Cidades

CRIME BÁRBARO

Crueldade com que menino Kauan foi morto chocou até mesmo a polícia

Detalhes bárbaros do crime foram revelados durante as investigações

MARESSA MENDONÇA E RENAN NUCCI

25/08/2017 - 11h50
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"Tudo era grave a ponto de levar a polícia a não acreditar no cenário que estava se formando com base nas investigações". A declaração foi dada hoje pela delegada Aline Sinnott sobre o caso do menino Kauan Andrade Soares dos Santos, de 9 anos, que foi estuprado, asfixiado e teve corpo esquartejado em Campo Grande.

Em coletiva de imprensa, Aline comentou que, apesar de estarem habituados com cenas de violência, os atos bárbaros cometidos contra Kauan chocaram os policiais responsáveis pelo caso. “Até a polícia ficou espantada com a atrocidade que fizeram com o guri”, lamentou.

Kauan morreu depois de ter sido estuprado e asfixiado por professor. Depois de morto, ele ainda foi violentado por quatro adolescentes que receberam ameaças para cometerem o crime.

As investigações apontaram ainda que o menino foi esquartejado em dois momentos distintos.

O professor teria deixado o corpo em pedaços dentro de saco plástico próximo ao Córrego Anhanduí.  Ele retornou ao local, pegou os restos mortais do garoto, levou para casa e cortou em partes ainda menores.

Até o momento, os restos mortais de Kauan não foram encontrados. O professor nega o crime. “Fizemos várias buscas. Utilizamos cães farejadores, mas não localizamos o corpo”, lamentou a delegada.

INVESTIGAÇÕES

Alguns dos detalhes do crime foram descobertos pela polícia por meio do depoimento dos quatro adolescentes. Todos eles já tinham sido abusados pelo professor em ocasião anterior e só falaram depois de terem a certeza de que o homem estava preso.

ALERTA

O delegado Paulo Sérgio Lauretto, da Delegacia Especializada de Proteção à Infância e ao Adolescente (Depca) contou que, durante as investigações vários vizinhos do professor comentaram sobre o “comportamento estranho” do homem, mas ninguém entrou em contato com a polícia para informar sobre isto.

"É um crime que poderia ter sido evitado. Viam os garotos cuidando de carros até de madrugada, mas 
ninguém nunca havia tomado providência", declarou o delegado. 

Em relação ao perfil do professor, Lauretto informou se tratar de uma pessoa "fria, meticulosa e inteligente". Ele nega o crime desde o início e, segundo o delegado, até o momento não entrou em contradição. 

Segundo Lauretto, ele não atuava mais como professor e tinha uma barraca na feira onde vendia capas para celulares. É por meio dessa atividade que ele conhecia as vítimas. Ao menos 10 garotos foram abusados por ele.

SAÚDE

Prefeitura contrata laboratório por R$ 8,2 milhões sem licitação em Campo Grande

Contrato da Sesau tem duração de seis meses e prevê realização de exames bioquímicos, imunológicos e hormonais, além da cessão de equipamentos e insumos

24/08/2026 12h30

Contrato de R$ 8,2 milhões prevê exames laboratoriais, equipamentos e insumos para atendimento da rede municipal de saúde

Contrato de R$ 8,2 milhões prevê exames laboratoriais, equipamentos e insumos para atendimento da rede municipal de saúde Divulgação

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A Prefeitura de Campo Grande firmou contrato de R$ 8,2 milhões, por meio de dispensa de licitação, para a realização de exames laboratoriais na rede municipal de saúde. O acordo, celebrado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e pelo Fundo Municipal de Saúde com a Central Lab Distribuidora de Produtos para Saúde Ltda., terá vigência de seis meses.

Conforme extrato do Contrato nº 208/2026, publicado pelo município, o valor total da contratação é de R$ 8.219.637,18. O procedimento teve origem na Dispensa de Licitação nº 057/2026, vinculada ao Processo Administrativo SEI nº 036025/2026-99.

A dispensa foi homologada em 25 de junho 

deste ano pela prefeita Adriane Lopes. O contrato tem como fundamento a Lei Federal nº 14.133/2021, a nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos.

A empresa foi contratada para a realização de exames bioquímicos, imunológicos e dosagens hormonais. O serviço inclui ainda a cessão de equipamentos e o fornecimento dos insumos necessários para os procedimentos, conforme as especificações e quantidades estabelecidas no contrato e no termo de referência.

Apesar do valor milionário, o extrato divulgado pela administração municipal não detalha o dispositivo específico da Lei nº 14.133/2021 utilizado para justificar a dispensa de licitação. A fundamentação completa para a contratação direta deve constar no processo administrativo.

Os recursos para custear o contrato são provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo fontes vinculadas ao SUS e ao Estado. As despesas estão classificadas, entre outros itens, como material laboratorial e locação de máquinas e equipamentos.

A vigência será de seis meses, contados a partir da data da última assinatura. A reportagem entrou em contato com a Sesau para obter esclarecimentos sobre os motivos que justificaram a dispensa de licitação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

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INQUÉRITO CIVIL

Ex-secretário volta a ser alvo do MPE após sumiço de ares-condicionados

Com o desaparecimento dos aparelhos, o prejuízo aos cofres públicos é no valor de R$19.950, já que apenas 3 dos 13 foram instalados

24/08/2026 12h00

Os aparelhos se encontravam no Centro de Especialidades Médicas, de Selvíria, e quem percebeu o sumiço foi a diretora administrativa da unidade

Os aparelhos se encontravam no Centro de Especialidades Médicas, de Selvíria, e quem percebeu o sumiço foi a diretora administrativa da unidade Reprodução

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A 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Três Lagoas abriu um inquérito civil para apurar informações acerca da denúncia recebida em desfavor de Edgar Barbosa dos Santos, ex-secretário de saúde de Selvíria, e seu irmão José Fernando Barbosa dos Santos, ex-prefeito do município.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga o sumiço de dez aparelhos de ar condicionado de 12.000 BTUS, avaliados em R$ 1995 cada, destinados à Secretaria Municipal de Saúde de Selvíria, entre novembro de 2022 e abril de 2023.

A investigação surgiu após a apresentação uma denúncia sobre possível desvio e apropriação indevida de bens, como também crime de peculato.

No período entre 11 de novembro de 2022 e 20 de abril 2023, verificou-se o desaparecimento de dez aparelhos, sem que houvesse justificativa plausivel ou registro formal de destino.

A situação foi comunicada à Delegacia da Polícia Civil de Selvíria, por meio de Boletim de Ocorrência registrado pela diretora administrativa do Centro de Especialidades médicas (C.E.M), Camila Dante da Silva.

No B.O, a diretora administrativa informa que no início de novembro de 2022, a unidade recebeu os 13 aparelhos, os quais eram novos e estavam na caixa, e que foram deixados em uma sala na unidade, cujo local não ficava trancado. De acordo com ela, apenas três ares condicionados foram instalados em órgãos do município e o restante deles não estava no local.

Consta que o local, mesmo sendo dentro da unidade, é de fácil acesso, não possui câmeras de monitoramento de imagens, além disso o portão dos fundos da unidade permanecia aberto, facilitando a entrada e saída de pessoas não autorizadas.

O promotor de justiça Etéocles Brito Mendonça Dias Júnior determinou que a Polícia Federal compartilhasse o material da Operação Rastro Cirúrgico, que apura supostos desvios de recursos públicos em Selvíria, para investigar o sumiço dos aparelhos.

O que diz a defesa?

A defesa dos irmãos Edgar e José Fernando Barbosa dos Santos, representada pelo advogado Jairo Lemos Natali de Britto, alega que os aparelhos furtados não se encontravam no paço municipal, tampouco em secretaria de saúde, de tal modo que os investigados não detiveram domínio ainda que indireto sobre os materiais, assim como não detiveram a guarda destes.

"O desaparecimento dos aparelhos não pode ser creditado aos notificados, sob pena de desvirtuamento das responsabilidades e criminais, até porque o registro de ocorrência é claro o suficiente para se demonstrar que partiu da própria secretaria a comunicação criminal", diz a nota da defesa apresentada nos autos do processo.

Além disso, alega que "os fatos em averiguação não possuem a mínima, ou seja, a mais remota correlação com as operações deflagradas (vaga zero e rastro cirúrgico)".

Operação Rastro Cirúrgico

A Polícia Federal (PF) prendeu em fevereiro deste ano o ex-secretário de saúde do município de Selvíria, Edgar Barbosa dos Santos, que havia sido afastado do cargo em agosto do ano passado após operação apontar que ele tinha envolvimento com esquema de corrupção no município.

De acordo com a PF, as provas obtidas por meio dos mandados cumpridos em 2025 mostraram que o secretário chegava a combinar o valor a ser ofertado pelas empresas em licitações fraudadas.

A Operação Rastro Cirúrgico foi deflagrada no dia 12 de agosto do ano passado, quando foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, além das medidas cautelares de sequestro e bloqueio de bens, no valor de R$ 5 milhões de cada uma das nove pessoas físicas e jurídicas investigadas.

Com o material recolhido nas buscas, a Polícia Federal afirmou ter encontrado “vastas provas que confirmam a ocorrência dos crimes de fraude em licitações e de contratos administrativos e de peculato pelos investigados, através do implemento de superfaturamento por sobrepreço e por quantidade”.

“Além disso, detectou-se indícios veementes da prática dos crimes de corrupção, de frustração do caráter competitivo de licitação, de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas, praticados por meio de organização criminosa, instituída para a prática indiscriminada de crimes contra a Administração Pública da municipalidade”, completa a nota.

Ao Correio do Estado a PF informou que o ex-secretário “combinava previamente os preços que seriam inseridos nas propostas com os participantes do procedimento licitatório, de modo a deixa claro quem seria o vencedor”.

Ainda conforme a Polícia Federal, participavam da licitação empresas que, embora pertencessem às mesmas pessoas físicas, eram falsamente registradas em nome de terceiros. “O pregão era presencial, para facilitar o conluio”.

“As licitações eram direcionadas sempre para o mesmo grupo de empresas, com superfaturamento por sobrepreço e por quantidade. [O então secretário] não era sócio oculto de nenhuma das empresas favorecidas. Por outro lado, há comprovantes de pagamentos para uma de suas sócias, em uma de suas empresas, feitas por um dos médicos contratados pelo município”, detalhou a PF ao Correio do Estado.

A investigação aponta que há “fortes indícios e provas” de que houve fraude em ao menos 11 procedimentos licitatórios feitos na época em que Edgar Barbosa dos Santos estava à frente da Saúde de Selvíria.

Além do ex-secretário, a PF também pediu a prisão de outras duas pessoas entre os dez investigados, porém, a Justiça Federal pediu a prisão apenas de Edgar.

“Por considerar os fatos como concreta e extremamente graves, a Polícia Federal representou pela prisão preventiva de três dos dez indiciados no inquérito policial, diante do papel central que exerciam na organização criminosa, além de existência de elementos supervenientes indicativos da permanência do vínculo associativo criminoso e da ineficácia das medidas cautelares pessoais anteriormente aplicadas”, diz trecho da nota.

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