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Escritor Pedro Juan Gutiérrez cria romance longe de Havana

Escritor Pedro Juan Gutiérrez cria romance longe de Havana

Folha Online

08/05/2011 - 01h00
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Já faz mais de dez anos que "Trilogia Suja de Havana", de Pedro Juan Gutiérrez, foi lançado no Brasil. Na época, o escritor cubano deu uma série de entrevistas sobre seu jeito lascivo, impulsivo e desesperado de viver que conquistou leitores, e especialmente leitoras, ao redor do mundo.

Sabe-se que não foram poucas as mulheres que bateram à porta do escritor, em Havana, inventando um pretexto para ver se conseguiam viver uma noite regada a rum e sexo como aquelas descritas no livro.

Hoje com 61 anos, o Pedro Juan que desembarca em São Paulo na próxima semana é um sujeito um pouco mais sereno. Adepto do budismo, com reconhecimento internacional consolidado (tem livros traduzidos em 20 línguas) e mais reflexivo do que imediatista, ele parece deixar para trás o realismo sujo que o tornou conhecido.

"Minha vida sempre foi muito intensa, mas é um imperativo da natureza. Aos poucos você vai se tranquilizando, vai controlando um pouco o álcool, o tabaco. Sinto que já não tenho necessidade de escrever cenas sexuais tão carnais", disse.

Se a nova receita, mais "zen", vai funcionar em termos de literatura, ainda é mistério. O autor trabalha para finalizar seu novo romance "Estoico e Frugal" (título provisório).

Com forte carga autobiográfica (como quase toda sua obra), o novo livro acompanha a vida de um cubano que vai viver em Madri.

"Entre idas e vindas, trabalho nesse romance há 13 anos, tentando cercar o tema, agarra-lo. Um romance é como uma engrenagem em que cada roldana precisa funcionar perfeitamente."

Desde que começou a ser reconhecido internacionalmente, é na capital espanhola que o autor passa largas temporadas quando se sente "sufocado" por Havana.
Segundo ele, não devem faltar no livro descrições da arquitetura de alguns bairros ou bares madrilenos.
"Quero retratar lugares concretos. Porque a cidade vai adentrando na gente. Foi ali que passei noites de febre, loucura, luxúria, 'borracheras' [bebedeiras], alegrias e desesperos."

As mudanças no escritor parecem seguir as mudanças graduais em curso na ilha. Seus livros, antes completamente silenciados no país, começaram a ser publicados em pequenas edições de 2.000 exemplares.

"Sim, se respiram ares de mudança", diz Pedro Juan, que apesar disso mantém sua postura de não falar sobre política cubana.

Nascido em Matanzas, perto do mar, Pedro Juan começou a trabalhar aos 11 anos de idade ajudando o pai a vender sorvetes. Foi instrutor de natação, gigolô, cortador de cana, salva-vidas.

Durante a grande crise dos anos 90, vendia bugigangas para tentar não passar fome. Nem sempre conseguia. Sem falar diretamente de política, sua literatura sempre incorporou a realidade social miserável ao redor.

Literautura com jogo

Em São Paulo, Gutiérrez desembarca a convite do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural (leia ao lado), da revista "Cult".

Na conferência, falará sobre a literatura "como jogo", usando Kafka e Cortázar, dois dos autores que define como "capitais" em sua formação, junto com a moderna literatura americana.

"Eu trabalhava numa emissora de rádio quando li 'Breakfast at Tiffany's'. Se em Hemingway, eu via as marcas do escritor muito presentes, em Capote tudo pareceu mais natural, como se as páginas tivessem sido escritas numa só arrancada. Foi desse tipo de narrativa que quis me aproximar."

Durante a visita, o escritor deve aproveitar para fazer contato com sua editora (a Alfaguara, do grupo Objetiva) e ver se consegue programar novos lançamentos no país.

Disponíveis em espanhol, dois de seus últimos livros publicados, "Carne de Perro" (2003) e "Corazón Mestizo" (2007), não ganharam tradução por aqui.

Moradia

Emha divulga lista de beneficiários do Bônus Sonho de Morar; veja se seu nome está na lista

Convocados devem assinar o termo de compromisso nesta quinta-feira (6)

05/08/2026 13h15

Agência de habitação da Capital está no meio de investigação

Agência de habitação da Capital está no meio de investigação Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) divulgou nesta quarta-feira (5) a lista dos beneficiários contemplados pelo Programa Bônus Sonho de Morar. A relação está publicada nas páginas 10 e 11 do Diogrande nº 8.415.

Os convocados devem comparecer nesta quinta-feira (6), às 17h30, para assinar o Termo de Compromisso, etapa obrigatória para receber o benefício. O atendimento será realizado no auditório da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS), na Rua Venâncio Borges do Nascimento, nº 377, no Jardim TV Morena.

Criado em 2018, o Bônus Sonho de Morar concede um aporte financeiro para ajudar famílias de baixa e média renda a pagar a entrada do financiamento habitacional, facilitando o acesso ao primeiro imóvel. O programa foi instituído pela Lei Municipal nº 6.045/2018 e, atualmente, pode conceder subsídio de até R$ 20 mil, conforme as regras vigentes da Emha.

Neste ano, o programa integrou o 10º Feirão Habita Campo Grande, realizado durante o Natal dos Sonhos 2025. Somadas, a 9ª e a 10ª edição do evento movimentaram mais de R$ 130 milhões em negócios e resultaram na comercialização de 570 unidades habitacionais, consolidando o feirão como o maior evento de habitação de interesse social do Centro-Oeste.

Como consultar a lista

A lista completa dos beneficiários está disponível nas páginas 10 e 11 do Diogrande nº 8.415. Os contemplados devem verificar se o nome consta na publicação e comparecer no horário e local informados para a assinatura do termo. A ausência pode comprometer a concessão do benefício.

"GUERRA SANTA"

Cristã, prefeita de Campo Grande troca nome de 'rua Alan Kardec' em homenagem a pastor

Troca aprovada pela Câmara Municipal acontece em memória ao líder evangélico da igreja que está na esquina da Av. Afonso Pena com a rua até então batizada em menção à figura espírita

05/08/2026 12h59

Sede da IEADMS em Campo Grande

Sede da IEADMS em Campo Grande Reprodução/Internet

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Projeto aprovado há cerca de um mês pela Câmara Municipal da Capital, a troca de nome da agora antiga "Rua Alan Kardec" em homenagem à figura do Pastor Eliseu Feitosa de Alencar foi oficializada hoje (05) através da publicação no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), assinada pela prefeita Adriane Lopes. 

Cabe destacar que a ação homenageia o fundador da igreja Evangélica Assembleia de Deus de Mato Grosso do Sul (IEADMS), Eliseu Feitosa de Alencar, entidade criada em 6 de dezembro de 1972 pelo pastor e sua esposa, pastora Dulcila Araújo de Alencar. 

Ainda que trocas dessas denominações dadas a vias locais sejam comuns, essa em específico chama atenção por se tratar da alteração no trecho que compreende apenas uma quadra, entre a Barão do Rio Branco, onde o caminho deixa de se chamar "Alan Kardec", até a Rua Dr. João Rosa Pires onde na esquina com a Avenida Afonso Pena fica a sede da igreja.

Originalmente, esse projeto de lei nasceu das mãos do vereador Herculano Borges, que defendeu na Casa de Leis de Campo Grande a posição de Eliseu Feitosa de Alencar como "um grande evangelista", pelo seu trabalho como missionário, pregador, pastor e fundador do Ministério das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus de Mato Grosso do Sul, anteriormente denominada Mato Grosso.

Conforme o texto sancionado pela prefeita integrante do Partido Progressista (PP), Adriane Lopes, a alteração para esse trecho de uma quadra passa a valer a partir da atual data de publicação.

Declaradamente "cristã, evangélica e conservadora", a atual prefeita de Campo Grande faz questão de deixar a posição permear as ações de seu mandato, como exemplo no lançamento da Semana da Criança, que tinha organizadores também os Conselhos de Pastores de Mato Grosso do Sul e Campo Grande (Consepams e Consepacg).

Fé da prefeita

Para além dessa "guerra santa" da sobreposição do nome da importante figura espírita pela escolha da homenagem ao pastor evangélico, a atual chefe do Executivo de Campo Grande já teve seu nome entre assuntos polêmicos envolvendo religião. 

Há cerca de dois anos Campo Grande aderiu também ao 13 de maio em seu calendário municipal como "Dia do Preto Velho", projeto que precisou ser promulgado pelo presidente da Câmara Municipal, Carlos Augusto Borges, já que, após passar na Casa de Leis, a prefeita Adriane Lopes ignorou a proposta que se tornou lei sem receber a sanção ou veto do Executivo.

Enquanto "se esquivava" enquanto prefeita da Capital sobre a criação do Dia do Preto Velho em Campo Grande, Adriane marcou presença no "café do conselho de pastores" para Lançamento da Marcha para Jesus 2024 - marcada para acontecer em 26 de agosto -, ocasião também em que recebeu uma "oração poderosa, direta do Trono de Deus", segundo a chefe do Executivo à época.

 

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