Cidades

DESENTEDIMENTO

Em Campo Grande, enteado esfaqueia padrasto por causa de pés de maconha

Foram encontrados sete volumes da plantação, totalizando quase 2 kg. O responsável pela maconha apresentou os documentos que comprovam o uso para fins medicinais

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Uma briga de família, no bairro Amambai, em Campo Grande, na noite desta quinta-feira (28), acabou com o padrasto esfaqueado pelo enteado, após desentendimento por causa de plantação de pés de maconha. 

De acordo com a versão apresentada por Wendel Pereira de Almeida, de 34 anos, ele estava em seu quintal regando suas plantas quando seu padrasto Wandel Donizetti da Silva, de 45, acompanhado de sua mãe, Eliane Melo Pereira, chegaram à residência após ambos terem consumido bebidas alcoólicas em um bar próximo.

Segundo Wendel, seu padrasto teria ido até o quintal, chutado um vaso de sua plantação de maconha e, em seguida, desferido um soco em seu rosto, outro em sua cabeça e um chute em sua perna esquerda. A briga se estendeu até a cozinha, momento em que sua mãe tentou intervir.

Contudo, o padrasto teria passado a agredir ambos, inclusive utilizando uma tesoura para tentar desferir golpes contra eles. Nesse momento, para impedir a agressão, Wendel relata que conseguiu pegar uma faca e desferir um golpe no abdômen dele, fazendo com que este se afastasse e parasse as agressões.

Questionada sobre os fatos, Eliane Melo Pereira confirmou a versão apresentada por seu filho. O padrasto recebeu os primeiros socorros do Corpo de Bombeiros Militar e, após os procedimentos, foi encaminhado à Santa Casa.

Durante a abordagem, foi encontrado em posse de Wendel um frasco contendo substância análoga a óleo de cannabis, sendo apresentados o laudo médico e a autorização judicial para uso do medicamento. A documentação teve sua validade verificada junto à autoridade policial na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário da Cepol (DEPAC/CEPOL).

Questionado pelos policiais sobre a existência de plantação de maconha em sua residência, o rapaz confirmou a informação e guiou a equipe até o local onde estava, sendo localizados sete volumes, dos quais quatro eram porções e três eram plantas, totalizando aproximadamente 1.890 gramas da substância.

Wendel informou que ainda não possui autorização judicial para o cultivo, mas já está em processo para obtenção do documento. Diante dos fatos, ele foi conduzido até a DEPAC-CEPOL para demais esclarecimentos.

O rapaz apresentava hematoma abaixo do olho esquerdo, escoriação no cotovelo direito, na mão esquerda, arranhão na região abdominal e queixava-se de dor na perna esquerda, decorrente do chute do padrasto.

O enteado também relatou que Wandel é "faixa preta em Karatê do tipo Shotokan" e aproveitou de sua condição física avantajada para agredi-lo.

A equipe policial apreendeu somente a faca usada por Wendel. As plantas do tipo Cannabis foram encaminhadas a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (DENAR). 

Documentos que comprovam a autorização para uso medicinal de canabideol foram apresentadas no plantão policial, bem como o pedido judicial para cultivo da matéria prima. O padrasto, autuado em flagrante delito, permanece em observação no pronto socorro da Santa Casa, sob escolta policial. 

Fluxo Oculto

Máfia dos combustíveis ligada ao PCC mantém tentáculos em MS

Ministério Público de São Paulo e Receita Federal deflagraram ontem segunda fase da Operação Carbono Oculto em 5 estados

29/05/2026 08h00

Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva

Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva Reprodução

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Empresas localizadas em Iguatemi voltaram a ser alvo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Receita Federal, desta vez, na Operação Fluxo Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto. Mais uma vez, o município de Iguatemi, onde a máfia que tem como chefões Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, foi alvo dos mandados de busca e apreensão.

Nesta segunda fase da Operação Carbono Oculto, que teve a primeira fase deflagrada em agosto do ano passado, foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de Mato Grosso do Sul.

Conforme o MPSP, o objetivo da nova operação foi “avançar no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes. Os focos principais nessa operação são mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta [solvente]”.

Em Mato Grosso do Sul o esquema teria voltado a endereços em Iguatemi. Na primeira fase foram alvos de busca e apreensões as empresas Alpes Distribuidora de Combustíveis, Start Petróleo S.A., Maximus

Distribuidora de Combustíveis Ltda., Império Comércio de Petróleo S.A., Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda., Safra Distribuidora de Petróleo S.A. e Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda.

As sete empresas possuem o mesmo endereço: Rodovia das Balsinhas, zona rural de Iguatemi. As semelhanças não estariam apenas no local da sede, mais também no proprietário, segundo investigação do Gaeco de São Paulo, todas faziam parte do “Grupo Mohamad”.

“Há fortes laços entre o grupo de Mohamad e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital [PCC], que se beneficiam do ecossistema de lavagem de capitais facilitado pela atuação nas usinas e no setor de combustíveis”, diz trecho da representação do MPSP no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Segundo o Gaeco, após a primeira fase da operação, a investigação descobriu que mais seis fintechs atuavam como “bancos paralelos” da organização criminosa. 

“Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”, descreve o MPSP.

Além das fintechs, a investigação também apurou que, apesar da operação de 2025, houve aumento do volume de desvio de solventes petroquímicos e abertura de novas empresas de fachada para a lavagem de dinheiro.

NÚCLEOS

Conforme a investigação, foi identificado que a organização criminosa tinha vários núcleos, o de lavagem de dinheiro, que envolvia fintechs da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e também o núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustível.

A investigação identificou “robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma”, segundo nota do Gaeco de São Paulo.

“Neste núcleo, a investigação conjunta do Gaeco [de São Paulo] e da Receita Federal identificou que são utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”, explica o MPSP.

“Os recursos financeiros obtidos com o esquema eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvos da operação, juntamente com duas administradoras de recursos e duas gestoras”, completa a nota.

Para que esse esquema funcione, criminosos criavam diversas empresas em vários estados do País e utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos como laranjas, para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, que na prática eram desviados para a Grande São Paulo.

Ainda de acordo com o MPSP, os quatro fundos investigados no esquema de desvio de solvente possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. “Em pouco mais de um ano, houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante”, diz o Gaeco de SP.

FINTECHS

Em coletiva realizada em São Paulo, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, afirmou que apenas uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo do esquema ligado ao PCC.

Segundo reportagem do G1, os relatórios de inteligência financeira apontaram que, ao todo, houve movimentação atípica e suspeita de quase R$ 26 bilhões do grupo criminoso.

* Saiba 

No ano passado, além de endereços em Iguatemi, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Copape Produtos de Petróleo Ltda., Control Participações Ltda. e Gasp Participações e Investimentos S.A., em Campo Grande.

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Trânsito

Vítimas contam como acidentes deixam traumas que vão além das sequelas físicas

A reportagem conversou com dois motociclistas que tiveram lesões sérias em razão de colisões nas vias campo-grandenses

29/05/2026 08h00

Leonardo Yule sofreu acidente na terça-feira, em Campo Grande, e está internado na Santa Casa

Leonardo Yule sofreu acidente na terça-feira, em Campo Grande, e está internado na Santa Casa Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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As consequências de um acidente de trânsito podem durar a vida toda para os envolvidos, seja física ou mentalmente. O Correio do Estado conversou com dois campo-grandenses que se acidentaram e tiveram sequelas que impactam no dia a dia deles.

Estudante de Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Leonardo Yule, de 23 anos, sofreu um acidente na terça-feira, próximo ao Rádio Clube, mais especificamente na Avenida Três Barras, por volta das 17h30min. Na ocasião, ele estava conduzindo sua moto no sentido da rotatória da Coca-Cola, quando um carro atravessou o caminho sem dar seta.

“Eu estava indo em direção a rotatória da Coca-Cola e tinha uma mulher estacionada, no ponto direito da Avenida, enquanto eu estava na faixa da esquerda. Ela simplesmente ligou o carro e cruzou as três faixas de uma única vez, sem olhar para ver se estava vindo alguém. Eu tentei fazer uma frenagem, mas não consegui segurar muito. Eu fui jogando a moto para esquerda, buzinei e ela não teve reação nenhuma”, explicou Yule.
Com a batida, ele perdeu a consciência e acordou enquanto estava sendo atendido pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com a equipe médica, Leonardo partiu o braço em três partes e também quebrou o principal osso da perna, o fêmur, além do cotovelo esquerdo ter saído do lugar. Até a manhã de quarta-feira, ele tinha feito apenas uma imobilização para posteriormente passar pelas intervenções cirúrgicas necessárias.

“Por enquanto [na quarta-feira] só fizeram o atendimento. Colocaram um imobilizador e depois fizemos raios-x e tomografia, tudo para ver o que tinha acontecido, porque eu também estava com uma dor no peito devido ao impacto. Nisso eu fiquei em observação, me levaram para o centro de traumas, o ortopedista viu a situação da minha lesão, viu os exames e agora estou em observação novamente para ir para uma cirurgia”, afirmou Yule.

De acordo com pesquisas em sites especializados neste tipo de lesão, fratura no fêmur pode ter sequelas permanentes, especialmente durante a fase de recuperação, que pode apresentar problemas como dor crônica, rigidez no joelho ou quadril, encurtamento da perna e atrofia muscular.

Em sua última postagem nas redes sociais, o estudante havia anunciado a compra de uma nova moto no dia 22 de abril. Infelizmente, cerca de um mês depois, aconteceu o acidente. 

SEQUELAS SÉRIAS

Em fevereiro de 2024, Lucas Viana, de 23 anos, que é projetista de vidro temperado, seguia em uma via paralela à Rua Santa Quitéria, próximo de sua casa. Tanto a chuva quanto a baixa visibilidade no momento contribuíram para a colisão.

“Tinham dois carros estacionados na esquina e eu não tinha visão de quem vinha da esquerda. Eu olhei para a direita e não via ninguém, então coloquei a moto um pouco para a frente para conseguir ver quem vinha da esquerda. Quando eu coloquei a moto para a frente, o carro já estava em cima de mim e foi quando aconteceu o acidente”, relembra.

Com o impacto, a patela do joelho esquerdo saiu do lugar, juntamente com a tíbia, o maior e mais forte dos dois ossos localizados na parte inferior da perna, entre o joelho e o tornozelo, popularmente conhecida como o “osso da canela”. 

Além disso, quebrou dois dedos do pé esquerdo e rasgou boa parte da pele do peito do mesmo pé.
Diante das lesões, Lucas precisou passar por duas intervenções cirúrgicas. A primeira foi para colocar a patela do joelho e os ossos no lugar, precisando colocar fixador externo no local, uma estrutura metálica externa presa aos ossos por pinos, usada para estabilizar fraturas graves ou corrigir deformidades. A recuperação leva um período de seis semanas a seis meses.

A segunda cirurgia aconteceu para ajustar e colocar pinos nos dois dedos que quebraram, além de costurar a pele do pé que havia saído. Por causa de todas essas intervenções, Lucas precisou ficar duas semanas internado e meses até a recuperação completa. De acordo com ele, foram oito meses até conseguir andar sem ajuda.

“Foi um processo meio complicado por conta da lesão no pé, que eu tinha que estar fazendo curativo diariamente, trocando curativo, deu necrose no machucado, aí tive que fazer limpeza, refazer os procedimentos, comprar medicamentos, pomada, então foi um processo bem complicado. Mas depois que eu já estava em casa, começou a ser um pouco mais fácil”, disse.

No começo, Lucas contou que ficou com trauma, tanto que começou a andar mais de carro do que moto. Sobre sequelas, ele falou que sua perna dobra até 80% da capacidade, muito por conta de não ter conseguido fazer fisioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), realizando poucas sessões particulares por conta do preço alto. 

Ainda, os dois dedos quebrados ficaram tortos, também em função da ausência de fisioterapia completa. Atualmente, Lucas consegue seguir sua rotina normalmente, mas com sequelas que o devem acompanhar por longos anos de vida.

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