Edifícios novos a serem construídos em Campo Grande deverão ter chuveiros automáticos para contenção de chamas (os chamados sprinklers), além de heliportos. Essas exigências vão constar na nova redação do projeto de lei dos vereadores Paulo Siufi (PMDB) e Thais Helena (PT). A proposta anterior, que obriga funcionários de edifícios com mais de três andares, de escolas municipais, privadas e de universidades instaladas na Capital a fazerem treinamento para utilização de equipamentos preventivos contra incêndios, será vetada pelo prefeito Nelsinho Trad (PMDB) para que o texto seja ampliado. No entanto, ainda serão definidos os critérios para a exigência dos novos itens de segurança.
Outra novidade a ser acrescentada no novo projeto de lei é a instalação de escadas externas em edifícios com mais de três andares. "As escadas externas terão um papel fundamental pois não possuímos escadas Magirus suficientemente altas (veja matéria nesta página). E os heliportos serão obrigatórios em edifícios com altura acima de determinada quantidade de andares, número que será estabelecido com base em legislações anteriores", explicou o vereador Paulo Siufi. O novo texto também poderá recomendar que prédios antigos façam as adequações.
A intenção dos parlamentares é focar na prevenção de acidentes com fogo através da conscientização e preparação dos moradores e funcionários dos locais. A iniciativa chamou a atenção da empresa Sprink, primeira do país criada especificamente para a realização de projetos de sistema de prevenção a incêndios, que mandou representante para conversar com os vereadores.
Guay Coelho, gerente da filial carioca da Sprink, esteve na manhã de ontem no gabinete do Dr. Paulo Siufi cumprimentando-o pela iniciativa. "Sabemos da importância da prevenção; onde há fogo, não houve prevenção. Rio de Janeiro é uma das capitais que pode ser considerada modelo em legislação de prevenção de incêndio. Campo Grande dá um importante passo nesta direção com a elaboração deste Projeto de Lei", explicou o especialista.
Na cidade do Rio de Janeiro existe, por exemplo, um decreto que obriga os edifícios a fixarem na portaria o Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros. "Eu tenho o direito de saber se o local que estou frequentando está de acordo com as normas de segurança da Corporação", ilustra Guay. Outro decreto obriga recintos fechados a orientarem os frequentadores para o caso de acontecer acidente de porte, como alguns cinemas costumam fazer antes do início da sessão.
Incidente
Os métodos de prevenção e extinção de acidentes com fogo começaram a ser exaustivamente debatidos em Campo Grande depois do incêndio no 9º andar do edifício Leonardo da Vinci, localizado na Rua Amazonas, Bairro São Francisco. O incidente aconteceu no dia 2 de outubro e resultou na morte de duas pessoas por intoxicação por fumaça, o publicitário Giovanni Sérgio Dolabanni Leite, de 24 anos, e a defensora pública Kátia da Silva Soares Barroso, de 37 anos.
O resultado da perícia no edifício ainda não foi divulgado, mas um dos problemas verificados foi o despreparo dos moradores do prédio em situações como essa. As portas corta-fogo, que deveriam servir de isolamento para a escada de emergência, foram deixadas abertas e todo o setor foi tomado pela fumaça.
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