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Pantanal é "coração" em projeto para formar corredores ecológicos

Mato Grosso do Sul está no centro dessa proposta, que já conseguiu captar US$ 26 milhões, e cobre uma área de 2,5 milhões de quilômetros quadrados

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Para aproveitar os holofotes das discussões na Organização das Nações Unidas (ONU), no Debate Geral da instituição, em Nova Iorque (EUA), que termina hoje, quatro instituições de Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai lançaram uma aliança que envolve diferentes ações para ser criado um corredor de biodiversidade na América do Sul.

O Pantanal em Mato Grosso do Sul está no centro de ligação dessa proposta, que já conseguiu captar US$ 26 milhões (em torno de R$ 139,1 milhões), e cobre uma área de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, o que é quase sete vezes o tamanho do Estado.

Chamado de Jaguar Rivers, esse projeto tem como proposta principal reconectar ecossistemas pela bacia do Paraná. Esse território está, em sua maioria, no Brasil e é formado por 4,8 mil rios, além de concentrar a maior produtividade agrícola e pecuária do País, conforme a Embrapa. 

O Pantanal é dependente das águas dessa bacia, que está no Planalto, para manter sua saúde hídrica.

As instituições que já agregaram nesse projeto são Rewilding Argentina, Nativa (Bolívia), Moisés Bertoni (Paraguai) e Onçafari (Brasil). Outras organizações não governamentais (ONGs) e entidades devem integrar esse trabalho.

Os recursos, até agora captados pela iniciativa, vieram de doadores como Tompkins Conservation, Kisco Conservation Foundation, Rainforest Trust, Wyss Foundation, Bobolink Foundation, The Postcode Lottery Group, DOB Ecology, Freyja Foundation, Greg and Mary Moga, e os brasileiros Teresa e Candido Bracher, além do Rolex Perpetual Planet Initiative.

O valor cobre um terço das operações previstas para acontecer no território pelos próximos três anos, que envolve monitoramento ambiental, restauração de áreas e combate ao desmatamento.

O lançamento do projeto, que aconteceu durante a Semana do Clima no The Explorers Club, em Nova Iorque, no dia 25, também serviu para indicar que as captações de recursos vão continuar para cobrir todo o orçamento previsto de ações. 

Responsável por uma parte das doações no projeto, Kristine Tompkins defendeu que as atividades são coordenadas entre diferentes atores de países que envolvem a Bacia do Paraná, isso inclui Mato Grosso do Sul, e são necessárias para resguardar a biodiversidade única no mundo e encontrada nessa região.

“Nós todos sabemos da urgência que envolve a crise no clima e na biodiversidade. Essa importante iniciativa fortalece a necessidade de ações coordenadas, em larga escala, antes que seja tarde demais. Eu diria que se trata de uma linha divisória para nosso planeta”, defendeu a conservacionista, via assessoria de imprensa.

Com 75 anos, Tompkins vive nos Estados Unidos e foi CEO da marca de roupas Patagonia. Ela já atua na América do Sul há mais de 30 anos, com iniciativas concentradas no Chile e na Argentina, em uma área de 5,7 milhões de hectares (o que equivale a sete vezes o tamanho do município de Campo Grande).

O marido dela, Douglas Tompkins, foi o fundador de outra marca de roupa, a North Face. Os dois adquirem grandes extensões de áreas e propõem ações de restauração e recuperação, posteriormente doam essas propriedades para que esses territórios sejam convertidos em parques nacionais pelos governos locais.

REGIÃO SOFRE

Conforme do projeto Jaguar Rivers, toda a América do Sul vem enfrentando um declínio da população da fauna silvestre, desde a década de 1970, até os tempos atuais, que chega a 94% para algumas espécies. 

Desmatamento, degradação dos rios, fragmentação de habitats, incêndios florestais, exploração de riquezas naturais em excesso estão entre os fatores para causar esses danos, e as mudanças climáticas passaram a pressionar ainda mais a situação nos últimos anos.

No caso do Pantanal, o território ainda se encontra com nível de conservação alto. Dados do Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mostram que 93,7% das espécies da fauna ainda estão em situação classificada como “menos preocupante”, porém, ainda sofrem com os riscos de estiagem e incêndios, com níveis mais críticos a partir de 2020.

Isso faz com que a região seja um oásis para diferentes espécies pressionadas em outras regiões, e a torne ainda mais importante nesse processo de elo para conectar corredores de biodiversidade, entre o norte da América do Sul e Argentina, no extremo sul.

“Nós estamos conduzindo uma ação muito estratégica para conservar um dos maiores sistemas de rios do mundo. Ao propor a restauração da integridade ecológica, várias espécies da biodiversidade e de comunidades que estão sob ameaça nesses quatro países (Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai) terão a oportunidade de superação, usando um modelo que combina restauração da natureza com regeneração da economia”, explicou o diretor da Jaguar Rivers, o espanhol Deli Saavedra, via assessoria de imprensa.

“Algo que já se mostrou com sucesso em locais como o Pantanal brasileiro e as áreas úmidas de Iberá, na Argentina”, completou.

Deli Saavedra é uma referência mundial em trabalho de recuperação ambiental e reintrodução de espécies ameaçadas. Já atuou entre Espanha e Portugal e atualmente vive na Argentina. Ele visitou territórios que fazem parte da área desse corredor. 

No fim de julho ele foi a Miranda e a Corumbá, também promoveu uma palestra no Memorial Homem Pantaneiro, gerido pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), para estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e também pesquisadores da Embrapa Pantanal. Depois, seguiu para a Bolívia e retornou à Argentina.

ELO ENTRE PANTANAIS

Esse modelo de desenvolvimento apontado por Saavedra envolve unir ações de monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas, capacitação de comunidades locais e indígenas para fortalecer aspectos que podem ser convertidos economicamente para o ecoturismo, turismo de aventura e também o turismo de base comunitária.

Além disso, as conexões entre esses territórios já existem e se fortaleceram após os incêndios de 2020 no Pantanal. Um desses elos foi a migração de uma onça-pintada, que ficou conhecida como Jatobazinho.

O indivíduo foi resgatado em 2018 no município de Corumbá, passou por tratamento e foi solto em Corrientes, sob monitoramento ambiental da Rewilding Argentina.

Houve adaptação e Jatobazinho contribuiu para o nascimento de 12 filhotes da espécie, que está repovoando o norte da Argentina, depois de ter ocorrido a extinção da onça-pintada no país, por mais de 70 anos.

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campo grande

Almir Sater é contratado por R$ 265 mil para cantar na abertura da COP15

Ele fará apresentação de 1h30 na segunda-feira, dia de abertura do evento em Campo Grande

20/03/2026 18h29

Almir Sater fará show na abertura da COP15

Almir Sater fará show na abertura da COP15 Reprodução/Arquivo

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O cantor Almir Sater será a atração musical do primeiro dia da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens (COP15 da CMS), em Campo Grande. O valor da contratação é de R$ 265 mil.

Em processo publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (20) foi ratificada a inexigibilidade de licitação por inviabilidade de competição.

O cantor foi contratado para a realização de um show musical, de 1h30 de duração, no dia 23 de março, a partir das 20h30, no evento COP15.

A apresentação será no Centro Cultural Arquiteto Rubens Gil de Camilo, pelo Projeto Ações Culturais Para o Fortalecimento de Mato Grosso do Sul.

COP15

A COP15  da CMS reunirá em Campo Grande as 133 partes da Convenção, sendo 132 países e a União Europeia, para discutir o estado de conservação das espécies migratórias, definir prioridades e deliberar sobre políticas e ações conjuntas voltadas à proteção de habitats e rotas migratórias.

Organizado pelo Governo do Brasil e presidido pelo secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, o encontro deve reunir mais de 2 mil participantes, entre representantes de governos, cientistas, organizações internacionais e sociedade civil.

A escolha de Campo Grande para sediar a COP15 foi considerada estratégica por especialistas. A região está inserida no bioma Pantanal, uma das áreas mais relevantes para a migração de espécies no país.

“O Pantanal faz total sentido. É uma das áreas mais críticas e importantes de migração do nosso país. Uma região que está passando por ameaças severas e impactos muito significativos da mudança do clima. A perda de água do Pantanal é de altíssima preocupação”, detalhou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Rita Mesquita.

A coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Priscilla do Amaral, alertou para a gravidade da situação no bioma e destacou a importância do momento para discutir medidas de conservação.

“Quem trabalha, vive ou conhece o Pantanal, sabe que ele está se acabando. Então, é muito importante acendermos esse alerta, neste momento. Talvez seja a última chance de a gente recuperar esse bioma que está sumindo do mapa”, afirmou.

Abrigo de diversas espécies migratórias, o Pantanal desempenha papel fundamental para a sobrevivência de animais que dependem dessas rotas. Nesse contexto, as negociações entre os países durante a COP15 podem representar avanços importantes para a proteção da fauna.

“Quando a gente fala de direito animal, a gente tem que falar, sobretudo, de responsabilidade humana. Todos são responsáveis pelo bem e pelo mal que as espécies que estão sob sua tutela e responsabilidade sofrem”, reforçou Ivan Teixeira, chefe substituto de espécies exóticas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Atualmente, 1.189 espécies migratórias estão listadas pela Convenção. Elas se dividem entre o Anexo I, que reúne espécies ameaçadas de extinção, e o Anexo II, composto por aquelas que demandam cooperação internacional para sua conservação.

tempo

Fim de semana tem alerta de temporais, mas calor predomina em MS

Tempestades devem ser acompanhadas de raios e rajadas de vento neste primeiro fim de semana do outono

20/03/2026 17h45

Há previsão de tempestades no Estado para o fim de semana

Há previsão de tempestades no Estado para o fim de semana Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O fim de semana deve ser de muito calor em Mato Grosso do Sul, com temperaturas próximas dos 40°C em algumas regiões. No entanto, há alerta vigente para o risco de tempestades.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), a previsão para sábado (19) e domingo (20) indica tempo com sol e variação de nebulosidade em todo o Estado.

Ao longo do período, o aquecimento diurno, aliado à disponibilidade de calor e umidade, favorece o aumento da nebulosidade e a ocorrência de chuvas, principalmente entre a tarde e noite.

As chuvas devem ocorrer de forma irregular e mal distribuída, com maior concentração em áreas isoladas do estado.

Não se descartam temporais, com chuva de intensidade moderada a forte, podendo ser acompanhados de raios e rajadas de vento.

"Essa condição meteorológica está associada à atuação de áreas de baixa pressão atmosférica, aliado ao intenso transporte de calor e umidade, além da passagem de cavados que favorecem a formação de instabilidades", diz o Cemtec, em nota.

Os ventos devem atuar com velocidade entre 30 a 50 km/h, com possibilidade de rajadas acima de 50 km/h.

Em relação a previsão de temperaturas por regiões:

  • Regiões Sul, Cone-Sul e Grande Dourados: Mínimas entre 21-24°C e máximas entre 28-35°C.
  • Regiões Pantaneira e Sudoeste: Mínimas entre 23-25°C e máximas entre 32-37°C.
  • Regiões Bolsão, Norte e Leste: Mínimas entre 22-24°C e máximas entre 30-37°C.
  • Campo Grande: Mínimas entre 22-24°C e máximas entre 29-32°C
Há previsão de tempestades no Estado para o fim de semana

Outuno

outono começou nesta sexta-feira (20) e, segundo prognóstico do Cemtec, será marcado por calor intenso e chuvas abaixo da média em Mato Grosso do Sul.

Conforme o Cemtec, para o próximo trimestre, até 21 de junho, a previsão indica que as temperaturas tendem a ficar acima da média histórica.

Em grande parte do Estado, as temperaturas médias variam entre 20°C e 24°C, enquanto no extremo sul chegam a 18°C ou 20°C e no extremo noroeste, entre 24°C e 26°C, durante o outono.

No entanto, para este ano, a tendência é que, durante boa parte da estação, as temperaturas fiquem acima dos 30°C.

Apesar da previsão de calorão, é também no outono que ocorrem as primeiras incursões de massas de ar frio, vindas do sul do continente e que provocam uma queda gradativa das temperaturas ao longo da estação.

Assim, não se descartam períodos de frio, podendo ocorrer nevoeiros em algumas regiões e até geadas.

No outono, as chuvas são menos frequentes e a umidade relativa do ar diminui gradativamente.

Para este ano, a previsão é de chuvas chuvas abaixo da média.

Análise do comportamento do clima ao longo de anos feita pelos meteorologistas do Cemtec indica que entre abril e junho as chuvas na maior parte de Mato Grosso do Sul variam entre 150 e 400 milímetros, sendo em quantidade mais elevada na região Sul, de 400 a 500 mm, e menor na região Nordeste, não ultrapassando 150 mm.

As previsões meteorológicas indicam que, neste ano, as precipitações ficarão abaixo das médias históricas no Estado.

Os modelos climáticos indicam, ainda, alta probabilidade de manutenção de condições de neutralidade no clima durante o trimestre de abril, maio e junho de 2026.

Conforme o Cemtec, há indícios de intensificação gradual das condições de El Niño, fenômeno que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e que causa impactos no clima em todo o Planeta. A influência de El Niño deve ser sentida com mais intensidade a partir do trimestre julho a setembro, podendo favorecer a ocorrência de ondas de calor.

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