Cidades

EPIDEMIA

Dengue continua matando e Estado chega a 39 mortes pela doença

Dois novos óbitos foram confirmados e todos os municípios têm epidemia

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Secretaria Estadual de Saíde confirmou mais duas mortes por dengue em Mato Grosso do Sul, que soma agora 39 óbitos pela doença neste ano. Conforme boletim epidemiológico, os 79 municípios do Estado estão com epidemia de dengue.

As duas vítimas são dois homens, um de Ponta Porã, de 43 anos, que sofria também de diabetes e hipertensão, e um de Ivinhema, que morreu em abril e teve a morte registrada só agora em boletim, de 54 anos e sem nenhuma outra doença pré-existente.

Outras 37 mortes registradas no ano ocorreram em Campo Grande (7), Corumbá (4), Naviraí (3), Mundo Novo (2), Caarapó (2), Chapadão do Sul (2), Ponta Porã (2), Dourados (2) e Aquidauana, Bodoquena, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Pedro Gomes, Costa Rica, Cassilândia, Paranaíba, Nova Andradina, Ponta Porã, Itaporã, Dourados, Laguna Carapã, Itaquiraí e Sete Quedas, com um óbito em cada.  

Além dos óbitos, desde janeiro foram notificados 61.604 casos suspeitos de dengue no Estado. Em menos de seis meses, o número de mortes já é superior ao registrado durante todo o ano passado, quando foram 85.392 notificações de dengue, com 29 mortes. 

Taxa de incidência de dengue é de 2.216,8 no Estado, o que o mantém o Estado em segundo lugar no ranking de estados com maior incidência da doença no País.  É considerada alta incidência quando há mais de 300 casos para cada 100 mil habitantes. Todos os 79 municípios do Estado se enquadram nesta definição.

Dengue é uma doença febril aguda, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Segundo a SES, enquanto a maioria dos pacientes se recupera após evolução clínica leve e autolimitada, uma pequena parte progride para doença grave. Fatores de risco individuais determinam a gravidade da doença e incluem idade, comorbidades (doenças pré-existentes) e infecções secundárias.  

Principal forma de prevenção é evitar água parada em qualquer local em que ela possa acumular, que são locais de criadouro do mosquito, que também transmite zika e chikungunya.

AGILIDADE

Monitoramento da BR-163 agora é feito a até 1,4 mil km de distância

Desde dezembro, as 477 câmeras da rodovia de MS são acompanhadas na sede nacional da Motiva, em Jundiaí, cidade a 60 km da capital paulista

26/09/2026 13h00

Câmera instalada no km 490 da BR-163, próximo ao shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande, é monitorada de Jundiaí

Câmera instalada no km 490 da BR-163, próximo ao shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande, é monitorada de Jundiaí

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Quando ocorre um acidente na BR-163 próximo de Sonora, no extremo norte de Mato Grosso do Sul, a responsabilidade para acionar a equipe de socorro e a decisão de interditar ou não o tráfego da rodovia é tomada a cerca de 1,4 mil quilômetros de distância, no Centro de Controle de Operações (CCO) instalado na sede nacional da Motiva, em Judiaí (SP). 

Até dezembro do ano passado, as 477 câmeras instaladas ao longo dos 845 quilômetros da rodovia em Mato Grosso do Sul eram monitoradas na sede da Motiva Pantanal, às margens do anel viário de Campo Grande, na região das Moreninhas, uma distância que já chegava a 470 quilômetros de distância da divisa com o Paraná.

Mas, numa ação da concessionária para otimizar as atividades e tentar agilizar os atendimentos, o monitoramento das 3.356 câmeras espalhadas ao longo dos 5 mil quilômetros das 13 concessionarias da Motiva passou a ser feito em uma única sala, onde 30 pessoas trabalham 24 horas por dia todos os dias do ano.

Esta espécie de centro nervoso da maior operadora de rodovias do país é comandado por Elisandra de Paula Pinheiro, uma mulher de 1,5 metro pretendia ser bombeira, como seu pai, por falta de altura nem mesmo chegou a fazer concurso, como ela mesma faz questão destacar nesta sexta-feira (25) durante visita de profissionais de imprensa que durante a semana participaram a Jornada Valor de Jornalismo em Concessões e Infraestrutura, promovida pelo jornal Valor Econômico, na cidade de São Paulo. 

Primeira mulher a comandar o setor na concessionária, ela começou na atividade há mais de duas décadas como cobradora em uma praça de pedágio em Limeira (SP) e foi mudando de função até chegar ao comando da equipe que muitas vezes tem segundos para tomar decisões que podem salvar vidas. 

Elisandra deixa claro que é impossível ficar vigiando em tempo real as 877 câmeras da BR-163 e muito menos as 3,3 mil instaladas em todas as 13 rodovias vigiadas daquela sala. 

Porém, mais da metade destes equipamentos (1.471) são dotados com Detecção Automática de Incidentes. E, quando ocorre alguma anormalidade na rodovia, como um carro ou caminhão parado no acostamento, um animal solto na pista ou um acidente, estas “câmeras inteligentes” emitem um sinal e imediatamente algum dos operadores aproxima a imagem e aciona as equipes que estão em alguma das 17 bases de atendimento espalhadas ao longo da BR-163. 

Em média, estas câmeras estão instaladas a cada 1,7 quilômetro. Mas, parte delas têm capacidade de fazer zoom e ver com perfeição algo que está ocorrendo a cinco quilômetros de distância. E é exatamente isso que os operadores que estão em Jundiaí fazem quando algo atípico é detectado em Sonora, Campo Grande, Mundo Novo ou em qualquer região de Mato Grosso do Sul. 

Em todas as 17 bases de atendimento existe uma viatura de socorro. Cinco delas podem ser chamadas de UTI móvel e contam com enfermeiro e médico socorristas. As demais, tem somente com três socorristas, sendo um deles enfermeiro. 

E, em caso de acidente, normalmente a decisão sobre acionar uma ambulância com ou sem médico cabe aos operadores que estão nesta sala que é comandado pela mulher de 1,5 metro. E não é só isso, quanto mais ágil for esta pessoa que trabalha no CCO, mais rapidamente chega o socorro para socorrer as vítimas e maior a probabilidade de que vidas sejam salvas. 

AGILIDADE

Em média, a cada 50 quilômetros está posicionada uma ambulância de socorro e se a pessoa que está em Jundiaí entender a gravidade da situação, precisa acionar duas ou mais equipes de socorro. E para garantir a segurança destes socorristas, suspende temporariamente o tráfego na rodovia. Esta decisão é tomada, geralmente, antes mesmo da chegada da Polícia Rodoviária Federal, que normalmente demora bem mais tempo para chegar aos locais dos acidentes. 

A primeira equipe de socorro chega, em média, 15 minutos depois de ser acionada, segundo Fernando Antero do Carmo, chefe das 147 ambulâncias de resgate espalhadas pelo país e que atua como socorrista em rodovias faz 28 anos. 

Chegar rapidamente ao local e prestar os primeiros socorros com agilidade é fundamental para salvar vidas. E esta agilidade, além da atenção daqueles que monitoram as câmeras, depende de equipamentos modernos para fazer o resgate. As viaturas de socorro, já contabilizando os equipamentos, chegam a custar R$ 1,5 milhão, de acordo com Fernando. 

Somente um desencarcerador de última geração, que consegue erguer até 25 toneladas, custa R$ 200 mil, explica Fernando. E, de acordo com ele, até os médicos e enfermeiros recebem capacitação para operar este e qualquer outro tipo de equipamento para retirar vítimas das ferragens. 

Se o atendimento é feito com agilidade, pacientes em parada cardíaca, por exemplo, acabam sendo reanimados. Somente no ano passado, exemplifica Fernando, foram reanimadas 38 pessoas que estavam em parada cardíaca em todas as rodovias sob responsabilidade da Motiva.

Destas, 16 voltaram para casa após dias de internação. As demais não tiveram a mesma sorte, mas 80% delas acabaram doando órgãos e salvando a vida de outras pessoas, revela Fernando ao defender a importância do trabalho dos socorristas e dos operadores que em alguns casos estão a 1,4 mil quilômetros de distância e que nunca haviam ouvido falar de Sonora, Coxim, Rio Verde de Mato Grosso, São Gabriel do Oeste, Bandeirantes, Jaraguai, Nova Alvorada do Sul, Itaquiraí, Eldorado ou das outras cidades cortadas pela BR-163.

Mas, depois que começaram a Trabalhar no CCO na distante Jundiaí, com certeza adquiriram familiaridade com estes nomes, pois cabe a eles a tarefa de entrar em contato com os hospitais destas cidades para solicitar prioridade no atendimento de vítimas que muitas vezes vão chegar em estado grave alguns minutos depois de terem feito o aviso aos hospitais.

Câmera instalada no km 490 da BR-163, próximo ao shopping Bosque dos Ipês, em Campo Grande, é monitorada de JundiaíNo de Centro de Controle de Operações de Jundiaí (SP) trabalham 30 pessoas durante 24 horas por dia de olho nas câmeras

NÚMEROS

E estes procedimentos fazem parte da rotina  destes atendentes, composta principalmente por mulheres ainda jovens, quase todas com menos de 35 anos. Do começo do ano até 20 de agosto, por exemplo, foram 497 acidentes na rodovia, sendo 130 ocorrências graves, segundo dados da PRF. Isso equivale a uma média de 2,1 acidentes diários. 

Do total de casos, 130 foram considerados graves e 38 pessoas morreram no local do acidente. Mas, o número relativo aos óbitos disparou nas últimas semanas. Somente em três ocorrências que ocorreram entre os dias 16 de agosto e 18 de setembro, 13 pessoas perderam a vida. 

Três destas vítimas chegaram a ser levadas para atendimento médico pelos socorristas acionados a partir do CCO de Jundiaí, mas por conta da gravidade dos ferimentos, não sobreviveram. Dez, porém, já voltaram ou estão prestes a voltar para casa. 

"INFILTRADOS"

Delegado segue preso após audiência e defesa prepara pedido de revogação

Hoffman D'Ávila está preso desde quinta-feira, após se apresentar à Corregedoria; advogados afirmam que tiveram acesso aos autos e vão pedir a revogação da preventiva

26/09/2026 12h30

Delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa é um dos investigados na Operação Infiltrados, que apura o suposto desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul

Delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa é um dos investigados na Operação Infiltrados, que apura o suposto desvio de drogas apreendidas em Mato Grosso do Sul Correio do Estado/Paulo Ribas

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O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa vai permanecer preso após passar por audiência de custódia na manhã deste sábado (26), em Campo Grande. Investigado na Operação Infiltrados, que apura o suposto desvio de drogas apreendidas por agentes das forças de segurança de Mato Grosso do Sul, ele está detido desde quinta-feira (24).

A defesa informou ao Correio do Estado que teve acesso aos autos e agora prepara um pedido de revogação da prisão preventiva, que deverá ser apresentado à Justiça na próxima semana.

“Agora, o próximo passo é analisar os autos e preparar um pedido de revogação de prisão para a semana que vem”, afirmou o advogado Amilton Ferreira de Almeida, que atua na defesa ao lado do advogado José Roberto Rosa.

A audiência de custódia realizada neste sábado teve como finalidade verificar a regularidade da prisão e as condições em que ela ocorreu, incluindo eventual ocorrência de agressão ou maus-tratos. A prisão preventiva do delegado foi mantida.

Hoffman deverá ser encaminhado para uma unidade prisional do Estado, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Além de preparar o pedido para tentar reverter a prisão, a defesa afirmou que Hoffman vinha realizando acompanhamento médico antes de ser detido.

Segundo Amilton Ferreira de Almeida, o delegado passou por atendimento médico neste mês após apresentar uma alteração cardíaca e teria sido orientado a procurar um cardiologista com urgência.

“Ele fez uma consulta com o cardiologista agora no mês de setembro e deu uma alteração no coração. Foi ao plantão da Unimed e houve indicação para procurar um cardiologista com urgência. Ele começaria esse tratamento, mas acabou sendo preso”, declarou o advogado.

A defesa também afirma que Hoffman apresenta problemas relacionados à ansiedade e sustenta que a permanência na prisão pode agravar seu estado de saúde.

Até o momento, não há informação de que a condição médica relatada pela defesa tenha provocado mudança na decisão que manteve a prisão preventiva.

Além da prisão, Hoffman foi afastado compulsoriamente das funções na Polícia Civil. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (25) e ocorre no contexto da investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

O delegado havia se apresentado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil na tarde de quinta-feira, depois de não ser localizado em sua residência durante o cumprimento das ordens judiciais nas primeiras horas da Operação Infiltrados.

Na ocasião, a defesa afirmou que Hoffman não havia fugido e que não tinha conhecimento antecipado da operação. Horas depois, ele compareceu à Corregedoria e ficou detido.

Operação Infiltrados

A Operação Infiltrados investiga a suspeita de que agentes das forças de segurança utilizavam o acesso proporcionado pelos próprios cargos para desviar entorpecentes apreendidos e fazer com que as drogas retornassem ao mercado ilegal.

Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Justiça expediu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão, com diligências em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Entre os investigados estão policiais civis, policiais militares e um policial penal.

Conforme já noticiado pelo Correio do Estado, a investigação aponta que a cocaína seria o principal entorpecente desviado pelo grupo.

Uma das suspeitas é de que a quantidade de droga encontrada em determinadas ocorrências fosse superior à registrada oficialmente. Dessa forma, parte do entorpecente ficaria fora dos documentos de apreensão e poderia ser desviada.

Outra linha investigada envolve a retirada de drogas que já estavam formalmente apreendidas e armazenadas em depósitos de delegacias.

De acordo com o MPMS, os entorpecentes desviados seriam posteriormente entregues a traficantes ligados ao grupo e recolocados em circulação.

A investigação que resultou na Operação Infiltrados teve início em outubro de 2025, a partir de elementos encontrados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

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