Cidades

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Dino proíbe que Marcinho VP, chefão do Comando Vermelho, dê entrevista no presídio

Defesa pedia autorização para que Roberto Cabrini entrevistasse o traficante no Presídio Federal de Campo Grande

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, indeferiu recursos e proibiu que Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos chefões do Comando Vermelho, conceda entrevistas na Penitenciária Federal de Campo Grande, onde cumpre pena. A defesa pedia autorização para que ele concedesse entrevista ao jornalista Roberto Cabrini para o programa Domingo Espetacular, da Record.

O pedido da autorização já havia sido negado pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Campo Grande, que alegou, entre outros motivos, que poderia haver sensacionalismo, e as defesas, tanto de Marcinho quanto de Cabrini, recorreram ao STF, apresentando reclamação constitucional sob argumento de censura e de que deveria ser assegurada a garantia constitucional do exercício da liberdade de imprensa.

Ainda no pedido, é sustentado que a entrevista pretendida não tinha conotação sensacionalista e que configuraria "instrumento legítimo de difusão de informação qualificada, voltado ao cumprimento da função informativa, educativa e cidadã de imprensa".

Assim, foi requerida liminar pedindo que a decisão fosse reformada, autorizando Roberto Cabrini a entrevistar Marcinho VP no presídio, em Campo Grande.

A entrevista, segundo consta no processo, tinha objetivo de que Marcinho VP prestasse esclarecimentos sobre fatos já noticiados em âmbito nacional e relacionados à vida familiar, especialmente envolvendo seu filho, o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam.

Ao analisar o recurso, o ministro Flávio Dino citou parte da decisão proferida no âmbito da execução penal, que considerou que o pedido não merece provimento, pois cabe ao Estado assegurar a ordem e segurança públicas como meio de manter a paz e a estabilidade da vida em sociedade e que este dever é ainda mais evidente e relevante quando se trata de pessoas privadas de liberdade e sob tutela de estabelecimentos prisionais.

"Alguns dos direitos da pessoa privada de liberdade, por evidente, sofrem uma série de restrições inerentes ao cumprimento de sua pena. Esta restrição não se restringe à liberdade de ir e vir, mas também de se comunicar e manter relações sociais com o mundo externo", diz trecho da decisão.

Ainda na decisão inicial, o juiz afirma ainda que a Lei de Execuções Penais protege os custodiados contra qualquer forma de sensacionalismo e a entrevista pretendida em rede nacional poderia, eventualmente, violar essa norma, esclarecendo que não cabe ao juízo exercer qualquer forma de controle sobre a matéria a ser veiculada, pois isso configuraria censura prévia.

"No entanto, é cediço que tal uso poderá causar sensacionalismo e a excessiva exposição do interno, seja com aspecto positivo ou negativo perante a sociedade, o que fere os objetivos buscados pelo sistema penal e coloca em risco a ordem, a disciplina e a segurança das penitenciárias federais", cita.

Também é salientado que o Sistema Penitenciário Federal tem restrições mais rígidas do que no sistema de execução comum, por abrigar e isolar lideranças criminosas e presos de alta periculosidade, com acesso limitado até de familiares.

No caso específico, Marcinho VP, o juízo afirma que ele pode exercitar o direito de resposta através de seus inúmeros advogados e por meio de notas enviadas à imprensa, o que afastaria a alegação de cerceamento.

Desta forma, Flávio Dino considerou que a decisão inicial, que negou a autorização para a entrevista, é voltada ao resguardo da segurança pública e à manutenção da estabilidade do sistema penitenciário federal, "o que não se confunde com restrição à liberdade de imprensa em sentido constitucional".

"O indeferimento da entrevista não impede a realização de matérias jornalísticas sobre o interno, nem configura censura prévia, mas decorre de avaliação legítima da autoridade competente quanto às peculiaridades do regime de segurança máxima e aos riscos associados à comunicação direto de presos de alta periculosidade com o meio externo", disse o ministro.

Assim, Dino ressalta que a proibição não afronta Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), como reclamado pela defesa, e negou o seguimento da reclamação, prejudicando o pedido de liminar e mantendo a decisão que proibiu a entrevista.

Marcinho VP 

Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado com nome proeminente da criminalidade do Rio de Janeiro há quase três décadas, sendo um dos principais chefes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar.

Preso desde 1996 , ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

No entanto, o encarceramento não impediu que Marcinho VP continuasse no mundo no crime. Mesmo de dentro do presídio, ele ordenou uma série de crimes que foram cometidos por outros faccionados. Nos últimos 14 anos, ele cumpre pena em unidades federais. 

Marcinho VP é pai do rapper Oruam, que já fez manifestações públicas pedindo a liberdade do pai, sendo a mais polêmicas a apresentação no Lollapalooza 2024, onde vestiu uma camiseta que pedia a liberdade de Marcinho VP.

Auditoria

Intervenção revela R$ 48,5 mi em dívidas no transporte de Campo Grande

Relatório do Consórcio Guaicurus revela 20 mil autuações, frota sucateada e irregularidades antes de troca de comando

23/09/2026 06h15

Operação do Consórcio Guaicurus foi auditada por interventores

Operação do Consórcio Guaicurus foi auditada por interventores Gerson Oliveira

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A intervenção administrativa decretada no transporte coletivo urbano de Campo Grande revelou um diagnóstico financeiro preocupante no Consórcio Guaicurus. O levantamento preliminar realizado pela equipe responsável pela intervenção de 180 dias concessionária aponta R$ 48,5 milhões em débitos e obrigações acumuladas que comprometem a estabilidade das operações na Capital sul-mato-grossense.

O relatório é assinado pelo interventor-geral Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, e pelos outros interventores, Alexandre Souza Moreira (jurídico), Rodolfo Bahiense Fernandes (administrativo-financeiro) e Robson Tadeu Pereira (operacional).

No centro desse passivo financeiro estão os parcelamentos fiscais consolidados perante a Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que somam R$ 31,29 milhões. Esse montante exige um desembolso mensal constante de R$ 721.486,16 para amortização, gerando um comprometimento anual de cerca de R$ 8,66 milhões do fluxo de caixa operacional.

A lista de dívidas tributárias e regulatórias inclui ainda débitos com outros órgãos federais e municipais. O consórcio registra um saldo devedor de R$ 183,7 mil em parcelamentos de multas ambientais aplicadas pelo Ibama, além de R$ 4,86 milhões referentes a impostos e contribuições sobre a folha de pagamento, como INSS e Imposto de Renda.

Completando a conta de penalidades registradas pelos órgãos de fiscalização, a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg) aplicou uma multa de R$ 12,24 milhões contra o grupo concessionário. A sanção decorre do descumprimento contratual continuado na manutenção do seguro de responsabilidade civil obrigatório, exigência descumprida por quase dez anos pela administração afastada.

Além disso, o relatório aponta outras dívidas e contingências operacionais, como R$ 5,86 milhões em combustível vencido em junho de 2026, R$ 2,15 milhões com outros fornecedores em aberto, R$ 17,44 milhões em estimativa de processos cíveis e a condenação não transitada em julgado de R$ 30 milhões por dano moral coletivo.

Ônibus sucateado

Para além dos valores numéricos levantados, o documento produzido pela intervenção expõe uma série de falhas operacionais e de manutenção. Entre os problemas destacados está o envelhecimento crônico da frota de ônibus. 

“O levantamento realizado apurou idade média de aproximadamente 10,4 anos em 2026, mais que o dobro do parâmetro contratual de cinco anos, com 108 veículos alcançando dez anos ou mais a partir de 2024 e renovação descontínua ao longo do período”, indica o documento.

O relatório também destacou a falta de um plano de manutenção preventiva e interrupção das revisões periódicas no veículo. 

Esse cenário provocou elevado índice de quebras de veículos em plena circulação, gerando recorrentes atrasos e a supressão não autorizada de viagens.

Atrasos

O relatório também mostra que entre os anos de 2021 e 2025, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) aplicou 21.910 autuações contra a concessão, sendo 12.279 por descumprimento de horários, 3.444 por omissão de itinerários e 1.385 por tráfego de veículos com equipamentos obrigatórios defeituosos. 

Paralelamente, os interventores identificaram a circulação diária de linhas de ônibus não autorizadas na grade oficial da Agetran e sem estudos de demanda.

Desorganização

O relatório apurou também irregularidades na destinação de recursos e repasses a partes relacionadas. Foram identificados o uso de caixa da concessão para quitar indenizações antigas de empresas antecessoras e a manutenção em folha de pagamento, por 35 meses, de funcionários alocados em imóvel desocupado e alienado a empresas integrantes do grupo dos acionistas, gerando custo estimado em R$ 518.813,43.

Outro ponto grave diz respeito ao colapso do modelo de governança e controle interno. Constatou-se a hiperconcentração de atribuições no setor de compras e operação, o abandono da medição dos 11 indicadores contratuais de desempenho e a subutilização de um sodtware contratado, que operava com níveis irrisórios de uso enquanto as rotinas eram conduzidas por planilhas manuais e aplicativos de mensagens.

Para os interventores, os fatos verificados constituem o descumprimento prolongado e documentado de obrigações contratuais objetivas do contrato nos no que diz respeito à frota, oferta, seguros e reporte. 

“O saneamento definitivo das deficiências identificadas não se alcança apenas por medidas de gestão, recomendando se a reestruturação substancial do Contrato de Concessão nº 330/2012, com repactuação  dos seus termos técnicos, operacionais, jurídicos e econômico-financeiros”, sugerem os interventores. 

Venda

Em julho, menos de um mês após a intervenção municipal, a HP Mobilidade, concessionária do transporte coletivo de Goiânia (GO), comprou o Consórcio Guaicurus do grupo liderado por Paulo Constantino, dono da Andorinha Transportes, que controlava o consórcio desde sua formação, em 2012. A negociação, mostrou o Correio do Estado, representa um movimento estratégico no setor de transportes e indica interesses que vão além do cumprimento do contrato atual.

Por meio do proprietário, Edmundo Pinheiro, o grupo HP não esconde a intenção de se tornar o maior conglomerado de transporte urbano do Brasil até 2035. A tendência é que Campo Grande se torne um laboratório para a aplicação do modelo de negócios que já apresenta resultados em Goiânia. Na Capital sul-mato-grossense, o grupo abriu a Maas Transportes, empresa que comprou o Consórcio Guaicurus e possui capital social de R$ 10 mil.

Em Goiânia, o grupo HP investiu pesadamente na modernização da frota e na melhoria da experiência do usuário. A cidade é considerada uma das poucas capitais brasileiras que não enfrentam grave crise de financiamento do transporte coletivo. A transformação, foi resultado não apenas da renovação da frota, mas também de uma engenharia jurídica e financeira baseada na relicitação ou na prorrogação antecipada e patrocinada.

É esse dispositivo que o grupo HP pretende implantar em Campo Grande. Na Capital, a prorrogação antecipada e patrocinada desponta como o caminho mais indicado. A transferência de propriedade do Consórcio Guaicurus, porém, ainda depende da autorização da prefeita Adriane Lopes (PP).
 

Educação

Olimpíada de Astronomia no Vietnã tem cinco estudantes brasileiros

Alunos são do Ceará e do Pará

22/09/2026 22h00

Tiberius Drumond/Divulgação

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No sofá, a cearense Biatriz Silva assistia admirada na TV ao lançamento de foguetes. Os olhos brilhavam mais ainda ao observar, ao lado dela, os olhos do pai, Carlos, vendedor de móveis, também fascinado por filmes como Interestelar.  Foi com ele e com a mãe, Leidiana, dona de casa, que a menina aprendeu a olhar as estrelas. Ensinaram que estudar ampliaria o seu espaço no mundo. 

Nesta quarta-feira (23), aos 17 anos, Biatriz fará uma viagem sem a família em busca das estrelas. Vai para Hanói, no Vietnã, para ser a única menina dos cinco estudantes brasileiros a participar da 19ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA), uma das mais prestigiadas competições estudantis do mundo, que começa na próxima sexta-feira (25). 

Moradora do bairro do Pici, da periferia de Fortaleza, Biatriz, que hoje está no terceiro ano do ensino médio, foi medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia em 2023. Ela quer repetir o feito agora no Vietnã. Serão quatro provas que envolvem conhecimentos teóricos, a análise de dados, telescópio e planetário. Ela volta ao Brasil no dia 6.

“Eu tenho um caderno exclusivo onde estão anotadas mais de 380 estrelas e eu decoro também as posições”.

A conquista nacional, quando ainda era estudante de escola pública, rendeu a ela uma bolsa de estudos para uma escola que tem preparação especial para ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ela quer cursar engenharia. “Quem sabe aeroespacial”. 

A estudante diz que tem uma rotina de estudos normal e disciplinada. Como toda adolescente de sua idade, gosta de se divertir com os amigos e o estudo não faz o papel de inimigo.

“Gosto também de desenhar”, acrescenta a estudante apaixonada pelo universo .

De tantas estrelas no céu, a preferida é de Alchiba, da constelação do Corvo, que fica a cerca de 49 anos-luz da Terra.

“É porque o Corvo fica numa localização muito boa. É a estrela alfa e era a mais brilhante”. 

A estrela brilhante da família Silva disputou essa oportunidade com cerca de 300 estudantes do país. “Foi árduo, mas é muito gratificante”.

Ansiedade

Além de Biatriz, outros quatro estudantes brasileiros representarão o Brasil e também estão ansiosos pela troca de experiências com jovens de diferentes idiomas e olhares para a astronomia. 

Três colegas de Biatriz são de Fortaleza: Jailson Henrique Godeiro Neto, de 17, Arthur Alencar Spuri, de 16, e Isaac Victor de Araújo Santos, de 16. O quinto é Eyke Cardoso de Souza Torres, de 17, de Ourilândia do Norte (PA). 

“É uma experiência que eu vou levar para minha vida toda. É muito gratificante ter essa oportunidade, principalmente pelos desafios que envolveram chegar até aqui”, disse Eyke Torres. 

A olimpíada internacional tem 67 equipes inscritas de todas as regiões do mundo, o que vai garantir contato dos brasileiros com diferentes olhares para a área. 

No Brasil, os estudantes passaram por processo seletivo promovido pela Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Para disputar uma vaga nas olimpíadas internacionais e latino-americanas, os estudantes do ensino médio precisam obter nota igual ou superior a 7 na prova da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) do ano anterior. 

Já os alunos do 9º ano do ensino fundamental devem alcançar nota igual ou superior a 9. Os classificados participam de três provas on-line em níveis avançados. Depois, 45 estudantes são selecionados para treinamentos intensivos e avaliações presenciais.  Ao final do processo, são definidos os cinco jovens que representam o Brasil no evento.

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