Cidades

CAMPO GRANDE

CPI vetou indiciamentos de ex-prefeitos mesmo com sugestão de vereador

No relatório final, foram sugeridos os indiciamentos de dois ex-diretores da Agetran e dois ex-diretores da Agereg, além de ex-chefes do Consórcio Guaicurus

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No relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo de Campo Grande, além de apontar melhorias do transporte público coletivo e sugestões de indiciamentos de ex-diretores de agências municipais e do Consórcio Guaicurus, chegou a ser cogitado o indiciamento de todos os ex-prefeitos que comandaram Campo Grande desde 2012, quando o contrato de concessão foi assinado.

Ao Correio do Estado, o vereador Doutor Lívio (União Brasil), presidente da CPI, revelou que o parlamentar Maicon Nogueira (PP), que também integrava o corpo de investigação, propôs indiciar os ex-prefeitos Nelson Trad Filho, Alcides Bernal, Gilmar Olarte e Marquinhos Trad, mas a sugestão foi recusada pelo restante do grupo.

“A gente achou por bem não colocar porque nós não temos algo concreto, evidência concreta sobre a responsabilidade direta do prefeito. É claro que ele gere a concessão, mas assim, o indiciamento foi dos diretores, que eram quem tinham realmente o poder de fazer naquele momento. Nós não tínhamos evidências”, explica o vereador, que complementou afirmando que Maicon Nogueira deverá fazer esses apontamentos individuais em breve.

Também, Doutor Lívio explicou como foi feito o relatório final, mesmo com pontos de vistas divergentes entre os vereadores. Ele fala que muitas opiniões foram acatadas e outras não pela relatora, a vereadora Ana Portela (PL). 

“Nós fizemos três reuniões anteriores para colocarmos os pontos de vista. Cada um de nós teve pontos que foram acolhidos no relatório e outros pontos que foram derrotados por maioria, isso faz parte do consenso. A relatora poderia fazer um relatório exclusivamente dela, mas  ela abriu mão para que ela pudesse acolher os nossos apontamentos. Então, o relatório foi feito dessa forma, com consenso da maioria”, detalha à reportagem.

O parlamentar progressista citou dois apontamentos específicos de Maicon Nogueira - além do indiciamento dos ex-prefeitos - e um da Luiza Ribeiro (PT) que foram negados pela maioria. 

Primeiro, ele queria indiciar especificamente o ex-diretor do Consórcio Guaicurus, João Rezende, mas foi decidido indiciar não somente ele, mas, sim, todos que já ocuparam o cargo. Além disso, ele queria que a concessão do transporte público coletivo fosse passado para a Prefeitura, o que também foi recusado. 

Acerca do apontamento feito pela vereadora petista, ela pediu uma solicitação especial com os moradores do bairro Anhanduizinho. Para isso, foram solicitados dados para a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e para a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), que não deram uma devolutiva a tempo. Com isso, foi decidido não incluir essa questão no relatório final.

RELATÓRIO

O texto do relatório conta com cerca de 200 páginas, com constatações, apontamentos e indiciamentos, do qual cada vereador tirou suas conclusões e encaminhou as sugestões individuais para o documento final. 

Ana Portela (PL) disse que o relatório foi aprovado por todos os integrantes, sendo assim, unânime. Além dos três já citados nesta reportagem, integra a CPI o vereadores Junior Coringa (MDB).

Entre os apontamentos feitos por eles, a comissão pediu para que o Consórcio Guaicurus esclareça a venda de um imóvel da Viação Cidade Morena, justifique a movimentação financeira de R$ 32 milhões entre a Viação Cidade dos Ipês – que não integra o consórcio – e explique as despesas de manutenção com percentual de 84% e das despesas não operacionais, que saltaram de R$ 250 mil para R$ 11 milhões em 2021.

Além desses três tópicos, a CPI também solicitou o encaminhamento dos dados financeiros, contábeis e operacionais para fiscalização. Também, foi sugerida a substituição imediata de 197 ônibus que já estariam com idade útil de cinco anos vencida e a realização de uma revisão tarifária “justa e favorável à população”, diante da ausência de uma retificação ordinária de 2019, prevista para acontecer a cada sete anos. 

Isso posto, foi constatado, de acordo com o relatório, que o município de Campo Grande tem negligenciado a fiscalização do transporte público, “deixando de investir em infraestrutura, modernizar a legislação e realizar concursos para reforçar as equipes da Agereg [Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos] e Agetran [Agência Municipal de Transporte e Trânsito]”, as principais envolvidas no caso do Consórcio Guaicurus.

O documento também sugere o indiciamento de Odilon de Oliveira Júnior e Vinícius Leite Campos, ambos ex-diretores da Agereg, de Janine de Lima Bruno e Luís Carlos Alencar Filho, ex-diretores da Agetran, e de diretores do Consórcio Guaicurus.

INTERVENÇÃO

Entre os apontamentos para o Município sobre o serviço, o relatório da CPI traz a possível intervenção municipal no serviço, hoje feito pelo Consórcio Guaicurus.

“Na hipótese de insucesso desse procedimento, devem ser adotadas medidas mais severas, como a intervenção na concessão ou, em última instância, a declaração de caducidade do contrato, com o objetivo de restabelecer a legalidade contratual, assegurar a continuidade e a qualidade do serviço de transporte coletivo e resguardar os direitos fundamentais da coletividade campo-grandense, em conformidade com as penalidades previstas no contrato de concessão”, diz trecho do relatório que será entregue ao Ministério Público.

SAIBA

Como reportado pelo Correio do Estado, o MPMS terá de cinco a dez dias para analisar o relatório final, que pode decidir pelo arquivamento, requisitar diligências que entender necessárias ou oferecer denúncia.

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Decisão Judicial

Acusado de matar jovem em emboscada é condenado a 17 anos de prisão

Segundo o MPMS, crime foi motivado por ciúmes e ocorreu após o fim do relacionamento do réu com uma amiga da vítima

05/10/2026 11h40

Divulgação: MPMS

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O Tribunal do Júri de Campo Grande condenou a 17 anos de prisão, um homem acusado de feminicídio contra uma jovem baleada nas costas em 2024. A pena deve ser cumprida de forma imediata, e o condenado terá de pagar R$ 10 mil de reparação mínima à família da vítima, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O MPMS teve sua tese acolhida pelo Conselho de Sentença e e reconheceu as três qualificadoras da denúncia, motivo torpe, emboscada que impediu a defesa da vítima e crime cometido em razão da condição de gênero.

O réu também respondia por porte ilegal de arma de fogo. No plenário, a acusação foi feita pelo promotor de Justiça Luiz Eduardo de Souza Sant'Anna Pinheiro, da 21ª Promotoria de Justiça da Capital.

Como foi o crime?

A vítima morava com uma amiga que namorava o réu. Segundo a Polícia Civil e as provas periciais, ele criava conflitos constantes na casa, movido por ciúmes da amizade entre as duas mulheres. A convivência ficou insustentável, o namoro terminou e ele saiu do imóvel.

Cerca de duas semanas depois, a jovem esperava um carro de aplicativo na calçada quando foi surpreendida pelo agressor armado. Ela levou dois tiros no pescoço, pelas costas, sem chance de defesa. O homem fugiu e a vítima ficou quatro meses internada, onde veio a falecer, deixando um filho pequeno.

Contra o acusado havia mandado de prisão preventiva, mas ele permaneceu foragido por quase um ano, até ser localizado e preso. Com a prisão, o processo foi retomado.

O acusado negou o homicídio e afirmou ter viajado para Presidente Prudente (SP) antes do crime. De acordo com o MPMS, ele não apresentou dados nem testemunhas que comprovem a viagem. A promotoria sustentou que a versão era contraditória e incompatível com as provas do processo.

A defesa recorreu pedindo a anulação do julgamento, mas o MPMS contestou o recurso, e a sessão do Tribunal do Júri foi realizada.

Ainda internada, a vítima prestou depoimento à Polícia Civil, reconheceu o agressor por fotografia e relatou as ameaças de morte que já havia recebido. Testemunhas confirmaram na Justiça a rotina de conflitos na casa.
 

BURAQUEIRA

Em Ivinhema, forte chuva causa estrago e abre cratera em avenida

Prefeito Juliano Ferro publicou um vídeo, onde mostra que a rede de esgoto foi mal instalada por uma empresa terceirizada da Sanesul

05/10/2026 11h30

Cratera abriu depois de forte chuva no município de Ivinhema

Cratera abriu depois de forte chuva no município de Ivinhema Reprodução: Ivinotícias

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A forte chuva que atingiu o município de Ivinhema, neste domingo (4), abriu uma cratera no cruzamento das avenidas Antônio Travain e Fermino Alves de Souza, no bairro Piravevê. O prefeito Juliano Ferro (PL), o "Mais Louco do Brasil", visitou o local e explicou a causa do problema. 

Em vídeo divulgado nas suas redes sociais, o 'Mais Louco' diz que uma empresa, contratada pela Sanesul para prestar serviço de implantação de esgoto na cidade, passou o cano da rede por dentro do tubo de água da chuva e não fechou de maneira adequada o buraco. Com isso, o volume acumulado da precipitação passou por debaixo do asfalto e causou o estrago, abrindo a cratera na avenida.

O prefeito disse que o trecho será interditado e acionou a Sanesul, a qual informou ao gestor que enviará uma equipe de Campo Grande para resolver o problema.

Segundo a Defesa Civil, o município recebeu cerca de 55 milímetros de chuva durante a madrugada de sábado (3) para domingo (4), com ventos de aproximadamente 90 km/h.

O temporal também causou danos em Nova Andradina, onde árvores, outdoors e placas foram derrubados. Houve destelhamentos em diferentes regiões da cidade e interrupções no fornecimento de energia, problema registrado também em Batayporã.

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