Cidades

Cidades

Detran MS: Desafios e soluções para um atendimento mais eficiente

O órgão oferece 95% do atendimento totalmente online, proporcionando praticidade à população sul-mato-grossense; veja quais

Continue lendo...

Com 1.408.896 motoristas no Estado, o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) aprimorou o atendimento virtual e estima que 95% dos serviços podem ser feitos online, pelo portal do órgão.

Assim como no aplicativo Detran MS, disponível para sistemas Android e iOS, há também totens de autoatendimento nas agências e o serviço via WhatsApp, com a atendente virtual Glória, por meio do número (67) 3368-0500.

Os atendimentos mais complexos são realizados por servidores qualificados, para melhor atender à população.

Em maio deste ano, o portal de serviços do Meu Detran passou por mudanças, inspirado em modelos internacionais.

“Esta reformulação foi parte dos resultados do convênio de diagnóstico de maturidade digital que o Detran-MS firmou com o Estônia Hub, uma organização brasileira especializada em promover a transformação digital no setor público e privado, inspirando-se no modelo de governo digital da Estônia, país reconhecido mundialmente por ter 99% de seus serviços públicos disponíveis online”, informou o órgão.

Com a oferta do serviço, o usuário tem mais liberdade para se organizar e realizar suas solicitações. Pensando em diminuir a burocracia, ele consegue resolver virtualmente diversos serviços “na palma da mão”, com o uso do aplicativo ou pelo site.

Serviços online

  • CNH;
  • Renovação, consulta de pontos;
  • Emissão da CNH definitiva;
  • 2ª via da CNH;
  • Permissão Internacional para Dirigir (PID);
  • Certidão de prontuário da CNH;
  • Alteração de endereço do condutor;
  • Entrada e consulta de andamento de recurso de processo administrativo de suspensão ou cassação da CNH;
  • Consulta de Centro de Formação de Condutores (CFC);
  • Agendamento ou cancelamento de prova, consulta ao gabarito de exame teórico, entre outros.

Enquanto os proprietários de veículos podem resolver tudo sem precisar procurar uma agência, os usuários também conseguem consultar várias outras operações.

  • Consulta no Detran de veículos;
  • Consulta de débitos;
  • Guia de licenciamento e multas;
  • Download/Impressão do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV);
  • Consulta ao pátio de veículo apreendido;
  • Alteração de endereço do veículo;
  • Registro de intenção de venda;
  • Comunicação de venda;
  • Primeiro emplacamento digital;
  • Transferência digital;
  • Autorização de remarcação de chassi;
  • Consulta de vistoria veicular;
  • Desembaraço veicular, entre outros.

Segundo o Detran, os únicos serviços que o munícipe ainda precisa fazer presencialmente são a vistoria veicular e, no caso da CNH, a captura de imagem, exame médico, aulas e provas práticas.

Transferência veicular

Outra facilidade implementada desde fevereiro deste ano trata da transferência de veículos, que não precisa mais ser feita em agências ou por intermédio de cartórios em Mato Grosso do Sul.

Por meio da Carteira Digital de Trânsito (CDT), o processo pode ser iniciado pelo vendedor, que declara a venda digitalmente e informa os dados do comprador. A partir disso, o comprador recebe uma notificação e segue com o processo.

“A única etapa presencial ainda exigida é a vistoria do veículo, que o comprador precisa fazer antes de emitir o novo documento. Essa vistoria pode ser feita nas agências do Detran-MS ou nas vistoriadoras credenciadas, à escolha do cidadão.”

A vistoria acabou?

O órgão estadual explicou que a sanção da Lei nº 15.153 não extingue a vistoria obrigatória. Na verdade, ela alterou o texto do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) com o objetivo de reduzir a burocracia e acompanhar os avanços tecnológicos, tema que já vinha sendo debatido entre os Detrans e a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

No que diz respeito às regras de transferência de propriedade de veículos por meio eletrônico, que implicam na necessidade de vistoria para concretizar o processo, a legislação afirma que essa etapa “poderá ser realizada em formato eletrônico”.

Inclusive, no Estado, assim como em outras unidades da federação, a transferência eletrônica já é realidade, e a vistoria também pode ser feita por meio eletrônico, havendo necessidade de validação final por um profissional técnico.

A vistoria pode ser feita nas agências do Detran-MS ou nas vistoriadoras credenciadas, conforme escolha do cidadão.

Emplacamento Digital

Com o serviço "Primeiro Emplacamento Digital", o cidadão que comprou um carro zero quilômetro pode solicitar, pelo portal Meu Detran, a autorização de estampagem, o documento necessário para confeccionar a placa.

No caso das placas do padrão Mercosul, que não exigem lacre de segurança, o próprio proprietário pode instalá-las em seu veículo.

Divulgação Detran-MS

Monitoramento Estadual

Pensando na segurança e investindo em tecnologia, o Detran-MS implementou o Centro Integrado de Segurança Viária (CISV), com centenas de câmeras instaladas em todo o Estado, que monitoram a circulação de veículos nas vias.

Com isso, é possível identificar registros de carros roubados ou com restrições judiciais. O órgão atua em parceria com as forças de segurança no monitoramento de veículos suspeitos.

O sistema conta com câmeras fixas, próprias e compartilhadas com outras instituições, e com os "óculos especiais" (CISV Glass), que usam tecnologia OCR para leitura digital de placas. Esses dispositivos se conectam à Central e enviam alertas em tempo real caso identifiquem veículos com restrições, permitindo ação rápida dos agentes de segurança.

Uso de IA

A modernização do sistema de gestão de dados e processos conta com o auxílio da inteligência artificial, que colabora para maior produtividade e agilidade nos trâmites internos.

A assistente virtual Glória também está sendo aprimorada. A previsão é que, no futuro, ela possa auxiliar os cidadãos no controle de débitos dos veículos e dos prazos de validade da CNH.

Divulgação Detran-MS / IA do Whatsapp

Autoescolas e despachantes

O Detran informou que os Centros de Formação de Condutores (CFCs) e os despachantes atualmente têm acesso à abertura de processos de primeira habilitação de forma online, por meio do sistema do Detran-MS, a mesma plataforma disponibilizada para os despachantes.

Diretora-geral de ensino, Claudia Moraes de Azevedo Felix

Apesar dos avanços, a diretora-geral de ensino, Claudia Moraes de Azevedo Felix, de 46 anos, da Auto Escola 2000, relatou ao Correio do Estado que houve melhorias apenas no processo da primeira habilitação. Outras transações ainda não são autorizadas.

“Só melhorou na primeira habilitação. Se uma pessoa está fazendo renovação e precisa alterar alguma informação, tem que ir direto a uma agência do Detran. Só na primeira habilitação conseguimos fazer tudo online e enviar os documentos sem precisar ir até o local”, explicou.

Claudia também apontou que o sistema é fechado para quem atua no setor, o que prejudica, por exemplo, processos como adição de categoria na CNH, já que não há acesso para isso, ou alterações diversas.

Ela destacou que melhorias poderiam ser feitas, principalmente no prontuário que trata da transferência de habilitação entre estados.

“Ao invés de abrirem o sistema para facilitar nosso acesso, decidiram fechar. Quando digito o CPF da pessoa, não tenho acesso a nada, porque retiraram várias permissões que a gente tinha.”

Nessas situações, Claudia lamentou que precisa orientar o cliente a procurar diretamente o Detran. Muitas vezes, o cliente insiste para que ela realize o procedimento, seja por falta de tempo ou por outras questões, mas o único caminho é encaminhá-lo ao canal correto.

À frente da Auto Escola 2000, que tem 25 anos de atuação, está a proprietária e instrutora Aparecida Moraes de Azevedo, de 77 anos, com 50 anos de experiência no ramo. Ela relatou que, com o passar do tempo, viu a clientela diminuir e a atividade na área se reduzir significativamente.

Já o despachante Claudemir Mendes, de 77 anos, que atua há 32 anos no setor, explicou que, antes das mudanças no sistema, conseguia atender diversas demandas. Com o avanço da tecnologia, viu-se diante de um novo cenário, em que o cidadão pode realizar os procedimentos por conta própria. Segundo ele, a procura caiu tanto que perdeu cerca de 80% da renda.

“Eu fazia transferência, licenciamento… tudo que envolvia o Detran. Mas hoje não conseguimos mais fazer. O órgão de trânsito praticamente tirou essa função; agora tudo é facilitado pela internet”, relatou Claudemir.

Atualmente, ele atende apenas “alguns perdidos por aí”, pessoas que têm pouco ou nenhum conhecimento sobre internet e ainda buscam atendimento presencial.

“São aqueles que aparecem perdidos, que não sabem nada de informática, nunca mexeram em computador. Esses ainda procuram a gente. Mas é raro, é raro quem não sabe mexer na internet”, concluiu.

Assine o Correio do Estado

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

Continue Lendo...

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

Assine o Correio do Estado

testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

Continue Lendo...

O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).