Cidades

MEIO AMBIENTE

Enxurrada de ações resulta em 80 mil toneladas de lixo reciclado

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul ajuizou 136 processos contra empresas e indústrias que não estavam cumprindo com a logística reversa

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Após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ajuizar 136 ações contra empresas e representantes do setor industrial, por não estarem cumprindo as diretrizes da logística reversa, as empresas que possuem produtos com embalagens no Estado, reciclaram mais de 80 mil toneladas de lixo, de 2019 a 2021, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

Os processos contra as empresas foram abertos em 2018, e após essa iniciativa o Estado passou a implementar a Logística Reversa de Embalagens, publicando uma regulamentação através dos Decretos n°15.340 de dezembro de 2019 e n° 16.089, de janeiro de 2023.

O Imasul pontua ainda que o Plano Estadual de Resíduos Sólidos começou a ser implementado. Entre as diretrizes está a operacionalização do sistema e a data, de 30 de junho de cada ano, para que seja apresentado o Relatório de Desempenho das Entidades Gestoras.

No entanto, a entrega do relatório de 2022, que deve ser feita este ano, foi adiada pelo Imasul, devido a “ajustes no sistema que operacionaliza a Logística Reversa no Estado, o Sisrev/MS”, apontou a diretora de Desenvolvimento do Imasul, Thaís Caramori. Em 2024, as empresas terão até o dia 10 de dezembro para enviar os dados relativos ao ano-base de 2022.

“A Logística Reversa consiste no retorno do material reciclável ao ciclo produtivo, reduzindo dessa forma os resíduos destinados aos aterros sanitários. A implementação da Logística Reversa de Embalagens no Mato Grosso do Sul se deu após a obrigação que o governo estadual impôs aos fabricantes que colocam seus produtos que geram embalagens após consumo, no território sul-mato-grossense”, explica Thais.

Essa iniciativa está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos, implementada em 2010, através da Lei n° 12.305, que traz uma série de diretrizes para a gestão e o gerenciamento de resíduos sólidos.

“A conta não poderia ficar apenas para as prefeituras municipais, que necessitam dar destinação adequada aos resíduos coletados. A indústria precisa cumprir com sua responsabilidade de comprovar que, ao menos 22% das embalagens aqui colocadas, sejam retornadas ao ciclo produtivo através da reciclagem”, pontua a diretora do Imasul.

IMPACTO

O Imasul informa ainda que no primeiro ano de vigência, em 2019, foram cadastradas 5.476 empresas no sistema, que comprovaram 24.796l toneladas de embalagens em geral, retornadas ao ciclo produtivo e não foram depositadas indevidamente em aterros sanitários.

Já em 2020, o instituto relata que foram 6.105 empresas cadastradas e que registraram mais de 27 mil toneladas de retorno de resíduos ao ciclo produtivo.

Em 2021, último ano-base que foi catalogado, os resultados prévios apontam para 5.744 empresas que fizeram cadastro no sistema e o retorno de mais de 29 mil toneladas de embalagens.

Ao todo, nesses três primeiros anos-base da logística reversa, o Estado afirma ter recolocado no ciclo reprodutivo mais de 80 mil toneladas de resíduos sólidos.

No entanto, os dados de 2021 podem ser alterados, porque o Imasul aponta que as entidades gestoras que tinham pendência tiveram até o dia 8 de julho para resolver as demandas.

O Ministério Público publicou um artigo, que fala sobre a importância da Logística Reversa e o protagonismo que o Estado criou, a partir da implementação do sistema envolvendo todas as empresas que comercializam os produtos em MS, incluindo aquelas que estão situadas em outras unidades da federação.

“Esses resultados foram alcançados por meio de 14 entidades gestoras e 42 operadores logísticos, sendo metade Cooperativas e Associações de Catadores. A implementação do trabalho só foi possível em razão da prévia atuação do Ministério Público, em parceria com o Tribunal de Contas e o Imasul, mediante acordos extrajudiciais firmados e posteriormente ingresso de ações civis públicas”, alega o órgão.

COMPROVAÇÃO

Entretanto, o sistema da Logística Reversa não conta com uma fiscalização tradicional para a comprovação da reciclagem de materiais pelas empresas. A apresentação do Relatório de Desempenho é feita pelas entidades.

Anualmente, a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) faz uma lista das empresas que comercializam produtos não perigosos no mercado de Mato Grosso do Sul, que são vendidos em embalagens, e repassa para o Imasul, que convoca essas entidades comerciais para fazer a comprovação.

“Então, de tudo que entra de embalagem eles (empresas) declaram a quantidade de embalagens que eles colocaram aqui no Estado, por exemplo, a empresa que vende cerveja, ela vai declarar no nosso sistema ‘eu inseri 1 tonelada de garrafa de vidro’ e ela tem que comprovar para nós que ela devolveu ao ciclo reprodutivo no mínimo 22%”, exemplifica Thais Caramori.

A diretora do Imasul destaca que o sistema é auto-declaratório, então o que as empresas alegam no relatório, não há uma fiscalização em cima. A comprovação é feita a partir da nota fiscal, que as cooperativas de reciclagem e ou empresa particular que faz a separação do material enviado por essas entidades, mandam da venda dos resíduos para a indústria recicladora.

Porém, o Imasul publicou no dia 9 deste mês, que será publicada uma Portaria, definindo as responsabilidades de auditores de terceira parte e verificadores independentes na cadeia Logística Reversa de Embalagens em Geral. Tanto o auditor quanto o verificador são pessoas jurídicas independentes e habilitadas, que fazem atividades de verificação, comprovação das informações prestadas, entre outras ações de análise de dados.

Saiba

“Toda entrada de produtos oriundos de outras unidades da federação, que não esteja submetido aos compromissos de algum sistema de logística reversa registrado no Imasul, será considerada infração ambiental e penalizada”, alerta o Imasul.

Brasil

Próximo presidente herdará R$ 204 bilhões em concessões de infraestrutura

Entre os projetos que sofreram atraso e não foram concedidos, estão a Malha Oeste e a Hidrovia do Rio Paraguai, em MS

21/09/2026 08h00

Projeto da Malha Oeste, que passa pela Capital, foi adiado

Projeto da Malha Oeste, que passa pela Capital, foi adiado Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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O próximo governo federal herdará uma extensa carteira de concessões de infraestrutura com investimentos projetados em, ao menos, R$ 204 bilhões, marcada pelo adiamento de grandes projetos para 2027 ou anos posteriores. Entre as obras represadas que afetam diretamente o escoamento de produção no Centro-Oeste, destacam-se empreendimentos vitais para Mato Grosso do Sul, como a relicitação da Ferrovia Malha Oeste e o pacote de concessões hidroviárias no País.

No setor ferroviário, a carteira de projetos repassada ao próximo mandato soma R$ 154,9 bilhões. O planejamento inicial previa oito leilões para este ano, mas apenas um deve ser realizado. Apesar dos atrasos gerais na malha nacional, a Ferrovia Malha Oeste, que conecta São Paulo a Mato Grosso do Sul, permanece na lista prioritária do governo para publicação de edital.

Em entrevista à Folha, o ministro dos Transportes, George Santoro, destacou o rito para viabilizar a transferência do trecho ferroviário ao setor privado. “[Fazer]concessão é muito mais complexo, eu não vou fazer na afobação. Eu vou fazer seguindo o rito tranquilo: vou publicar os editais e o próximo governo faz leilão”, afirmou Santoro.

O ministro explicou que a complexidade de estruturar grandes projetos ferroviários do zero exigiu ajustes de viabilidade com órgãos de controle antes da liberação.

“A grande questão é que a gente não tinha uma trajetória de fazer concessões de ferrovias, principalmente greenfield. A gente está colocando no mercado projetos gigantescos. Sem modelagens, sem previsão de cobertura de ‘gap’ de viabilidade, sem previsão de tudo isso, a gente teve que trabalhar no TCU [Tribunal de Contas da União], e tudo isso foi aprovado recentemente. Eu acredito que a gente vai publicar editais neste ano para os leilões acontecerem no início do próximo ano”, acrescentou o titular dos Transportes.

Além do modal sobre trilhos, a logística do Centro-Oeste aguarda a evolução dos transportes fluviais, uma vez que todas as cinco concessões hidroviárias previstas na carteira do governo federal acabaram sendo empurradas para os próximos ciclos, sem datas consolidadas.

O represamento do setor hidroviário compromete a previsão de aportes e a definição do cronograma de leilões para a expansão dos eixos de navegação.

Os atrasos no cronograma global atingiram ainda rodovias e portos. Das 13 licitações rodoviárias prometidas para este ano, a expectativa é de concluir apenas sete, transferindo R$ 28,8 bilhões em investimentos para a futura gestão. Já nos portos, apenas três das 18 concessões anunciadas foram efetuadas até setembro, deixando mais de R$ 20,8 bilhões em aportes travados para depois deste ano.

Fatores como a suspensão de estudos, alterações de cronograma, acúmulo de processos na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e frustração de acordos no Tribunal de Contas da União (TCU) explicam o gargalo das concessões. Para o especialista em infraestrutura e concessões Maurício Portugal, o ambiente político também influencia o ritmo das licitações. “É natural você conseguir fazer menos leilões no ano eleitoral. O governo fica muito mais sensível a esse tipo de pressão”, afirmou Portugal.

Apesar dos adiamentos acumulados neste ano, levantamento conjunto dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos aponta que a atual gestão registrou 50 leilões realizados entre 2023 e 2025 em rodovias, portos e aeroportos. 

O volume supera o número de leilões promovidos durante os mandatos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.
 

Educação

IFMS: alunos de dois cursos podem se inscrever no programa Pé-de-Meia

Iniciativa contempla acadêmicos de Computação (Jardim) e Química (Coxim) que ingressaram via Sisu. Bolsas são de R$ 1.050 mensais

20/09/2026 18h50

Divulgação/IFMS

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Alunos matriculados nos cursos presenciais de Licenciatura em Computação, ofertado no Campus Jardim, e Licenciatura em Química, no Campus Coxim, podem se inscrever no programa Pé-de-Meia Licenciaturas, ação do Ministério da Educação (MEC) que integra o programa Mais Professores. 

Para ingressantes de 2026, as inscrições ficam abertas até o dia 19 de dezembro, enquanto houver disponibilidade de vagas, e devem ser realizadas diretamente pela Plataforma Freire.

A análise e aprovação das pré-inscrições são conduzidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até o dia 20 de cada mês.

Benefício financeiro - O programa concede apoio financeiro no valor total de R$ 1.050 mensais durante toda a graduação:

  • R$ 700 mensais: disponíveis para saque direto do estudante;
  • R$ 350 mensais: depositados em conta-poupança. O valor acumulado poderá ser resgatado se o formando ingressar como docente em rede pública de ensino em até cinco anos após a formatura.

O pagamento das bolsas é efetuado até o quinto dia útil do mês subsequente ao cadastramento do bolsista no sistema da Capes.

Quem pode participar - Podem solicitar o benefício os acadêmicos que atendam cumulativamente às seguintes condições:

Estar regularmente matriculado em curso presencial de licenciatura do IFMS (Computação em Jardim ou Química em Coxim);
Ter ingressado no curso em 2026 por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu);
Ter alcançado nota igual ou superior a 650 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
Cumprir os critérios do Edital nº 2/2025 da Capes e as diretrizes do programa de ingresso.
O atendimento oficial do MEC e da Capes para esclarecimentos sobre o programa é feito pelo e-mail [email protected].

Com informações do Ministério da Educação 

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