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Cotas se equiparam às vagas amplas pela 1ª vez nas universidades estaduais

De acordo com a pesquisa, realizada nas 67 universidades federais brasileiras e nas 39 estaduais, as vagas para cotas voltaram a crescer em 2023, após uma queda observada nos anos de pandemia

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O número de vagas para cotas nos cursos de graduação das universidades estaduais brasileiras se equiparou ao de não cotistas pela primeira vez na história. No caso das federais, as vagas reservadas já superam as demais desde 2016.

Os dados, obtidos com exclusividade pela Folha, são de levantamento do Gemaa (Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa), ligado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

De acordo com a pesquisa, realizada nas 67 universidades federais brasileiras e nas 39 estaduais, as vagas para cotas voltaram a crescer em 2023 –o número relativo aos processos seletivos de 2022– após uma queda observada nos anos de pandemia.

As universidade estaduais não são obrigadas pela Lei de Cotas, sancionada em 2012, a destinar a metade de suas vagas da graduação para estudantes de escola pública -dentro desse número, deve-se reservar um percentual para alunos PPI (pretos, pardos e indígenas) equivalente a essa população em cada um dos estados, além de quilombolas e pessoas com deficiência.

Embora a norma se aplique exclusivamente às universidades federais, os números mostram que ela vem influenciando as estaduais -em alguns estados, como no Rio de Janeiro, há leis de cotas, mas a maioria das instituições faz uma adesão voluntária à reserva de vagas.

Em 2023, as universidade estaduais destinaram 61.898 vagas para a ampla concorrência (estudantes não cotistas), o equivalente a 50,1% do total, e 61.589 para cotas, ou seja, 49,9%. A diferença foi de apenas 309 vagas em um universo de mais de 123 mil oferecidas. Já em 2022 (processo seletivo de 2021), a diferença havia sido de mais 10 mil vagas em um total de 109.710 ofertadas. Assim, as vagas de ampla concorrência representavam 54,6% do total, e as cotas, 45,4%.

Na soma das federais e estaduais, o número de vagas para cotas foi mais de 201 mil (52% do total) em 2023. No ano anterior, havia sido de 182.200 (50,3% do total).

Esse crescimento foi alavancado pelas estaduais, uma vez que, nas federais, as vagas para cotistas tiveram um aumento em anos anteriores e depois se estabilizaram.

O estudo, chamado Levantamento das Políticas de Ação Afirmativa nas Universidades Públicas Brasileiras, traz uma evolução do número de vagas destinadas a cotistas e não cotistas a partir de 2012. Desde a sanção da Lei de Cotas, a reserva, que vinha crescendo, sofreu uma queda em 2021, atribuída à pandemia.

Houve uma queda para as vagas destinadas à ampla concorrência (não cotistas) também, mas a de cotistas foi mais acentuada. A principal hipótese dos pesquisadores é a de que, com as universidades fechadas na pandemia de Covid-19, operando de forma remota, com cortes no orçamento e, consequentemente, uma menor capacidade para lidar com a burocracia, as políticas de ação afirmativa tenham sido refreadas.

O estudo também faz uma análise da evolução da reserva de vagas com e sem recorte racial e observa que a queda na pandemia foi ainda maior no caso das cotas raciais.

"Como sempre, pesou mais para o lado da população negra", disse à Folha João Feres Júnior, doutor em ciência política, professor da Uerj e coordenador do Gemaa.

A pesquisa traz também um histórico da adesão das universidades públicas brasileiras às políticas de cotas, ano a ano. As estaduais, pioneiras, começaram em 2003 suas iniciativas. Foram seis instituições naquele ano, enquanto as federais entrariam em 2004 –e apenas duas.

O pico de adesão para as estaduais foi em 2005, com nove universidades. No caso das federais, 2008 e 2012 (ano da Lei das Cotas) foram os que mais registraram adesões, com 12 instituições dando início à reserva de vagas em cada um desses anos.

No estudo é possível ter acesso, em um mapa, a todas as universidades públicas do país e observar o ano de adesão de cada uma delas, o tipo de programa de cotas e a porcentagem das vagas reservadas.
A USP tem hoje 50% das suas vagas para cotas. Na Unicamp, são menos de 20% (mas há bônus para escola pública na disputa da ampla concorrência).

Já na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, as cotas superam os 55%, e na Universidade Federal do Oeste da Bahia são mais de 80% das vagas para cotistas.

Documentação

Mutirão para emitir novo RG sem agendamento terá dois dias em Campo Grande

Ação será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, no Pátio Central, com atendimento para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN).

08/09/2026 19h33

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande.

Atendimento para emissão da nova Carteira de Identidade Nacional será realizado durante dois dias em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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Quem precisa emitir a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), documento que substitui gradualmente o antigo RG, terá uma nova oportunidade de buscar atendimento em Campo Grande. O Pátio Central recebe, nos dias 11 e 12 de setembro, a segunda edição do Mutirão de Emissão de RG.

A ação será realizada no Posto de Identificação localizado no 2º piso do Pátio Central, no Centro da Capital. Na sexta-feira (11), o atendimento ocorrerá das 8h às 17h30. Já no sábado (12), o serviço estará disponível das 8h às 16h30.

A primeira emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) é gratuita. Já para a segunda via pode haver cobrança de taxa, conforme o motivo da solicitação e as regras vigentes em Mato Grosso do Sul. Em situações específicas, o cidadão também pode ter direito à isenção do pagamento.

A iniciativa chega à segunda edição com a proposta de ampliar o acesso da população ao serviço de identificação e oferecer uma alternativa para quem precisa solicitar o documento, concentrando os atendimentos durante dois dias.

O mutirão é realizado pelo Pátio Central em parceria com órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul, responsável pelos serviços de identificação no Estado.

Novo RG

Apesar de a divulgação da ação utilizar a expressão “emissão de RG”, o documento atualmente expedido segue o padrão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), criada para unificar a identificação dos brasileiros.

Uma das principais mudanças é a adoção do CPF como número único de identificação, evitando que uma mesma pessoa tenha números de RG diferentes em cada unidade da Federação.

A CIN também conta com elementos destinados a aumentar a segurança e facilitar a verificação da autenticidade do documento.

A implantação do novo modelo ocorre de forma gradual em todo o País. Por isso, quem ainda possui a carteira de identidade no modelo antigo não precisa necessariamente substituí-la de imediato apenas por causa da mudança de padrão, desde que o documento continue dentro das regras de validade aplicáveis.

Para quem precisa emitir a primeira via da CIN ou atualizar a documentação, o mutirão concentra o serviço em um ponto de fácil acesso na região central de Campo Grande.

Confira os horários

O 2º Mutirão de Emissão de RG será realizado no Posto de Identificação do Pátio Central, no 2º piso. Na sexta-feira, 11 de setembro, o atendimento será das 8h às 17h30. No sábado, 12 de setembro, será das 8h às 16h30.

Estatística

Taxa média de recusa de doação de órgãos pelos familiares é 45%

Comunicação adequada e humanizada pode mudar essa realidade

08/09/2026 19h00

Divulgação/Ministério da Saúde

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O momento da perda de um ente querido é uma das situações mais dolorosas para uma família, que se vê diante da difícil decisão de autorizar ou não a doação de órgãos após a constatação de morte cerebral para salvar vidas de pessoas desconhecidas na fila de espera. No Brasil, a taxa média de recusa familiar para a doação de órgãos gira em torno de 45%, índice que varia entre estados e até mesmo entre hospitais de uma mesma cidade, evidenciando que a recusa não depende apenas da população, mas também de fatores institucionais. 

Segundo o presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), Cristiano Franke, muitos pacientes deixam seus familiares orientados sobre sua vontade de doar órgãos e muitas famílias também gostariam de fazer isso, atendendo a esse desejo. Entretanto, ele reforça, que, em muitos casos, a falha no acolhimento aos familiares e na comunicação dentro dos hospitais — tanto públicos quanto privados — é um dos principais obstáculos para a efetivação das doações.  

“Muitas vezes as famílias não recebem todas as informações adequadamente, no momento e com um protocolo adequados para tomarem a melhor decisão. E muitas vezes também, as equipes médicas não estão preparadas para lidar com conversas difíceis, utilizando termos excessivamente técnicos e inacessíveis, ou realizando abordagens consideradas frias e comerciais em locais inadequados”, disse Franke. 

Por conta disso, a AMIB, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou, entre setembro de 2025 e agosto de 2026, 2.534 profissionais de saúde para atuar no processo de doação e transplantes de órgãos. Até o momento, o resultado, que já superou em 25% a meta inicial desse projeto de 2 mil participantes capacitados.  

O objetivo dos cursos elaborados e oferecidos pela AMBI é o ampliar o número de profissionais preparados para conduzir esse processo, incluindo a melhoria na comunicação para reduzir a resistência das famílias em autorizarem a retirada de órgãos de parentes com diagnóstico de morte encefálica. 

De acordo com Franke, a formação também busca qualificar as diferentes etapas que antecedem uma doação, abrangendo a identificação de potenciais doadores, a determinação da morte encefálica e a manutenção clínica do potencial doador, tornando o processo mais seguro.  

“Atingir mais de 2,5 mil profissionais capacitados mostra que estamos conseguindo levar conhecimento técnico para quem está na linha de frente de um processo que exige muita responsabilidade. Um diagnóstico de morte encefálica precisa seguir critérios rigorosos, assim como a manutenção do potencial doador e o diálogo com a família”, afirmou. 

Entre as dificuldades para os familiares aceitarem autorizar os transplantes estão a compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, receio de alteração da integridade do corpo, desconfiança em relação ao processo e desconhecimento sobre a vontade manifestada em vida pelo familiar, ou até mesmo a percepção de que os profissionais estavam mais interessados nos órgãos do que no paciente ou em seus familiares.  

“As famílias têm receio de deformação do corpo e nós explicamos adequadamente como é feito o procedimento e a reconstituição do corpo, que não deixarão deformidades visíveis nos ritos funerais como o velório. Elas trazem isso com muita clareza e nós precisamos explicar isso com tempo e clareza”, explicou. 

De acordo com a AMIB, entre os participantes capacitados até agosto, estão 933 médicos, dos quais 473 receberam treinamento voltado à determinação de morte encefálica. O restante dos participantes, que são médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,  administradores, farmacêuticos, odontólogos, biólogos, e um nutricionista e um pedagogo, tiveram instruções sobre o Gerenciamento no processo de Doação e Transplante (GPDT) e uso da Comunicação em Situações Críticas (CSC).  

Até agosto, já haviam sido realizados 73 cursos, distribuídos em 23 módulos e com atividades em 25 estados brasileiros. Ainda estão previstos mais oito treinamentos até o encerramento do projeto. Neste mês, eles ocorrerão em Fortaleza (CE) e Florianópolis (SC). 

Transplantes no Brasil  

De acordo com dados do Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), em 2025, foram registrados 15.940 potenciais doadores no país. Desse total, 4.335 tornaram-se doadores efetivos. Entre as famílias entrevistadas, 4.200 não autorizaram a doação, o equivalente a 45% das entrevistas realizadas. No mesmo ano, o Brasil alcançou 20,3 doadores efetivos por milhão de habitantes, contra 19,2 em 2024.  

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