Cidades

"Ronaldinho das licitações"

Dono de empresas milionárias mora em bairro "humilde"

Enquanto Edcarlos mora na Vila Sobrinho, região de classe média de Campo Grande, André Patrola tem casa no Damha I avaliada em mais de R$ 13 milhões

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Enquanto Edcarlos Jesus Silva, sócio e representante de três das quatro empresas com contratos milionários com a Prefeitura de Campo Grande que estão sob investigação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), mora em uma casa no Bairro Vila Sobrinho, na Capital, André Luiz dos Santos, conhecido como André Patrola, outro investigado, mora em uma mansão no residencial Damha I. 

O Correio do Estado foi até a casa que consta em contratos e documentos do MPMS como moradia de Edcarlos, mas foi atendido por uma mulher que relatou que o empresário não mora mais no local. No entanto, de acordo com vizinhos, os moradores da casa continuam sendo Edcarlos e sua esposa, Kathiuce Marques Fernandes. 

Segundo o relatório feito pelo MPMS, quando Edcarlos e Kathiuce abriram a empresa MS Brasil Comércio e Serviços Ltda., em 2011, eles moravam no Bairro Guanandi, que é considerado periferia da Capital. 

Atualmente residindo na Vila Sobrinho, bairro de classe média em Campo Grande, o casal vive em uma residência avaliada em aproximadamente R$ 750 mil, valor baixo considerando que apenas uma das empresas de Edcarlos tem capital social de R$ 3 milhões. 

Enquanto isso, André Patrola, dono da AL dos Santos & Cia Ltda., a quarta empresa investigada pelo MPMS por possível esquema de fraude em licitações com a prefeitura da Capital, possui uma casa no condomínio de luxo Damha I.

Segundo especialista em imóveis consultado pelo Correio do Estado, a residência de Patrola está avaliada em cerca de R$ 13 milhões. 

O terreno, de 1.467,60 m², possui uma área construída de 790,34 m², o que de acordo com o corretor de imóveis é extremamente difícil de encontrar à venda atualmente. Em abril de 2016, André Patrola comprou o imóvel por R$ 5.446.000,00. 

As diferenças nos estilos de vida dos empresários apontam para uma possível atuação de laranjas no esquema. 

Adir Paulino Fernandes, sogro de Edcarlos e dono da JR Comércio e Serviços, disse em depoimento que era motorista autônomo. Ele foi preso durante os mandados de busca e apreensão da Operação Cascalhos de Areia, em uma chácara em Terenos. 

Adir Fernandes também possui uma casa na Capital, no Jardim Tarumã, em condomínio de casas simples, bem diferente dos valores dos contratos que a empresa dele, a JR, tem com o município, que são de mais de R$ 200 milhões. 

CONTRATOS 

As empresas investigadas têm acordos milionários com a Prefeitura de Campo Grande. A AL dos Santos, ou ALS, de André Patrola, tem três contratos ativos na Capital, e o maior deles, de manutenção de vias não pavimentadas na região Prosa, está avaliado em R$ 24.705.391,35. Junto dos outros dois, o empresário possui R$ 26.395.447,03 em contratos. 

Enquanto isso, as empresas de Edcarlos, a Engenex e a MS Brasil, têm, juntas, cinco contratos com a prefeitura. A Engenex, venceu duas licitações de pavimentação de vias, nas regiões Imbirussu e Lagoa, que juntas somam R$ 37.173.332,46. 

A MS Brasil tem contratos principalmente de locação de máquinas pesadas, caminhões, veículos leves e equipamentos, assinados desde 2017. Em apenas um dos acordos, a empresa conseguiu mais de R$ 100 milhões ao longo dos anos, principalmente em virtude dos aditivos e das renovações. 

Ao todo, os três contratos da MS Brasil com o Município de Campo Grande somam R$ 117.377.844,29. 

A quarta empresa, JR Comércio e Serviços, possui quatro contratos com a prefeitura, o maior deles, de R$ 219 milhões, visa à contratação de locação de máquinas pesadas, também desde 2017. Somados, os quatro acordos da JR chegam a R$ 224.767.711,66. 

Sendo assim, André Patrola, que possui melhores condições de moradia do que os demais empresários investigados na ação, tem os menores valores de contrato entre as quatro empresas com a Prefeitura de Campo Grande. 

Além disso, a empresa de Patrola é suspeita de fornecer máquinas e equipamentos para que as demais atendessem as licitações vencidas. 

“Conforme apurado por meio da análise dos dados telemáticos de Mamed Dib Rahim, ex-sócio da empresa Engenex e investigado no âmbito da Operação Penúria, após a pactuação contratual, a empresa Engenex utilizou-se da estrutura [veículos e maquinários] da empresa AL dos Santos para a execução dos objetos conquistados, inferindo-se a existência de acordo prévio, conluio, acerto e/ou a utilização de outros meios escusos visando ao direcionamento da licitação”, explicou o MPMS. 

ESPECIALISTA 

Das duas empresas de que Edcarlos é sócio, na Engenex ele possui 90% da sociedade, enquanto Paulo Henrique Silva Maciel possui 10%. Já a MS Brasil está atualmente registrada apenas no nome do empresário, que começou em 2011 a sociedade com sua esposa. 

Atualmente, a MS Brasil aumentou o seu capital social de R$ 50 mil para R$ 3 milhões, que, somados com as empresas Engenex e JR Comércio, da qual Edcarlos é sócio oculto, chegam a R$ 4.450.000,00. 

Edcarlos atuou também em processos licitatórios de outras empresas como “especialista em licitação” e prestação de serviços, fato que lembra a fala do presidente Lula, em 2006, de que seu filho era como o “Ronaldinho dos negócios”.

Na ocasião, o presidente rebateu críticas que seu filho, Fábio Luís, sofria em decorrência da ajuda da Telemar à Gamecorp. 

Alerta de Tempestade

Campo Grande entra em alerta para tempestade e ventos fortes nesta terça

Aviso do Inmet começa às 23h desta terça-feira (25) e prevê chuva intensa, rajadas de vento e risco de alagamentos e descargas elétricas na Capital.

24/08/2026 18h09

Tempo fechado em Campo Grande em imagem de arquivo; Capital tem alerta para tempestade entre terça (25) e quarta-feira (26).

Tempo fechado em Campo Grande em imagem de arquivo; Capital tem alerta para tempestade entre terça (25) e quarta-feira (26). Foto: Arquivo Correio do Estado

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Depois de dias marcados pelo tempo seco, Campo Grande volta a ficar sob alerta para tempestades. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil emitiu nesta segunda-feira (24) um novo comunicado para a possibilidade de chuva forte e ventos intensos na Capital entre a noite de terça-feira (25) e quarta-feira (26).

O aviso amarelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) começa às 23h desta terça e permanece válido até as 22h59 de quarta-feira.

Durante o período, há possibilidade de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 milímetros ao longo de um único dia, além de ventos intensos.

Apesar de o nível amarelo representar perigo potencial, o alerta aponta risco de ocorrências como interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

A mudança ocorre depois de um período de calor e baixa umidade e está relacionada ao avanço de instabilidades sobre Mato Grosso do Sul.

Segundo previsão divulgada pelo Inmet nesta segunda-feira (24), a formação de uma área de baixa pressão, associada à passagem de um cavado, uma faixa alongada de baixa pressão atmosférica que favorece a formação de nuvens carregadas e aumenta a instabilidade, deve alterar as condições do tempo no Centro-Oeste.

O fenômeno cria um ambiente favorável à ocorrência de pancadas de chuva, rajadas de vento e trovoadas.

Instabilidade avança sobre MS

A mudança deve começar a ser percebida ao longo de terça-feira. O Inmet prevê que o sistema favoreça a formação de áreas de instabilidade principalmente sobre o centro-sul de Mato Grosso do Sul, com possibilidade de pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas. As condições devem permanecer durante a quarta-feira.

Além da chuva, a combinação entre a queda da pressão atmosférica e a intensificação das correntes de vento em níveis mais altos da atmosfera cria condições para episódios de tempo severo.

O Inmet aponta possibilidade de tempestades e eventual ocorrência de granizo nas áreas atingidas pelo sistema entre terça e quarta-feira.

A previsão representa uma mudança significativa em relação ao cenário registrado nos últimos dias no Centro-Oeste, quando o calor e a baixa umidade predominaram.

A tendência, porém, é que a instabilidade seja passageira: a partir de sexta-feira (28), o Inmet prevê o retorno do tempo seco e estável à região, condição que deve permanecer até o fim da semana. 

Temperaturas

Em Campo Grande, a terça-feira (25) terá temperatura mínima de 18°C e máxima de 31°C. Na quarta-feira (26), os termômetros devem variar entre 19°C e 30°C.

Já na quinta-feira (27), apesar da instabilidade prevista nos dias anteriores, o calor volta a ganhar força, com mínima de 19°C e máxima de 35°C.

Cuidados durante a tempestade

Em caso de temporal, a orientação é evitar áreas abertas e locais próximos a árvores, postes e estruturas que possam ser atingidas pelas rajadas de vento. Objetos soltos em quintais e varandas também devem ser recolhidos diante da possibilidade de ventos fortes.

Moradores que enfrentarem ocorrências relacionadas ao temporal podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou solicitar serviços municipais pelo 156.

Em situações envolvendo risco elétrico, como árvores ou galhos sobre a rede de energia, a orientação é procurar o Corpo de Bombeiros pelo 193.
 

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

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