dos veículos será de 12,5% ao ano, o que corresponde a 0,99% ao mês para homens e 0,91% ao mês para mulheres.

O financiamento será de 100% do valor do veículo, o que possibilita a aquisição sem necessidade de pagamento de entrada.

Para acessar o financiamento, estão previstos alguns requisitos mínimos, como seis meses de cadastro na plataforma oficial, e no mínimo, 100 corridas realizadas. Para os profissionais celetistas, são necessários seis meses de exercício na atividade.

Após o cadastro, o trabalhador será informado se atende às condições de participação. A partir de 13 de julho, os profissionais que receberem a confirmação poderão procurar a Caixa, o Banco do Brasil ou instituições financeiras habilitadas para análise de crédito e contratação do financiamento.

Está prevista também que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal criem um calendário de feirões a partir de 13 de julho, em polos específicos, com a participação de concessionárias e instituições financeiras interessadas em fazer negócios.

Boulos

Mais cedo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, havia antecipado alguns pontos do Move Motos. Ele lembrou que a linha oferece condições mais vantajosas que as praticadas no mercado.

“Hoje o juro médio para comprar moto está em 27% ao ano, mas conseguimos chegar a 12,5% ao ano, que é menos da metade do juro na concessionária”, disse o ministro.

Além disso, acrescentou, haverá período de carência de dois meses, que na prática pode chegar a três. “Quem comprar a moto em julho, por exemplo, começa a pagar apenas em outubro”, explicou.

Boulos ressaltou que motoristas com restrição de crédito não poderão aderir inicialmente, mas poderão recorrer ao programa Desenrola para regularizar a situação e, assim, se habilitar ao financiamento.

Ele lembrou que, durante a pandemia, esses trabalhadores que faziam entregas nas residências eram considerados heróis. No entanto, passaram a ser discriminados. “Inclusive deixaram de ter seus direitos garantidos”.

Move Brasil

No primeiro dia de operações, R$ 3,2 bilhões em crédito foram contratados pelo Move Brasil, dos R$ 21,2 bilhões colocados à disposição pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável por operar os recursos. No caso do Move Máquinas Agrícolas, R$ 10 bilhões estão à disposição para micro e pequenos empreendedores.

Move Aplicativos

No caso do Move Aplicativos, 740 mil profissionais já atenderam aos requisitos para acessar a linha de financiamento com as condições mais favoráveis. A análise do crédito e contratação com os bancos começa em 19 de junho.

O governo federal abriu crédito extraordinário de R$ 30 bilhões para a compra de veículos por motoristas de táxi e de aplicativo. Os recursos serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao BNDES, que também vai operacionalizar a medida.

Para se habilitar, o motorista precisa preencher cadastro na plataforma gov.br/movebrasil. Em um prazo de até cinco dias após o cadastro, o trabalhador será informado se poderá participar do programa.

Indenizado

Justiça manda indenizar entregador agredido com barra de ferro

Juiz de Campo Grande determinou indenização de R$ 5 mil por danos morais após agressão durante a retirada de um pedido por aplicativo

12/06/2026 18h22

Foto: Divulgação

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A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou um comerciante de Campo Grande ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais a um entregador por aplicativo que foi agredido com uma barra de ferro durante a retirada de um pedido.

A decisão foi proferida pelo juiz Deni Luis Dalla Riva, da 10ª Vara Cível da Capital, que considerou desproporcional a reação do empresário durante o desentendimento.

Conforme os autos do processo, o caso ocorreu enquanto o entregador realizava uma entrega por meio de aplicativo. Ao chegar ao estabelecimento comercial para buscar um pedido, houve uma discussão entre as partes relacionada ao funcionamento do local e ao tempo de espera para a retirada da refeição.

Segundo relatou o trabalhador, após aguardar a finalização do pedido e retornar para buscá-lo, ele passou a ser perseguido pelo proprietário do comércio, que teria iniciado uma série de ofensas verbais. Na sequência, o comerciante utilizou uma barra de ferro para atingir o entregador na região da cabeça.

A vítima afirmou que sofreu apenas ferimentos leves porque utilizava capacete no momento da agressão. O equipamento absorveu o impacto do golpe e evitou consequências mais graves.

Após o episódio, a Polícia Militar foi acionada e encaminhou os envolvidos à delegacia para o registro da ocorrência.

Durante os procedimentos policiais, tanto o capacete danificado quanto a barra de ferro utilizada na agressão foram apreendidos e incorporados às investigações.

Na ação judicial, o entregador solicitou indenização por danos materiais e morais. A defesa do comerciante sustentou que a agressão teria ocorrido em contexto de legítima defesa e alegou ainda que as partes já haviam firmado acordo anterior relacionado ao episódio.

Ao analisar o caso, o magistrado destacou que o acordo mencionado dizia respeito exclusivamente aos danos materiais causados ao capacete, não abrangendo eventual reparação pelos danos morais sofridos pelo trabalhador.

Dessa forma, o pedido relacionado ao prejuízo material foi considerado encerrado, permanecendo apenas a análise da compensação moral.

Na decisão, o juiz ressaltou que as provas reunidas no processo, incluindo o boletim de ocorrência e declarações prestadas pelo próprio réu à autoridade policial, confirmaram que o entregador foi atingido por uma barra de ferro durante a discussão.

O magistrado também rejeitou a tese de legítima defesa apresentada pela defesa. Segundo ele, não ficou demonstrada a existência de agressão atual ou iminente que justificasse o uso de um objeto contundente contra a vítima.

Para Deni Luis Dalla Riva, ainda que tenha ocorrido uma troca de ofensas e um ambiente de exaltação entre as partes, a reação do comerciante extrapolou os limites da razoabilidade e não pode ser admitida como forma legítima de resolução de conflitos.

Com a decisão, o empresário foi condenado a pagar R$ 5 mil por danos morais ao entregador, valor fixado em razão da agressão e dos constrangimentos decorrentes do episódio ocorrido durante o exercício da atividade profissional da vítima.

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