Cidades

DANOS MORAIS

Dono de lava jato é condenado a pagar R$ 100 mil de indenização por morte de jovem com compressor

Ele já foi condenado na esfera criminal a 12 anos de prisão e, desta vez, sentença é do TST por danos morais

Continue lendo...

Thiago Giovanni Demarco Sena, dono do lava jato onde o adolescente Wesner Moreira da Silva, 17 anos, foi morto com uma mangueira de ar comprimido, foi condenado a pagar indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos.

No dia 30 de março, Sena e um funcionário, William Enrique Larrea, 36, foram condenados a 12 anos de prisão pelo crime, que ocorreu em fevereiro de 2017.

Desta vez, a sentença condenatória é da Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que considerou que a "tragédia ocorrida com o jovem representou lesão aos interesses e aos direitos de toda a coletividade".

No dia 3 de fevereiro de 2017, mangueira de ar teria sido introduzida no ânus de Wesner pelo patrão e colega de trabalho em lava jato na Vila Morumbi, durante uma suporta "brincadeira". O jovem passou mal, foi encaminhado ao hospital, mas morreu dias depois.

Na época, no mesmo mês do crime, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil pública contra a empresa e Thiago, que era sócio.

Conforme o TST, a partir de depoimentos e documentos reunidos em inquérito, o MPT concluiu que havia trabalho infantil ou de adolescente no local.

Além disso, a situação foi agravado pela exposição a abusos físicos, psicológicos ou sexuais e por várias ilegalidades referentes ao meio ambiente e à segurança do trabalho.

O MPT considerou que a situação gerou “repercussão negativa, insuportável e desproporcional, sobre os valores da coletividade”, e, por isso, pediu a condenação por danos morais coletivos.

Juiz da 1ª Vara de Trabalho de Campo Grande não identificou ofensa à coletividade e indeferiu o pedido.

A sentença foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (MS), que considerou que a morte de Wesner, na esfera trabalhista, demandaria provável reparação individual e não coletiva, pelos danos acarretados aos familiares.

O MPT recorreu ao TST. Para o relator do recurso, ministro Hugo Scheuermann, não há como dissociar a morte do adolescente das condições de trabalho impostas pela empresa.

Segundo o ministro, o trabalho em lava-jatos é insalubre e, portanto, é expressamente vedado a menores de idade tanto na Constituição Federal quando no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o descumprimento dessa norma, na avaliação dele, configura dano moral coletivo.

“O trabalho realizado por menor de idade em condições insalubres ultrapassa a esfera individual de interesse dos trabalhadores, evidenciando-se a lesão aos interesses e direitos de toda a coletividade, relativos à contratação de menor em conformidade com a ordem jurídica vigente”, explicou.

Ele também salientou que a situação não se trata de caso isolado ou mera fatalidade, "mas de circunstância que demonstra uma permissibilidade no local de trabalho, com potencial de agredir valores morais de toda a sociedade".

“É inadmissível a ‘normalização’ no ambiente de trabalho de práticas vexatórias, cruéis e inegavelmente degradantes, que, no caso, inclusive tinham cunho nitidamente sexual, ainda que sob o pretexto de uma relação de maior intimidade”, concluiu, dando provimento ao recurso e fixando a indenização no valor de R$ 100 mil.

O valor da indenização será revertido ao Fundo Municipal para a Infância e a Adolescência (FMIA) de Campo Grande, para financiar projetos de combate ao trabalho infantil, sob a fiscalização do Ministério Público do Trabalho. 

Esfera criminal

Thiago Giovanni Demarco Sena, 26 e William Enrique Larrea, 36, foram condenados a 12 anos de prisão pela morte de Wesner Moreira da Silva, em júri realizado em março. Eles aguardam o recurso em liberdade.

No julgamento, a dupla sustentou que não pretendia matar Wesner e, sim, que o episódio teria sido consequência de uma "brincadeira".

OPERAÇÃO CONTENÇÃO

Mulher é presa em Campo Grande durante operação contra o CV

Mandados cumpridos pela Denar em MS integram ofensiva interestadual da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra esquema que teria movimentado R$ 453 milhões em quatro anos

29/05/2026 12h15

Operação teve desdobramentos em seis estados e mira estrutura financeira ligada ao Comando Vermelho

Operação teve desdobramentos em seis estados e mira estrutura financeira ligada ao Comando Vermelho Divulgação

Continue Lendo...

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul cumpriu, nesta sexta-feira (29), um mandado de prisão preventiva e um mandado de busca e apreensão em Campo Grande durante apoio à “Operação Contenção”, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o esquema financeiro ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV).

A ação em Mato Grosso do Sul foi realizada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar). A investigada, identificada pelas iniciais B.P.M.F., de 33 anos, é suspeita de participação em organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do Rio de Janeiro e teve desdobramentos também nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Maranhão.

Conforme as investigações, o grupo utilizava empresas de reciclagem e comércio de sucatas para ocultar recursos obtidos com o tráfico de drogas, especialmente na região do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), área considerada estratégica para atuação da facção.

As equipes apontam que o esquema incluía empresas de fachada, emissão de notas fiscais fraudulentas, contas bancárias de terceiros e intensa movimentação financeira entre empresas para dar aparência de legalidade ao dinheiro ilícito.

Segundo informações divulgadas pela imprensa do Rio de Janeiro, a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 453 milhões em um período de quatro anos. A operação também mira integrantes apontados como responsáveis pela administração financeira do grupo.

Entre os alvos da ofensiva está Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho. Ele não foi localizado e segue foragido. A esposa dele, Raquel Neves dos Santos Mendonça, foi presa durante o cumprimento dos mandados.

Outro investigado é Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como “Tek”, apontado pela polícia como responsável pela gestão financeira da facção. Ele também não foi encontrado.

As apurações foram conduzidas com base em relatórios de inteligência financeira, quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, além do cruzamento de dados patrimoniais.

De acordo com a Polícia Civil, a ofensiva tem como principal objetivo desarticular a estrutura econômica que sustenta o tráfico de drogas e enfraquecer financeiramente o Comando Vermelho.

A Denar disponibiliza os telefones (67) 99995-6105, via WhatsApp, e (67) 3345-0000 para denúncias anônimas.

Assine o Correio do Estado

EXÉRCITO BRASILEIRO

Inscrições para alistamento feminino encerram no fim de junho

Com 99 vagas disponíveis, candidatas passarão oito meses em seleção e serão incorporadas ao Exército Brasileiro em março de 2027

29/05/2026 11h45

2ª turma de soldados mulheres do Exército Brasileiro será incorporada em março de 2027; alistamento vai até 30 de junho

2ª turma de soldados mulheres do Exército Brasileiro será incorporada em março de 2027; alistamento vai até 30 de junho Arquivo Correio do Estado / Marcelo Victor

Continue Lendo...

Para as meninas que completam 18 anos em 2026 e desejam fazer parte do Exército Brasileiro, as inscrições para alistamento voluntário vão até o dia 30 de junho. Após as etapas do processo de seleção e incorporação das jovens, esta será a segunda turma de mulheres soldados do EB.

O alistamento destina as soldados para servir em Organizações Militares do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande, no âmbito da 9ª Região Militar. As interessadas podem realizar a inscrição presencialmente na Junta de Serviço Militar do município, localizada na  Rua Antônio Maria Coelho, n. 300, na Vila Planalto, ou online, no site alistamento.eb.mil.br.

Com o fim do alistamento em junho, a seleção segue com etapas de seleção que incluem entrevistas, avaliações médicas e dentária, além de palestra de orientação sobre o Serviço Militar. A divisão dessas etapas acontecerão ao longo deste ano e início do próximo. Confira:

1ª etapa
> Alistamento voluntário - 1º de janeiro a 30 de junho de 2026;

2ª etapa
> Seleção geral - julho de 2026;

3ª etapa
> Seleção Complementar - fevereiro de 2027;

4ª etapa
> Designação - março de 2027.

A primeira etapa são as inscrições, iniciadas em janeiro deste ano. Em seguida a partir de julho acontecerá a Seleção Geral, em que as inscritas serão convocadas para comparecer à Comissão Permanente de Seleção das Forças Armadas, na Rua General Nepomuceno Costa, nº 168, na Vila Alba, onde passarão por inspeção de saúde.

Nesta seleção, as meninas passarão por exames médicos, dentários e receberão orientações sobre o exército. De acordo com as informações as jovens saberão no mesmo dia se são consideradas aptas ou inaptas.

Então em fevereiro de 2027 ocorrerá a Seleção Complementar, nesta fase as alistadas passarão por uma nova entrevista e outra avaliação médica. Por fim, em março ocorre a seleção final e incorporação das soldados às fileiras do Exército Brasileiro, e a designação para as Oranizações Militares.

A previsão é de incorporar 99 mulheres ao Exército Brasileiro em março de 2027.

Carreira militar

Após integrar ao Exército Brasileiro, as voluntárias iniciam na graduação de soldado e durante o período de serviço podem participar de processos internos, com cursos de formação que permitem evoluir na carreira militar. Elas podem chegar até a patente de 3º sargento no serviço militar temporário.

Por ter tempo limitado, as voluntárias não possuem garantia de estabilidade no serviço militar. Ao fim do período de serviço ativo, as militares passam a compor a reserva não remunerada das Forças Armadas, conforme previsto na legislação militar vigente.

Quanto a remuneração, o valor é equivalente a um salário-mínimo (R$ 1.621,00), acrescido de vale-transporte, adicionais e outros benefícios militares.

Segunda turma

As inscrições que vão até o dia 30 de junho é para o alistamento e formação da segunda turma de soldados mulheres do Exército Brasileiro. Anteriormente, só era possível uma mulher ingressar nas Forças Armadas como militares de carreira, mediante aprovação em concurso público, ou como militares temporárias, por meio de seleção conduzida pelas Regiões Militares.

A primeira turma iniciou o processo seletivo em 2025, com 586 candidatas. No total 99 incorporaram às fileiras em março deste ano. O período de instrução encerrou em maio, com as atividades de resistência física, disciplina, espírito de corpo e superação.

As soldados foram incorporadas no Hospital Militar de Área de Campo Grande (H Mil A CG), no Colégio Militar de Campo Grande (CMCG) e na Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Oeste (B Adm Ap/CMO).

Até 2030, o Exército Brasileiro pretende alcançar 20% do público feminino no serviço militar inicial.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).