Cidades

Depois de Anos

Após anos de atrasos, corredor da Gunter Hans entra na reta final em Campo Grande

Obra começou em 2021, ficou paralisada, teve troca de empreiteira e sucessivos adiamentos; Prefeitura prevê agora entregar ligação entre os terminais Aero Rancho e Bandeirantes em fevereiro de 2027.

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Depois de um histórico marcado por paralisações, troca de empreiteira e adiamentos, o corredor exclusivo de ônibus das avenidas Marechal Deodoro e Gunter Hans, em Campo Grande, entrou em uma nova etapa de obras e tem fevereiro de 2027 como prazo atual para ser finalmente entregue à população.

A Prefeitura informou nesta sexta-feira (18) que, a partir deste sábado (19), serão iniciados os trabalhos de fresagem do pavimento, procedimento em que máquinas retiram a camada mais antiga e desgastada do asfalto.

Na prática, o equipamento “raspa” parte da pista, removendo irregularidades e deixando a superfície preparada para receber uma nova camada de asfalto. O serviço será realizado no entorno das estações de embarque antes do recapeamento.

Depois dessa etapa, estão previstos outros três serviços antes da conclusão do corredor. O primeiro será o recapeamento dos encaixes próximos às estações, com a aplicação de uma nova camada de asfalto nos trechos que fazem a ligação da pista com as áreas de embarque.

Em seguida, será feita a sinalização viária, que inclui a pintura de faixas, linhas de divisão das pistas e demais marcações necessárias para organizar a circulação de ônibus e outros veículos.

Por último, serão instalados os abrigos das estações, estruturas destinadas a oferecer cobertura e proteção aos passageiros enquanto aguardam os coletivos.

O corredor passa pelas avenidas Gunter Hans e Marechal Deodoro e fará a ligação entre os terminais Aero Rancho e Bandeirantes, nos dois sentidos, atendendo principalmente moradores das regiões do Anhanduizinho e Lagoa. 

A administração municipal apresenta a nova etapa como a reta final da intervenção. Entretanto, a conclusão ocorre depois de uma longa trajetória de problemas que acompanha o projeto há anos.

Obra começou em 2021

Embora o planejamento dos corredores de transporte coletivo de Campo Grande seja ainda mais antigo, a etapa que deu origem à atual intervenção na Marechal Deodoro/Gunter Hans foi licitada em setembro de 2020.

Na época, a Engepar Engenharia e Participações venceu a concorrência por aproximadamente R$ 11,4 milhões. O projeto previa 1,1 quilômetro de drenagem, 5,5 quilômetros de recapeamento, sinalização e quatro estações de pré-embarque.

As obras começaram efetivamente em 2021 e a expectativa inicial era de que fossem concluídas ainda naquele ano. O cronograma, porém, não se concretizou. 

Em 2022, com a intervenção ainda inacabada, a previsão já havia sido empurrada para dezembro de 2024. Àquela altura, o corredor acumulava atrasos e provocava reclamações de motoristas e moradores que utilizavam diariamente a região. O cenário se agravou nos anos seguintes.

Primeira empresa deixou a obra

Em 2023, a Engepar desistiu de continuar o empreendimento e a Prefeitura iniciou o processo de rescisão do contrato. Naquele momento, já haviam se passado mais de três anos desde a licitação e a revitalização voltou a depender de uma nova contratação. 

Com estruturas inacabadas no canteiro central, o corredor passou a ser alvo de reclamações relacionadas a lixo, abandono e acidentes. Registros publicados no início de 2025 apontavam que a obra havia começado em março de 2021 e permanecia sem conclusão após a saída da primeira empresa. 

A tentativa de destravar definitivamente o empreendimento ganhou força somente no fim de 2024, quando o Município abriu uma nova licitação.

A vencedora foi a Engevil Engenharia Ltda., contratada por R$ 9,6 milhões. O contrato foi celebrado em março de 2025 e estabeleceu inicialmente prazo de 360 dias para execução. 

As máquinas voltaram efetivamente ao trecho no primeiro semestre daquele ano, retomando estruturas que haviam ficado inacabadas.

Prazo foi prorrogado novamente

Nem mesmo o novo contrato, entretanto, conseguiu encerrar a obra dentro do primeiro cronograma. Em março deste ano, a Prefeitura formalizou um primeiro aditivo e prorrogou a execução até agosto.

Em seguida, veio uma segunda extensão de 180 dias, levando o prazo até 19 de fevereiro de 2027. Além do prazo, o contrato também ficou mais caro.

O valor passou de R$ 9,6 milhões para R$ 9,7 milhões, aumento líquido de aproximadamente R$ 100 mil. O aditivo envolveu R$ 1,2 milhão em acréscimos de determinados serviços e R$ 1,1 milhão em supressões de outros itens. 

A Prefeitura agora arredonda o investimento total para R$ 9,7 milhões ao anunciar a fase final. 

O histórico mostra, portanto, que fevereiro de 2027 não representa o primeiro prazo estabelecido para a conclusão. A entrega inicialmente projetada para 2021 passou por diferentes previsões ao longo dos anos até chegar ao cronograma atual.

Quatro estações entre os terminais

O projeto prevê quatro estações de ônibus entre o Terminal Aero Rancho e a região do Trevo Imbirussu, além da continuidade do corredor até o Terminal Bandeirantes.

Com a nova configuração, os pontos de embarque ficam na região central da avenida e parte da pista passa a ser destinada prioritariamente aos ônibus do transporte coletivo. 

Em outubro de 2025, uma nova frente de obras também chegou ao Trevo Imbirussu, com alterações destinadas a permitir a continuidade da faixa exclusiva, que anteriormente terminava no Terminal Bandeirantes, em direção ao Aero Rancho. 

Naquele mesmo mês, a Prefeitura informava que apenas 36,1% dos serviços estavam executados e previa concluir o empreendimento em março de 2026. Na ocasião, 75% da pavimentação das quatro estações já havia sido realizada. Esse prazo também acabou superado.

Prefeitura fala em melhoria da mobilidade

Ao anunciar a etapa final nesta sexta-feira, a prefeita Adriane Lopes afirmou que o empreendimento deverá melhorar o deslocamento e oferecer mais conforto aos passageiros.

 “Estamos avançando com mais uma obra importante para a mobilidade de Campo Grande. Agora, entramos na etapa final de um corredor que vai melhorar o deslocamento e trazer mais conforto para quem utiliza o transporte coletivo”.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) é responsável pelo acompanhamento e fiscalização da execução.

Com o início da fresagem neste sábado, a expectativa da administração é avançar para o recapeamento, sinalização e instalação dos abrigos, últimas intervenções anunciadas antes da liberação definitiva do corredor. 

Caso o cronograma atual seja cumprido, a estrutura deverá ficar pronta em fevereiro de 2027, aproximadamente seis anos depois do início das obras dessa etapa do Corredor Sudoeste. 

Operação da PF

Candidato a deputado em MS nega trabalho escravo e diz que armas não são dele

Defesa de Carlos Bernardo afirma que empresário não visita propriedade há mais de seis meses, diz que funcionários têm alojamentos climatizados e sustenta que candidato não pode ser responsabilizado pelo arsenal encontrado durante operação da PF

18/09/2026 16h22

Carlos Bernardo afirma que não tinha conhecimento de irregularidades na fazenda e nega ser dono das armas apreendidas durante operação da Polícia Federal

Carlos Bernardo afirma que não tinha conhecimento de irregularidades na fazenda e nega ser dono das armas apreendidas durante operação da Polícia Federal Foto: Divulgação.

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A defesa do empresário Aparecido Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal por Mato Grosso do Sul, divulgou nesta sexta-feira (18) uma nota em que nega qualquer envolvimento dele com possíveis condições de trabalho análogas à escravidão e afirma que as 14 armas apreendidas durante uma operação da Polícia Federal (PF) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) não pertencem ao candidato nem a familiares.

A manifestação ocorre um dia depois de agentes cumprirem mandado de busca e apreensão em uma fazenda de Carlos Bernardo, na região de Porto Murtinho.

Conforme revelou o Correio do Estado nesta quinta-feira (17), 23 trabalhadores foram encontrados em situação trabalhista irregular, enquanto 14 armas de fogo de grosso calibre e munições foram apreendidas. Parte do armamento estava irregular e havia armas com numeração suprimida. 

A investigação apura a possível submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão e a ocorrência de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral.

Segundo a PF, a apuração começou após informações de que trabalhadores estrangeiros estariam sendo recrutados informalmente e levados à propriedade, onde supostamente seriam mantidos em situação de vulnerabilidade.

Entre os pontos investigados estão ausência de registro trabalhista, possível retenção de pagamentos e eventuais restrições à saída dos trabalhadores. 

Até o momento, entretanto, não houve divulgação oficial de que os 23 trabalhadores tenham sido formalmente reconhecidos pelo Ministério do Trabalho como vítimas de trabalho em condições análogas à escravidão.

A informação oficial é de que foram encontrados em situação trabalhista irregular, enquanto a eventual caracterização criminal permanece sob investigação. 

Defesa diz que ainda não teve acesso a toda a investigação

A nota é assinada pelo advogado Luiz Renê Gonçalves do Amaral, que afirma que a defesa ainda não teve acesso à integralidade dos elementos reunidos na investigação. Segundo ele, o acesso está sendo solicitado à autoridade policial e à 5ª Vara Federal de Campo Grande.

Mesmo sem conhecer todo o conteúdo do procedimento, a defesa sustenta que Bernardo não participou nem tinha conhecimento de eventuais práticas ilegais dentro da propriedade.

Segundo a manifestação, o candidato “não praticou, não ordenou, não tolerou e jamais toleraria” qualquer conduta contra a dignidade dos funcionários ou colaboradores.

A defesa também afirma que Bernardo tem interesse no esclarecimento integral dos fatos e defende que eventuais responsabilidades sejam individualizadas no decorrer da investigação.

A posição reforça o que o próprio candidato havia declarado ao Correio do Estado horas depois da operação. Na quinta-feira, Bernardo confirmou ser o proprietário da fazenda, mas negou responsabilidade pelas condições investigadas e disse não possuir relação com o armamento encontrado. 

Defesa cita quatro refeições e alojamentos com ar-condicionado

Um dos principais argumentos apresentados pela defesa diz respeito à estrutura disponibilizada aos funcionários da propriedade.

De acordo com a nota, a fazenda emprega atualmente quase 30 trabalhadores, que receberiam quatro refeições por dia, preparadas por profissionais contratados especificamente para essa finalidade.

O documento também menciona limpeza diária, estrutura sanitária e de higiene, banheiros independentes, períodos de descanso durante a jornada e alojamentos climatizados com ar-condicionado.

Com base nessas condições, a defesa rejeita a possibilidade de exploração laboral na propriedade.

A versão coincide com o relato apresentado pelo próprio empresário ao Correio do Estado após a operação. Bernardo afirmou que os trabalhadores recebem café da manhã, almoço, café da tarde e jantar e sustentou que os alojamentos possuem ar-condicionado.

As condições materiais dos alojamentos, porém, são apenas parte da apuração. A PF também investiga aspectos como recrutamento informal de estrangeiros, ausência de registros trabalhistas, possível retenção de pagamentos e eventuais restrições à liberdade dos funcionários. 

Defesa nega vínculo de Bernardo com as 14 armas

Sobre o arsenal encontrado na propriedade, a defesa afirma categoricamente que as armas não pertencem e nunca pertenceram a Carlos Bernardo ou a integrantes de sua família.

A nota também sustenta que Bernardo não frequenta habitualmente a fazenda e não visita o imóvel há mais de seis meses. Caso algum material ilícito estivesse na propriedade, segundo a defesa, isso teria ocorrido sem autorização ou conhecimento do candidato.

O advogado argumenta ainda que a responsabilidade criminal é individual e que a propriedade do imóvel, isoladamente, não permite atribuir ao empresário responsabilidade pelo armamento encontrado.

A Polícia Federal ainda não divulgou oficialmente a quem pertencem as 14 armas. Também permanecem sem esclarecimento público os modelos e calibres de todo o arsenal, a quantidade de munições apreendidas e quem mantinha a guarda do material.

A origem das armas com numeração suprimida também deverá ser investigada. 

Defesa aponta falta de segurança na região de fronteira

Outra parte da nota concentra-se nas condições de segurança da região onde está localizada a propriedade.

Segundo a defesa, a fazenda fica em uma área isolada de fronteira entre os rios Apa e Paraguai, distante dezenas de quilômetros da área urbana.

O documento afirma que produtores e trabalhadores da região enfrentam ocorrências de invasões, furtos e abigeato, termo utilizado para o furto ou roubo de animais.

A defesa também sustenta que não existe presença permanente da Polícia Militar ou da Polícia Militar Ambiental naquela extensão territorial e argumenta que a ausência do poder público deixa produtores e moradores expostos à criminalidade.

O argumento já havia sido apresentado pelo próprio Bernardo na quinta-feira. Em entrevista ao Correio do Estado, ele afirmou que propriedades da região mantêm armas em razão da distância dos centros urbanos e de episódios de furto de gado.

A declaração, contudo, não esclarece a propriedade nem a situação legal específica das armas apreendidas na fazenda, pontos que continuam sob investigação.

Investigação continua

A operação ainda está em andamento e não há, até agora, conclusão pública sobre eventual responsabilidade de Carlos Bernardo pelos fatos investigados.

Entre as questões que permanecem pendentes estão quem administrava diretamente a propriedade, como os trabalhadores chegaram à fazenda, qual a nacionalidade deles, há quanto tempo estavam no local, se houve retenção de salários ou documentos, se existiam restrições à saída e a quem pertenciam as 14 armas apreendidas. 

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do caso e identificar eventuais responsáveis e outros envolvidos. 

Na nota divulgada nesta sexta-feira, a defesa afirma que Bernardo continuará colaborando com o esclarecimento dos fatos e que confia no trabalho da Justiça e das autoridades responsáveis pela investigação.

O que prevê a lei

Caso a investigação confirme a prática de trabalho em condição análoga à de escravo e haja condenação, os responsáveis podem responder pelo crime previsto no artigo 149 do Código Penal, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão e multa, além da punição correspondente a eventual violência praticada.

Já o tráfico de pessoas para submissão a trabalho em condições análogas à escravidão, também investigado no caso, é previsto no artigo 149-A e tem pena de quatro a oito anos de reclusão e multa, com possibilidade de aumento em circunstâncias previstas em lei.

 

ibge

MS lidera ranking nacional de escolas com profissionais de apoio para alunos com deficiência

Estado também se destaca no avanço da acessibilidade das escolas das redes públicas e privadas

18/09/2026 16h00

MS se destaca em escolas com acessibilidade e profissionais de apoio a pessoas com deficiência

MS se destaca em escolas com acessibilidade e profissionais de apoio a pessoas com deficiência Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul lidera o ranking de estados do Brasil com a maior proporção de escolas com profissionais de apoio para alunos com deficiência, com 51,4% das unidades escolares contando com esse suporte.

Dados fazem parte da publicação 'Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais', divulgada nesta sexta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que tem como fonte o Censo Escolar 2025.

Conforme a pesquisa, a maior presença dos profissionais de apoio está na rede pública, onde 68% das escolas têm profissionais de apoio destinados aos estudantes com deficiência. Já na rede privada, esse percentual foi
de 3,9%.

Em relação às salas de recursos para atendimento aos alunos com deficiência, Mato Grosso do Sul registrou 35,7% das escolas com esse espaço, sendo a presença mais elevada também observada na rede pública, com 42,8% das unidades, enquanto na rede privada o percentual foi de 15,1%.

Acessibilidade

Mato Grosso do Sul também se destaca no avanço da acessibilidade das escolas, com 93,9% das unidades escolares com pelo menos um recurso do tipo, ocupando a terceira posição no ranking nacional.

O estado ficou atrás apenas do Distrito Federal (97,6%) e de Santa Catarina (94,4%).

Neste quesito, a rede privada tem 99% escolas com pelo menos um recurso de acessibilidade, enquanto na rede pública dão 92,1%.

Com relação aos banheiros acessíveis à pessoas com deficiência, 85,7% das escolas sul-mato-grossenses têm, o local adaptado , colocando Mato Grosso do Sul na 2ª colocação nacional, atrás somente do Distrito Federal, que registrou 93,5%.

As escolas particulares também se destacam neste item, com 95,6% das unidades com banheiros acessíveis, contra 82,3% das escolas públicas.

Conforme o IBGE, a série histórica evidencia uma evolução contínua na estrutura de acessibilidade das escolas sul-mato-grossenses.

O percentual de unidades com pelo menos um recurso de acessibilidade passou de 74,1% em 2016 para 93,9% em 2025, enquanto a proporção de escolas com banheiro acessível aumentou de 77,0% em 2019 para 85,7% em 2025.

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