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É falso que chá de folha de mamão combata a dengue

Infectologistas consultados pelo Comprova afirmam que a planta não traz benefício clínico de aumento de plaquetas e também não previne eventuais complicações da dengue, como hemorragia

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Não há comprovação científica de que a folha do mamoeiro e derivados da planta, como chá ou extrato de folha de mamão, sejam eficazes no tratamento de pacientes com dengue e no aumento dos níveis de plaquetas. Infectologistas consultados pelo Comprova afirmam que a planta não traz benefício clínico de aumento de plaquetas e também não previne eventuais complicações da dengue, como a hemorragia.

Conteúdo investigado: Dois vídeos publicados nas redes sociais que apresentam maneiras de tratar a dengue usando folha de mamão para aumentar os níveis de plaquetas e evitar um eventual quadro hemorrágico.

A autora de um dos conteúdos investigados ensina a fazer um chá usando a folha de mamão sob o argumento de que a infusão a teria ajudado na recuperação da doença. No outro vídeo, um homem recomenda o extrato de mamão como uma maneira natural de combater a doença sem efeitos colaterais.

Onde foi publicado: TikTok e Facebook.

Conclusão do Comprova: Não existem evidências científicas que comprovem que a folha do mamoeiro aumenta os níveis de plaquetas e evita complicações da dengue, como o quadro de hemorragia.

De acordo com especialistas consultados pelo Comprova, o chá de folha de mamão ou o extrato de mamão, recomendados nos conteúdos investigados, não possuem ação direta ou indireta no aumento de plaquetas e não podem ser considerados uma forma de tratamento no combate aos efeitos da dengue.

Os autores dos vídeos afirmam que a folha do mamão teria propriedades medicinais no tratamento da dengue. Em uma das gravações, uma jovem diz ter tido a doença e afirma que o chá de folha de mamão aumentou suas plaquetas.

No outro conteúdo investigado, um homem, que nas redes sociais se apresenta como biólogo e especialista em plantas medicinais, recomenda usar extrato de mamão para combater a dengue de maneira natural. Também segundo ele, a folha aumentaria os níveis de plaquetas e evitaria o quadro de hemorragia.

De acordo com o infectologista Alexandre Naime Barbosa, que é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o consumo de chá de mamão, folha de mamão ou de suco de mamão não traz benefício clínico de aumento de plaquetas, seja na pessoa saudável ou no paciente com dengue.

Na avaliação do especialista, alegações como essas desviam a atenção do que realmente importa, que é o diagnóstico precoce da doença e a busca por um serviço médico para fazer a hidratação adequada.

Conforme explicou a infectologista Marise Reis, professora associada e chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a queda de plaquetas é uma alteração esperada nos casos de dengue, mesmo nas formas mais brandas. Segundo Reis, os índices das plaquetas servem como parâmetro para avaliar se o caso tem gravidade ou não.

"As plaquetas caem mesmo e elas são recuperadas posteriormente, de forma espontânea", disse.

Ela acrescentou que não há evidência ou estudo que comprove a relação entre o consumo do chá de folha de mamão e o aumento do nível de plaquetas. "Para controle da dengue, eu diria que não temos nenhuma evidência científica e eu não recomendo", ressaltou.

página do Ministério da Saúde dedicada à dengue esclarece que ainda não existe tratamento específico para a doença e que a melhora do quadro requer reposição adequada de líquidos.

A pasta orienta que, além da ingestão de líquidos, o paciente deve fazer repouso, não se automedicar, procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme e retornar para a reavaliação da situação clínica, de acordo com a orientação médica.

Falso, para o Comprova, é todo conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma falsidade.

Alcance da publicação: O Comprova investiga os conteúdos suspeitos com maior alcance nas redes sociais. O vídeo publicado no Tiktok acumula 261 mil visualizações, 16,3 mil curtidas e mais de 7 mil compartilhamentos até o dia 21 de fevereiro de 2024. O outro conteúdo investigado, publicado no Facebook, contava com 15 mil visualizações até a publicação desta checagem.

Como verificamos: A reportagem entrevistou infectologistas citados acima e consultou as orientações do Ministério da Saúde a respeito dos sintomas e tratamento correto da dengue.

Folha de mamão não tem eficácia científica comprovada

Ao Comprova, Alexandre Naime Barbosa, da SBI, explicou que não existem estudos clínicos com comprovação de que o chá de folha de mamão ou qualquer outro produto do mamão provoque o aumento de plaquetas no corpo humano.

Segundo Barbosa, o que pode existir são estudos in vitro, ou seja, realizados em laboratório, mas que não atestam eficácia in vivo, ou seja, no organismo de uma pessoa.

"Para a gente aprovar um tratamento como eficaz, ele precisa ter os famosos 'estudos de fase três'. Isso significa usar a intervenção, nesse caso seria o chá de folha de mamão, em um grupo de pessoas e, no outro grupo, usar o placebo", disse.

De acordo com o infectologista, o chá de folha de mamão só poderia ser considerado eficaz se no grupo em que ele foi utilizado ocorresse o aumento real de plaquetas, o que, segundo ele, não existe na medicina.

"Por mais que vá citar um estudo A ou B feito em laboratório, em tubo de ensaio, não há comprovação clínica, então não funciona", pontuou.

No vídeo gravado pelo homem que se identifica como biólogo e especialista em plantas medicinais, há a afirmação de que a folha do mamão evitaria um quadro hemorrágico, o que não é verdade segundo a infectologista Eliana Bicudo, da SBI.

Segundo Bicudo, não existe nenhum trabalho científico que evidencie resposta terapêutica da folha do mamão ao tratamento da dengue. A especialista destaca que a orientação médica para pessoas diagnosticadas ou com suspeita de dengue é a hidratação.

"A gente sugere que o paciente tome, em 24 horas, 80 ml de líquido por quilo de peso corporal", disse.

O especialista em arboviroses Kleber Giovanni Luz, infectologista da UFRN e consultor da Organização Mundial da Saúde, salienta que a folha do mamão não possui absolutamente nenhum efeito no tratamento da dengue.

Segundo ele, o consumo do chá pode até levar a uma inflamação no fígado. "A gente não deve usar esses produtos naturais apenas os chás com sentido de hidratar a pessoa. O ideal é o soro de reidratação oral e água".

Queda de plaquetas é esperada nos casos de dengue

Os autores dos vídeos verificados aqui apresentam a folha do mamão como uma solução para aumentar as plaquetas elementos do sangue que atuam na coagulação. De acordo com a médica infectologista Marise Reis, da UFRN, a queda de plaquetas está entre as alterações características da dengue.

"A queda de plaquetas é um parâmetro que a gente monitora para avaliar se a doença tem gravidade ou não", esclarece Reis. A infectologista Eliana Bicudo, da SBI, também explicou que a doença inflamatória causada pelo vírus da dengue consome plaquetas na corrente sanguínea, por isso os níveis caem.

"A partir do momento em que o vírus vai morrendo porque os anticorpos vão matando o vírus, ele vai diminuindo essa reação inflamatória e deixa de consumir plaquetas", detalhou Bicudo.

Em um dos vídeos verificados, a autora diz ter tido dengue e afirma que o chá da folha do mamão foi responsável por aumentar as plaquetas dela. Segundo Eliana, não foi o chá da planta que fez a autora do vídeo melhorar, mas sim a evolução natural da doença com o passar do tempo.

"Não é um chá especificamente o motivo da melhora dela. Os anticorpos dela é que começaram a combater o vírus. Com isso, ocorre uma menor destruição das plaquetas."

Dengue não possui tratamento específico

De acordo com o Ministério da Saúde, a dengue é uma doença febril aguda, sistêmica, dinâmica, debilitante e autolimitada. Na página com informações sobre a doença, a pasta informa que a maioria dos doentes se recuperam, porém, parte deles pode progredir para formas graves, inclusive virem a óbito.

"A quase totalidade dos óbitos por dengue é evitável e depende, na maioria das vezes, da qualidade da assistência prestada e da organização da rede de serviços de saúde", explica a pasta.

Embora não exista um tratamento específico contra a doença, infectologistas consultados pelo Comprova destacaram a importância de pacientes com dengue se hidratarem.

De acordo com Eliana Bicudo, a doença desidrata rapidamente pela febre, pelos vômitos e pela diarreia. Assim, os pacientes devem ingerir bastante líquido para evitar o agravamento do quadro. A infectologista comentou também que o volume de líquido pode ser limitante para alguns pacientes, o que pode gerar necessidade de hidratação venosa.

Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, os pacientes devem procurar o serviço médico logo nos primeiros dias e fazer hidratação de acordo com a fase da dengue em que ele se encontra. Barbosa também chamou atenção para as complicações da dengue e explicou que o termo "dengue hemorrágica" caiu em desuso.

Segundo ele, a dengue grave, como é chamada, pode acontecer mesmo sem hemorragia. "A gente tem óbito por dengue sem sangramento, é por isso que a gente evita usar o termo dengue hemorrágica", informou.

Conforme o Ministério da Saúde, quem apresentar febre de 39° a 40° graus de início repentino e pelo menos duas das seguintes manifestações dor de cabeça, prostração, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos deve procurar imediatamente o serviço de saúde. A pasta orienta que os pacientes fiquem atentos após o período febril.

"Com o declínio da febre (entre 3° e o 7° dia do início da doença), sinais de alarme podem estar presentes e marcar o início da piora no indivíduo. Esses sinais indicam o extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos e/ou hemorragias."

Os sintomas que caracterizam os sinais de alarme são: dor abdominal intensa e contínua; vômitos persistentes; acúmulo de líquidos em cavidades corporais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico); hipotensão postural e/ou lipotímia; letargia e/ou irritabilidade; aumento do tamanho do fígado (hepatomegalia) > 2cm; sangramento de mucosa e aumento progressivo do hematócrito.

O que diz o responsável pela publicação: Procurados, os autores dos vídeos que divulgam supostas propriedades da folha do mamão no tratamento da dengue não responderam à tentativa de contato.

O que podemos aprender com esta verificação: É comum que, em momentos de crise sanitária, as pessoas sejam incentivadas a tomar decisões prejudiciais à saúde individual ou coletiva, como seguir tratamentos não comprovados.

Desconfie de publicações que não tragam link para a fonte dos estudos citados ou adotem tom alarmista. Na dúvida, procure as autoridades da área, como a OMS e o Ministério da Saúde, além de dados na imprensa profissional para obter informações confiáveis.

Por que investigamos: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas e eleições no âmbito federal e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: As alegações verificadas também foram desmentidas pelo UOL ConfereAgência Lupa e Aos Fatos. Ainda sobre a dengue, recentemente, o Comprova desmentiu a suposta eficácia da ivermectina contra a doença e classificou como falso um vídeo que indica o uso de vinagre de álcool como repelente contra o mosquito Aedes aegypti.

Golpe do Falso Advogado

Falso advogado engana família e golpe termina em Pix de R$ 250 mil em MS

Criminoso alegou que pagamento era necessário para liberar valores de processo judicial; transferência foi contestada junto ao banco e caso será investigado pela Polícia Civil.

11/08/2026 17h31

Caso foi registrado na Depac de Dourados após vítima transferir R$ 250 mil via Pix para golpista que se passou por advogado.

Caso foi registrado na Depac de Dourados após vítima transferir R$ 250 mil via Pix para golpista que se passou por advogado. Foto: Divulgação.

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Uma família de Dourados, na região sul de Mato Grosso do Sul, procurou a polícia após perder R$ 250 mil em um golpe aplicado por uma pessoa que se passou por advogado. O caso foi registrado na manhã desta terça-feira (11), na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), depois que a vítima realizou uma transferência via Pix acreditando que o pagamento seria necessário para liberar valores relacionados a um processo judicial.

Conforme o boletim de ocorrência, um homem de 29 anos compareceu à delegacia para relatar que o pai havia recebido uma mensagem de uma pessoa que se apresentou como sendo seu advogado.

Durante a conversa, o suposto profissional teria informado que existiam valores disponíveis em um processo judicial, mas que seria necessário realizar previamente um pagamento para que o dinheiro pudesse ser liberado.

A abordagem é semelhante à utilizada no chamado “golpe do falso advogado”, modalidade de fraude na qual criminosos entram em contato com vítimas e utilizam informações relacionadas a processos ou profissionais da advocacia para dar aparência de legitimidade à cobrança.

Pix de R$ 250 mil

Ainda segundo o registro policial, durante a troca de mensagens, o golpista encaminhou uma chave Pix vinculada ao nome de uma propriedade rural e orientou a vítima a realizar uma transferência no valor de R$ 250 mil.

Acreditando que conversava com o advogado e que o procedimento estava relacionado à liberação de recursos judiciais, o homem efetuou a operação bancária.

Somente após a conclusão da transferência a família percebeu que se tratava de uma fraude.

Ao tomar conhecimento do ocorrido, o filho da vítima entrou imediatamente em contato com o gerente da instituição financeira para tentar impedir que o dinheiro fosse definitivamente perdido.

De acordo com o boletim de ocorrência, o banco realizou a contestação da transferência feita via Pix. O registro, porém, não informa se o valor chegou a ser bloqueado ou recuperado.

Após o contato com a instituição financeira, a família foi orientada a procurar a polícia e formalizar a denúncia.

Caso será investigado

A ocorrência foi registrada na Depac de Dourados como fraude eletrônica e será investigada pela Polícia Civil.

A apuração deverá buscar identificar quem entrou em contato com a vítima, a origem das mensagens e o responsável pela chave Pix utilizada para receber os R$ 250 mil.

O caso também deverá esclarecer de que maneira o autor teve acesso às informações utilizadas para convencer a vítima de que estava em contato com seu verdadeiro advogado.

Golpes desse tipo exploram principalmente a confiança entre clientes e profissionais da advocacia. Os criminosos costumam apresentar supostos pagamentos, taxas ou despesas como condição para a liberação de indenizações ou outros valores relacionados a ações judiciais.

Diante de contatos semelhantes, a orientação é não realizar transferências imediatamente e confirmar qualquer solicitação financeira diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo, utilizando números de telefone e canais de comunicação já conhecidos pelo cliente.

Como funciona o golpe do falso advogado

No golpe do falso advogado, criminosos podem utilizar informações disponíveis em processos judiciais para identificar as partes envolvidas e tornar a abordagem mais convincente.

Em alguns casos, os golpistas também usam nomes, fotografias e outras informações de advogados encontradas na internet e nas redes sociais para se passar pelos profissionais que representam as vítimas.

A abordagem geralmente começa com uma notícia positiva. O criminoso afirma que houve uma decisão favorável em determinado processo e que existe uma quantia disponível para recebimento.

Logo depois, porém, solicita uma transferência para o pagamento de supostas custas, taxas, impostos ou despesas necessárias para a liberação do dinheiro.

Outra estratégia recorrente é criar um sensode urgência, alegando que o pagamento precisa ser realizado imediatamente para que a vítima não perda o direito de receber o valor. A pressão para realizar transferências em curto espaço de tempo deve ser encarada como sinal de alerta.

Diante de uma solicitação desse tipo, a recomendação é não fazer pagamentos nem fornecer dados bancários antes de confirmar a informação.

A vítima deve interromper a conversa e entrar em contato diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo por meio de um telefone que já conheça, evitando utilizar números enviados durante a abordagem suspeita.

Mesmo fotografias, áudios ou chamadas de vídeo não devem ser considerados, isoladamente, como garantia de que o contato é verdadeiro.

Em caso de dúvida, especialmente quando houver pedido de transferência de valores, a confirmação diretamente com o profissional responsável pelo processo ou presencialmente no escritório é uma das formas de evitar cair na fraude.

Guardiões de fogo

Operação contra fraude para obter CAC apreende armas e munições em Campo Grande

Segunda fase da Operação Guardiões de Fogo foi deflagrada nesta terça-feira pela Polícia Federal

11/08/2026 17h15

Armas e munições foram apreendidas em Mato Grosso do Sul

Armas e munições foram apreendidas em Mato Grosso do Sul Foto: Divulgação / Polícia Federal

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A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (11), a segunda fase da Operação Guardiões de Fogo, que tem como foco o combate à posse ilegal de armas de fogo obtidas mediante fraude no processo de concessão de registro de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Em Campo Grande, foi cumprido um mandado de busca e apreensão.

Durante o cumprimento da medida judicial, foram apreendidas armas de fogo, munições, documentos e outros materiais relacionados.

De acordo com a PF, investigações apontaram que o suspeito teria utilizado documentos inaptos durante a fase de concessão do registro, burlando os requisitos legais exigidos para a aquisição e para a manutenção de armas de fogo.

O registro de CAC exige o cumprimento de critérios rigorosos, como idoneidade, capacidade técnica e avaliação psicológica. O uso de documentos falsos, conforme a Polícia Federal, enfraquece o controle sobre armas e pode facilitar o acesso de criminosos a armamentos.

Primeira fase

A primeira fase da Operação Guardiões de Fogo foi deflagrada no dia 9 de julho, em Campo Grande. 

Na ocasião, a Policia Federal apreendeu cerca de 300 munições, duas pistolas calibre 9 mm e um fuzil .22 de um suspeito que estaria com documentos da concessão de CAC irregulares. 

Segundo as investigações, o homem teria utilizado documentos não considerados aceitos para obter o registro, burlando os requisitos legais exigidos para a aquisição e a manutenção de armas de fogo. 

Em fases anteriores da Operação, em Belo Horizonte, a Polícia Federal prendeu um homem em flagrante no dia 22 de junho. O suspeito também teria apresentado documentos falsos para conseguir a autorização para compra de armamentos. 

Durante o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, os policiais encontraram duas pistolas, 130 munições e materiais relacionados a outros crimes. 

O homem mantinha as armas em um endereço diferente do que consta no cadastro, o que configura irregularidade, segundo a polícia.

CAC

O Certificado de Registro da Polícia Federal dá o direito a Caçadores, Atiradores e Colecionadores à compra de munições facilitada, permissão para caçar legalmente o javali, transporte de armas e munições em todo o país, aquisição de um maior número de armas e a possibilidade de adquirir armas de calibres restritos.

Além disso, os detentores do registro também têm a possibilidade de adquirir armas diretamente das fábricas com preços vantajosos, podem importar armas e deslocar-se com suas armas para atividades de caça, tiro desportivo e competição. Também é autorizada a compra de munições e insumos em maiores quantidades.

Quem possui o registro não pode andar armado. É autorizado apenas a posse da arma, mantendo em casa ou no local de trabalho e o trânsito para locais de treino, abate ou exposição, com a arma obrigatoriamente sem munição e em maleta própria. 

Entre os itens obrigatórios para se tornar CAC e obter o registro próprio, estão:

  • Ter no mínimo 18 anos completos e 25 anos para aquisição de arma de fogo;
  • Não possuir antecedentes criminais incompatíveis com a atividade de CAC, como condenações por crimes dolosos ou contra a segurança pública;
  • Não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal;
  • Apresentar aptidão psicológica para o manuseio de armas de fogo, comprovada por meio de avaliação psicológica realizada por psicólogo credenciado pela Polícia Federal;
  • Apresentar os documentos obrigatórios (documento de identificação, certidão de antecedentes criminais, comprovante de ocupação lícita, comprovante de residência);
  • Realizar o pagamento da taxa de registro junto ao Exército, de R$ 100 e outras taxas obrigatórias. O valor total pode chegar a R$ 3,5 mil.

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