Cidades

SALÁRIO

Docentes querem que prefeitura pague o reajuste em outubro

Executivo municipal enviou proposta para que o aumento salarial anual de 5% inicie em setembro de 2026, que foi prontamente recusada pela categoria

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Em conversas sobre o reajuste salarial dos professores municipais desde julho, a categoria e a Prefeitura de Campo Grande ainda não chegaram a um acordo, principalmente quando o assunto é a data para começar o reajuste de 5%. Enquanto o lado do Executivo quer que comece a partir de setembro de 2026, a classe já quer que seja antecipado para outubro deste ano.

Em janeiro, o Ministério da Educação (MEC) reajustou o piso salarial nacional para professores da rede pública em 6,27%, saltando para R$ 4.867,77 aos que cumprem carga horária semanal de 40 horas. Porém, mesmo com essa definição da Pasta Federal, é de responsabilidade de cada estado e município oficializar seu valor mínimo por meio de suas próprias normas, já que os salários dos magistérios são pagos pelas redes de ensino.

Atualmente, de acordo com a tabela da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande (Reme), a Capital está acima deste piso nacional, visto que o menor salário de um professor com carga horária de 40 horas é de R$ 5.900,72. Os valores vão progredindo de acordo com o tempo de serviço prestado, currículo acadêmico ou especialização do profissional. Hoje, o maior salário pago ao magistério é de R$ 21.198,83.

Na terça-feira foi realizada uma assembleia geral para discutir o piso salarial da categoria. Ao Correio do Estado, Gilvano Kunzler Bronzoni, presidente do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública (ACP), informou que foi decidido por não aceitar a primeira proposta de reajuste da prefeitura, pelo menos parcialmente.

“A proposta enviada pela prefeitura, que foi debatida na tarde de ontem [terça-feira] na ACP era de reposição do piso nacional todo mês de maio de cada ano, mais 5% no mês de setembro de cada ano a iniciar em 2026, correspondendo ao passivo [em torno de 30% que ficaram para trás ao longo dos anos] que é devido a categoria. Porém, apresentamos uma contraproposta, enviada hoje [quarta] ao executivo municipal”, explica o professor à reportagem.

De acordo com ele, a contraproposta foi para alterar a data de acréscimo dos 5%, começando em outubro deste ano, ao invés de iniciar em setembro de 2026. Ele confirmou que a prefeitura já respondeu e que será revelado e debatido na nova assembleia geral, que será hoje, no auditório do sindicato, às 17h30min.

Conforme Gilvano, foi criada, em julho, uma comissão mista envolvendo várias secretarias da prefeitura e o sindicato com a comissão de educação do Legislativo municipal para debater pontos da valorização do magistério. Entre os pontos tratados, houve a discussão do cumprimento da Lei nº 6.796, conhecida como “Lei do Piso 20h da Reme”.

Para o presidente da ACP, a determinação, que foi aprovada em outubro de 2023 na Câmara Municipal, está sendo descumprida. Por isso, foi apontada a necessidade de readequação de índices para o cumprimento.
As remunerações dos profissionais da Educação Básica são pagas por prefeituras e estados a partir de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e de complementações da União.
O Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para saber o lado da Administração municipal e quais os pontos foram levados em consideração para chegar nesta proposta. Porém, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

PISO NACIONAL

Ano a ano, cabe ao MEC realizar os cálculos do índice de reajuste e publicar a portaria com os novos valores, conforme a lei prevê. Por determinação legal, o Ministério da Educação calcula o reajuste do piso utilizando o mesmo porcentual de crescimento do Valor Anual Mínimo por Aluno (VAF mínimo). 

Para chegar a 6,27%, o MEC calculou a variação porcentual entre o VAF mínimo publicado na terceira atualização do Fundeb de 2024 e de 2023. O reajuste também está acima da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou o ano passado em 4,83%.
 

Saúde

Chikungunya avança e falta de agentes de saúde vira alvo da Justiça em MS

Promotoria instaura procedimento para apurar cargos vagos, falta de convocações de concursados e estrutura das equipes responsáveis pelo combate às endemias

02/06/2026 19h32

Foto: Divulgação / Prefeitura de Dourados

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A estrutura dos serviços de atenção básica e combate às endemias em Dourados passou a ser alvo de acompanhamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em meio ao avanço dos casos de chikungunya no município.

A 10ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo para apurar a existência de déficit de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), além de verificar a falta de convocação de candidatos aprovados em concurso público realizado em 2024.

A medida foi adotada após investigações conduzidas em uma notícia de fato apontarem possível insuficiência de profissionais na rede municipal de saúde. Durante a apuração, o MPMS identificou cargos vagos nas duas categorias e constatou que ainda existem aprovados no concurso aguardando convocação.

Segundo o promotor de Justiça em substituição Amílcar Araújo Carneiro Júnior, o cenário exige atenção diante da situação epidemiológica enfrentada por Dourados. O município decretou estado de emergência em saúde pública após o aumento expressivo dos casos de chikungunya, doença que já resultou em mortes e centenas de confirmações.

Para o representante do Ministério Público, o fortalecimento das equipes é considerado estratégico para ampliar ações preventivas, educativas e de promoção da saúde, especialmente em períodos de alta circulação de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Informações encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde indicam que a rede conta atualmente com 311 Agentes Comunitários de Saúde e 102 Agentes de Combate às Endemias, dos quais 18 são cedidos pela União.

Apesar disso, o MPMS avaliou que os dados apresentados ainda são insuficientes para uma análise completa da situação.

O órgão ministerial aponta que não foram detalhadas informações importantes, como a divisão territorial de atuação das equipes e o número de famílias acompanhadas por cada profissional.

Esses dados são considerados fundamentais para avaliar se a cobertura dos serviços atende adequadamente à população.

Levantamento realizado pelo Ministério Público no Portal da Transparência também identificou a existência de vagas não preenchidas.

Já a administração municipal informou que estudos técnicos sobre a reorganização da força de trabalho ainda estão em elaboração e argumentou que restrições orçamentárias decorrentes de medidas de contenção de despesas têm dificultado novas contratações.

Diante desse cenário, o MPMS notificou a Prefeitura de Dourados e requisitou, no prazo de 20 dias úteis, uma série de informações detalhadas.

Entre elas estão o número atual de profissionais em atividade, a quantidade de cargos vagos, o cronograma para convocação dos aprovados no concurso público, os estudos técnicos em andamento, a distribuição territorial das equipes e o quantitativo de famílias atendidas por cada agente.

Com a instauração do procedimento administrativo, o Ministério Público passará a acompanhar de forma permanente as medidas adotadas pelo município para reforçar a atenção básica e a vigilância em saúde.

Caso considere necessário, o órgão poderá adotar medidas extrajudiciais ou judiciais para garantir a adequada prestação dos serviços à população.

O MPMS quer saber

Entre os dados solicitados estão o número de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias em atividade, a quantidade de cargos vagos, o cronograma de convocação dos aprovados em concurso público e a distribuição territorial das equipes.

O Ministério Público também requisitou informações sobre o número de famílias atendidas por cada profissional, os estudos técnicos em andamento e as medidas adotadas pelo município para reforçar o enfrentamento às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

 

 

Juventude

Secretário denunciado por assédio sexual é exonerado em Campo Grande

Paulo Lands estava afastado desde março e pediu exoneração da Secretaria Executiva da Juventude

02/06/2026 18h28

Paulo Lands foi exonerado a pedido da Secretaria Executiva da Juventude

Paulo Lands foi exonerado a pedido da Secretaria Executiva da Juventude Foto: Arquivo / Câmara Municipal

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O ex-vereador Paulo César Lands Filho foi exonerado do cargo de secretário executivo da Juventude, em Campo Grande (Sejuv). Ele estava afastado das funções desde março, após ser denunciado por assédio sexual.

A exoneração foi publicada nesta terça-feira (2) em Diário Oficial extra do Município. Conforme a publicação, a exoneração foi a pedido de Lands.

Até a publicação desta reportagem, não houve nomeação para o cargo agora vago.

Denúncia de assédio

Em 27 de fevereiro deste ano, um ex-servidor municipal, que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação, registrou boletim de ocorrência contra o então secretário na 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, o denunciando por assédio sexual e estupro de vulnerável.

Conforme a denúncia, a vítima sofria abusos desde julho de 2025, quando o secretário começou a oferecer caronas após o expediente. 

Em um dos trajetos, o chefe teria tocado as partes íntimas da vítima, que não reagiu por medo, já que havia relação de subordinação no trabalho. 

Após uma confraternização no fim do ano, houve consumo de álcool, deixando a vítima em estado de fragilidade.

Segundo o relato, Lands ofereceu carona novamente, mas seguiu em direção à própria casa com a vítima, onde houve ato sexual não consentido. Dias após o ocorrido, o servidor foi demitido. 

No dia 3 de março, Paulo Lands foi ele foi afastado do cargo, a pedido, para prestar esclarecimentos.

Pouco tempo depois, em 11 de março, a prefeita Adriane Lopes (PP) convocou reunião, onde anunciou que decidiu adotar tolerância zero para acusações envolvendo integrantes dos primeiros escalações da administração municipal, principalmente envolvendo violência contra as mulheres.

Antes de assumir a Sejuv, Paulo Lands foi empossado vereador de Campo Grande em 2022, em cerimônia realizada no plenário da Câmara Municipal.

Ele assumiu a cadeira deixada por Sandro Benites em dezembro daquele ano, que na época passou a comandar a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Neste ano, Sandro Benites, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), também foi exonerado após denúncia de uma mulher de 43 anos que afirmava ser companheira dele há seis anos e que a relação foi marcada por humilhações, ameaças, repressões e controle emocional. 

O caso veio a tona após Benites viajar com a esposa para Dubai, enquanto disse para a suposta amante que iria com amigos para um encontro do grupo Legendários. Na volta, ele teria ido até a casa da mulher e feito ameaças.

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