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TECNOLOGIA

Desentendimento impede instalação de wi-fi em seis estádios da Copa

Desentendimento impede instalação de wi-fi em seis estádios da Copa

AGÊNCIA BRASIL

03/06/2014 - 15h30
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Dos 12 estádios que vão sediar jogos da Copa do Mundo, seis não terão reforço do sinal de internet com redes sem fio (wi-fi), por falta de acordo entre as operadoras de telefonia e as administrações dos estádios. Na Arena Corinthians (São Paulo), Arena Pernambuco (Recife), Arena das Dunas (Natal), no Estádio Castelão (Fortaleza), Mineirão (Belo Horizonte) e na Arena da Baixada (Curitiba), os torcedores contarão apenas com o reforço nas antenas de telefonia móvel para transmissão de voz e dados (3G e 4G).

O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) alega que não houve autorização para instalar as estruturas. O diretor-executivo da entidade, Eduardo Levy, disse que os estádios optaram por ter rede própria de wi-fi para, provavelmente, usá-la em rede comercial.

A administração da Arena Castelão, em Fortaleza, disse que nunca recebeu proposta formal de operadora para a instalação de wi-fi no estádio. “As empresas de telefonia instalaram as antenas para uso das redes 3G e 4G que funcionam a contento. Nunca fizeram uma proposta para se chegar a um acordo real de instalação de rede wi-fi”, informou a assessoria de imprensa do Castelão. A administração do estádio oferece acesso gratuito a rede wi-fi para profissionais de imprensa que atuam na cobertura dos jogos, mediante distribuição prévia de logins e senhas.

A concessionária que administra o Mineirão esclareceu que cedeu, há mais de um ano, uma área exclusiva com mais de 200 metros quadrados (m²) para instalação dos equipamentos e disponibilizou a infraestrutura do estádio para passagem de cabos, instalação de antenas e alimentação elétrica. “Este acordo comercial foi validado pela concessionária com valor inferior ao que era pago anteriormente pelas operadoras à antiga administradora do estádio”, informou. A concessionária também reiterou que estará aberta à negociação para a instalação das opções de rede wi-fi após a solução de pendências nos contratos com as empresas de telefonia.

A Arena Pernambuco informou que, na realização dos jogos do Náutico e em outros eventos, oferece rede wi-fi para diversos serviços operacionais, área de imprensa e de público. Mas o serviço será desligado durante a Copa do Mundo, por solicitação da Fifa. Já a Secretaria Especial da Copa de Pernambuco (Secopa-PE) disse que conta com rede de internet sem fio em todas as áreas exigidas pela Fifa, mas a rede não abrange a área de espectadores. “A negociação entre a empresa Claro e o administrador do estádio (Consórcio Arena Pernambuco) não se confirmou para essa área, já que não se trata de uma exigência da Fifa para o Mundial”, diz a Secopa-PE.

A Agência Brasil também procurou as administrações da Arena Corinthians (São Paulo), da Arena da Baixada (Curitiba) e da Arena das Dunas (Natal), mas não obteve resposta dos estádios.

Apesar de ainda não ter conseguido instalar a rede wi-fi em seis estádios, a expectativa das operadoras de telefonia é positiva. “A rede wi-fi é um complemento. É um plus em um projeto eficiente que foi feito para celular”, disse Levy destacando que o projeto é superior ao feito para as Olimpíadas de Londres.

Após participar de audiência pública no Senado, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ter sido informado de que a administração Arena Corinthians manifestou interesse em instalar wi-fi, mas cobrar pelo serviço.

Segundo Paulo Bernardo, o governo não vai intervir na negociação entre as operadoras de telefonia e os administradores dos estádios para a instalação do wi-fi, pois essa é uma questão comercial e privada. “É uma negociação privada, e o governo não vai fazer lobby nem para o dono do estádio nem para as teles”, disse o ministro.

Apesar disso, o ministro tem feito elogios públicos à solução encontrada pelo governo do Distrito Federal – que é responsável pelo Estádio Nacional Mané Garrincha – para a questão. “Esse estádio fez acordo com cinco empresas. Cada uma [das operadoras] paga R$ 2,5 mil por mês. Isso significa R$ 12,5 mil de receita mensal.”

Em diversos momentos, o ministro tem ressaltado a importância de redes sem fio para o aumento da capacidade de transmissão de dados nos estádios. “Quando você vai no réveillon no Rio, no carnaval no Rio, na Bahia, em Recife, fica muito difícil usar rede de dados. Todo mundo quer usar, quer mandar foto para a mamãe no Facebook. Mas isso sobrecarrega a rede. É para melhorar isso que se precisava dos pontos de wi-fi”, diz o ministro.

Nos outros estádios - Brasília (Mané Garrincha), Rio de Janeiro (Maracanã), Salvador (Arena Fonte Nova), Cuiabá (Arena Pantanal), Manaus (Arena da Amazônia) e Porto Alegre (Beira-Rio) - a rede wi-fi estará disponível.

Com a rede wi-fi, o usuário pode acessar a internet gratuitamente, do interior dos estádios. O acesso será livre e sem senhas. Basta ativar o wi-fi do smartphone. A ideia é reforçar o sinal nos estádios durante os jogos, quando muitos torcedores querem acessar as redes de dados e de celulares.

Meio Ambiente

Estudo sugere melhorias para alertas de desastres no Brasil

Menos de 2% das mensagens tinham comunicação eficaz entre 2018 e 2023

10/10/2026 20h00

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Apenas 1,83% dos alertas de desastres disparados por SMS no país entre 2018 e 2023 continham todos os elementos considerados essenciais para uma comunicação eficaz, aponta o estudo Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil.

Realizado pelos pesquisadores Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o estudo analisou 73.701 mensagens enviadas por órgãos de proteção e defesa civil do país, sobre o aspecto de eficiência das informações distribuídas.

O resultado apontou a ausência de vários elementos necessários à uma comunicação eficiente nas mensagens.

“Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco, entender o que está acontecendo, saber onde o evento pode ocorrer, o que deve fazer e por quanto tempo precisa permanecer em alerta”, explica Luciene.

Foram analisadas as mensagens de SMS de até 160 caracteres cadastradas no sistema da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) entre 2018 e 2023.  Os pesquisadores classificaram o total de mensagens por fonte, perigo, localização, orientações e tempo e analisaram esses elementos conforme os padrões do Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).

Um exemplo do que é esperado pelo padrão é a explicação dos danos potenciais do perigo, que apareceram em apenas 7,7% das mensagens analisadas. A localidade precisa, também só foi identificada em 5,9% das mensagens e os horários do termino do perigo só constava em 9% dos textos.

A própria identificação da categoria da mensagem, se era um aviso, uma comunicação, um alerta ou uma advertência não aparecia em 76,2% das mensagens distribuídas. A palavra alerta estava presente em apenas 19% das mensagens, enquanto a palavra aviso apareceu em 2,2% e atenção em 1,8% dos textos disparados.

Na avaliação dos pesquisadores, a ausência desses elementos revela a ineficiência na comunicação do desastre.

“Quanto mais clara e específica for a mensagem, maiores são as condições para que ela seja compreendida e utilizada na tomada de decisão”, acrescenta a pesquisadora da PUCPR.

Limitações

O limite padrão de 160 caracteres, incluindo espaços e pontuações, determinado pela ferramenta de envio de SMS também foi apontado pelos pesquisadores como um dos desafios para a inclusão de informações mais completas e específicas nos alertas.

A diversificação com o uso complementar de diferentes canais de comunicação como Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais de comunicação, conforme vem sendo adotado no Brasil mais recentemente resulta em uma estratégia capaz de aumentar a eficiência na comunicação, destaca o estudo.

Para o pesquisador Murilo Fonseca, não existe necessariamente um único canal capaz de atender a todas as situações.

“Um sistema multicanal precisa considerar as características da população, incluindo diferentes níveis de alfabetização e acesso à informação, a presença de pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos que podem enfrentar barreiras de comunicação; as características do território; os meios de comunicação disponíveis e acessíveis; e a dinâmica do fenômeno”, afirma.

Dados

De forma geral, a maior parte das mensagens analisadas, 73,6%, tinham o objetivo de alertar sobre chuvas intensas. O segundo tipo de comunicação mais frequente foi a de baixa umidade do ar, representando 8,5% das mensagens, e, em seguida, aparece a mensagem de alerta para granizo, que representou 4,2% das mensagens analisadas.

As estações da primavera e do verão, que ocorrem entre os meses de setembro e março no Hemisfério Sul, foram os períodos do ano que concentraram 75% dos disparos de mensagens a cada ano.  Essas mensagens foram distribuídas principalmente nos meses de janeiro, 15,9%, e dezembro, 13,4%.

Em termos de regionalidade, o sudeste do Brasil apresentou o maior número de disparos de mensagens à população, com 75,2% dos textos enviados. A Região Sul foi responsável por 18,6%, o Centro-Oeste 3,7%, Nordeste, 1,5% e Norte, 0,98% das mensagens.

Saúde

Malária: Anvisa autoriza teste em humanos de vacina 100% brasileira

Imunizante será testado em 48 voluntários sem infecção prévia

10/10/2026 19h00

Alex Pazuello/Secom

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de testes em humanos da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no país. O imunizante é feito com tecnologia 100% nacional.

Em nota, o Ministério da Saúde detalhou que a dose, chamada Vivaxin, é fruto de pesquisas conduzidas pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A tecnologia tem incentivo previsto de R$ 12 milhões da pasta para ensaios clínicos de fases I, II e III.

De acordo com o ministério, o estudo clínico de fase I vai avaliar a segurança da vacina, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular uma resposta imunológica em um total de 48 participantes sem infecção prévia, com idades entre 18 e 59 anos. O acompanhamento clínico será feito por 360 dias.

“O avanço na pesquisa da tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de prevenção contra a doença que, em 2025, registrou 118.037 casos no território nacional”, avaliou a pasta no comunicado.

As duas vacinas contra malária atualmente recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para outra espécie de parasita causador da doença, o Plasmodium falciparum, predominante na África, não contra o Plasmodium vivax, que predomina nas Américas e na Ásia.

A doença

A malária é uma doença infecciosa causada por um parasita do gênero Plasmodium, transmitido para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego), mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer.

“Não é uma doença contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não é capaz de transmitir malária diretamente a outra pessoa”, reforçou o ministério.

Também conhecida como impaludismo, paludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, a malária recebe ainda nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre.

“Toda pessoa pode contrair a malária. Indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou mesmo nenhum sintoma. Porém, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada”, destacou a pasta.

O ministério alerta ainda que, caso não seja tratado adequadamente, o paciente com malária pode ser fonte de infecção por meses ou mesmo anos, de acordo com a espécie parasitária em questão.

No Brasil, a maioria dos casos da doença se concentram na região amazônica, composta pelos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

“Na região extra-amazônica, composta pelas demais unidades federativas, apesar das poucas notificações, a doença não pode ser negligenciada, pois a letalidade nesta região é maior que na região amazônica”, concluiu a pasta.

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