Grupo formado por várias entidades protocolou ontem uma petição no Fórum de Campo Grande solicitando figurar como polo ativo no processo que corre na Justiça que tenta evitar a supressão de mata no Parque dos Poderes. O pedido, no entanto, vem na contramão de acordo feito entre governo do Estado, Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e Tribunal de Justiça de MS (TJMS) que prevê a criação de um cinturão verde na região.
Na visão dos ambientalistas que fizeram um ato em frente ao Fórum, o acordo abre caminho para desmatar áreas que deveriam ser preservadas. No entanto, o acordo prevê uma área de preservação maior do que a atual lei em vigor no Estado.
Conforme o advogado Lairson Palermo, membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional MS (OAB-MS), a intenção do protesto é pressionar o poder público para que o acordo que cria o cinturão verde seja suspenso.
“Tem estudos geográficos que mostram que aquilo [Parque dos Poderes] é uma espécie de pulmão, um filtro para quem mora ao redor e aqui embaixo”, disse, destacando que o parque está em uma altura maior em relação ao restante da cidade.
O advogado ainda diz que o acordo deveria ser revisto, não apenas pela questão ambiental, mas porque o desmatamento permitido foi estabelecido visando construções futuras, especialmente a de um novo prédio para o TJMS.
“Qual o impacto que ele [desmatamento] tem sobre a vida daquelas pessoas que estão ali?”, perguntou Palermo.
Para a advogada e ex-candidata ao governo de MS Giselle Marques, o acordo não prevê menos desmatamento.
“Não é possível a celebração desse acordo porque o meio ambiente é um bem indisponível. O meio ambiente não é do Ministério Público e não é do governo do Estado, ele é um bem difuso que pertence a todas as pessoas”, concluiu.
Ao Correio do Estado, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirmou que uma das formas encontradas por ela e mais oito parlamentares foi pedir o tombamento do parque pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Para isso, a vereadora, com uma comissão formada por ambientalistas e outras pessoas, vai protocolar um requerimento para que o processo de tombamento pelo Iphan seja iniciado.
A parlamentar também pretende protocolar um pedido semelhante no Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural de Campo Grande.
De acordo com Luiza, se aberto, o requerimento na esfera municipal terá o poder de frear o desmatamento de forma quase imediata.
A parlamentar ainda pedirá no dia 21, Dia da Árvore, que o projeto de lei que regulamenta o tombamento do complexo, que, além do Parque dos Poderes, inclui o Parque das Nações Indígenas e o Parque Estadual do Prosa, seja retomado na Câmara Municipal.
CINTURÃO VERDE
A criação do cinturão verde no Parque dos Poderes deve ser efetivada com o envio de um nova lei, que o governador Eduardo Riedel (PSDB) encaminhará à Assembleia Legislativa e que deverá substituir a Lei nº 5.237/2018, que trata da ocupação do Parque dos Poderes, sancionada por seu antecessor, Reinaldo Azambuja.
No novo texto, a área preservada no parque deverá ser de 175,66 hectares de mata nativa, valor superior ao que está em vigor atualmente, que prevê preservação de 164,61 hectares.


Imagem mostra inseto encontrado pela consumidora no hambúrguer comprado em unidade do Jeronimo, em Campo Grande. Foto: Reprodução.

