Cidades

Meio Ambiente

Decreto altera regras para proteção dos corredores ecológicos em MS

As diretrizes foram publicadas em Diário Oficial Estadual nesta segunda-feira (29) com novas diretrizes para funcionamento e proteção das áreas

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O governo de Mato Grosso do Sul publicou no Diário Oficial desta segunda-feira (29) novas alterações e acréscimos sobre o funcionamento e proteção dos corredores ecológicos no Estado através do Decreto 16.720.

Segundo a publicação, as novas diretrizes alteram disposições da Lei nº 6.160, de 18 de dezembro de 2023, que dispõe sobre a conservação, proteção, restauração e exploração ecologicamente sustentável da Área de Uso Restrito da Planície Pantaneira (AUR-Pantanal) dentro do Estado, através do Decreto nº 16.388. 

O novo decreto institui que os corredores ecológicos deverão ser definidos por meio de um mapa específico que passarão a ser inseridos nos sistemas de informações geográficas do Instituto de Meio Ambiente (Imasul). 

Dentro desses corredores, deve haver uma área protegida de 500 metros, que será definida no processo de validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade. 

Quando um mesmo corredor abranger mais de um imóvel rural, a faixa protegida deve manter sua continuidade com os trechos do mesmo corredor ecológico presente em propriedades vizinhas, garantindo a ligação entre eles. 

Caso seja identificado desmatamento irregular dentro das áreas identificadas como protegidas, o proprietário do imóvel deverá obrigatoriamente apresentar um Projeto de Recuperação de Área Degradada ou Alterada (PRADE ou PRADA) ou um Informativo de PRADE, a fim de apresentar um plano de recuperação da área desmatada dentro do corredor. 

Nos casos onde houver desmembramento de imóveis, a fim de manter amostras de vegetação como formações de cerrados, florestais e campestres, esses imóveis poderão estabelecer áreas protegidas em regime de condomínio, tanto na área remanescente como nas áreas desmembradas. 

Essa opção será válida desde que seja mantido o mesmo tipo de vegetação e o percentual da área a ser protegida, mantendo a declaração das informações dos devidos cadastros ambientais (CAR-MS). 

CORREDORES ECOLÓGICOS

Os corredores ecológicos são áreas de grande importância para definir estratégias de gestão territorial que permitem integrar áreas protegidas, garantindo o fluxo e a sobrevivência de espécies nativas dos ecossistemas. 

De acordo com a WWF-Brasil, a identificação e priorização de áreas para a criação dos corredores “auxilia os planos de implementação de projetos ambientais e econômicos, que em diálogo com os atores sociais podem proporcionar boas alternativas de desenvolvimento sustentável”. 

Atualmente, 11 corredores ecológicos foram identificados no em Mato Grosso do Sul tendo como base o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do MS e análises de áreas prioritárias para conservação do Cerrado e do Pantanal.

No mês de setembro de 2025, quatro instituições da Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai lançaram uma aliança com ações para criar um corredor da biodiversidade na América do Sul. 

O Pantanal sul-mato-grossense está no centro de ligação da proposta, que já captou US$ 26 milhões (por volta de R$ 139,1 milhões), e cobre uma área de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, quase sete vezes o tamanho do Estado. 

Chamado de Jaguar Rivers, esse projeto tem como proposta principal reconectar ecossistemas pela bacia do Paraná, de onde o Pantanal depende para manter sua saúde hídrica.

Esse território está, em sua maioria, no Brasil e é formado por 4,8 mil rios, além de concentrar a maior produtividade agrícola e pecuária do País, conforme a Embrapa. 

Conforme o projeto Jaguar Rivers, toda a América do Sul vem enfrentando um declínio da população da fauna silvestre, desde a década de 1970, até os tempos atuais, que chega a 94% para algumas espécies. 

Desmatamento, degradação dos rios, fragmentação de habitats, incêndios florestais, exploração de riquezas naturais em excesso estão entre os fatores para causar esses danos, e as mudanças climáticas passaram a pressionar ainda mais a situação nos últimos anos.

No caso do Pantanal, o território ainda se encontra com nível de conservação alto. Dados do Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram que 93,7% das espécies da fauna ainda estão em situação classificada como “menos preocupante”, porém, ainda sofrem com os riscos de estiagem e incêndios, com níveis mais críticos a partir de 2020.

Isso faz com que a região seja um oásis para diferentes espécies pressionadas em outras regiões, e a torne ainda mais importante nesse processo de elo para conectar corredores de biodiversidade, entre o norte da América do Sul e a Argentina, no extremo sul.


 

CLIMA

MS terá onda de calor no próximo trimestre causada pelo El Niño

O atual período registra forte aquecimento diurno, gera instabilidade e favorece as tempestades severas de curta duração com chuvas intensas

23/10/2026 11h30

A recomendação é reforçar a hidratação ao longo do dia, evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde

A recomendação é reforçar a hidratação ao longo do dia, evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes, especialmente entre o fim da manhã e o meio da tarde Gerson Oliveira

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O El Niño tem previsão de causar uma onda de calor e mudar os padrões de chuva em Mato Grosso do Sul. De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), há tendência de precipitação com acumulados acima da média histórica no Estado, acompanhada por temperaturas elevadas e risco de ondas de calor.

O atual período registra forte aquecimento diurno, gera instabilidade e favorece as tempestades severas de curta duração com chuvas intensas, vendavais, raios e queda de granizo.

Valesca Fernandes, meteorologista e coordenadora do Cemtec, explica que apesar da tendência de precipitações acima da média, é importante destacar que essa condição não deverá ocorrer de forma homogênea em todo o Estado.

“Mato Grosso do Sul está inserido em uma zona de transição climática, apresentando elevada variabilidade espacial e temporal das condições atmosféricas, principalmente de precipitação. O trimestre, entre novembro e janeiro, tem tendência de chuvas acima da média, mas podem ocorrer períodos de estiagem, distribuição irregular, diferenças significativas entre regiões e municípios”.

O próximo trimestre também tem previsão de ser mais quente do que o normal, com temperaturas acima da média histórica, com permanência do El Niño e deve atingir uma categoria muito forte.

Episódios de calor intenso, associado a tendência geral de precipitações acima da média histórica em MS, além da variação típica do Estado, indicam que os períodos chuvosos podem ocorrer de maneira irregular.

“Embora o Estado já tenha registrado algumas ondas de calor e episódios de temperaturas acima da média histórica, o cenário atual difere de 2023 e 2024, quando sob o domínio de El Niño forte, ocorreu um intenso aquecimento acompanhado por expressivo déficit pluviométrico, criando um ambiente extremamente propício à propagação de grandes queimadas”, disse Valesca Fernandes.

 

Financiamento

UCDB receberá R$ 13,5 milhões para pesquisar sobre feridas

Pesquisa financiada pela FINEP e pela FUNDECT vai estudar peptídeos capazes de auxiliar na formação de novos tecidos e na cicatrização

23/10/2026 10h15

Universidade Católica Dom Bosco

Universidade Católica Dom Bosco Foto: Reprodução

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O Governo do Estado por meio do Diário Oficial, publicado na manhã desta sexta-feira (23), um Extrato de Convênio onde a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), irá receber investimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e da Fundação de Apoio e de Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT).  Os recursos serão destinados para o projeto “Plataforma Inteligente Baseada em Peptídeos para Tratamento de Feridas e Otimização da Cicatrização”

O convênio foi assinado em 24 de março de 2026 e terá prazo de até 36 meses para execução física e financeira. Além do valor previsto pela FINEP, o projeto contará com R$ 3,38 milhões da FUNDECT, totalizando até aproximadamente R$ 13,54 milhões em recursos.

O projeto foi intitulado “Plataforma Inteligente Baseada em Peptídeos para Tratamento de Feridas e Otimização da Cicatrização”. A proposta é desenvolver uma tecnologia capaz de auxiliar na recuperação de tecidos lesionados, especialmente em situações nas quais a cicatrização ocorre de forma lenta ou inadequada.

Feridas crônicas podem estar relacionadas a doenças como diabetes, problemas de circulação, infecções, queimaduras, traumas e lesões provocadas por pressão. Nesses casos, o processo de recuperação pode se prolongar e aumentar o risco de complicações.

A tecnologia poderá reunir a seleção dos peptídeos, a formulação do material utilizado na ferida e um sistema capaz de liberar as substâncias de maneira controlada.

Peptídeos são pequenas sequências formadas por aminoácidos, componentes básicos das proteínas. Algumas dessas moléculas podem desempenhar funções importantes no organismo e, por isso, são estudadas para aplicações médicas e biotecnológicas.

Esses peptídeos são importantes para o tratamento de feridas, pois possuem uma capacidade de estimular a manipulação e a migração de células, favorece a produção de colágeno, controla inflamações e auxilia na defesa contra microrganismos.

A pesquisa deverá investigar quais peptídeos apresentam potencial terapêutico, como eles podem ser aplicados na região lesionada e de que maneira podem contribuir para a formação de novos tecidos.

O financiamento dá início a uma etapa de pesquisa que pode incluir testes laboratoriais, desenvolvimento de protótipos, avaliação de segurança e estudos sobre a eficácia da tecnologia.

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