Cidades

Operação Fronteira MS

DOF apreende mais de R$ 24 milhões em mercadorias contrabandeadas na fronteira de MS em 4 dias

Operação Fronteira MS aconteceu nesta semana em trechos de fronteira no estado a fim de combater a entrada de contrabando no país

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Durante essa semana, entre os dias 06 e 10 de julho, foi realizada a Operação Fronteira MS em estradas de fronteira entre os municípios de Dourados, Mundo Novo e Ponta Porã. O objetivo da operação é combater o contrabando de cigarros, cigarros eletrônicos, o tráfico de drogas e de armas, combate a crimes ambientais entre outros. 

A operação envolve participação de órgãos como a Receita Federal, a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (DEFRON/MS), o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Na contagem geral da ação, foram apreendidos cerca de R$24,5 milhões em mercadorias que entraram de forma ilegal no país através dessas rotas, além de 44 veículos utilizados por criminosos nas ações de contrabando.

Destes, 39 foram veículos de passeio, 3 vans e 2 caminhões apreendidos transportando as mercadorias. O valor avaliado pelos veículos foi de cerca de R$1,7 milhão. 

De acordo com a Polícia, um dos destaques da operação foi a apreensão de 225 mil maços de cigarros contrabandeados do exterior.

A carga foi avaliada em R$1,4 milhão e foi encontrada em veículos de passeio com todos os bancos retirados, exceto do motorista, para aumentar a capacidade de carga transportada. 

Na ação, também foram apreendidas mercadorias diversas como cigarros eletrônicos, perfumes, celulares, brinquedos, copos térmicos, pneus, drones, cosméticos e roupas.

Os itens apreendidos foram encaminhados aos depósitos pertencentes à Receita Federal da região, onde ficarão armazenados até que os autos da apreensão sejam finalizados. 

Produtos perecíveis como cigarros e drogas são destruídos e os veículos são leiloados ou doados a órgãos públicos ou ainda doados para entidades de assistência social. O restante das mercadorias é doada para entidades filantrópicas. 

Em nota, a DOF ressaltou que a reversão dos produtos apreendidos em recursos que atendam o interesse público promovem o bem comum.

"Ao retirar produtos ilegais do mercado, a Receita Federal, o DOF, a Defron e a PRF protegem a indústria nacional, combatem a concorrência desleal e promovem a segurança da população, reduzindo o impacto do crime organizado e garantindo que mercadorias nocivas ou perigosas não cheguem às mãos dos consumidores. Além disso, na luta contra os ilícitos em geral, inclusive tráfico de armas e drogas, as instituições contribuem para a proteção da sociedade, garantindo a segurança e a saúde da população". 

Foram 72 agentes participantes da operação, além de 2 cães farejadores da Receita Federal. O Setor de Investigações Gerais da Polícia Civil de Dourados também contribuiu nas ações. 

Encerramento da Operação Fronteira MS

O encerramento da operação será no prédio do DOF em Dourados nesta sexta-feira (11). A partir das 9 horas, autoridades estarão presentes para os relatórios finais e demais informações. 

Casos

Conforme noticiado anteriormente pelo Correio do Estado, no dia 6, uma carga de quase 94 mil cigarros eletrônicos foi apreendida por policiais militares do DOF, em trecho da rodovia MS-040, além de cerca de oito mil cartuchos de agulha para tatuagem e outros itens contrabandeados. 

A apreensão somou um montante de R$ 21,3 milhões em produtos, que foram devidamente registrados e entregues à Polícia Federal de Campo Grande. Os envolvidos receberiam cerca de R$ 11 mil pelo trabalho ilegal. 

Segundo o DOF, somente a apreensão da carga de cigarro eletrônico somou 93.550 unidades do aparelho sendo ilegalmente transportada, junto de: 

  • 94.122 unidades de óculos;
  • 19.700 essências de narguilé; 
  • 8.000 pen drives;
  • 669 perfumes;
  • 400 celulares; e 
  • 95 volumes de roupas. 

Também, na manhã do dia 7, foi apreendido pelo DOF um comboio de carros carregados com drogas e cigarros no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã. 

Ao todo, os sete veículos localizados transportavam mais de 2,6 toneladas de maconha e quase 10 mil pacotes de cigarros contrabandeados do Paraguai, carga total avaliada em mais de R$ 6 milhões.

*Colaboraram Leo Ribeiro e Mariana Piell

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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