Cidades

Trânsito

Vítimas contam como acidentes deixam traumas que vão além das sequelas físicas

A reportagem conversou com dois motociclistas que tiveram lesões sérias em razão de colisões nas vias campo-grandenses

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As consequências de um acidente de trânsito podem durar a vida toda para os envolvidos, seja física ou mentalmente. O Correio do Estado conversou com dois campo-grandenses que se acidentaram e tiveram sequelas que impactam no dia a dia deles.

Estudante de Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Leonardo Yule, de 23 anos, sofreu um acidente na terça-feira, próximo ao Rádio Clube, mais especificamente na Avenida Três Barras, por volta das 17h30min. Na ocasião, ele estava conduzindo sua moto no sentido da rotatória da Coca-Cola, quando um carro atravessou o caminho sem dar seta.

“Eu estava indo em direção a rotatória da Coca-Cola e tinha uma mulher estacionada, no ponto direito da Avenida, enquanto eu estava na faixa da esquerda. Ela simplesmente ligou o carro e cruzou as três faixas de uma única vez, sem olhar para ver se estava vindo alguém. Eu tentei fazer uma frenagem, mas não consegui segurar muito. Eu fui jogando a moto para esquerda, buzinei e ela não teve reação nenhuma”, explicou Yule.

Com a batida, ele perdeu a consciência e acordou enquanto estava sendo atendido pelo Corpo de Bombeiros.

De acordo com a equipe médica, Leonardo partiu o braço em três partes e também quebrou o principal osso da perna, o fêmur, além do cotovelo esquerdo ter saído do lugar. Até a manhã de quarta-feira, ele tinha feito apenas uma imobilização para posteriormente passar pelas intervenções cirúrgicas necessárias.

“Por enquanto [na quarta-feira] só fizeram o atendimento. Colocaram um imobilizador e depois fizemos raios-x e tomografia, tudo para ver o que tinha acontecido, porque eu também estava com uma dor no peito devido ao impacto. Nisso eu fiquei em observação, me levaram para o centro de traumas, o ortopedista viu a situação da minha lesão, viu os exames e agora estou em observação novamente para ir para uma cirurgia”, afirmou Yule.

De acordo com pesquisas em sites especializados neste tipo de lesão, fratura no fêmur pode ter sequelas permanentes, especialmente durante a fase de recuperação, que pode apresentar problemas como dor crônica, rigidez no joelho ou quadril, encurtamento da perna e atrofia muscular.

Em sua última postagem nas redes sociais, o estudante havia anunciado a compra de uma nova moto no dia 22 de abril. Infelizmente, cerca de um mês depois, aconteceu o acidente. 

SEQUELAS SÉRIAS

Em fevereiro de 2024, Lucas Viana, de 23 anos, que é projetista de vidro temperado, seguia em uma via paralela à Rua Santa Quitéria, próximo de sua casa. Tanto a chuva quanto a baixa visibilidade no momento contribuíram para a colisão.

“Tinham dois carros estacionados na esquina e eu não tinha visão de quem vinha da esquerda. Eu olhei para a direita e não via ninguém, então coloquei a moto um pouco para a frente para conseguir ver quem vinha da esquerda. Quando eu coloquei a moto para a frente, o carro já estava em cima de mim e foi quando aconteceu o acidente”, relembra.

Com o impacto, a patela do joelho esquerdo saiu do lugar, juntamente com a tíbia, o maior e mais forte dos dois ossos localizados na parte inferior da perna, entre o joelho e o tornozelo, popularmente conhecida como o “osso da canela”. 

Além disso, quebrou dois dedos do pé esquerdo e rasgou boa parte da pele do peito do mesmo pé.
Diante das lesões, Lucas precisou passar por duas intervenções cirúrgicas. A primeira foi para colocar a patela do joelho e os ossos no lugar, precisando colocar fixador externo no local, uma estrutura metálica externa presa aos ossos por pinos, usada para estabilizar fraturas graves ou corrigir deformidades. A recuperação leva um período de seis semanas a seis meses.

A segunda cirurgia aconteceu para ajustar e colocar pinos nos dois dedos que quebraram, além de costurar a pele do pé que havia saído. Por causa de todas essas intervenções, Lucas precisou ficar duas semanas internado e meses até a recuperação completa. De acordo com ele, foram oito meses até conseguir andar sem ajuda.

“Foi um processo meio complicado por conta da lesão no pé, que eu tinha que estar fazendo curativo diariamente, trocando curativo, deu necrose no machucado, aí tive que fazer limpeza, refazer os procedimentos, comprar medicamentos, pomada, então foi um processo bem complicado. Mas depois que eu já estava em casa, começou a ser um pouco mais fácil”, disse.

No começo, Lucas contou que ficou com trauma, tanto que começou a andar mais de carro do que moto. Sobre sequelas, ele falou que sua perna dobra até 80% da capacidade, muito por conta de não ter conseguido fazer fisioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), realizando poucas sessões particulares por conta do preço alto. 

Ainda, os dois dedos quebrados ficaram tortos, também em função da ausência de fisioterapia completa. Atualmente, Lucas consegue seguir sua rotina normalmente, mas com sequelas que o devem acompanhar por longos anos de vida.

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Operação

Polícia já identificou 12 envolvidos em suicídio de adolescente em MS

Até agora, 11 jovens, de 14 anos a 17 anos, foram apreendidos e um adulto de 18 anos foi preso por atuarem na morte de Lívia

16/09/2026 07h50

Policiais cumpriram mandados em quatro estados e no DF

Policiais cumpriram mandados em quatro estados e no DF Foto: Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou, em um mês e meio de investigação, 11 adolescentes, de 14 anos a 17 anos, e um adulto de 18 anos que teriam participado diretamente da morte da menina Lívia, de 13 anos, encontrada sem vida em Naviraí, no fim de julho, após ser incitada ao suicídio por grupos extremistas durante transmissão ao vivo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir de apuração da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, deflagrou ontem a segunda fase da Operação Lívia, com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão domiciliar e seis medidas cautelares de busca e apreensão envolvendo adolescentes, em quatro estados e no Distrito Federal.

“A análise dos equipamentos eletrônicos, telefones celulares e demais mídias apreendidos permitiu avançar na identificação de outros suspeitos de integrar comunidades virtuais investigadas pela prática de crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais, coerção psicológica e indução à automutilação e ao suicídio, tendo crianças e adolescentes entre os principais alvos”, disse o Ministério.

Todos os alvos desta nova operação teriam participado do dia da morte da adolescente e acompanhado a transmissão da menina ao vivo.

“Entre as práticas investigadas está a chamada ‘escravidão digital’, termo técnico utilizado para descrever uma dinâmica de coerção, chantagem e controle exercida no ambiente virtual, na qual vítimas são submetidas a ameaças e pressões para cumprir determinações dos integrantes desses grupos, inclusive relacionadas à automutilação e a outros atos de violência”, explica o MJSP.

Além disso, o órgão federal afirma que, dentre os novos jovens apreendidos, há suspeitos de terem atuado na administração e moderação de comunidades virtuais utilizadas para abordar, coagir e chantagear vítimas em situação de vulnerabilidade, como se fosse uma espécie de rede de violência virtual.

Amanhã, às 10h, a delegada Anne Karine Sanches Trevisan Duarte, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), vai conceder coletiva de imprensa para apresentar mais detalhes desta segunda fase.

PRIMEIRA FASE

A primeira fase da Operação Lívia foi deflagrada no dia 4 de agosto, menos de duas semanas depois da morte da menina vir à tona. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seis locais distintos no Rio de Janeiro, no Ceará, em Minas Gerais, no Pará e em Mato Grosso do Sul contra jovens de 14 anos a 18 anos.

Conforme Anne Trevisan, a investigação dessa organização começou no dia 22 de julho, quando a polícia tomou conhecimento que o suicídio de uma adolescente havia sido transmitido ao vivo pela plataforma de comunicação Discord, muito popular entre os adolescentes.

“Durante a investigação, a gente verificou que não foi um suicídio, mas foi realmente um homicídio. Com isso, nós identificamos os alvos, os autores, ao todo cinco adolescentes e um adulto, em vários locais do País. Nós representamos pela prisão e apreensão deles e a busca domiciliar”, declarou a delegada.

No dia da morte de Lívia, o grupo teria ficado cerca de duas horas pressionando a jovem até que ela decidisse cometer o suicídio, que teria sido um “castigo” por não ter cumprido uma tarefa passada pelos administradores do que eles chamavam de “panela”.

A jovem teria que fazer o que eles chamam de “luz”, que seria matar o próprio gato. Com a recusa dela de machucar o animal, os administradores e também expectadores, segundo a delegada, teriam pressionado a jovem a cometer suicídio.

“É como se eles estivessem jogando um videogame, tem que passar de fase. Então, assim, é uma frieza muito grande, é uma violência muito grande, é desconsiderar a vida humana de forma absurda. Eles têm satisfação com esse resultado. Várias pessoas assistindo e incentivando que praticassem a automutilação, em outros casos, a morte mesmo em si”, contou a delegada.

Ainda conforme a delegada, o adolescente infrator de 14 anos apreendido na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, foi quem determinou “todas as coordenadas” que a adolescente que morreu em Naviraí devia seguir para se suicidar. Durante o caso de MS, outro “evento”, como eles chamam esses episódios, era transmitido simultaneamente em outro estado.

DISCORD

No dia 12 de agosto, pouco tempo depois da primeira fase, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) expediu uma medida preventiva determinando que a plataforma Discord suspendesse a funcionalidade de transmissão ao vivo, no Brasil, em três dias úteis.

No dia 17 de agosto, a empresa anunciou que interrompeu, por tempo indeterminado, a possibilidade dos usuários transmitirem vídeos usando o aplicativo. 

Segundo a empresa, a suspensão das transmissões ao vivo e de compartilhamentos de vídeos não afeta as comunicações por texto e áudio e outros recursos da plataforma. Além disso, a companhia afirma que está “dialogando” com representantes da ANPD em busca de uma solução que lhe permita restabelecer as transmissões de vídeo para os usuários brasileiros.

“O vídeo é uma parte importante e muito valorizada da experiência no Discord, permitindo que nossos usuários se comuniquem e criem conexões significativas ao compartilhar experiências, jogar juntos e manter contato com amigos e familiares”, acrescentou a empresa.

O Discord classificou a morte da adolescente de Naviraí como “um caso devastador”, resultado de uma “situação muito séria”, uma “campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas” digitais.

* Saiba 

Conforme a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), menores de 18 anos são penalmente inimputáveis.

Isso significa que eles não cometem crimes no sentido técnico da lei penal, mas sim atos infracionais.

Portanto, os 11 jovens, de 14 anos a 17 anos, apreendidos nas duas fases da operação vão responder a um procedimento especial e cumprir medidas socioeducativas, em vez de serem presos.

Justiça

Paulo Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro

Procurador-geral da República se manifestou em sessão do STF

15/09/2026 21h00

Rosinei Coutinho/STF

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15), durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), vínculos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.  

"Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu, com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal", disse Gonet.

Ele se manifestou durante o julgamento sobre uma possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, também por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece em mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) a partir do celular de Vorcaro, principal investigado na Operação Compliance Zero, que está preso desde o ano passado por fraudes financeiras e corrupção. O material foi divulgado pelo ministro André Mendonça, então relator do caso Master.

Segundo o relatório da PF, Gonet é citado em conversas de Vorcaro com terceiros, e não em mensagens identificadas como trocadas diretamente entre o ex-banqueiro e o procurador-geral. Em uma conversa de 2024, um interlocutor identificado como Ciro Soares afirma a Vorcaro que "Gonet é firme".

Há ainda uma mensagem de 15 de novembro de 2025, dois dias antes da prisão de Vorcaro, na qual o ex-banqueiro demonstra preocupação com o avanço das investigações e pergunta se seria possível "reverter isso com Paulo ou Andrei". De acordo com os investigadores, as referências seriam ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A mensagem, entretanto, não demonstra que Gonet tenha sido procurado ou que tenha efetivamente atuado para interferir na investigação.

"Eu fico feliz que o ministro André Mendonça afirmou que não tenha nada que foi colhido que pudesse induzir a algum ilícito por parte do procurador-geral da República", comentou Gonet em seguida.

A manifestação ocorreu no contexto de uma questão de ordem levantada no início do julgamento, ainda durante a manhã, pelo ministro Gilmar Mendes, que pediu para incluir a análise pelo plenário das supostas irregularidades que teriam sido cometidas por Mendonça na condução das investigações. 

Durante a sessão, o ministro Flávio Dino pediu vista do julgamento. A análise do caso não tem data para ser retomada. O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3.

Os votos pelo julgamento conjunto foram proferidos pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Apesar de ter defendido o julgamento conjunto, Dino pediu para não computar sua posição no placar provisório por ter pedido vista. 

O presidente do STF, Edson Fachin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e André Mendonça votaram pelo julgamento separado.

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