Cidades

"PECULIARIDADE"

Dois anos após ativar fábrica, Ribas ganha R$ 42 milhões em investimento de água e esgoto

Mesmo com Parceria Público Privada, quase 25 milhões de reais do pacote anunciado pela Sanesul serão voltados para atender esgotamento sanitário

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Ainda em 2021, sob o comando do ex-governador Reinaldo Azambuja, o Estado transferiu os serviços de esgotamento sanitário dos 68 municípios onde a Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) atua para a empresa Ambiental MS Pantanal e, dois anos após ativação da fábrica em Ribas do Rio Pardo, anuncia agora um investimento que deve ajudar a suprir o esgotamento sanitário.

Durante evento realizado hoje (15), na sede da Sanesul em Campo Grande, a Agência anunicou pacote de R$176 milhões em investimentos que, à priori, seriam voltados para obras Ampliação e modernização de sistemas de armazenamento de água, para 16 municípios, sendo: 

  1. Aral Moreira 
  2. Bataguassu 
  3. Bodoquena 
  4. Chapadão do Sul 
  5. Corumbá 
  6. Dois irmãos do Buriti 
  7. Dourados 
  8. Inocência 
  9. Miranda 
  10. Naviraí 
  11. Pedro Gomes 
  12. Ponta Porã/Sanga Puitã
  13. Ribas do Rio Pardo
  14. Santa Rita do Pardo
  15. Sonora
  16. Terenos

Neste contexto destacam-se os valores voltados para o município de Ribas do Rio Pardo, que há cerca de dois anos ativou - "sem alarde", como bem acompanha o Correio do Estado - a fábrica de celulose de R$22 milhões da Suzano.

PPP para que? 

Distante aproximadamente 97 quilômetros de Campo Grande, o município pólo da celulose recebe agora exatos R$42.164.939,00 do pacote de obras de água da Sanesul, o que o próprio diretor-presidente, Renato Marcílio da Silva, afirma que será usado para obras mesmo com o acordo da Parceria Público Privada (PPP). 

Nas palavras do diretor-presidente da Sanesul, "Ribas tem uma peculiaridade", já que teria sido palco de um rápido crescimento populacional que dobrou o total de habitantes e resultou na queda pela metade da cobertura de esgoto. 

"Quando entrei aqui, Ribas estava explodindo por causa dos investimentos... falei, nós vamos tomar uma providência: eu vou usar os recursos da PPP para investir lá. Nós precisamos fazer um aporte a mais para poder atender o esgotamento sanitário. Nos 42 milhões, acho que são 24 ou 25 para esgotamento sanitário, é a única desse tipo, e mais que a diferença para a água", explicou Renato Marcílio da Silva.

Vale lembrar que, o PPP com a Ambiental MS Pantanal, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) criada pelo grupo Aegea, foi firmado após a companhia  vencer o leilão ainda em 2022, em contrato assinado à época pelo então diretor-presidente da Sanesul, Walter Carneiro Júnior, e pelo CEO da Aegea, Radamés Casseb. 

Essa empresa venceu o pregão com oferta tarifária de R$ 1,36 por metro cúbico de esgoto, que representa um deságio/desconto de 38,46% em relação ao preço inicialmente fixado pelo edital, de R$ 2,21 (m³), frisando em contrato que não haveria aumento de tarifa durante a prestação de serviço.

Com duração de três décadas, a companhia teria a obrigação de investir R$3,8 bilhões de capital privado em sistemas de coleta e tratamento de esgoto nas 68 cidades atendidas pela Sanesul, tudo com o objetivo de atingir a universalização até 2031, quando a cobertura ainda girava em torno de 46% em Mato Grosso do Sul. 

Sobre as metas, o diretor-presidente da Sanesul faz questão de destacar que o objetivo é universalizar o acesso à água em Mato Grosso do Sul até 2028, com o intuito de atingir 90% e frisa. 

Desse "pacotão", vale lembrar, os recursos fazem parte de contratos vinculados ao programa Avançar Cidades e ao Novo PAC, financiado através da Caixa Econômica Federal e contrapartidas para execução das obras.

Segundo o próprio diretor-presidente da Agesul, a capacidade de investir da empresa gira entre cem e 120 milhões de reais, com os financiamentos externos sendo "essenciais" para complementar um valor que atinge a casa dos R$250 milhões anuais. 

 

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samu

Bebê nasce em ambulância à beira de rodovia no interior de MS

Faltavam ainda 25 quilômetros para a chegada ao hospital, mas a mãe de 35 anos entrou em trabalho de parto e a equipe interrompeu a viagem

18/07/2026 17h28

Equipe do Samu parou às margens da BR-262, próximo a Aquidauana, para realizar o parto de uma menina indígena

Equipe do Samu parou às margens da BR-262, próximo a Aquidauana, para realizar o parto de uma menina indígena

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Integrantes de uma equipe do Samu que atua em Aquidauana, cidade a 130 quilômetros a oeste de Campo Grande, tiveram de parar no meio do caminho, às margens da BR-262, para realizar o parto de emergência na manhã deste sábado (18).

Os profissionais foram acionada por volta das 09:30 para socorrer uma gestante de 35 anos que estava em trabalho de parto na aldeia indígena terena Imbiruçu, localizada próximo a Taunay, distrito de Aquidauana.
Segundo as informações publicadas pelo site a A Princezinhanews, a mulher estava na 38ª semana de gestação e durante o trajeto até o hospital, o trabalho de parto evoluiu rapidamente.

Conforme os profissionais que participaram o atendimento, com o rompimento da bolsa amniótica e o aumento da intensidade das contrações, a equipe constatou que não seria possível chegar ao hospital de Aquidauana com segurança.

Por conta disso, pararam a ambulância às margens da BR-262, aproximadamente 25 quilômetros de Aquidauana e, e seguindo todos os protocolos de atendimento pré-hospitalar, realizaram o parto dentro da ambulância. 

E, de acordo com a equipe, a menina nasceu saudável e em bom estado geral. Antes da retomada da viagem, a recém-nascida recebeu os primeiros cuidados necessários, incluindo aquecimento, avaliação clínica inicial, clampeamento do cordão umbilical e monitoramento constante da mãe e da bebê.

Após a estabilização, mãe e filha foram encaminhadas em ao Hospital Regional de Aquidauana, onde permaneceram sob os cuidados da equipe médica para continuidade da assistência.

O SAMU

O SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi criado no Brasil em 2003 e implementado nacionalmente em 2004. Atualmente, o serviço está em cerca de 4.200 municípios, operando com uma frota de cerca de 4.300 veículos entre Unidades de Suporte Básico (USB), Unidades de Suporte Avançado (USA), motolâncias e helicópteros 

POLUIÇÃO NO RIO PARDO

Tomada por plantas, usina libera água extra em plena estiagem

Vertimento para despachar macrófitas flutuantes na hidrelétrica do Mimoso ocorreu nesta sexta-feira (17), já que 18% do lago de 1,5 mil hectares estava encoberto

18/07/2026 16h40

Assim como no ano passado, lago da Usina do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, voltou a ser encoberto por plantas aquáticas

Assim como no ano passado, lago da Usina do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, voltou a ser encoberto por plantas aquáticas

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Por conta da rápida proliferação de plantas aquáticas no lago da Usina Hidrelétrica Assis Chateaubriand, mais conhecida como Usina do Mimoso, em Ribas do Bio Pardo, a empresa Elera Renováveis, controladora da usina, fez liberação extra de água nesta sexta-feira (17), em pleno período de estiagem, para se livrar de uma parte destas plantas invasoras.

De acordo com a empresa, em torno de 18% do lago de 1,5 mil hectares estava encoberto pelas invasoras. O percentual, segundo a empresa, está abaixo do máximo permitido pela legislação ambiental, que é de até 25% do espelho d’água. Neste percentual, porém, não estão incluídas as plantas aquáticas fixas, que também se alastraram descontroladamente desde o começo do ano passado.

A primeira vez que a usina despachou água extra do Rio Pardo para se livrar da vegetação foi no final de outubro do ano passado, depois do início do período chuvoso e quando não havia mais tanta necessidade de represamento de água para geração de energia.

E, a própria empresa reconhece que o vertimento feito nesta sexta-feira, dia em que as fortes rajadas de vento ajudaram acumular as plantas próximo do vertedouro, ocorreu em um período longe do ideal.

“Vale destacar que o período seco, iniciado em abril, contribui para que as macrófitas se proliferem. A baixa vazão dos rios durante os meses de estiagem também tornam as condições menos propícias para vertimento”, disse a empresa por meio de nota.

Sob controle da Elera até 2029, o lago da hidrelétrica foi criado em 1971, há 55 anos, e desde o início da estiagem do ano passado é que começou a proliferação desenfreada das plantas.

Segundo fazendeiros e proprietários de casas de campo que ocupam suas margens faz décadas, antes disso não havia registro de fenômeno semelhante no lago, historicamente utilizado para esportes aquáticos e pescarias, que atualmente estão praticamente suspensos. 

Além de se livrar das plantas abrindo comportas e fazendo liberação extra de água, a Elera também faz a remoção mecanizada das plantas para evitar que elas tomem mais de 25% do lago.

Mas, desde 28 de outubro do ano passado, “sempre que os níveis de água no rio encontram-se adequados, a empresa realiza vertimentos, tudo dentro de um plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental e com monitoramentos específicos”, diz a nota da Elera. 

"Os vertimentos são realizados de forma controlada e em conformidade com a autorização previamente emitida pelo IMASUL. A empresa executa os procedimentos conforme um plano de manejo aprovado pelo órgão ambiental, com monitoramentos específicos. Os vertimentos ocorrem sempre que as condições ambientais são favoráveis. A última data em que ocorreu um vertimento, conforme as condições climáticas permitiram, foi hoje (17 de julho)", informou a empresa.

A proliferação ocorre por conta do excesso de nutrientes, ou poluição, na água parada do Rio Pardo. E, além de serem um problema ambiental, elas geram prejuízos econômicos. "Embora a situação esteja sob controle, o acúmulo de macrófitas flutuantes tem gerado impactos operacionais. Algumas plantas ultrapassam as grades de proteção e alcançam o sistema de captação da usina, exigindo limpezas frequentes nos filtros para garantir o pleno funcionamento das turbinas", informou a empresa em meados do ano passado, depois que começou a invasão.

Embora não exista laudo apontando elo entre a proliferação das plantas e a ativação da fábrica de celulose, instalada alguns quilômetros acima do início do lago da hidrelétrica, a proliferação das plantas começou menos de um ano depois do início das operações, em julho de 2024.

Por dia a indústria despeja em torno de 180 milhões de litros de rejeitos provenientes da produção de celulose. Esse volume equivale a cerca de 80% de todo o esgoto coletado dos 900 mil habitantes da cidade de Campo Grande.

Um laudo anexado a uma ação judicial movida por proprietários rurais contra os controladores da usina e o poder público comprova que por pelo menos três meses este esgoto não estava recebendo o tratamento adequado ao longo do ano passado.

Mas, os técnicos evitam fazer elo direto entre a poluição do lago e o esgoto produzido pela fábrica. A Suzano, proprietária da fábrica, garante que cumpre faz o tratamento dos rejeitos dentro dos parâmetros exigidos pela legislação estadual e federal.

Nesta ação judicial, os peritos também associam o fenômeno à chegada extra de água com excesso de nutrientes em decorrência do rompimento do lago do Nasa Park, em agosto de 2024. A estimativa é de que cerca de 700 milhões de litros de água repleta de nutrientes tenham chegado repentinamente ao lago.

Essa água, que equivale ao volume de cerca de cinco dias de esgoto produzido pela fábrica de celulose, já se decantou ou desceu Rio Pardo a baixo faz meses. Mesmo assim, a proliferação das plantas voltou a ganhar força agora no período de estiagem assim como no ano passado.

Ao todo, o lago da usina tem 37 quilômetros de extensão e tem capacidade para represar 71,6 bilhões de litros de água, conforme previsão feita à época da inauguração da Usina Mimoso, em 1971. Por conta do assoreamento, porém, este volume de água é bem menor atualmente, mas a capacidade de produção de energia permanece a mesma, de 29,5 MW. 

O lago tem 1.540 hectares e, além de ser utilizado para atividades de lazer e pesca, é utilizado para irrigação agrícola. Para efeito de comparação, o Lago do Amor, em Campo Grante, tem ainda em torno de 7 hectares. 

Depois que a água poluída e as plantas aquáticas ultrapassam a represa da hidrelétrica, elas desembocam no lago da hidrelétrica Sérgio Mota, próximo à cidade de Bataguasu. Este lago, por sua vez tem em torno de 225 mil hectares.

Porém, recebe os rejeitos de outras duas fábricas de celulose que já estão em funcionamento em Três Lagoas e de outras duas que devem ativadas nos próximos anos em Inocência e Bataguassu. 


 

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