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Defesa diz que testes negativaram e aguarda laudo de apreensão de cocaína líquida em madeira

Substância líquida encontrada na região de Corumbá e inicialmente apontada como sendo, supostamente, cocaína, ainda aguarda resultado final de laudo pericial feito em Brasília

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Passado pouco mais de um mês desde a suposta "maior apreensão de cocaína" feita na história da fronteira do Mato Grosso do Sul, a defesa das trasnportadadores questiona a apreensão e ainda aguarda um resultado final do laudo pericial que determinará se as substâncias encontradas tratam-se, de fato, de itens ilícitos encontrados sendo traficados entre cargas de madeira. 

Essa apreensão em questão foi feita durante a Operação Timber Shield, que mobilizou as mais diversas forças de segurança, como, por exemplo: 

  • Receita Federal (RF)
  • Polícia Federal (PF)
  • Polícias Científicas (MS e MT)
  • Grupo Especial de Fronteira do Mato Grosso (Gefron-MT)
  • Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (Felcn)
  • Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP)

Pelo menos oito caminhões que transportavam 260 toneladas de madeira foram relacionados na operação que foi desencadeada pelos Estados Unidos, Bolívia e Brasil, sendo quatro deles identificados em Corumbá e a outra metade no município mato-grossense de Cáceres. 

Cabe lembrar que ambas essas cidades brasileiras fazem fronteira com a Bolívia. Conforme repassado pela Receita Federal à época, cerca de 10% a 20% do peso dessa carga dos caminhões seria de cocaína. 

Entretanto, a defesa, representada pelo advogado Leandro Lobo, alega que ainda é necessário aguardar a conclusão do laudo pericial, uma vez que testes químicos preliminares teriam dado resultado "negativo" para substâncias entorpecentes em todas as amostras analisadas. 

Em nota, ele afirma que testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal teriam apresentado resultado negativo para todas as amostras analisadas e que a própria autoridade policial teria consignado que a materialidade delitiva ainda dependia de confirmação técnico-científica.

"As diligências policiais tiveram por objetivo justamente aprofundar as investigações e submeter o material apreendido a exames periciais mais específicos, evidenciando que, naquele momento, não havia conclusão definitiva acerca da existência de entorpecente, tampouco qualquer comprovação da participação de eventuais envolvidos em atividade criminosa", diz a nota.

O advogado cita ainda que as afirmações estão presentes nos autos da investigação preliminar realizada pela Delegacia de Polícia Federal de Corumbá.

Relembre

Como bem consta na nota divulgada pela Receita Federal, a substância entorpecente na forma líquida estaria "camuflada" e "misturada na madeira". 

“No início do mês, 6/6, a Aduana do Chile fez apreensão de 100 toneladas de cocaína vindas da Bolívia no mesmo esquema detectado pela aduana brasileira nesta operação [domingo], ou seja, cocaína líquida misturada na madeira. A Operação Timber Shield evidencia o alto grau de sofisticação das organizações criminosas e reforça a importância da cooperação internacional, especialmente da integração entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia, no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas em larga escala”, defendeu a RF, em nota.

Na averiguação da carga em Corumbá e Cáceres, a Receita Federal usou cães farejadores. Do lado boliviano, a Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (Felcn) conduziu a investigação e a Aduana Boliviana também acompanhou a ação. 

Já os EUA estão atuando diretamente com o governo boliviano desde maio, incluindo a presença de agentes daquele país na região de La Paz, e teriam contato em Santa Cruz de la Sierra. 

Conforme a defesa, a apreensão causa reflexos no País vizinho já que a Bolívia não estaria mais exportando por conta desse ocorrido, nação essa que teria na extração de madeira uma de suas principais fontes de renda. 

Segundo o advogado Leandro Lobo, o próprio Inquérito Policial nº 2026.0070875- DPF/CRA/MS indicam que, no estágio inicial das investigações, "os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal apresentaram resultado negativo para todas as amostras analisadas". 

"Sendo consignado expressamente pela autoridade policial que a materialidade delitiva ainda dependia de confirmação técnico-científica, não sendo possível afirmar, com segurança, a presença de cocaína ou de qualquer outra substância ilícita apenas com base nos elementos então disponíveis", complementa ele em nota. 

Leandro Lobo cita que as diligências policiais tiveram por objetivo justamente "aprofundar as investigações e submeter o material apreendido a exames periciais
mais específicos", pois naquele momento não haveria conclusão definitiva quanto a existência de entorpecente.

Em outras palavras, a defesa reforça a necessidade da conclusão dos testes secundários sobre a comprovação, através de laudo pericial, para que os fatos possam ser esclarecidos. 

"Tampouco qualquer comprovação da participação de eventuais envolvidos em atividade criminosa, conforme trecho retirado nos autos da investigação preliminar realizada pela Delegacia de Polícia Federal de Corumbá - MS... a existência de uma investigação policial ou de suspeitas iniciais não constitui prova de prática criminosa, sendo imprescindível aguardar a conclusão das apurações e a produção de provas técnicas conclusivas.

 Reitera-se, por fim, o respeito ao trabalho das autoridades responsáveis pela investigação, bem como o compromisso com a divulgação de informações precisas, equilibradas e em conformidade com os princípios constitucionais da presunção de inocência, do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana", conclui em nota. 

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mudança no tempo

Frente fria traz tempestades e derruba temperaturas a 9°C no fim de semana

Sábado ainda começa com calor e tempo seco, mas tempo muda entre a tarde e noite, quando estão previstas chuvas intensas

10/07/2026 13h00

Fim de semana será de chuvas e queda nas temperaturas

Fim de semana será de chuvas e queda nas temperaturas Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O tempo quente e seco deve dar lugar a chuvas e frio no fim de semana em Mato Grosso do Sul. O avanço de uma frente fria traz mudanças no tempo entre a tarde e noite de sábado (11) e o domingo (12).

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), o sábado ainda começa com predomínio de sol e tempo seco, com alerta para baixa umidade relativa do ar.

Ao longo do dia, haverá aumento gradual da nebulosidade, com previsão de chuvas e tempestades, que devem se intensificar no domingo. As instabilidades podem ser acompanhadas de raios, rajadas de vento e, de forma pontual, queda de granizo.

Há previsão de acumulados de chuva superiores a 30 mm em 24 horas, especialmente nas regiões centro-sul, sudoeste e sudeste do Estado.

Segundo o Cemtec, essa condição meteorológica é provocada pela aproximação e pelo avanço da frente
fria, associados ao intenso transporte de calor e umidade sobre Mato Grosso do Sul.

Além disso, a atuação de uma área de baixa pressão atmosférica, em conjunto com o deslocamento de
cavados, favorece a formação e intensificação das instabilidades, aumentando a probabilidade de chuvas localmente intensas.

As temperaturas devem sofrer ligeira queda no fim de semana, com redução mais significativa na segunda-feira (13), após a passagem da frente fria. A mínima prevista é de 9°C, não se descartando que, pontualmente, sejam registradas temperaturas inferiores, especialmente no sul do Estado.

Em Campo Grande, a mínima prevista é de 15C, com máxima de 30°C. 

Apesar do frio, o tempo volta a ficar mais estável no início da semana, mas ainda há chances de pancadas de chuvas isoladas e tempestades em algumas regiões, devido à permanência de umidade e à atuação de áreas de instabilidades.

Inverno

O inverno começou no dia 22 de junho e deve ser marcados por ondas de calor, influenciadas pelo super-El Niño, e chuvas um pouco acima da média, mas ainda com longos períodos de seca.

A estação segue até dia 22 de setembro e, de acordo com dados do Cemtec, apresenta os menores índices pluviométricos do ano no Estado, ou seja, é o período conhecido como estiagem. Ainda por causa disso, também se observam baixos índices de umidade relativa do ar.

Conforme reportagem do Correio do Estado, mesmo que a estação seja conhecida por período mais frios, em Mato Grosso do Sul a situação é diferente, já que a tendência climática indica temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica, que geralmente varia de 24°C a 26°C em grande parte do Estado.

Ainda de acordo com o Cemtec-MS, “esse cenário pode gerar impactos sobre os setores agropecuário, hídrico, energético e de saúde pública, reforçando a necessidade de monitoramento meteorológico contínuo”.

O centro meteorológico reforçou que o El Niño deve se intensificar no segundo semestre deste ano em Mato Grosso do Sul, contribuindo para a ocorrência de ondas de calor mais frequentes e intensas e para períodos prolongados de temperaturas acima da média.

réu por homicídio

Justiça nega prisão domiciliar e Bernal voltará para a cadeia após alta hospitalar

Juiz considerou que laudos são de médicos unilaterais e que o ex-prefeito terá mais assistência médica no Presídio Militar do que em casa

10/07/2026 12h39

Ex-prefeito é acusado de matar fiscal tributário em briga por imóvel

Ex-prefeito é acusado de matar fiscal tributário em briga por imóvel Foto: Reprodução

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O juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, negou a revogação da prisão preventiva com a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. A defesa tentava a prisão domiciliar alegando risco de morte súbita.

Bernal é réu por matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini a tiros no dia 24 de março. Ele foi preso ainda no dia do crime e está internado na Santa Casa desde o dia 1ºde julho, por problemas cardíacos.

No pedido, a defesa sustentou que Bernal tem 60 anos e um histórico de doenças, como hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, além de três infartos agudos do miocárdio prévios, já tendo sido submetido à intervenção com implante de quatro stents coronarianos, sendo novamente submetido a um cateterismo cardíaco no dia 1º, onde teria sido diagnosticado uma doença coronariana muliarterial severa.

A defesa anexou laudos, onde médico cardiologista ateste necessidade e repouso relativo e acompanhamento médico por, no mínimo, 30 dias e acrescenta que o Presídio Militar Estadal não tem estrutura médica para o monitoramente que o caso de Bernal exige, sustentando ainda que ele corre risco de morte súbita.

Na decisão, o juiz ressaltou que o crime foi violento, gerando abalo à ordem pública e que não houve alteração nos fatos que motivaram a necessidade da prisão, citando ainda que a defesa já tentou a liberdade provisória nas três instâncias e, sem sucesso, agora mudou o fundamento para tentar a concessão da prisão domiciliar.

Ele indeferiu o pedido e manteve a prisão preventiva afirmando que a situação da saúde foi atestada por laudos médicos unilaterais, sem acompanhamento do Ministério Público e respectivos assistentes de acusação, que são a viúva e os três filos da vítima.

Conforme o magistrado, apenas os laudos não dão ensejo a substituição automática da prisão preventiva pela domiciliar.

O juiz também considerou que o Presídio Militar, embora não tenha estrutura de atendimento médico de alta complexidade ou especialista em cardiologia e enfermagem em regime de plantão, nos casos de urgência prioriza a integridade física dos custodiados, adotando imediamente providências necessárias, como o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

"A afirmação de que a unidade não dispõe de UTI, médicos especialistas ou equipes de enfermagem em regimede plantão, etc, também não justifica a concessão da domiciliar, sobretudo considerando porque tais estruturas igualmente não estariam disponíveis na sua residência até pelo que se tem notícias está sob os cuidados do SUS por não ter condições de bancar medicina particular", diz o juiz na decisão.

Por fim, o magistrado afirma que o processo tem avançado rapidamente, com o crime tendo ocorrendo em março e sentença de pronúncia em junho, faltando apenas marcar a data do júri popular.

Com o indeferimento da revogação da prisão preventiva, Bernal deverá voltar ao Presídio Militar assim que receber alta hospitalar.

Homicídio

O crime ocorreu no dia 24 de março. Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

No dia 24, Bernal flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade com a ajuda de um chaveiro.

Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Imagens de câmera de segurança da casa mostraram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel.

Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passou a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostraram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, o fiscal apenas observava e esperava a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel.

Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que o ex-prefeito chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.

No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial. Após isso, é possível ver o chaveiro escapando e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime. Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). Ele está preso desde o dia do crime. 

Nos dias 26 e 27 de maio, foi realizada audiência de instrução e julgamento, com oitiva de testemunhas de acusação e defesa e também de Bernal.

Nas alegações finais, a defesa pediu absolvição sumária, sustentando que o crime foi um mau-entendido provocado pela vítima e que Bernal agiu em legítima defesa. Já o Ministério Público Estadual (MPMS) pediu que ele fosse submetido a júri popular, alegando que  a materialidade do crime está comprovada pelo auto de prisão em flagrante, laudos periciais e depoimentos de testemunhas, assim como a autoria.

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri concluiu haver indícios suficientes de autoria e materialidade e determinou o julgamento por júri popular, ainda sem data marcada.

Bernal responderá pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

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