A morte de Leonardo Dias de Mendonça, de 63 anos, conhecido nacionalmente como “Barão do Tráfico”, ganhou um novo capítulo em Campo Grande. A Justiça Federal determinou uma série de diligências para esclarecer a causa da morte do detento diante de uma suspeita de envenenamento levantada após ele passar mal enquanto cumpria pena na Penitenciária Federal da Capital.
A determinação é do juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini e prevê que o corpo seja submetido a necropsia, com coleta de material para exames toxicológicos e análise de tecidos.
A decisão também estabelece a realização de inspeção na Penitenciária Federal de Campo Grande, onde Leonardo estava preso desde 2019.
Conhecido pelo histórico de atuação no narcotráfico e apontado no passado pela Polícia Federal como um dos grandes nomes do tráfico de drogas no País, Leonardo morreu na quinta-feira (20), depois de permanecer internado em estado grave na Santa Casa de Campo Grande.
Ele havia sido retirado da unidade prisional e encaminhado de ambulância para atendimento médico após apresentar problemas de saúde.
Leonardo deu entrada na Unidade do Trauma da Santa Casa na segunda-feira (17), em estado considerado gravíssimo, e permaneceu hospitalizado até a morte.
Agora, a investigação deverá buscar uma resposta para o que provocou a piora no estado de saúde do preso. A realização dos exames pretende verificar, entre outras possibilidades, a presença de substâncias que possam esclarecer se houve ou não envenenamento.
A suspeita não representa, até o momento, uma conclusão sobre a causa da morte. É justamente para confirmar ou afastar essa hipótese que a Justiça determinou a realização de procedimentos periciais mais aprofundados.
Além da análise do corpo, a decisão amplia a apuração para dentro da Penitenciária Federal. A inspeção deverá contribuir para reconstruir as circunstâncias anteriores ao momento em que Leonardo passou mal e precisou ser retirado da unidade para atendimento hospitalar.
A morte também provocou um impasse em torno da liberação do corpo. A defesa de Leonardo afirmou que precisava da documentação médica necessária para que o traslado fosse realizado para Goiânia, onde ocorreria a continuidade dos procedimentos funerários.
De ex-garimpeiro a nome do narcotráfico
A trajetória de Leonardo Dias de Mendonça no crime organizado remonta ao fim da década de 1990. Antes de ganhar projeção nas investigações sobre tráfico internacional de drogas, ele havia trabalhado como garimpeiro e mantido comércio relacionado à atividade.
Com o avanço das investigações federais, porém, passou a ser apontado como responsável por uma estrutura criminosa com atuação para além das fronteiras brasileiras.
Uma das investigações que projetaram seu nome nacionalmente foi a Operação Diamante, deflagrada pela Polícia Federal no início dos anos 2000.
Em 2003, Leonardo foi condenado a 23 anos e quatro meses de prisão por tráfico internacional de drogas. O processo estava relacionado à apreensão de 327 quilos de cocaína encontrados pela Polícia Federal em uma aeronave em Cocalinho, no Mato Grosso, em 1999.
Investigações da época apontaram ainda conexões internacionais e movimentações relacionadas ao tráfico de drogas. O nome de Leonardo também chegou a integrar a lista de procurados da Interpol.
Ao longo dos anos, autoridades apontaram ramificações do grupo em diferentes estados brasileiros e conexões fora do País. Leonardo também ficou conhecido pela ligação mantida no passado com Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos traficantes mais conhecidos do Brasil.
Em investigação do início dos anos 2000, a Polícia Federal chegou a identificar movimentações financeiras entre os dois relacionadas a encomendas de drogas. Leonardo também foi investigado por suspeita de negociar cocaína com integrantes das Farc, na Colômbia.
Em 2009, ele foi transferido da carceragem da Polícia Federal em Goiânia para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Naquele período, acumulava condenações que chegavam a 39 anos de prisão.
Mesmo atrás das grades, investigações apontaram que Leonardo continuava mantendo influência sobre uma organização criminosa com conexões internacionais.
Anos depois, ele passou ao regime semiaberto e chegou a utilizar tornozeleira eletrônica, em 2018. A liberdade, entretanto, não durou muito.
No ano seguinte, voltou a ser preso durante uma operação da Polícia Federal que investigava uma organização suspeita de utilizar pequenas aeronaves para transportar drogas e posteriormente enviar os entorpecentes para a Europa.
Desde 2019, Leonardo estava custodiado na Penitenciária Federal de Campo Grande, unidade de segurança máxima destinada a presos considerados de alta periculosidade ou com influência sobre organizações criminosas.
Aos 63 anos, a morte encerrou uma trajetória marcada por décadas de investigações e condenações relacionadas ao narcotráfico. As circunstâncias dos últimos dias de Leonardo, porém, ainda estão longe de uma conclusão.
Os resultados da necropsia, dos exames toxicológicos e das demais diligências determinadas pela Justiça Federal deverão indicar se a suspeita de envenenamento possui fundamento ou se a morte decorreu de outras causas. Até que os laudos sejam concluídos, a hipótese permanece sob investigação.




