Ao contrário do que ocorre normalmente nas audiências de júri popular, as testemunhas não precisam estar no fórum no começo do júri de Jamil Name Filho e Vladenilson Daniel Olmedo e Marcelo Rios. As 13 testemunhas também não precisam ficar isoladas durante o julgamento, como ocorre normalmente.
Os réus, que foram levados à sala de julgamento por volta das 08:30 desta segunda-feira (17), ficarão presentes em tempo integral na sala. Somente se apresentarem algum problema de saúde é que serão retirados. Inicialmente participariam por vídeo, mas eles mesmos oparam pela presença física.
O primeiro a entrar na sala foi Jamil Name Filho, seguido por Marcelo Rios e Vladenilson. Pelo menos 14 policiais federais penais estão atuando na escolta e segurança dos réus.
O juiz Aluízio Pereira de Souza escalonou o comparecimento para evitar “o sério risco de ficarem o dia todo neste fórum e não serem ouvidas, postergando os seus depoimentos para o próximo dia e assim sucessivamente até que sejam inquiridas, aliás teria que, dentro deste prisma de pensamento, reservar hotel também a elas”, escreveu em seu despacho.
Assim, na manhã desta segunda-feira (17) serão ouvidas três testemunhas de acusação arroladas pelos quatro promotores do Ministério Público. No período da tarde outras três, incluindo o ex-policial Paulo Roberto Teixeira Xavier, pai do jovem morto a tiros de fuzil no dia 9 de abril de 2019.
O acadêmico de Direito foi morto por engando, já que o alvo seria o pai. E foi justamente por causa desta morte que a chamada milícia acabou sendo descoberta e presa. Paulo Xavier havia feito uma série de serviços para a família Name e por isso foi fundamente para ajudar a polícia a obter provas contra os supostos assassinos, que foram presos em setembro de 2019.
Conforme a programação inicial, na manhã de terça-feira, dia 18, será a vez das oitivas das três testemunhas de defesa de Jamil Name Filho, apontado como o chefe da suposta milícia, já que o pai dele acabou morrendo antes do julgamento. Ele morreu vítima de covid em junho de 2021, em Mossoró. Para o período da tarde está previsa a oitiva das quatro testemunhas dos outros dois réus.
Mas, apesar de terem horário para comparecer, o juiz deixa claro que todas as testemunhas terão de ficar de sobreaviso para comparecerem com antecedência, já que existe a possibilidade de as oitivas serem menos demoradas que o esperado.
O terceiro dia, segundo o juiz, será dedicado aos interrogatórios dos réus, seguindo-se os debates entre acusação e defesa. E é nessa etapa que ocorrem as principais investidas para tentar convencer os jurados, que já estarão fora de casa isoladas há dias.
Previsto para acontecer ao longo de quatro dias, o juiz reservou hotel para cinco dias para abrigar os sete jurados no período noturno e assim evitar que tenham contato com o mundo externo.
A reserva de cinco dias, conforme o despacho do juiz Aluízio Pereira dos Santos, da segunda Vara do Tribunal do Júri, é necessário porque existe a possibilidade de o julgamento se estender além dos quatro dias previstos.
Entre si os jurados podem até ter contato, como no horário das refeições ou à noite, no hotel. Porém, eles são proibidos de terem contado com outras pessoas para evitar que sejam influenciados por alguma das partes.
Além de reserva no hotel, o magistrado também determinou que a Polícia Militar faça a segurança dos jurados tanto nos deslocamentos quanto no hotel, cujo endereço não foi revelado. Os sete jurados serão escolhidos no começo do julgamento no meio de um grupo de 25 voluntários que devem comparecer ao fórum no primeiro dia do júri.

