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Entenda por que médicos são contra ozonioterapia, que aguarda sanção do Presidente Lula

No último dia 12, foi aprovada no Senado uma lei que autoriza a terapia com ozônio como tratamento medicinal complementar, apesar de ela não ser autorizada pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária)

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Uma mistura de ozônio e oxigênio aplicada no corpo humano por injeção ou sonda pode modular as células do organismo e promover ação analgésica e anti-inflamatória.

Essa é a proposta da ozonioterapia, prática controversa que aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ser prescrita por médicos no país.

No último dia 12, foi aprovada no Senado uma lei que autoriza a terapia com ozônio como tratamento medicinal complementar, apesar de ela não ser autorizada pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária).

O procedimento é indicado pela Associação Brasileira de Ozonioterapia (Aboz) para tratamento alternativo de diversos tipos de câncer, problemas circulatórios, doenças virais, úlceras, queimaduras, hérnias de disco, dores crônicas, inflamações intestinais, doenças geriátricas e fortalecimento da imunidade.

É utilizado para fins estéticos, odontológicos e veterinários. Além de ser apontado como um recurso para o tratamento do transtorno do espectro autista (TEA).

A ozonioterapia, entretanto, não é recomendada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) fora de pesquisas experimentais. O conselho afirma que a prática não tem reconhecimento científico para o tratamento de doenças.

“Trata-se de procedimento ainda em caráter experimental, cuja aplicação clínica não está liberada, devendo ocorrer apenas no ambiente de estudos científicos”, diz em nota.

O Ministério da Saúde aconselhou o presidente contra a sanção da lei, apesar de a terapia fazer parte do programa integrativo do SUS (Sistema Único de Saúde) desde 2018. A pasta diz que só disponibiliza ozonioterapia em tratamentos odontológicos.

A microbiologista Natalia Pasternak, que lançou recentemente o livro “Que Bobagem!” sobre pseudociências, afirma que a prática só passou a fazer parte do SUS por causa de um “lobby” dos praticantes. “Infelizmente, muitas práticas foram parar no programa integrativo do Ministério de Saúde como se realmente fossem capazes de curar ou prevenir doenças”.

A advogada especialista em Direito da Saúde, Fabiani Borges, mãe de uma adolescente autista e cofundadora do grupo Autimais, diz que terapeutas “charlatões” estão recebendo dinheiro enquanto enganam pessoas.

“Existem mães vendendo carro para fazer ozonioterapia retal em crianças autistas sendo que não há nenhuma evidência científica da prática e não é sequer um tratamento que possa ser vendido para essa finalidade [conforme resolução do CFM]”, afirma.

O médico Antônio Teixeira, presidente da Aboz e da Associação Global de Ozonioterapia, diz que os representantes não defendem o tratamento como cura para câncer, autismo e doenças neurológicas.

“Temos ciência de que existem trabalhos sendo feitos, mas não temos conclusões ainda que convençam a gente. Nossa indicação é para ação analgésica e anti-inflamatória”, afirma Teixeira.

Em 2020, a ozonioterapia retal despontou como um tratamento possível contra a Covid-19, sugerida pelo prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastoni (MDB).

OZONIOTERAPIA AGUARDA SANÇÃO DO PRESIDENTE 

O presidente da Aboz afirma que a aprovação da lei que autoriza a terapia é uma forma de estabelecer regras para uma prática segura. Segundo ele, nem todos os métodos de aplicação, como uretral, são defendidos pela associação. Além disso, afirma que o tratamento deve ser sempre complementar.

“Tenho confiança que a sensibilidade do presidente é grande e isso vai beneficiar muito a saúde pública”, diz Teixeira.

Já para Pasternak, a sanção da lei ameaça a soberania da Anvisa. “Como uma lei pode passar por cima da avaliação técnica da nossa agência regulatória?”.

Isso aconteceu em 2016, quando o Senado aprovou a “pílula do câncer”. Em 2020, a lei foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

“Esperamos que o presidente escute a ciência, em um governo que se diz preocupado com o uso de evidências científicas na saúde”, diz a microbiologista.

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90 dias

Atuação da Força Penal Nacional em presídios de MS é prorrogada

Ministério da Justiça prorrogou o auxílio do efetivo por mais 90 dias em estabelecimentos penais de Campo Grande e Dourados

17/08/2026 14h00

Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande é uma das que a Força Penal Nacional atua

Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande é uma das que a Força Penal Nacional atua Foto: Gerson Oliveira / Arquivo / Correio do Estado

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O Ministério da Justiça e Segurança prorrogou hoje (17) por mais 90 dias o emprego da Força Penal Nacional na a Máxima de Campo Grande, o  Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho; e na Penitenciária Estadual de Dourados, localizada a aproximadamente 120 quilômetros da fronteira com o Paraguai. O objetivo é dar continuidade ao trabalho de varredura de aparelhos celulares e materiais ilícitos nos presídios, iniciado em maio deste ano.

A Portaria  Nº 1.280, publicada hoje no Diário Oficial da União, permite “excepcionalmente”, o emprego da Força Penal Nacional, em caráter episódico e planejado para treinamento, capacitação e desenvolvimento de protocolos de segurança.

O texto afirma que a operação atende solicitação do Governo de Mato Grosso do Sul com o apoio logístico e terá a supervisão dos órgãos de administração penitenciária e de segurança pública do estado, sendo que o número de profissionais federais não foi divulgado.

Esta decisão permite a continuidade de operações específicas de revistas estruturadas para busca de aparelhos celulares e materiais ilícitos do ambiente prisional e o emprego de tecnologia especializada para identificação de sinais de telefonia móvel, com o objetivo de fortalecer a capacidade de monitoramento e contribuindo para a interrupção de comunicações criminosas originadas no interior das unidades prisionais.

Nessa atuação conjunta entre Governo do Estado e Ministério está sendo utilizado o georradar, equipamento capaz de identificar estruturas subterrâneas sem a necessidade de escavações ou intervenções físicas no terreno. A ferramenta permite localizar possíveis túneis, galerias, cavidades e outras alterações estruturais que possam representar riscos à segurança da unidade prisional.

A Força Penal Nacional em unidades prisionais de Mato Grosso do Sul reúne policiais penais de diferentes unidades da Federação, promovendo a integração de experiências e boas práticas desenvolvidas pelos sistemas penitenciários estaduais e federal.

Atualmente, a missão conta com policiais penais federais e estaduais mobilizados, oriundos dos estados do Acre, Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, São Paulo e Sergipe, que atuam em conjunto com a Polícia Penal Federal e os policiais penais de Mato Grosso do Sul.

 

MATO GROSSO DO SUL

Bioparque Pantanal pode ganhar nome de cientista corumbaense nascida em 1912

Projeto busca complementar nomenclatura do espaço em homenagem à pesquisadora que é uma das principais referências da taxonomia vegetal no Brasil

17/08/2026 12h32

Importante frisar: não há a intenção de retirar o já consolidado título de

Importante frisar: não há a intenção de retirar o já consolidado título de "Bioparque Pantanal", mas sim acrescentar o nome da pesquisadora em complemento à identidade do local. Marcelo Victor/Correio do Estado e Arquivo Graziela Maciel Barroso

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De autoria da deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), professora Gleice Jane, um projeto protocolado na última semana na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, pode trazer ao nome do Bioparque Pantanal um complemento em homem à cientista corumbaense nascida em 1912 que tornou-se uma das principais referências da taxonomia vegetal no Brasil. 

Graziela Maciel Barroso nasceu em Corumbá, em 1912, e atuou como naturalista no Jardim Botânico do Rio de Janeiro antes mesmo de ingressar na universidade em busca de uma graduação, título esse que chegou quando ela já havia completado meio século vivido. 

Agora, conforme proposto pela deputada Gleice Jane (PT), a instituição na Capital do Mato Grosso do Sul passaria a se chamar: Bioparque do Pantanal Graziela Maciel Barroso. 

Ainda segundo a justificativa da parlamentar, para além de ampliar a presença de figuras femininas na memória de espaços públicos locais, a homenagem valorizaria as conquistas e contribuições da pesquisadora que chegou a ser a única mulher entre os candidatos aprovados em concurso público para atuar como naturalista no Jardim Botânico do RJ. 

Importante frisar que não há a intenção de retirar o já consolidado título de "Bioparque Pantanal", mas sim acrescentar o nome da pesquisadora em complemento à identidade do local.

Entenda

Após anos sendo um "elefante branco", o um dia popularmente conhecido como "aquário de Campo Grande" foi inaugurado em 28 de março de 2022 como Bioparque Pantanal.

Gleice Jane defende que associar o nome da cientista ao Bioparque permite aproximar duas dimensões da história sul-mato-grossense: a rica biodiversidade local e a contribuição das mulheres para a produção científica.

“Graziela nasceu em Corumbá e se tornou uma das maiores referências da botânica brasileira, mas sua história ainda é pouco conhecida pela própria população de Mato Grosso do Sul. Dar seu nome ao Bioparque é reconhecer uma cientista extraordinária, valorizar a ciência produzida por mulheres e mostrar às novas gerações que uma mulher sul-mato-grossense ajudou a construir conhecimento fundamental sobre a biodiversidade do nosso país”, diz a deputada.

Através de seu trabalho, Graziela contribuiu para o estudo e classificação da flora nacional, considerada uma principais catalogadoras de plantas do país, sendo parte fundamental inclusive da formação das diferentes gerações de pesquisadores que estariam por vir. 

Conforme o texto da proposta, há uma baixa presença de mulheres na denominação de equipamentos e espaços públicos, nomes que, se atribuídos a esses locais, poderiam contribuir para a construção da memória coletiva, reconhecendo figuras femininas no imaginário popular com o passar dos anos. 

“A memória de um Estado também é construída pelos nomes que escolhemos preservar. Durante muito tempo, as contribuições das mulheres para a ciência, a educação, a cultura e tantas outras áreas foram invisibilizadas. Homenagear Graziela é também dizer que as mulheres fizeram e continuam fazendo parte da construção da história de Mato Grosso do Sul”, afirma Gleice Jane.

Para ela, há ainda um simbolismo em vincular toda a jornada da botânica ao equipamento público local que se dedica à preservação da biodiversidade. 

 

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