Cidades

PRESO EM CAMPO GRANDE

Líder do Comando Vermelho, Marcinho VP terá pena reduzida por ler livros na cadeia

Entre os livros lidos pelo pai do rapper Oruam estão biografia do jogador Adriano Imperador e clássico francês; ele também escreveu um livro durante o cárcere

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O traficante Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, condenado a mais de 40 anos por crimes relacionados ao tráfico de drogas e homicídio e líder do Comando Vermelho, poderá ter a pena reduzida por ter lido, até então, três livros dentro da cadeia. Preso desde 1996, ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

Além das leituras, o chefão da facção criminosa do Rio de Janeiro também escreveu um livro durante o período de cárcere. A obra, intitulada "A cor da Lei", foi lançada em junho deste ano. Com quase 500 páginas, o livro aborda os conflitos entre justiça, poder e desigualdade social por meio de sua experiência na prisão.

De acordo com processo que tramita na 5ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal de Campo Grande, a defesa entrou com pedido de comutação de penas, com base em decretos presidenciais com regras para indultos.

No requerimento, a defesa também homologou atestado efetivo de estudo, referente a participação de Marcinho VP no projeto remição para leitura, correspondendo a 12 dias remidos de sua pena.

Os livro lidos pelo preso são: "Adriano: Meu medo maior", biografia do ex-jogador de futebol conhecido como Adriano Imperador; "Mussum Forevis, samba, mé e trapalhões", biografia do humorista Antonio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido como Mussum; e "O vermelho e o Negro", uma das mais importantes obras da literatura francesa.

Conforme reportagem do Correio do Estado, além da remição da pena por leitura, Marcinho VP também briga na Justiça para progredir para o regime semiaberto e ser colocado em liberdade definitiva em dezembro de 2026, pleiteando a concessão da detração de pouco mais de oito anos de prisão em que esteve preso preventivamente, na década passada.

Os pedidos vêm sendo negados pela Justiça Federal, em Campo Grande, em 2º Grau, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e no Superior Tribunal de Justiça. 

Remição da pena por leitura

Com relação aos 12 dias diminuídos da pena, a defesa homologou o atestado onde Marcinho VP faz parte de projeto destinado a esse fim.

A leitura pode ser considerada forma válida de remição de pena, desde que observados critérios formais de avaliação. Resolução do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dispõe que tem direito à remição de pena para leitura as pessoas privadas de liberdade que comprovarem a leitura de qualquer obra literária, independentemente de participação em projetos ou de lista prévia de títulos autorizados.

A atividade de leitura tem caráter voluntário e deve ser realizada com as obras literárias constantes no acervo bibliográfico da biblioteca da unidade penitenciária.

Ainda segundo a resolução, para fins de remição de pena pela leitura, o preso deve registrar o empréstimo de obra literária do acervo da biblioteca da unidade e realizar a leitura no prazo de até 30 dias.

Após esse período, o custodiado tem dez dias para apresentar um relatório de leitura a respeito da obra, conforme roteiro fornecido pelo juízo competente ou comissão de validação.

Cada obra lida corresponde a remição de quatro dias de pena, por isto os 12 dias remidos do chefão do Comando Vermelho, considerando que ele leu três livos.

Há limitação de 12 obras lidas e avaliadas no prazo de 12 meses, assegurando a possibilidade de remir até 48 dias da pena a cada ano.

Obras lidas por Marcinho VP

No período em que está preso e participando do projeto de remição da pena por leitura, Marcinho VP, pai do rapper Oruam, leu e avaliou as três obras citadas acima, sendo "Adriano: Meu medo maior", "Mussum Forevis, samba, mé e trapalhões" e "O vermelho e o Negro", uma das mais importantes obras da literatura francesa.

Conheça um pouco mais sobra as obras:

'Adriano: Meu medo maior' é a biografia do jogador de futebol Adriano, mundialmente conhecido como Adriano Imperador. A biografia é assinada pelo jogador e por Ulisses Neto, jornalista e se dedica a contar histórias do futebol. 

Adriano nasceu no Rio de Janeiro e tornou-se um dos ícones do futebol brasileiro e internacional.

Revelado pelo Flamengo, também atuou em clubes como Internazionale de Milão, Fiorentina e São Paulo, além de ter conquistado títulos com a seleção Brasileira.

'Mussum Forevis, samba, mé e trapalhões' conta a história do humorista Antonio Carlos Bernardes Gomes, mais conhecido pelo personagem Mussum, dos Trapalhões.

Mussum forévis, a primeira biografia do artista, traz detalhes não só sobre sua carreira na TV, mas como músico em conjuntos como “Os 7 Modernos” e “Os originais do samba”, além de narrar a relação com Renato Aragão e os outros Trapalhões.

'O vermelho e o negro', de Stendhal, é uma das mais importantes obras da literatura francesa. A obra é ao mesmo tempo um romance histórico e psicológico e uma inédita mescla de crônica social e incursão na natureza humana.

O livro conta a história de Julien Sorel, um jovem pobre e talentoso que, nos convulsivos anos de 1830, deixa para trás sua origem provinciana para circular entre as altas esferas da sociedade parisiense.

Mas o passado é traço difícil de apagar, e tão fortes quanto a determinação de Julien são as paixões que o dominam: o jovem tenta sufocar lembranças pessoais e a admiração ardente que nutre por Napoleão, figura non grata nos salões burgueses da Restauração, mas o faz em vão.

Marcinho VP 

Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, é apontado com nome proeminente da criminalidade do Rio de Janeiro há quase três décadas, sendo um dos principais líderes do Comando Vermelho, ao lado de Fernandinho Beira Mar.

Preso desde 1996 , ele está em penitenciárias federais desde 2010, atualmente em Campo Grande.

No entanto, o encarceramento não impediu que Marcinho VP continuasse no mundo no crime. Mesmo de dentro do presídio, ele ordenou uma série de crimes que foram cometidos por outros faccionados. Nos últimos 14 anos, ele cumpre pena em unidades federais. 

Marcinho VP é pai do rapper Oruam, que já fez manifestações públicas pedindo a liberdade do pai, sendo a mais polêmicas a apresentação no Lollapalooza 2024, onde vestiu uma camiseta que pedia a liberdade de Marcinho VP.

 

SÉRIE HISTÓRICA

Município de MS tem maior área queimada do Brasil nos últimos 40 anos

Em 2025, o bioma do Pantanal registrou a menor área queimada da série histórica, com redução de 85,6% em relação à média

21/07/2026 11h00

Fumaça de queimadas encobriu Corumbá

Fumaça de queimadas encobriu Corumbá Foto: Rodolfo César

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O segundo Relatório Anual do Fogo no Brasil, da rede MapBiomas, apresentou um panorama abrangente da ocorrência das áreas queimadas em todos os biomas brasileiros, entre os anos 1985 e 2025. O estudo revelou que entre todos os municípios do Brasil, Corumbá ocupa a primeira posição no ranking nacional em relação a área queimada acumulada entre 1985 e 2025, com 3,79 milhões de hectares queimados pelo menos uma vez ao longo das quatro décadas.

Além disso, a pesquisa mostra que o Pantanal registou 121.177 hectares de área queimada em 2025, sendo a menor na série histórica. Além disso, o bioma apresentou redução de 85,6% em relação à média histórica (842 mil hectares por ano).

Fumaça de queimadas encobriu Corumbá

Mato Grosso do Sul teve 264.072 hectares queimados em 2025, o que representa uma variação negativa de 65% em relação à média histórica anual (764.658 ha).

O Estado esteve entre as três federações com maiores reduções proporcionais em relação à média histórica anual, ficando atrás apenas de Rondônia (-83%) e Espírito Santo (-77%). 

Fumaça de queimadas encobriu Corumbá
Distribuição da área queimada acumulada por estados brasileiros (1985-2025) e tendência de redução ou aumento da área queimada em 2025 em relação a média histórica do estado.

Ao todo, 208 milhões de hectares, cerca de 24% do território brasileiro, queimaram pelo menos uma vez
no período de 40 anos. Isso significa que 1 em cada 4 hectares do país foi afetado pelo fogo ao longo das últimas quatro décadas.

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 12,7 milhões de hectares queimados, valor 58% inferior ao observado em 2024 e 31% abaixo da média anual histórica (18,4 milhões de hectares).

O resultado é positivo, já que 2024 foi um dos anos com maior extensão de área queimada em toda a série histórica, com 30,2 milhões de hectares.

Bioma mais impactado na série

No período de quatro décadas, o Pantanal, embora represente apenas 4,4% da área queimada acumulada nacional, foi proporcionalmente o bioma mais impactado, com 61,4% de sua superfície atingida pelo fogo ao menos
uma vez.

Em relação à frequência do fogo, 64% da área total atingida queimou mais de uma vez no Brasil, entre
1985 e 2025.  O Pantanal, embora apresente área absoluta menor, com cerca de 9,3 milhões de hectares, registrou a maior proporção relativa de área queimada entre os biomas.

Reincidência

O Cerrado, a Amazônia e o Pantanal apresentaram os maiores padrões de reincidência, indicando áreas com alta recorrência de fogo ao longo da série histórica.

O Cerrado, a Amazônia e o Pantanal registraram as maiores extensões absolutas e percentuais de áreas com recorrência igual ou superior a duas vezes. No Pantanal, 28% da área queimada foi atingida uma única vez.

A maior parte (72%) sofreu dois ou mais eventos de fogo, com destaque para as áreas afetadas duas vezes (20%) e três vezes (14%). As faixas de quatro a sete eventos de fogo somam cerca de 26% da área queimada,
e as áreas com oito ou mais eventos representam 12%.

Biomas com maiores áreas queimadas em 2025

Os biomas Amazônia e Cerrado concentraram mais de 93% de toda a área queimada no país em 2025. O Cerrado permaneceu como o principal foco do fogo no Brasil, com aproximadamente 8,7 milhões de hectares queimados, equivalentes a 69% da área queimada no país.

Já o bioma amazônico registrou cerca de 3,1 milhões de hectares queimados, o equivalente a 25% do total nacional, com redução de aproximadamente 56% em relação à sua média histórica e 80% a menos em relação a 2024.

O Cerrado foi o bioma com maior área queimada acumulada entre 1985 e 2025, com aproximadamente 90,7 milhões de hectares afetados pelo fogo. Esse valor representa 43,5% da área queimada no país nesse
período e 45,3% da extensão total do bioma.

 


 

sonegação fiscal

Justiça reativa distribuidora de combustíveis de MS envolvida e megafraude

A Ecológica Distribuidora de Combustíveis, de Iguatemi, foi alvo da operação Carbono Oculto e interditada em setembro do ano passado pela ANP

21/07/2026 10h50

Distribuidora de Iguatemi foi interditada no ano passado por ser considerada

Distribuidora de Iguatemi foi interditada no ano passado por ser considerada "barriga de aluguel" para empresas de outros estados

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Alvo da maior investigação já realizada no Brasil contra o crime organizado, a Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto do ano passo, e interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) dias depois, a Ecológica Distribuidora de Combustíveis, de Iguatemi, conseguiu, por decisão judicial, reativar sua inscrição estadual e assim pode voltar a operar.

Em publicação do diário oficial do Governo do Estado desta terça-feira (21), a superintendente de arrecadação tributária da Secretaria de Estado de Fazenda, Sílvia Cristina Barbosa Leal, assina ato declaratório dizendo que “fica reativada, em virtude de decisão judicial, a inscrição estadual do contribuinte relacionado no Anexo Único a este Ato Declaratório, e consequentemente, restaurados os seus direitos fiscais, sem prejuízo do cumprimento das eventuais obrigações tributárias relativas ao período de cancelamento ou suspensão da respectiva inscrição estadual e que estiver pendente de regularização”.

No dia 27 de abril o diário oficial já havia publicado decisão semelhante, reativando a empresa. Dois dias depois, porém, também por determinação judicial, a decisão foi cancelada.

No dia 5 de setembro do ano passado, segundo publicação da Agência Nacional do Petróleo, a empresa foi interditada por ser considerada “fantasma”. A interdição foi acompanhada por agentes da Secretaria de Fazenda, que agora foi obrigada pela Justiça a reativar a inscrição estadual da empresa.

De acordo com informações divulgadas à época pela ANP, “ficou constatado que a base operava como “barriga de aluguel”. Ou seja, era declarada à ANP como uma base compartilhada por diversas distribuidoras, de forma a comprovar que tinham espaço de armazenagem com um mínimo de 750 m³ cada, o que é um dos requisitos da ANP para conceder autorização para uma distribuidora”. 

Na prática, porém, as empresas não armazenavam nem movimentavam combustível nessa base, o que contraria as normas da Agência. Por isso, também passou a ser considerada uma base "fantasma", sem atividades de fato.

Uma série de distribuidoras utilizavam a base de Iguatemi, município no sul de Mato Grosso do Sul, para a matriz do grupo. Depois, as distribuidoras que supostamente compartilhavam armazenagem requeriam autorizações de filiais em outros estados, não necessitando ter outras bases de armazenamento.

Isso porque a legislação determina que, para obter a autorização de filial, é preciso apenas uma locação de espaço de armazenamento em um terminal ou outra base de outra distribuidora, sem tancagem mínima.

Assim, a fraude consistia em usar como matriz a empresa registrada em Iguatemi, onde é menos custoso adquirir propriedade em parte de uma base, para, na prática, comercializar combustível em São Paulo, por exemplo.

É importante destacar que a atividade de distribuição de combustíveis é considerada de utilidade pública. A obrigação da comercialização da base própria ou compartilhada através da qual se obteve a autorização visa aumentar a concorrência e a disponibilidade de combustíveis para os consumidores daquela região.

Ao não comercializarem combustíveis na localidade, essas empresas lesam a sociedade e, ao atuarem efetivamente em outro estado, realizam concorrência desleal com agentes que possuem base na região, em conformidade com as normas.

MEGAFRAUDE

A interdição aconteceu apenas oito dias depois da deflagração da Operação Carbono Oculto, considerada a maior investigação já conduzida no país contra o crime organizado e que também teve como alvo a distribuidora com sede em Iguatemi.

A apuração revelou como o Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiu sua atuação, infiltrando-se de forma sistemática na economia formal, em especial no setor de combustíveis e no mercado financeiro paulista, com ramificações diretas na Faria Lima.

Segundo o Ministério Público e autoridades fiscais, o esquema teria gerado cerca de R$ 10 bilhões em importações ilícitas de combustíveis, R$ 52 bilhões em vendas no varejo por meio de mais de mil postos e R$ 46 bilhões em transações realizadas por fintechs clandestinas, que operavam como bancos paralelos entre 2020 e 2024.

A investigação também identificou dezenas de fundos de investimento fechados e outras estruturas financeiras que concentravam aproximadamente R$ 30 bilhões em ativos utilizados para lavar e reinserir recursos ilícitos na economia, incluindo usinas de etanol, terminal portuário, imóveis e uma gigantesca frota de caminhões.

A Operação Carbono Oculto alcançou mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, investigados por crimes contra a ordem econômica, lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais.

Empresários apontados como centrais no esquema têm negociado acordos de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, com potencial para atingir agentes públicos mediante a apresentação de provas de propinas e favorecimentos regulatórios no setor de combustíveis.

Também como resposta às revelações de fraudes e desvios no setor de combustíveis, especialmente o envolvimento da refinaria Refit com o Comando Vermelho, o Congresso Nacional, depois de anos de discussão, aprovou o PL do Devedor Contumaz.

As revelações e os desdobramentos da Operação Carbono Oculto evidenciaram que o crime organizado no Brasil se tornou um risco estrutural à integridade empresarial, demandando a elaboração e adoção de novas estratégias de gestão de riscos, governança e due dilligence.

FLUXO OCULTO

Mais recentemente, no dia 28 de maio, a Operação Fluxo Oculto, que investiga fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis cumpriu um mandado de busca e apreensão em Iguatemi.  

Os focos principais nessa operação foram seis fintechs (empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros), as quais atuavam supostamente como bancos paralelos para movimentar os recursos financeiros do Primero Comando da Capital (PCC), e a adulteração de combustível com uso de nafta.

Segundo a Receita Federal, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Houve a constatação de operações suspeitas, principalmente com depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação. 

Em relação a adulteração de combustíveis, as investigações apontam que somente com o esquema do uso de nafta petroquímica, os prejuízos aos cofres públicos chegaram a R$ 200 milhões em tributos sonegados em dois anos.

 

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