Cidades

PORTO ALEGRE - BRASÍLIA

Dilma reclama de restrição a suas viagens imposta pelo governo Temer

Dilma reclama de restrição a suas viagens imposta pelo governo Temer

FOLHAPRESS

03/06/2016 - 19h20
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A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) definiu na tarde desta sexta-feira (3) como "grave" o parecer da Casa Civil que limita suas viagens apenas ao trecho Brasília-Porto Alegre, onde mora sua família.

A afirmação foi feita durante o evento para o lançamento do livro "A Resistência ao Golpe de 2016", de autoria de diversos intelectuais, no auditório da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

"Hoje teve uma decisão da Casa Civil, ilegítima e interina, cujo objetivo é proibir que eu viaje. Vejam bem, vocês têm que ficar alegres. Meu direito de viagem parece que é só de Brasília para Porto Alegre. Mas não podem ficar alegres porque é um escândalo que eu não possa viajar pro Rio, pro Pará, pro Ceará. Isso é grave", disse Dilma.

O auditório, com capacidade para 570 pessoas, estava lotado. Parte do público ficou do lado de fora e assistiu ao evento através de um telão.

"Não sei se vocês sabem mas eu não posso, como qualquer outra pessoa, pegar um avião [normal]. Tem que ter toda a segurança atrás de mim, garantindo minha segurança. É a Constituição que manda", argumentou.

"Estamos diante de uma situação que tem que ser resolvida. Eu vou viajar. Vamos ver como vai ser minha viagem", disse a presidente afastada.

Segundo o jornal "Valor Econômico", a recomendação do governo Temer foi acolhida pelo Gabinete de Segurança Institucional, responsável por autorizar o uso das aeronaves.

ATO

O ato que a petista participou em Porto Alegre começou com uma apresentação do cantor Nei Lisboa. O artista cantou o refrão "Dilma já vai voltar/Dilma, fácil de ver/Dilma e Fora Temer/ Dilma fácil de amar".

Antes, Lisboa dedicou a música a Dilma: "Com muita honra, minha presidenta". Durante o breve show, a petista mandava beijos para militantes da plateia. Ao final, ela abraçou o cantor.

"Creio que ele [Nei Lisboa] nos emocionou com a música '1968' e me honrou citando meu nome. Nunca meu nome foi tão bonito", disse a presidente afastada no início de sua fala.

Dilma ainda falou sobre os cortes sociais do governo Temer e disse que os ministros do governo interino foram escolhidos e indicados por Eduardo Cunha (PMDB), afastado de seu mandato de deputado federal e da presidência da Câmara.

Ela chegou à capital gaúcha na noite de quinta-feira (2). Na manhã desta sexta, pedalou na orla do rio Guaíba, cartão-postal da cidade, como de costume.

Depois do lançamento do livro, Dilma participa de protesto contra o presidente interino, Michel Temer (PMDB), na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre. O local é ponto tradicional para atos de movimentos sociais, desde a ditadura militar.

O protesto é organizado pela Frente Brasil Popular.

Parecer

MP critica multa e diz que tarifa de R$ 7,79 pode beneficiar Consórcio Guaicurus

No parecer, procurador afirma que a discussão ultrapassa uma simples divergência contratual

26/05/2026 17h15

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul se posicionou favoravelmente ao pedido da Prefeitura de Campo Grande para suspender a decisão que obrigou o município a aplicar a tarifa técnica de R$ 7,79 no transporte público da Capital. Em parecer enviado ao Tribunal de Justiça, o procurador de Justiça Aroldo José de Lima afirmou que a medida pode gerar “enriquecimento sem causa” ao Consórcio Guaicurus e causar impactos financeiros relevantes ao poder público e à população. 

A manifestação foi apresentada dentro do agravo de instrumento protocolado pela Prefeitura contra decisão da 4ª Vara de Fazenda Pública, que determinou a implantação imediata da tarifa técnica sob pena de multa diária de R$ 80 mil. 

No parecer, o representante do Ministério Público afirma que a discussão ultrapassa uma simples divergência contratual e envolve diretamente a política pública de transporte coletivo. 

Segundo Aroldo José de Lima, o processo possui controvérsias técnicas relevantes e perícias divergentes sobre o equilíbrio econômico-financeiro do contrato do transporte da Capital. 

Enquanto o Consórcio Guaicurus defende a aplicação da tarifa técnica de R$ 7,79, uma das perícias judiciais mencionadas pela Prefeitura aponta valor próximo de R$ 6,09. 

O procurador também destaca que o cenário econômico do sistema mudou após a concessão de benefícios públicos à concessionária, incluindo subvenções financeiras, isenção milionária de ISSQN e mecanismos de compensação econômica adotados pelo município. 

Na avaliação do Ministério Público, desconsiderar esses fatores e impor imediatamente os R$ 7,79 pode resultar em vantagem excessiva ao consórcio.

O parecer afirma que a aplicação integral da tarifa, sem análise aprofundada das compensações já concedidas ao sistema, pode violar a vedação ao enriquecimento sem causa. 

Outro ponto criticado pelo procurador é a multa diária de R$ 80 mil imposta à Prefeitura e à Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg).

O parecer cita precedentes judiciais que autorizam a revisão de multas consideradas desproporcionais, especialmente quando há risco de dano ao erário público. 

Ao analisar o recurso da Prefeitura, o juiz convocado Vitor Luis de Oliveira Guibo concedeu efeito suspensivo e travou temporariamente a aplicação da tarifa técnica de R$ 7,79.

Na decisão, o magistrado afirmou que a elevação “de aproximadamente R$ 6,57 para R$ 7,79” produziria impacto econômico imediato e significativo sobre os usuários do transporte coletivo. 

A divergência técnica sobre os números se tornou um dos principais pontos da disputa judicial. Ao longo do processo aparecem diferentes valores relacionados à tarifa do sistema:

  • R$ 6,09, apontado em perícia judicial;
  • R$ 6,17, mencionado em atos administrativos;
  • R$ 6,53, defendido pelo consórcio em reajustes contratuais;
  • R$ 6,57, citado pelo relator do agravo;
  • R$ 7,79, reivindicado pelo Guaicurus como tarifa técnica necessária para reequilibrar o contrato.  

No parecerer, Aroldo José de Lima alerta que a disputa financeira do sistema acabará recaindo sobre a população.

“É a população quem, em última análise, arcará com os efeitos econômicos desse jogo de valor e poder”, escreveu o procurador. 

O Consórcio Guaicurus, por sua vez, sustenta que a Prefeitura tenta reabrir uma discussão já apreciada anteriormente pelo Tribunal de Justiça e afirma que o Município vem adiando sucessivamente a recomposição financeira prevista no contrato de concessão. 

O mérito do agravo ainda será julgado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que decidirá se mantém ou derruba definitivamente a suspensão da tarifa técnica de R$ 7,79.

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Qualidade de vida

Índice de Desenvolvimento Humano de MS é o 11º do Brasil e fica abaixo do nacional

Novo levantamento da ONU mostra que o Brasil entrou na faixa de desenvolvimento humano "muito alto"; Mato Grosso do Sul segue abaixo desta faixa e tem uma das menores expectativas do país

26/05/2026 16h44

Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul

Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul Paulo Ribas

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da Organização das Nações Unidas (ONU) atualizou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil e dos Estados nesta terça-feira (26). A novidade é que o Brasil, pela primeira vez, tem um IDHM considerado muito alto pelos padrões das Nações Unidas. Mato Grosso do Sul, por sua vez, não conseguiu ultrapassar a barreira do 0,8, e ainda tem um índice considerado “alto”, como tinha antes. 

O Brasil, que tinha um IDHM de 0,744 há 12 anos, quando a ONU divulgou o índice pela última vez. A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo muito alto: acima de 0,800. Atualmente, o do Brasil é de 0,805. 

Em Mato Grosso do Sul, o IDHM era muito semelhante ao brasileiro em 2012: o Estado tinha um IDHM de 0,742. Agora, o Índice de Desenvolvimento Humano de Mato Grosso do Sul foi para 0,797: o 11º mais alto do Brasil. 

Os dez primeiros estados da lista têm um índice muito alto, assim como o Brasil, acima de 0,8. O Distrito Federal tem o melhor IDHM do Brasil (0,866). E é seguido por São Paulo (0,838), Santa Catarina (0,833), Paraná (0,822) e Rio de Janeiro (0,819). 

Na região Centro-Oeste, apenas Mato Grosso do Sul não teve um índice superior a 0,8: O Distrito Federal, com o maior índice do Brasil, lidera, seguido por Goiás (0,815), Mato Grosso (0,812) e Mato Grosso do Sul (0,797). 

Os cinco menores IDHMs do Brasil são: Maranhão (0,745), Alagoas (0,746), Acre (0,754), Pará (0,758) e Bahia (0,759).

Veja a lista completa

Muito alto

  • 1º Distrito Federal: 0,866
  • 2º São Paulo: 0,838
  • 3º Santa Catarina: 0,833 
  • 4º Paraná: 0,822
  • 5 º Rio de Janeiro: 0,819
  • 6 º Rio Grande do Sul: 0,818
  • 7 º Goiás: 0,815
  • 8º Mato Grosso: 0,812
  • 9º Minas Gerais: 0,809 
  • 10º Espírito Santo: 0,804

Alto

  • 11º Mato Grosso do Sul: 0,798
  • 12º Tocantins: 0,797
  • 13º Rondônia: 0,786 
  • 14º Roraima: 0,780
  • 15º Rio Grande do Norte: 0,778
  • 16º Ceará: 0,773
  • 17º Pernambuco: 0,767
  • 18º Amazonas: 0,767
  • 19º Piauí: 0,764
  • 20º Sergipe: 0,761
  • 21º Paraíba: 0,760
  • 22º Bahia: 0,759
  • 23º Amapá: 0,759
  • 24º Pará: 0,758
  • 25º Acre: 0,754
  • 26º Alagoas: 0,746
  • 27º Maranhão: 0,745

O IDHM varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. Dessa forma, a leitura se dá desta forma:

  • De 0 a 0,499: muito baixo
  • De 0,5 a 0,599: baixo
  • De 0,6 a 0,699: médio
  • De 0,7 a 0,799: alto
  • 0,8 a 1: muito alto

A formação do IDHM depende de três índices de desenvolvimento humano. Um deles avalia a longevidade, o outro a educação e, por último, a renda. 

Mato Grosso do Sul teve um bom desempenho quando se trata de renda, tendo o oitavo melhor índice do Brasil: 0,766. 

Entretanto, nos quesitos longevidade e educação, ficou aquém de outras unidades da federação. Em longevidade, por exemplo, teve o quarto pior desempenho entre as unidades da federação: 0,840. Em se tratando de educação, teve o 13º melhor desempenho: 0,786. 

No caso específico da longevidade, Mato Grosso do Sul tem a terceira menor expectativa de vida do Brasil: 75,39 anos. Só fica a frente do Amapá (74,3 anos) e Roraima (74,35 anos). 

A maior expectativa de vida do Brasil é no Distrito Federal: 79.75 anos, seguido por Santa Catarina, 78,25 anos; e Rio Grande do Norte, 77,83 anos. A expectativa brasileira (média nacional) é de 76,61 anos, superior à expectativa de vida de quem nasce especificamente no território sul-mato-grossense. 

Uma curiosidade é que Mato Grosso do Sul tem a menor expectativa de vida do Brasil no segmento da população branca: 76,55 anos. Neste segmento, a expectativa de vida nacional é de 79,8 anos. 

Entre a população negra, a expectativa de vida ao nascer do sul-mato-grossense é de 74,96 anos. A nacional é de 75,73 anos. 

Brasil 

O Brasil, que marcou um IDHM de 0,805, teve os seguintes depenhos nos segmentos: longevidade, 0,860; educação, 0,798; renda, 0,760. 

No Brasil, relação à renda da população, o Brasil teve uma trajetória de altos e baixos desde 2012 e a média anual de crescimento calculada ficou em 0,31%. Já a taxa de escolaridade foi o índice que mais evoluiu no período de 2012 a 2024, registrando um crescimento médio anual de 1,35%, apesar dos retrocessos causados pela pandemia. A longevidade, assim como as demais dimensões que compõem o IDHM, também foi impactada pela pandemia de covid-19, mas ainda assim cresceu a uma média de 0,31% ao ano.

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