Cidades

DEFESA

Em Mato Grosso do Sul, 17 estão sob proteção por correrem risco de morte

Programa voltado a defensores dos direitos humanos atende pessoas em situação de perigo

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Mato Grosso do Sul tem 17 pessoas incluídas no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) do Brasil. Destas, 14 começaram a ser acompanhadas entre 2010 e 2014 e outras três estão sob análise para serem incorporadas ao serviço definitivamente.

O Estado, bem como outros 22 do País, não tem um programa estadual de proteção a defensores de direitos humanos, presente hoje apenas em Minas Gerais, Maranhão, Ceará e Pernambuco. No entanto, o País criou a Política Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos por decreto em 2007 e mantém o programa, que atende hoje 379 brasileiros ameaçados por sua militância.

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), além dos já protegidos, outras 3 pessoas são acompanhadas e aguardam análise para serem incluídas. Nenhuma identificação pode ser divulgada, por questões de segurança, mas entre os acompanhados estão 14 homens e 3 mulheres. Desses, um ligado à luta de direito à terra e 16 são militantes na área de direitos dos povos indígenas.

“A violência indígena em MS se liga muito à questão da briga pela posse, pela propriedade rural, em que temos uma tensão constante em nosso estado, pelo histórico que temos acerca das demarcações e pelos conflitos que passam de geração em geração sem uma definição concreta, o que acirra os ânimos de ambos os lados”, explica o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), Christopher Scapinelli.

As medidas protetivas podem incluir a instalação de câmeras e utilização de rondas de monitoramento e, em casos extremos, a utilização de escolta ou realocação temporária do defensor. Em MS, alguns dos protegidos estão incluídos no programa desde 2010. 

Para Scapinelli, apesar de eficaz da maneira como está, o PPDDH precisa ser ampliado para, além de proteger a pessoa ameaçada, agir nas causas da ameaça, investigando autores e provocando os órgãos responsáveis a dar solução aos problemas. 

“O programa é um instrumento de suma importância no atual cenário do nosso país, onde as forças econômicas ou de organizações criminosas têm repelido com violência a defesa dos direitos humanos nos seus aspectos. Acreditamos que o programa deve ser aprimorado, pois há necessidade de proteção efetiva e capaz de resguardar aqueles que buscam e tentam proteger a coletividade em suas multifacetas, como a questão de gênero, quilombolas, indígenas entre outras”, diz.

ÍNDIOS

Com população de 60 mil indígenas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e 140 propriedades rurais ocupadas por índios, de acordo com levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária (Famasul), a demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul está paralisada há dois anos. 

Assim como no restante do País, desde abril de 2016 nenhum decreto homologando demarcação de terras no Estado foi assinado pelo presidente Michel Temer (PMDB). “O impacto maior é a construção de uma insegurança jurídica geral, porque a demarcação de terras é um processo estabelecido em lei, tem toda uma regulamentação legal. Quando o governo para de usá-lo, gera uma situação de insegurança jurídica aos povos indígenas e isso acirra os conflitos no campo”, explicou o antropólogo Jorge Eremites de Oliveira em reportagem publicada no Correio do Estado no dia 11 de maio de 2018.

DEMORA

Há quase dez anos, tramita na Câmara dos deputados um projeto de lei que institui um programa federal de proteção a defensores de direitos humanos ao mesmo tempo em que fomenta a criação de versões do instrumento nos estados. O PL 4.575/2009 foi aprovado em todas as comissões da Casa e está pronto para votação em plenário desde 2011. 

Saúde

Como será o estudo que vai avaliar canetas para tratamento da obesidade no SUS

O projeto vai avaliar o uso da semaglutida por pessoas com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica

26/06/2026 21h00

Divulgação

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O Ministério da Saúde iniciou nesta sexta-feira, 26, uma pesquisa que vai avaliar como medicamentos à base de semaglutida podem ser utilizados no tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo será realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, e acompanhará 250 pacientes durante dois anos.

"O objetivo é entender como essa medicação pode ser usada dentro do Sistema Único de Saúde e quais são os efeitos e os impactos para os pacientes e para o próprio sistema", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a coletiva.

O projeto vai avaliar o uso da semaglutida por pessoas com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica. A dose prevista é de até 2,4 mg por semana, no período anterior ao procedimento.

Como será o acompanhamento?

Os pacientes serão acompanhados por dois anos. Além das consultas médicas no ambulatório, o estudo terá uma equipe de pesquisa responsável por aplicar questionários e monitorar diferentes aspectos do tratamento.

"Vamos avaliar a perda de peso, a qualidade de vida, as condições para a cirurgia bariátrica e indicadores clínicos importantes, como os níveis de colesterol e glicose", afirmou durante a coletiva Fernando Anschau, coordenador do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do GHC.

O acompanhamento será multiprofissional. Padilha afirmou que os participantes já recebem assistência de médicos, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos, além de incentivo à prática de atividade física, e que esse cuidado será mantido durante todo o estudo.

Segundo o ministro, além dos resultados clínicos, os pesquisadores vão observar como os pacientes utilizam a medicação em casa, incluindo armazenamento, aplicação, descarte e possíveis dificuldades durante o tratamento.

O protocolo também prevê o monitoramento contínuo da segurança. Para o ministro, acompanhar possíveis efeitos adversos é uma etapa essencial da pesquisa.

Por que foram escolhidos esses pacientes?

Os 250 participantes já são acompanhados no GHC e têm indicação para cirurgia bariátrica. Eles foram selecionados porque possuem obesidade grave, comorbidades e maior risco clínico.

Na apresentação feita durante a coletiva, o GHC informou que 91% dos pacientes com indicação para bariátrica no hospital têm obesidade mórbida. Além disso, 72% convivem com duas ou mais comorbidades, como hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e depressão. Apenas 47% têm condições clínicas de realizar a cirurgia.

A expectativa do estudo é avaliar se o medicamento pode ajudar esses pacientes a reunir melhores condições para a cirurgia ou, em alguns casos, reduzir a necessidade do procedimento.

O que pode mudar no SUS?

Atualmente, medicamentos à base de semaglutida não estão incorporados ao SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é que o estudo produza evidências sobre a eficácia, a segurança e a viabilidade do tratamento na rede pública, subsidiando uma eventual discussão sobre a incorporação dessa tecnologia.

Segundo Padilha, um dos diferenciais da pesquisa será avaliar o uso da medicação em condições reais, acompanhando como os pacientes utilizam o medicamento fora do ambiente hospitalar.

"A nossa expectativa é que, com a introdução dessas medicações de forma controlada no contexto do sistema público de saúde, haja redução de custos no SUS", disse o ministro durante a coletiva.

Anvisa

Anvisa proíbe funcionamento da plataforma de emagrecimento Voy

Com a medida, o site não pode oferecer nem divulgar serviços

26/06/2026 19h00

Site da Voy

Site da Voy Reprodução

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu o funcionamento da plataforma de emagrecimento Voy. Com a medida, publicada na edição desta sexta-feira, 26, do Diário Oficial da União, o site não pode oferecer nem divulgar serviços.

A Voy, porém, afirma que tomou as medidas administrativas cabíveis e não há decisão definitiva do órgão, então manterá o funcionamento da página.

Segundo a agência, o site oferece tratamentos e avaliações de saúde personalizados para obesidade e deveria estar registrado como um dispositivo médico.

"Plataformas que realizam a indicação de medicamentos e de suas dosagens se enquadram na categoria de software médico", diz a Anvisa em comunicado.

A empresa responsável pela plataforma, a Revia Gestão de Negócios, também não possui a Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE), documento exigido pelo órgão para negócios que exercem atividades sujeitas à vigilância sanitária.

O órgão acrescenta que a Revia não está regularizada como farmácia ou drogaria e, portanto, não pode comercializar medicamentos de qualquer natureza.

De acordo com a agência, medicamentos adquiridos fora de farmácias e drogarias que funcionem de forma regular "não têm qualquer garantia de origem, composição e qualidade".

O que diz a Voy?

Em nota, a Voy afirma ter recebido com surpresa a decisão da Anvisa e sustenta que a discussão trata exclusivamente do enquadramento regulatório de um questionário digital e de sua eventual necessidade de registro como software. Segundo a empresa, trata-se de uma questão administrativa, sem relação com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência prestada ou os medicamentos.

A empresa nega comercializar, distribuir ou dispensar medicamentos e afirma que, por esse motivo, não se enquadra nas hipóteses legais que exigem AFE.

A Voy afirma ainda que o processo está em andamento e que não há decisão definitiva da Anvisa sobre o caso. Por fim, diz que as medidas administrativas cabíveis já foram adotadas e, por isso, a plataforma permanece autorizada a operar.

O que é a Voy?

A Voy é uma plataforma digital voltada ao tratamento da obesidade. O serviço funciona de forma remota: o usuário responde a um questionário sobre seu histórico de saúde, que é avaliado por um médico. Quando há indicação clínica, o profissional pode prescrever medicamentos para perda de peso.

Além da consulta médica, a plataforma oferece acompanhamento durante o tratamento e intermedeia o acesso aos medicamentos prescritos por meio de parceiros.

A empresa ganhou espaço no mercado ao oferecer um modelo de atendimento totalmente online para pessoas em busca de tratamento para obesidade, em um momento de crescimento da demanda por medicamentos como semaglutida e tirzepatida.

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