O Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) devolveu à natureza em Campo Grande uma águia-cinzenta (Urubitinga coronata), após cinco meses de recuperação por traumatismo cranioencefálico.
Resgatada em janeiro deste ano pela Polícia Militar Ambiental (PMA), às margens da MS-040, a ave recebeu atendimento veterinário e passou por processo de reabilitação física. Na semana passada, no dia 11 de junho, foi considerada apta a voltar ao seu habitat natural e, então, liberada com sucesso.
Segundo o site Wiki Aves, uma comunidade online que reúne biólogos e cientistas da área animal, a espécie encontrada está ameaçada de extinção. Acerca de suas características, ela pode chegar a 75-85 centímetros de altura, 170-183 centímetros de envergadura e pode pesar até 3,5 kg.
No Brasil, ela pode ser vista na região central e leste-meridional, de São Paulo, Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Também pode ser encontrada na Argentina e Bolívia, geralmente em campos naturais, no cerrado ou na caatinga. Fora do período reprodutivo, vive de forma solitária, tendo o hábito de permanecer no topo das árvores.
Sobre o CRAS, o centro já conseguiu recuperar e soltar mais de 200 animais silvestres somente no primeiro semestre deste ano. Mesmo dentro da média anual, o número alto reflete ações humanas de atropelamentos, queimadas, desmatamento e tráfico ilegal, que, obviamente, traz consequências que podem ser irreversíveis.
Outro resgate recente
Em março, um tuiuiú e oito macacos-prego foram reintroduzidos à natureza após se reabilitarem no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS).
O tuiuiú foi resgatado na região de Miranda, com dificuldades para voar e, por isso, foi encaminhado ao CRAS. No local, passou por tratamento até que suas penas estivessem completamente desenvolvidas e, assim, poder voar com sucesso.
Ao se reintegrar à natureza, rapidamente se adaptou, buscando alimento e interagindo com o habitat natural, em um processo realizado sem estresse ao animal.
Já os macacos-prego foram resgatados entre março de 2023 e junho de 2024, nas cidades de Ponta Porã, Mundo Novo, Terenos, Corumbá e Campo Grande. "Cada macaco tem um histórico de resgate e um processo de reabilitação diferenciado, que respeita o tempo e as condições físicas e comportamentais de cada indivíduo", disse a bióloga do Imasul, Fernanda Mayer.
Todos os animais passaram por exames antes de serem reintegrados, como testes para Anaplasma, Babesia, Clostridium perfringens, Leptospira. A partir do resultado negativo, foi constatado que estavam aptos a para o deslocamento na natureza.
Os filhotes resgatados receberam alimentação especial, incluindo mamadeiras, até passarem para uma dieta sólida.
"O objetivo da reabilitação é preparar os animais para a vida na natureza, garantindo que tenham condições de sobreviver sem interferência humana", destaca a bióloga Márcia Delmondes.
Aos poucos, a ave e os mamíferos serão gradualmente soltos na natureza, chamado de soltura branda. Agora, até setembro, haverá um período de maior oferta de alimentos naturais, fora da época de seca.

