Cidades

Herança maldita

"Enforcada", Santa Casa gasta R$ 69,4 milhões por ano com juros e outras despesas financeiras

Custo anual com juros e multas equivale a mais de três meses de repasses do SUS ao maior hospital de Mato Grosso do Sul

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A Santa Casa de Campo Grande gastou mais de 20% de sua receita de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) no ano de 2022 com o pagamento de despesas financeiras. 

O maior hospital de Mato Grosso do Sul, que em 2022 teve uma receita total de R$ 342,3 milhões em repasses do SUS (que configuram quase a totalidade de sua receita), precisou desembolsar no mesmo ano um total de R$ 69,4 milhões com despesas financeiras. 

A alta alavancagem do hospital, que tem um orçamento significativo, demonstra, em parte, suas dificuldades. Em todo o ano de 2022, R$ 33,5 milhões foram destinados para o pagamento de juros bancários, e mais outros R$ 7,5 milhões para o pagamento de juros à Receita Federal do Brasil ou à Procuradoria da Fazenda Nacional. 

Somente o que a Santa Casa paga de juros equivale à receita de pelo menos 1 mês e meio de repasses públicos, e quando a totalidade das despesas financeiras é levada em conta nesta comparação, o montante equivale a quase três meses de repasse do poder público. 

Há pelo menos sete anos que o hospital enfrenta problemas de atraso - ainda que por um dia ou algumas horas - no pagamento dos salários de seus funcionários quase todos os meses, que geram paralisações relâmpago sempre perto do 5º dia útil do mês. Neste ano, o pronto-socorro da unidade filantrópica tem ficado superlotado, gerando uma nova “queda de braço” com a prefeitura, que é a “gestora” - uma espécie de agente intermediário - das verbas do SUS na cidade. 

O embate frequente nestes episódios é pelo repasse da verba do SUS, de mais de R$ 24 milhões por mês, dentro do prazo. Mas o balanço divulgado ontem, porém, mostra que o problema é muito mais complexo: o serviço da dívida “sangra” a Santa Casa. 

“Corda no pescoço”

As dificuldades financeiras da Santa Casa também são visíveis em seu balanço, publicado nesta terça-feira (2), quando são verificados os passivos (dívidas) circulantes (com prazo de vencimento neste ano) e não circulante (com vencimento no médio e longo prazo).

Do passivo circulante declarado no balanço do exercício de 2022, no valor de R$ 238,4 milhões, somente R$ 36 milhões se referiam a obrigações pessoais como salários e provisões.

O pagamento de fornecedores foi responsável por R$ 61,8 milhões, as obrigações fiscais por R$ 83 milhões e os empréstimos e financiamentos, por R$ 51 milhões. Outras obrigações, representam R$ 5,4 milhões do passivo não circulante da Santa Casa. 

Quanto às dívidas de longo prazo (não circulante), os empréstimos e financiamentos respondem por mais R$ 141,4 milhões, as provisões para fornecedores por mais R$ 10,1 milhões, e os impostos parcelados, por R$ 179,2 milhões. 

Herança maldita

Um exemplo da dívida da Santa Casa, é o aumento significativo das despesas financeiras relatadas no balanço. Para amortizar empréstimos antigos com a Caixa Econômica Federal, o hospital realizou um novo empréstimo com a Caixa Econômica Federal de R$ 162,1 milhões, a uma taxa de juro de 2,93% ao mês (35% ao ano).

A taxa deste contrato, com liquidação prevista em 120 meses, é quase três vezes a Selic atual, mas é importante lembrar que em 25 de junho de 2021, a mesma Taxa Selic era de 4,25% ao ano: ou seja, a direção do hospital à época, contraiu um empréstimo desta magnitude, pagando uma taxa de juros mais de sete vezes maior que a vigente no período. 

Mas não é apenas este empréstimo, que no ano passado resultou numa despesa financeira anual de R$ 32,4 milhões o único responsável pelas despesas com serviço da dívida do hospital. 

Ainda estão vigentes e em processo de amortização um empréstimo de R$ 10 milhões, contraído com o Sicoob em 2019, com uma taxa de 0,55% ao mês em um prazo de 84 meses;  outro empréstimo de R$ 1,7 milhões contraído com o Bradesco, com juros de 0,82% ao mês, a ser pago em 48 parcelas.

Um contrato com o Banco Daycoval, de R$ 3,2 milhões, de taxa 1,37% ao mês, com amortização em 48 meses, e o mais recente, contratado em 11 de janeiro do ano passado, também na Caixa Econômica Federal, de R$ 40 milhões, a uma taxa de 2,3%, para ser pago em 120 meses. 

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COMBUSTÍVEL

Petrobras recebe parcela de R$ 448 milhões, referente à subvenção à gasolina

Com esse pagamento, o montante acumulado recebido pela empresa no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões

19/09/2026 21h00

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito Gerson Oliveira

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A Petrobras informou hoje que recebeu parcela do Programa de Subvenção Econômica à comercialização de gasolina. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram repassados à estatal R$ 448 milhões, referentes à comercialização de gasolina no período de 16 e 31 de julho.

"Com esse pagamento, o montante acumulado recebido pela Petrobras no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões", diz a empresa.

Além disso, a estatal informou que seu Conselho de Administração, em reunião realizada a sexta-feira, aprovou a adesão à subvenção econômica de produtores e importadores de óleo diesel e suas correntes, instituída pela Medida Provisória nº 1.391, de 11 de setembro de 2026. Segundo a empresa, a adesão ocorre nos termos da regulamentação aplicável estabelecendo o valor unitário da subvenção em R$ 1,00 por litro de óleo diesel "A", de uso rodoviário, pelo prazo de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

"A adesão à subvenção econômica de que trata a MP nº 1.391/2026 não afasta o direito ao recebimento das subvenções econômicas já devidas ao produtor ou ao importador, tampouco revoga a adesão da companhia à subvenção autorizada pela MP nº 1.363/2026, no valor de R$ 1,12 por litro de óleo diesel "A"", disse a Petrobras. "Dessa forma, os benefícios previstos em ambos os programas são cumulativos."

De acordo com a estatal, diante do caráter facultativo e do potencial benefício, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia. "A efetiva assinatura do termo de adesão ficará condicionada à publicação e à análise do regulamento previsto na MP nº 1.391/2026, necessário à operacionalização da subvenção econômica", informou.

Cabe destacar que a Petrobras mantém sua estratégia comercial, orientada pela participação de mercado, pela otimização de seus ativos de refino e pela busca de rentabilidade de forma sustentável, evitando o repasse imediato aos preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio, informou a estatal.

"A companhia segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, preservando a flexibilidade necessária para a execução de sua estratégia comercial e para a geração de valor de longo prazo", afirmou a Petrobras.

ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

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