Cidades

DOURADOS

Empreiteira usava carro-forte para transportar propina a políticos

Empreiteira usava carro-forte para transportar propina a políticos

PORTAL TERRA

17/10/2010 - 14h04
Continue lendo...

A empresa que administra a coleta de lixo em Dourados pagava R$ 200 mil mensais de propina pelo direcionamento da licitação que lhe permitiu explorar o serviço. O valor era dividido entre o prefeito, secretários e vereadores da cidade. Para não levantar suspeitas, um carro-forte da maior rede de supermercados local, a Comper e Forte Atacadista, era usado para transportar o dinheiro da propina. A Financial Ambiental recebia R$ 1,4 milhão por mês da prefeitura pelo recolhimento do lixo. Os detalhes da operação estão no inquérito de mais de 4 mil páginas da Polícia Federal entregue à Justiça, ao qual a reportagem do Terra teve acesso com exclusividade.

O esquema foi revelado durante as investigações da operação Uragano, que resultou na prisão de 28 pessoas e no indiciamento de outras 60 por fraudes em licitações e pagamento de propinas no segundo maior município de Mato Grosso do Sul. Entre os presos pela Polícia Federal estão o prefeito afastado Ari Artuzi (sem partido), o vice-prefeito afastado Carlinhos Cantor (PR), nove vereadores da cidade e o sócio majoritário do grupo Financial, empresário Antônio Fernando de Araújo Garcia.

O valor total desviado pelo grupo da prefeitura de Dourados ainda está sendo apurado numa auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU). Segundo a denúncia do Ministério Público, a estimativa é de que os desvios cheguem a R$ 700 mil mensais.

A reportagem do Terra entrou em contato com engenheiro da construtora Financial Carlos Roberto Felipe - representante legal da empresa em Dourados -, mas ele não retornou a ligação. O empresário Antônio Fernando de Araújo Garcia, da Financial Construtora, não foi encontrado para comentar o assunto. O grupo Financial atua no Estado com quatro empresas: a Construtora Financial, Financial Mineradora, a Imobiliária Financial e Financial Ambiental, que é responsável pela coleta e destinação do lixo de grandes cidades do Estado.

A reportagem também tentou falar com os responsáveis pela rede Forte Atacadista e Comper através da assessoria de imprensa da empresa, mas não obteve resposta. O grupo Comper e Forte Atacadista tem 38 anos de existência, com negócios no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. A empresa é considerada uma das dez maiores do setor no País.

Carlos Marques, advogado do prefeito afastado Ari Artuzi, negou todas as acusações. "Meu cliente nega todas as acusações, todas as gravações foram feitas pelo Passaia (ex-secretário de governo do município Elandro Passaia) são ilegais. Ele que fazia todas os pagamentos e não foi indiciado, isso ainda tem que ser esclarecido. Não há nenhum documento que prove qualquer desvio de recursos públicos do município", afirmou Marques.

A mesma linha seguiu Jose Vanderlei, advogado do vice-prefeito afastado Carlinhos Cantor (PR): "meu cliente não tem ciência de nada que ocorreu em Dourados, ele esta sendo cerceado dos direitos constitucionais, ele esta afastado do cargo, tem residência fixa, as provas foram colhidas então não há motivos para prisão".

Como o esquema foi descoberto
A operação Uragano nasceu de uma denúncia divulgada pela imprensa de Dourados sobre superfaturamento em operações tapa-buracos da prefeitura. As investigações da Polícia Federal iniciaram no dia 1º de junho, quando um funcionário da empresa responsável pelas obras procurou a polícia para deletar o esquema.

O ex-secretário de governo do município, Elandro Passaia, que também já tinha procurado a polícia para relatar as fraudes, foi o "agente" disfarçado dentro da organização criminosa. Através dos grampos e das conversas que Passaia gravou com empreiteiros, prestadores de serviços e políticos, a Polícia Federal identificou ramificações da rede de corrupção em, praticamente, todas as secretarias da prefeitura.

Das 28 pessoas presas, continuam na cadeia Artuzi, a ex-primeira dama Maria Artuzi, Cantor, o secretário afastado de Serviços Urbanos Marcelo Hall, o presidente afastado da Câmara Sidlei Alves, e os vereadores Humberto Teixeira Junior e Edvaldo Moreira. Todos deixaram seus cargos temporariamente, mas ainda recebem os salários integrais.

BOLETIM EPIDEMIOLÓGICO

Dourados tem mais de 5 mil casos confirmados de chikungunya em 2026

Mato Grosso do Sul já registrou 30 mortes causadas pelo vírus da picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus

15/08/2026 14h15

A prefeitura do município está realizando mutirões para erradicar focos do mosquito causador da coença

A prefeitura do município está realizando mutirões para erradicar focos do mosquito causador da coença Divulgação/Prefeitura de Dourados

Continue Lendo...

O último boletim epidemiológico, publicado pela Secretaria de Estado de Saúde, revelou que Mato Grosso do Sul chegou a 30 óbitos por chikungunya em 2026. Este já é o ano com mais mortes causadas pelo vírus e é quase o dobro de 2025, quando teve 17 vítimas. Dourados é disparado o município com maior número de casos da doença, com 5.146 registros. Este numeral é 8 vezes maior que os registros em Fátima do Sul, o qual ocupa a segunda posição no ranking com 639 confirmados.

Em Mato Grosso do Sul são 12.520 casos prováveis, sendo que 9.961 foram confirmados. O levantamento é referente à 31ª semana epidemiológica.

Os municípios que tiveram mortes causadas pelo vírus da arbovirose são: Dourados (18), Bonito (2), Jardim (2), Fátima do Sul (1), Douradina (1), Guia Lopes da Laguna (1), Itaporã (1), Ponta Porã (2), Nioaque (1) e Corumbá (1). Um óbito permanece em investigação. O boletim também registra 114 casos confirmados da doença em gestantes.

Em Corumbá, uma mulher de 62 anos morreu no dia 28 de julho. Este foi o último registro de morte pela arbovirose em MS. No boletim epidemiológico consta que a vítima tinha hipertensão arterial sistêmica (HAS). Apesar do município fronteiriço estar em terceiro no ranking de cidades com mais casos confirmados (542), este foi o único óbito, asssim como Fátima do Sul, que também teve apenas um e está na segunda posição. 

O Estado bateu o recorde de mortes em 2026. Na série histórica, com os casos contabilizados desde 2015, o segundo período que mais teve óbitos por chikungunya foi em 2025, quando 17 pessoas morreram devido à doença.

A SES orienta que, em caso de sintomas de dengue ou chikungunya, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde e evitar a automedicação. A população também deve eliminar recipientes que possam acumular água e servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti.

Dengue

Em relação à dengue, o Estado contabiliza 4.551 casos prováveis, sendo 1.933 confirmados. Em 2026, foi confirmado um óbito pela doença, de um morador de Bonito, e um está em investigação.

Nos últimos 14 dias, Inocência, Santa Rita do Pardo, Sidrolândia, Amambai, Jardim, Itaporã, Paranhos, Maracaju, Nova Alvorada do Sul e Bataguassu registraram baixa incidência de casos confirmados de dengue.

Vacinação

Mato Grosso do Sul recebeu 241.030 doses da vacina contra a dengue e registra 223.322 doses aplicadas. Desse total, 201.349 foram administradas na população-alvo.

O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de três meses entre elas. A vacinação é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias, faixa etária que concentra o maior número de hospitalizações por dengue entre pessoas de 6 a 16 anos.

LONGA ESPERA

Ponte sobre o Rio Paraguai ficará interditada por 3 fins de semana

As obras na estrutura ocorrem das 17h dos sábados até às 12h dos domingos

15/08/2026 13h30

Ponte sobre o Rio Paraguai terá interdição total de 19 horas em três finais de semana seguidos

Ponte sobre o Rio Paraguai terá interdição total de 19 horas em três finais de semana seguidos Divulgação: Agesul

Continue Lendo...

Devido a movimentação gerada pela data comemorativa do Dia dos Pais, no último domingo (9), a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) adiou em uma semana a agenda de interdições de tráfego na ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, em Corumbá. Com isso, a partir deste sábado (15), às 17h, a estrutura ficará interditada até às 12h do domingo (16).

A interdição total estava prevista para começar no dia 8 de agosto. As pessoas que forem viajar devem se planejar antes para não terem estresse no momento que for pegar a estrada, então precisam prestar atenção na nova agenda das obras, que fica da seguinte forma:

  • 15 de agosto (a partir das 17h) e 16 de agosto (até às 12h);
  • 22 de agosto (a partir das 17h) e 23 de agosto (até às 12h);
  • 29 de agosto (a partir das 17h) e 30 de agosto (até às 12h).

As obras de recuperação e com o tráfego em meia pista ocorrem desde o dia 12 de junho na ponte sobre o Rio Paraguai. A interrupção desta vez durará 19 horas nos próximos três finais de semana.

A rodovia BR-262 é o único acesso asfaltado das cidades Corumbá e Ladário, que juntas somam em torno de 122 mil habitantes.

De acordo com a Agesul, a “suspensão do tráfego é indispensável para garantir a segurança dos usuários e a execução adequada dos serviços da ponte, que é estratégica para Corumbá e para o Pantanal”.

Ainda de acordo com a Agesul, faixas informativas e painéis de LED foram instaladas em locais de grande circulação e acesso, como a entrada de Miranda, o acesso ao Lampião Aceso, o Anel de Corumbá, nas proximidades da antiga praça de pedágio e a entrada de Porto Esperança, com o objetivo de alertar os usuários com antecedência, organizar o fluxo de veículos e garantir mais segurança durante a execução dos trabalhos.

A reforma da ponte de 1,2 quilômetro foi contratada por R$ 11,7 milhões e, apesar de se tratar de rodovia federal, a obra está sendo bancada pelo Governo do Estado, que é responsável pela manutenção da estrutura desde conclusão, em meados de 2001.

Logo após a liberação para o tráfego foi instituída a cobrança de pedágio. O dinheiro, conforme alegação na época, seria utilizado para pagar o financiamento da obra e para bancar a manutenção da estrutura.

A cobrança se estendeu até setembro de 2022. Porém, a ponte foi devolvida ao Governo do Estado sem condições de tráfego. Depois do fim da cobrança, a Agesul já investiu em torno de R$ 10 milhões em reparos emergenciais, na elaboração do projeto para a reforma ampla que está em andamento e para o pagamento de empresas que fizeram o controle do tráfego.

Depois do fim da cobrança de pedágio, a ponte ficou durante quase dois anos parcialmente interditada e durante este período era necessário organizar o pare-siga nas duas extremidades. 

As obras em andamento vão custar o dobro do previsto pelo ex-secretário de obras, Hélio Peluffo. Em junho de 2023 ele previu gastos da ordem de R$ 6 milhões para recuperar a estrutura. 

Em março de 2023, por conta das péssimas condições da única ponte sobre o Rio Paraguai que liga Corumbá e Ladário ao restante do Estado, o tráfego passou a ser em meia pista. A interdição se estendeu durante mais de um ano, até que reparos emergenciais fossem feitos na pista de rolamento. 

Porém, o problema principal é que os "amortecedores" instalados entre as pilastras e a parte superior da ponte (a pista) estão desgastados porque não receberam a devida manutenção.

Ao longo de 2022,  com tarifa de R$ 14,10 para carro de passeio ou eixo de veículo de carga, a cobrança rendeu R$ 2,6 milhões por mês, ou R$ 21 milhões nos oito primeiros meses daquele ano.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).