Cidades

TRABALHO CONSTANTE

Em oito anos Casa da Mulher realizou 108.248 atendimentos e secretária aponta para subnotificação

Carla Stephanini apontou que, para baixar os altos índices registrados, a violência doméstica não pode ser banalizada ou relativizada

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Em 3 de fevereiro de 2015, Campo Grande inaugurava a 1.ª Casa da Mulher Brasileira (CMB) do País e, desde então, 108.248 mulheres foram atendidas (computadas as situações de retorno), que resultaram em 917.585 encaminhamentos.

Conforme a subsecretária de políticas para as mulheres de Campo Grande, Carla Stephanini, o desafio é constante para a sociedade e envolve desde evitar o feminicídio, que pode ser evitado, até tirar essas mulheres em segurança do ciclo de violência. 

Ainda que, através da Casa da Mulher Brasileira, exista uma atuação para promover o acesso à Justiça; proteger e acolher essas mulheres vítimas de violência doméstica, familiar e de gênero, a ação constante não diminui a preocupação com os números, que podem, sim, ser muito maiores do que os apresentados. 

Quando questionada sobre como baixar esses altos índices, a subsecretária aponta que é preciso uma consciência social coletiva, de que não podemos conviver em sociedade com a violência doméstica, que por sua vez não pode ser banalizada ou relativizada. 

"É importante dizer que, ainda assim, nós sabemos que há uma subnotificação da violência doméstica e familiar e da violência contra as mulheres. Os nossos números são expressivos, são superlativos, sim, mas assim como o nosso compromisso de manter o bom funcionamento da Casa da Mulher Brasileira. Dessa forma promovemos a dignidade das nossas mulheres", disse a subsecretária. 

Presente na agenda de celebração, realizada no auditório da Casa da Mulher Brasileira, a então prefeita, Adriane Lopes, citou que ainda em 2017 havia um desafio para a gestão municipal. 

Segundo a prefeita, na época, a Casa estava prestes a fechar as portas, uma vez que o Governo Federal tinha encerrado o período de recursos aportados para a CMB da Capital.

"Nós abraçamos na gestão como mulher, essa missão de fazer com que a política pública aplicada nessa casa, as que são voltadas para as mulheres da Capital de MS, fossem uma constante e fomos à luta. Houve um concurso público para a Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande. Hoje entra a prefeita, sai prefeito, entram outros, e essa política não se encerra", afirmou. 

Ela ainda exaltou a parceria com o Governo do Estado, que traz a intersetorialidade necessária, para que esse trabalho seja feito "com muita discrição, com muito empenho, dedicação e competência".

"Somos referência para o Brasil, e já recebemos representantes de outros países, estados aqui também, que tem Campo Grande como referência na política pública montada em defesa às mulheres", apontou.

Citando ter sido vítima de violência, política, Adriane disse também que o poder executivo entende a necessidade deste trabalho e a continuidade desta missão em defesa de todas as mulheres campo-grandenses. 

"Só tem Casa da Mulher Brasileira no local onde o índice de violência contra as mulheres é muito alto. Nós não vamos tolerar violência. Desde que assumi a prefeitura de Campo Grande, já sofri violência política por um vereador", relatou a prefeita. 

Casa da Mulher Brasileira

Em 2013 o Governo Federal lança o Programa "Mulher Viver sem Violência", com diversas ações inspiradas em princípios ditados pela ONU Mulheres. 

Campo Grande, em dezembro daquele ano, entra no Programa para enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres. 

Importante frisar que foi na Capital que surgiu a primeira Casa da Mulher Brasileira do País, um marco no combate à violência doméstica e famílias contra elas, que tem sua gestão administrativa feita pela Prefeitura Municipal, através da Subsecretaria de Políticas para Mulher (SEMU).

Ainda, o atendimento na CMB é feito 24 horas, de segunda a segunda, tendo vários setores, que vão além do acolhimento, triagem e serviço de apoio psicossocial, confira: 

  • Alojamento de Passagem: para abrigamento por até 48 horas, para aquelas mulheres que correm risco de morte; 
  • Brinquedoteca: para crianças de até 12 anos que não estejam com outros adultos, enquanto a mãe, no caso, é atendida; 
  • Central de Transportes: para deslocar mulheres até os serviços da rede externa (Instituto de Medicina e Odontologia Legal ou unidades de saúde). 

Há também a Patrulha Maria da Penha (PMP), com atendimento 24 horas - em parceria com a 3ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher -, monitorando medidas protetivas de urgência; visitando os domicílios das vítimas. 
 
Também, a PMP - formada por um grupo de agentes da Guarda Municipal, ligado à Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social - atende chamados dessas mulheres que possuem medidas protetivas de urgência, através da Central pelo telefone 153. 

Essa integralidade do atendimento é por fim garantida através do serviço, ininterrupto, da 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. 

Num mesmo complexo físico também ficam abrigadas a: 

  • 3ª Vara de Violência Doméstica e Família Contra a Mulher, (1ª especializada em emitir Medidas Protetivas de Urgência) 
  • 72ª Promotoria Especializada em Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher 
  • 4ª Defensoria Pública Especializada no Atendimento à Mulher em Situação de Violência. 

 

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BANDEIRANTES

Acidente entre carretas paralisa tráfego durante 10 horas na BR 163

As quatro vítimas fatais estavam em veículos de passeio e a rodovia teve congestimento de dez quilômetros

17/08/2026 08h10

Acidente envolveu duas carretas e três veículos de passeio

Acidente envolveu duas carretas e três veículos de passeio Reprodução

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O acidente envolvendo duas carretas e três carros de passeio, na tarde de domingo (16), deixou o tráfego na BR-163 parado durante quase 10 horas. O local do ocorrido foi no km 569, sentido norte, da rodovia, em Bandeirantes. A Motiva Pantanal, responsável pelo trecho, foi acionada às 15h24 e informou que o tráfego foi normalizado às 1h05, desta segunda-feira (17).

Às 20h08, a perícia chegou no local. A rodovia permaneceu interditada em ambos os sentidos até 23h40 e o pico de congestionamento chegou a 10 km, tanto na pista norte quanto na pista sul. 

Quatro pessoas morreram no acidente, três em um veículo de passeio e uma em outro carro, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Apenas uma pessoa foi identificada, até o momento, porém a PRF não informou o nome.

Além das quatro mortes, três vítimas em estado grave foram encaminhadas para o Hospital de São Gabriel do Oeste. Uma pessoa com ferimentos moderados foi atendida no Hospital de Bandeirantes e outras duas, em estado leve de gravidade, receberam atendimento nesta mesma unidade hospitalar.

Uma câmera de segurança flagrou o momento do ocorrido. Nas imagens, é possível perceber que um carro tenta ultrapassar dois veículos, quando este invade a outra pista e colide frontalmente com a carreta. Após a batida, o caminhão perdeu o controle e colidiu com outra carreta. A colisão causou uma grande explosão, atingindo mais dois carros.

Equipes da concessionária Motiva Pantanal estiveram no local prestando atendimento e orientando o tráfego. Bombeiros foram acionados para conter o incêndio em uma das carretas envolvidas no acidente. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de São Gabriel do Oeste também prestou apoio no resgate das vítimas.

A Motiva Pantanal direcionou três viaturas de resgate, dois guinchos leves, um guincho pesado e um veículo de inspeção de tráfego. 

Segurança Pública

Cresce número de armas apreendidas e MS tem recorde de fuzis encontrados

Secretário atribui aumento a reforço no policiamento e disputas entre o Comando Vermelho e o PCC no Estado

17/08/2026 07h50

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis Foto: Divulgação

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Mato Grosso do Sul registrou um aumento de armas de fogo apreendidas, considerando os primeiros sete meses do ano, com destaque para o número de fuzis, que pela primeira vez atingiu a marca de 20 apreensões e acompanha o crescimento de ações contra o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 1.117 armas foram apreendidas de 1º de janeiro a 31 de julho em Mato Grosso do Sul. Dentre os tipos mais encontrados pelos agentes, revólver lidera a lista, seguido de pistola e espingarda. As armas adulteradas ou com a numeração raspada são responsáveis por mais de 50% da quantidade apreendida.

Porém, o que chama mesmo a atenção nesta lista é o aumento da presença de fuzis no Estado ano após ano, com recorde já estabelecido este ano, mesmo tendo mais três meses e meio pela frente. Para se ter ideia, 20 fuzis já foram apreendidos este ano em Mato Grosso do Sul, o dobro em relação a 2023 e quatro vezes mais em comparação com 2022. No ano passado inteiro, apenas 14 foram confiscados.

Para Antônio Carlos Videira, titular da Sejusp, o reforço no policiamento é um dos principais fatores que contribuem para o aumento nas apreensões, especialmente diante da parceria com os estados de São Paulo, Mato Grosso e Paraná para fiscalização das rodovias que acabam sendo trechos essenciais para organizações criminosas conseguirem transportar os ilícitos.

Outro motivo listado pelo secretário é a volta de disputas territoriais entre as duas maiores facções criminosas do Brasil no Estado, especialmente na faixa de fronteira. Tanto que, considerando o recorte dos 44 municípios que fazem divisa com os países vizinhos – Paraguai e Bolívia –, quase metade das armas e dos fuzis encontrados estão na fronteira.

“Essa disputa entre facções não se restringe apenas a Mato Grosso do Sul. Elas também estão demandando armas e munições para outros estados, e essas armas principalmente vêm do Paraguai. Então, a gente tem também uma incrementação nas apreensões de armas que estariam sendo transportadas principalmente do Paraguai para outros estados, onde essa disputa também está acontecendo”, explica.

“Nós estamos trabalhando para, além de aumento da fiscalização, instauração dos inquéritos, pedidos de prisões e busca e apreensão, para que os magistrados determinem a inclusão de presos que estão cumprindo pena, principalmente no Mato Grosso, e dando ordens para crimes em Mato Grosso do Sul serem incluídos no sistema penal federal. Isso é uma forma de isolar essas lideranças negativas e tentar manter o controle aqui”, reforça Videira.

Segundo o Instituto Sou da Paz, entre 2021 e 2025 houve alta de 175% na apreensão de fuzis

RECURSO FEDERAL

Vale lembrar que, no início de junho, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 10,3 milhões do governo federal para custear diárias de policiais para ações contra organizações criminosas nas regiões de fronteira, divisas e biomas. Esse recurso tem colaborado para o aumento das operações de combate ao PCC e ao CV.

Esse recurso veio por parte do programa Brasil contra o Crime Organizado, instituído em maio deste ano pelo governo federal como a principal estratégia para combater facções, milícias e grupos paramilitares. O objetivo da medida é a asfixia financeira desses grupos, a atuação de inteligência e a cooperação interinstitucional.

De acordo com Videira, esse recurso será utilizado até setembro para operações contra essas facções criminosas. A intensificação dessas operações veio ao mesmo tempo que o governo dos Estados Unidos classificou como terroristas as facções PCC e CV.

Porém, segundo o secretário, o aumento dessas operações não são uma resposta ao país da América do Norte, e sim uma consequência do programa do governo federal. 

Os recursos de Mato Grosso do Sul são economizados e destinados para outras ações, principalmente em Campo Grande.

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