O saudosismo bateu à porta da galera do rock e do blues de Campo Grande. Mesmo depois de anos tocando outros ritmos e sediando festas que fugiam totalmente do berço do bar, o Fly anunciou que neste final de semana abrirá pela última vez.
A dona que chegou até a ser presa este ano por vender bebida a adolescentes fez o convite no Facebook do bar. “Venham enterrar seus ossos e se despedir do amado Fly”. Ao Correio do Estado, Fátima Menas Kalil, disse que tudo fecha um ciclo, depois de 14 anos à frente do Fly.
“Quando eu comprei o Fly era uma paixão que eu tinha, o rock”, conta. Fátima está no ramo há 26 anos, sendo proprietária de outros bares que também fizeram história na cidade, como o Stones.
“Era para ser só rock, mas o pessoal foi deixando de curtir e também foram abrindo muitos espaços para pouco público”, justifica sobre a mudança de estilo que ela afirma ter feito nos dois últimos anos.
NAS REDES SOCIAIS
O que não faltou na web foram depoimentos saudosistas da época em que o rock imperava no BarFly.
Hoje vocalista da banda Naip, Heitor Luiz, de 32 anos, relembrou a primeira ida ao bar, com 14 anos.
“Meu irmão fazia aula de bateria com um músico da cidade e ele acabou me levando junto, foi o primeiro bar de rock que eu entrei na vida e eu fiquei apaixonado por aquilo. Foi um marco na minha vida, a partir daquilo eu fui meio que direcionando para a música”, conta.
Nos tempos áureos, o Fly recebeu músicos de renome nacional e também de fora do País, além de ser palco para muitas bandas. “Para os garotos que estavam começando, o grande objetivo era tocar no Fly, a principal casa da cidade”, completa Heitor.
Para frequentadores, a ideia do bar fechar as portas é uma péssimo sinal para o rock. “Foi um marco. Todo mundo que gostava de rock foi pelo menos uma vez na vida no Fly”, conta a professora Paula Belchior, de 43 anos, que frequentava desde que o bar ficava na Rua Bahia. “Já fazia uns cinco anos, acredito eu, que não ia, mas independente disso, é triste”, acrescenta.
O bar em que ninguém precisava combinar de ir era o ponto de encontro de amigos. Quem chegasse sozinho, tinha a certeza de que iria encontrar conhecidos. Guitarrista do Wisky de Segunda, Jefferson Pasa, de 34 anos, conta que o palco do Fly foi um dos lugares que a banda mais tocou. “Ele já tinha perdido a essência, as características, mas foi a primeira casa noturna que deu oportunidade para as bandas”, recorda. “Mas o rock mesmo já havia morrido, a casa tomou outro rumo e é um ciclo que se fecha”, resume.
UMA VIDA NO BAR
Tem até quem tenha se casado no BarFly, como o baixista do Bando do Velho Jack, Marcos Yallouz. “Era o chá de fraldas de sete meses da minha filha, foi numa terça-feira, estavam poucos músicos e aí umas amigas da minha esposa levaram um terno e uma grinalda, botaram na gente e fizeram um casamento surpresa”, lembra. O ano foi 2003, mas antes disso o Fly já era a casa de Marcos. “Foram vários shows inesquecíveis, tive ótimos momentos com o bando lá”, diz Marcos.
NOVO PÚBLICO
Ainda em março o bar deve reabrir com outro nome e proposta e pode tocar até sertanejo e pagode. Ela também responsabiliza a imprensa por ter “queimado” o bar pelo fato de estar tocando outros ritmos. “Porque de repente eu coloquei outro público”, sustenta.




