Cidades

CORRUPÇÃO NA SAÚDE

Empresa que escapou de operação é investigada pelo Ministério Público

Investigação criminal de contrato de quase R$ 37 milhões com a Health Brasil foi aberta após indícios de fraude em licitação

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A 31ª Promotoria de Justiça de Campo Grande apura possível fraude, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro no contrato entre a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) e a empresa Health Brasil, antiga HBR Medical. O procedimento investigatório criminal (PIC), que ainda está vigente e contribuiu para a deflagração da Operação Turn Off, investiga não apenas o direcionamento e a fraude no processo licitatório que culminou na contratação da empresa, mas a execução do contrato e o pagamento de propina por meio de superfaturamento dos serviços. 

O contrato, ainda vigente na SES, tem o valor de R$ 36,9 milhões por ano e atende a Rede Digital de Imagens Estadual (Redime). Por meio dele, a Health Brasil fornece aparelhos como tomógrafos e outros capazes de entregar diagnósticos por imagem, em troca do pagamento pelos serviços. A leitura dos laudos das imagens é realizada por outra empresa investigada no mesmo contexto da Operação Turn Off, a Isomed.
Na operação desencadeada na quarta-feira, que resultou na prisão de oito pessoas (algumas delas libertadas na noite desta sexta-feira), a Health Brasil escapou ilesa dos mandados de busca e apreensão, no entanto, isso não significa que a investigação não esteja prosseguindo.

A investigação criminal contra a Health Brasil, antiga HBR e que pertence a grande conglomerado de empresas que atuam em vários setores em Campo Grande, foi instaurada em junho, prorrogada em setembro e tem efeitos até o fim deste ano, caso o titular da investigação, promotor Humberto Lapa Ferri, não peça prorrogação.

É possível que a prorrogação do PIC ocorra justamente porque agora é o período em que os promotores de Justiça que estão no caso analisarão os dados.

No caso específico da Health, ela foi beneficiada por fraude cometida pela ex-pregoeira oficial da Secretaria de Estado de Administração (SAD), Simone de Oliveira Ramires Castro, que recebeu propina dos empresários Lucas Coutinho e Sérgio Andrade Coutinho Júnior para beneficiar a Health em um pregão cuja vencedora tinha sido outra empresa, a Chrome Tecnologia.

A atuação diligente dos irmãos Lucas Coutinho e Sérgio Andrade Coutinho Júnior no esquema de corrupção dentro das secretarias de Administração e Saúde de Mato Grosso do Sul levou a Health a ganhar o pregão: a Chrome acabou desabilitada depois de Simone avisar os irmãos, em tempo real, do andamento do pregão e ainda entregar a proposta da vencedora a eles, que depois teriam repassado à Health, conforme indica o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) no inquérito que deu origem à Operação Turn Off.

Os irmãos são proprietários das empresas Isomed (a Isomed está em nome da esposa de Sérgio Andrade) e Isototal, que têm contratos com comprovação de pagamento de propina, conforme os documentos apresentados pelo MPMS na representação encaminhada ao juiz da 2ª Vara Criminal, Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, e a Isomed tem atuação casada com a Health nos serviços prestados ao Estado, pois é esta empresa que emite e interpreta os laudos da Health. 

“Ocorre que, criminosamente e no mesmo dia do pregão, a pregoeira Simone de Oliveira Ramires Castro passa a se comportar como ‘longa manus’ da empresa Health Brasil Inteligência em Saúde Ltda., sob as ordens e mediante pagamento de propina por parte de Sérgio Duarte Coutinho Júnior e Lucas Andrade Coutinho, passando informações sigilosas e, inclusive, repassando cópias do processo licitatório”, argumentaram os promotores na petição enviada ao juiz.

A corrupção na SES levou outra empresa, a Siemens, multinacional que está entre as maiores fabricantes do mundo de equipamentos médicos, a desistir da concorrência. A Health, vitoriosa no pregão, pasme, usa os equipamentos fabricados pela Siemens.

“Ora, uma das maiores empresas de diagnóstico médico do mundo – Siemens – afirma que está havendo direcionamento da licitação para a empresa Health Brasil. Agora se sabe o motivo: corrupção”, arremataram os promotores.

Posto de combustível era “caixa do propinoduto”

O posto de combustíveis América II (Parada 67), localizado na saída para Três Lagoas, na BR-262, serviu de “caixa” para o pagamento de propinas para os servidores públicos que se beneficiavam do esquema de corrupção trazido à tona pela Operação Turn Off, do MPMS.

Mais de R$ 1 milhão em propinas foram pagos por meio do estabelecimento, usado pelos irmãos Sérgio Duarte Coutinho Jr. e Lucas Andrade Coutinho para lavar dinheiro do esquema e ainda levantar – em alguns casos – dinheiro vivo para ser usado no esquema. 

Conforme os promotores de Justiça do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), das duas Promotorias de Justiça do Patrimônio Público e Social e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), somente para Édio Antonio Resende de Castro, ex-secretário-adjunto de Educação (era secretário até quarta-feira, quando foi preso), foram pagos R$ 930 mil em propina por meio do posto de combustível.

Os pagamentos eram todos feitos pelo gerente do posto e da conveniência localizados no mesmo estabelecimento: Victor Leite, que estava entre os presos na operação, assim como Édio e os irmãos Coutinho. Eles foram beneficiados com habeas corpus pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Os pagamentos foram feitos em dinheiro vivo e também por meio de nota fiscal. “Por seu turno, Édio Castro, servidor da SED [Secretaria de Estado de Educação], recebeu, ao menos, até o fim do ano de 2022, a quantia de R$ 730.080,12 em propina, vezes por intermédio das empresas Posto Parada 67, gerenciada por Victor Leite, e LGS Garcia Legal, quando eram realizadas transferências da primeira para a segunda, com a emissão de notas frias, vezes mediante a entrega de dinheiro em espécie, conforme o encontro registrado em 18/10/2022, quando foi entregue a quantia de R$ 200.000,00 em espécie”, indicam os promotores de Justiça.
“Conforme se verifica nos áudios e nas conversas, Victor Leite de Andrade e Sérgio Duarte Coutinho Júnior, juntamente a Thiago Haruo Mishima e seu cunhado Freddy Antônio Martinez Ochoa, se utilizam da empresa D.R. Comunicação para ocultar ou dissimular o destino da propina, que era Thiago, inclusive com a emissão de nota fiscal e transferência bancária envolvendo a empresa de Sérgio (Posto Parada 67) e a empresa de Freddy (D.R. Comunicação Ltda.)”, citam.

Sobre o papel de Victor no esquema de distribuição de propina e lavagem de dinheiro, os promotores foram precisos: “Importante registrar que Victor Leite de Andrade trabalha como gerente do posto de combustíveis Posto América II, que tem como proprietários seus primos Sérgio Duarte Coutinho Júnior e Lucas Andrade Coutinho. Victor gerencia, além das atividades atinentes ao posto de combustíveis, a Conveniência Parada 67 Ltda., empresa registrada em seu nome e sediada no mesmo prédio da administração do posto”. (EM)

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

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